Sorria, está a ser assaltado. Outra vez…


Offshore Bill

Não se preocupem, está tudo bem. É só mais um esquema de fraude fiscal e desvio de dinheiro em quantidades industriais. É só mais uma história protagonizada por banqueiros, políticos, monarcas, celebridades, terroristas e uns quantos outros criminosos, corruptos e burlões que usaram os liberalíssimos offshores para fintar a lei, lavar dinheiro e fugir às suas responsabilidades fiscais. É só mais um episódio que completa uma trilogia que promete não ficar por aqui e que já deu ao mundo enormes sucessos como Luxleaks (2014) e Swissleaks (2015). Bem-vindos ao admirável mundo trafulha dos Panama Papers.

Pouco se sabe para já. O enredo é denso, a terminologia extremamente complexa e o esquema inclui tráfico de armas e droga, financiamento de grupos terroristas e mistura ditadores sanguinários com a sacrossanta banca europeia. O que sabemos é que a quantidade de dinheiro desviada é colossal, e que por cada um destes terroristas que desvia dinheiro ou financia actividades ilícitas, há alguém que fica a perder. E esse alguém sou eu, é o leitor e é a esmagadora maioria da população mundial, os tais 99%, que resgatam bancos e são sujeitos à violência da austeridade cega que procura “corrigir” os desequilíbrios provocados pelo terrorismo do mercado desregulado, controlado pela lei do mais forte.

Acompanhem este caso, não o deixem cair no esquecimento em que aparentemente caíram os casos que o sucederam. E lembrem-se de tudo isto que está a acontecer da próxima vez que os esquadrões ultraliberais vos tentarem convencer que o estado-providência não é sustentável. Aqui ou no Japão. O que não é sustentável é continuarmos a ser permanentemente assaltados pelos jihadistas do terrorismo financeiro. Declaremos-lhes guerra sem quartel ou assistamos, impávidos, ao alargar do fosso e à interminável imposição de sacrifícios de cada vez que a bolha rebentar. Até quando queremos ser escravos da ganância?

Comments

  1. Nightwish says:

    “E esse alguém sou eu, é o leitor e é a esmagadora maioria da população mundial, os tais 99%, que resgatam bancos e são sujeitos à violência da austeridade cega que procura “corrigir” os desequilíbrios provocados pelo terrorismo do mercado desregulado, controlado pela lei do mais forte.”

    E que ouço eu quando acordo?António Saraiva a pedir uma intervenção nas empresas que não são pagas pelos angolanos. Sempre tão defensores do estado social, estes capitalistas defensores do mercado livre.

  2. Isabel Atalaia says:
    • Ana Moreno says:

      O que está em causa é o supinamente necessário controle aos oásis fiscais e às manigâncias dos tubarões que nos prejudicam a todos. A outra questão é secundária e adequada a dividir para turvar as águas.

    • Uma perspectiva interessante, que introduz informação que desconhecia, mas que não diminui minimamente a minha satisfação pela machadada que o regime mundial leva com este caso 🙂

  3. anónima says:

    Caro João Mendes,
    Há questões muito mais importantes para que é necessário olhar como, por exemplo, voltar a criar freguesias. Não se deixe distrair do essencial.

  4. Gustavo Martins says:

    Mas isto é notícia?
    Só quem anda distraido é que não sabe como é que estas coisas acontecem.
    Porque é que os politícos donos do mundo não acabam com os off shores? Será que não têm poder para isso?
    O mundo é governado por uma máfia, começando pelos politicos corruptos, e aqueles que não se julgando corruptos, também o são, porque sabem perfeitamente como as coisas funcionam e são coniventes com o sistema.
    Enfim, ainda há pouco foi revelada a conversa entre dois tubarões do FMI, tratando de afundar ainda mais o povo Grego na miséria.
    Porque é que os economistas quando vão à televisão, não falam disto, dos trilhões e trilhões de Dólares que são desviados das economias dos países por estas autênticas máfias que dominam o mundo, e que pôe cada vez mais na miséria grande parte da população mundial.
    Não existe justiça, para os pobres, pois esta, está ao serviço dos poderosos do mundo e as forças de segurança e forças armadas, estão aí para proteger estes ladrões, pois se o povo protestar, leva porrada e ainda vai preso.
    É este o mundo que temos, por exemplo na Madeira existiam milhares de empresas a serem geridas por uma pessoa, e agora perguntem-se, em que consistiam os negócios dessas empresas? Isto é generalizado seja no Panamá, nos Estados Unidos, no Luxemburgo, na Suiça.
    Agora a questão que se põe é esta.
    Como acabar com isto e julgar os culpados deste flagelo que assola a humanidade?
    Acham que o povo, aquele que dizem que vive em democracia tem o direito de ser esclarecido acerca de tudo isto, e exigir que se faça justiça a nível mundial?
    Não, e porque será?

  5. Vem muito a jeito esta “monumental” descoberta dos Panama Papers.

    E eu, e mais alguns, que já andamos a virar febras há uns anos, achamos que esta “monumental” descoberta é um verdadeiro miminho….

    É assim como que chamar o meu cão por umas escadas, enquanto chamo o meu gato por outras….para ver se os distraio e eles não se encontram….não sei se me fiz explicar bem….

  6. Continuamos a viver acima das nossas possibilidades, é o que se deduz deste caso.

    O que vale é que depois virá o FMI cortar nos excessos das pensões e dos salários, da saúde, educação etc, para remediar esta pouca-vergonha.

  7. joão lopes says:

    mas que grande “escandalo” que dá tanto jeito nesta altura…já agora,já sairam os “monaco papers”?

  8. Henrique says:

    Só para lembrar que vimos achando que o PSI20 ir pagar impostos à Holanda é uma coisa normal!
    O detalhe aqui é apenas a latitude…

  9. Sim! É só mais uma história de uma corja de gatunos e corruptos, mas esta, do tamanho do mundo.
    Parasitas!… 😦

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