Breve sumário da crise política brasileira

A era da informação trouxe-nos um obstáculo de maior quando nos debruçamos perante este tipo de acontecimentos: a cada hora que passa, o rol de informações e contra-informações que os órgãos de comunicação social nos dão a conhecer a uma velocidade, diria, de torpedo, fazem com que por vezes, o nosso discernimento sobre o ponto de situação seja cada vez mais difícil e confuso. Grande valia no mundo actual é conseguir, no meio do cataclismo informativo que nos injectam, conseguir criar uma âncora que nos permita fundar uma opinião limpa e isenta.

Sobre a actual crise brasileira, resumidamente, chego a 4 conclusões e 3 dúvidas:

Eu cá chego a 4 conclusões:

1. A participação de Lula no Lava Jato é praticamente certa. São inegáveis os fios condutores que ligam a participação de Lula no esquema triangular entre o PT, a Odebrecht e a Petrobras.
2. Dilma percebe que a única forma de salvar o padrinho e companheiro de luta é “entachá-lo na casa civil”. A sua nomeação, indiferentemente do processo a decorrer, será benéfica para unir novamente as massas em torno do actual governo, muito contestado em 3 ocasiões nos últimos dois anos: na organização do Mundial (sob o pretexto do aumento do custo dos passes sociais nos transportes brasileiros; passando transversalmente para as verbas gastas pelo governo na organização do evento versus necessidades sociais), aquando (e sobre) os aumentos inflaccionários registados no último ano e consequentemente aquando da modificação do regime tributário brasileiro levado a cabo pela Presidência-Governo Dilma para modificar ou se quisermos dizer, re-estruturalizar o Estado Brasileiro perante um cenário de arrefecimento da economia brasileira (aumento da inflacção, quebra da procura interna; falência de empresas; crescimento do desemprego), provocado sobretudo pela revisão em baixa do preço do petróleo, pela quebra de receitas do Estado neste sector e pelo rombo que a procura interna brasileira levou devido aos motivos supra-citados. Não nos podemos esquecer que o grande salto que a economia brasileira deu nos últimos 15 anos, pela mão dos governos PT, foi gerado graças a uma internacionalização do país, abrindo de forma escancarada as portas ao investimento estrangeiro. Os 50 milhões que ascenderam da pobreza à classe média-baixa e os 75 milhões que ascenderam da classe média-baixa às classes média e média-alta não esquecerão o que o PT fez por elas na última década.Escrevo isto depois de ter falado com 3 amigos brasileiros que foram alguns dos beneficiários directos da estratégia económica levada a cabo por Lula da Silva.
3. As elites pretendem o regresso da velha ordem ditatorial militar oligarca. Aquela ordem que permitia a um grupo restrito de grandes empresários brasileiros deter, devidamente protegidos pelo aparelho de estado, os meios de produção.
4. Sérgio Moro está a perder o controlo a cada dia que passa, cometendo ilegalidades atrás de ilegalidades. Se publicar as escutas realizadas ao telefone da presidente da república é uma acção inconcebível em qualquer estado de direito, tenho denotado que Moro (revestindo uma pose quase bolivariana) está completamente incontrolável quando refere que publicar escutas da presidente da república é um facto “irrelevante”, que claramente me faz lembrar a forma em como ainda hoje é feita a justiça em países de 3º mundo como a Tanzânia ou Moçambique com o recurso popular à denominada justiça dos tribunais populares. Moro quer mexer na opinião pública que lhe interessa de forma a granjear todos os recursos que possam, à força, cumprir os seus desígnios.
3 dúvidas:
1. Desconfio que tanto as elites como os militares brasileiros afectos à direita política estão a ser instigados por uma potência estrangeira. Quanto ao próprio Moro, duvido que ele mesmo também terá sido seduzido por algo ou alguém (PSDB, uma potência estrangeira).
2. Se for levantada a “providência cautelar” sobre a tomada de posse de Lula nos próximos dias, os conflitos serão… sanados ou mortíferos?
3. Consequências geopolíticas e geoestratégicas: Com um brasil em barricada, poderemos ter uma espécie de primavera (no sentido revolucionário; no brasil, estamos a entrar no Outono) Sul-Americana parecida com a que existiu nos anos 50, 60 e 70?

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