Nos 100 anos da morte de Mário de Sá Carneiro

sa carneiro
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí…
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi…

Um pouco mais de sol e fora brasa,
Um pouco mais de azul e fora além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa…
Se ao menos eu permanecesse aquém…

(Quase)

As manhas de um Correio

CM

O BE entregou no Parlamento três projectos de resolução onde recomenda ao governo o fim das portagens nas auto-estradas A4 (Porto/Quintanilha-Bragança), A24 (Viseu/Chaves) e A25 (Aveiro/Vilar Formoso), defendendo que tais medidas contribuirão para aliviar as pressões sociais e financeiras sobre Viseu e Vila Real, dois distritos economicamente deprimidos. Importa recordar que as três estradas nasceram como vias sem custos para o utilizador.

O jornal com mais tiragem do país achou que, parafraseando a minha fonte, assim dava mais estrondo. E dá. Dá porque os jihadistas anti-esquerda adoram partilhar estas coisas e, de hoje para amanhã, o BE é um partido irresponsável que quer acabar com as portagens em todas as auto-estradas deste país, privando assim o Estado de uma importante fonte de receita. Porque são demagogos. Porque são populistas. Porque são despesistas. Porque querem entregar tudo aos funcionários públicos, esses nababos. E assim se cria um boato que dará a volta ao mundo das redes sociais, transformando-se em verdade absoluta para alguns. Acontece todos os dias. Nada de novo.

Tweet via Os Truques da Imprensa Portuguesa

O tédio dos alunos

calvinchatice5rmOntem, foi publicada uma reportagem com o título «Para que a escola não seja uma “catedral do tédio” é preciso que os alunos contem».

O ponto de partida é um estudo internacional da Organização Mundial de Saúde sobre a adolescência. Em Portugal, e citando o Público, «apenas 25% dos alunos portugueses com 15 anos disseram que gostavam muito da escola. Mais concretamente, põem em causa as aulas, que consideram aborrecidas, e a matéria que ali é dada, descrita por eles como sendo excessiva.»

O Público pediu a opinião de seis jovens que integraram o projecto Dream Teens e consultou, ainda,  Ilídia Cabral, docente da Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa, para além de dois professores, Ricardo Montes, autor do ProfLusos, e Luísa Mantas, antiga mediadora do EPIS.

Em resumo, as aulas, em Portugal, são aborrecidas e os alunos deveriam ter uma palavra (eventualmente a mais importante ou mesmo a única) sobre, por exemplo, o currículo. Para cúmulo, segundo parece, os professores portugueses ainda não descobriram as novas tecnologias e não aprenderam a lidar com os “nativos digitais”, continuando, portanto, a leccionar a uma grande distância do século XXI. [Read more…]

Outro fascista!

Ouve-se e não se acredita. Encerrar os orgãos de comunicação social privados? Como disse? Outro a querer que sejamos todos norte-coreanos!

Voyeurs

©Rear Window

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Talvez tenham lido a história na imprensa portuguesa, há duas ou três semanas, do dono de um motel nos EUA que espiou os clientes durante quase 30 anos. A história surgiu na revista New Yorker, contada pelo veterano repórter Gay Talese, com o título “The Voyeur’s Motel”, e merece ser lida com a atenção minuciosa, ainda que um pouco inquieta, de um voyeur.

Gerald Foos comprou um motel, na década de 1960, com a intenção de montar no edifício um sistema que lhe permitisse espiar os clientes nos quartos. Entre o primeiro andar e o telhado, mandou construir um piso que lhe permitisse caminhar sobre os quartos dos hóspedes, agachar-se no chão e espreitá-los através do que parecia apenas uma grelha de ventilação. Do seu dissimulado posto de vigia, assistiu a tudo o que se passava nos quartos: discussões, sexo, orgias, consumo de drogas, violência. Interessavam-no a nudez e, sobretudo, as práticas sexuais. Sexo conjugal, adúltero, heterossexual, homossexual, em grupo, com fetiches de todo o tipo. A sua intenção, garante, era científica: observar e registar por escrito o comportamento sexual de um conjunto tão variado quanto possível de seres humanos que, sem se saber observados, se comportariam de forma espontânea, ao contrário do que acontece com os voluntários dos estudos científicos. Reconhecia que era um voyeur, que obtinha satisfação sexual com a sua actividade, mas que não se sentia um tarado, antes um cientista, que prestava um serviço à humanidade com as suas observações e registos. [Read more…]