O farsola já começou a ir ao pote


Nos últimos tempos, não disse uma palavra que fosse sobre Pedro Passos Coelho e o PSD. Entendi que interessava em primeiro lugar despachar o outro. Teríamos, então, tempo para tratar deste.
Pela minha parte, as tréguas acabam já hoje. Dei-lhe o benefício da dúvida durante alguns dias, mas o seu estado de graça acabou. Os meus colegas PSD do Aventar que me perdoem, mas a partir de hoje guerra é guerra.
O farsola, como muito bem lhe chamou Miguel Portas, tem de ser desmascarado porque, no fundo, é igual a José Sócrates no que diz respeito às mentiras e à quebra das promessas eleitorais. Disse o que disse durante a campanha, mas a primeira medida que toma quando chega ao poder é assaltar o bolso dos contribuintes. Roubar descaradamente quem trabalha para entregá-lo ao capital. Já para não falar da forma como imediatamente se põe de cócoras perante os interesses económicos das televisões privadas, adiando a privatização da RTP e privatizando tudo o que dá lucro. Para quem tomou posse há apenas uma semana, não está nada mau!
O problema de Pedro Passos Coelho é que nunca passará de uma pálida imagem de José Sócrates. Tal como o anterior primeiro-ministro, nunca trabalhou, nunca fez nada na vida, limitando-se apenas a gerir uma carreira partidária que haveria de o levar directo ao pote. E ele aí está, cheinho e pronto a abocanhar. Na arte da mentira, Passos Coelho ainda tem muito para aprender com José Sócrates, mas os primeiros exemplos são bem encorajadores.
Não, a tomada de posse de Pedro Passos Coelho não representou o primeiro dia do resto das nossas vidas. Representou apenas mais do mesmo…

Comments

  1. Rodrigo Costa says:

    .. Os grandes e definitivos amores são os que nunca são vividos. Quem não está preparado para mentir é ingénuo, se pensa fazer carreira como político, e, pior ainda, se tem ambições de chegar a lugres de destaque.;Não chega, porque ninguém o deixará dizer e, menos ainda, usar a verdade —continua a haver Natal e pessoas que acreditam no pai-natal. Por mim, de há muito que me fico pelas renas. São uns animias mansos e não cansam o imaginário… Que se lixem os brinquedos!

  2. Bem parece que nesta estação estival não haverá direito a uma “silly season” habitual mas, talvez uma revisitação mais moderna de um “Verão quente”! Para além disso, a governação não gozará também do seu estimado “estado de graça”, o que para mim é positivo. Pois, deste modo não haverá falsas argumentações para que se discuta política no seu sentido lato, na mesma maneira que deixa de haver subterfúgios para que timidamente haja a tentação de poupar palavras na argumentação sobre as políticas em causa. Ou seja, uma belíssima oportunidade de escolher as “águas” em que cada um quer estar!

  3. adao cruz says:

    Inteiramente de acordo contigo, Ricardo. Com as tuas intervenções prestas um grande seriço à verdade. Firmeza no combate à podridão e à roubalheira

  4. …..Pedro Passos Coelho quer responsabilizar civil e criminalmente os politicos que facam actos desastrosos para o pais. Mas nao existem ha muitos anos mecanismos legais para esse efeito mas como seria de esperar nunca foram aplicados. Dai para ca os candidatos a pildra sao uma farturinha entre primeiros-ministros e ministros lacaios cumplices e beneficiarios nunca esquecendo que estes ultimos enriqueceram a custa do nosso empobrecimento.

  5. Rodrigo Costa says:

    .. Falando mais a sério: Quem acham que que poderia alterar o estado das coisas, e de que modo acham que isso poderia ser feito?… Quais as condições para se chegar ao poder; como é que se pode lá chegar, sem o consentimento do poder económico. E, sendo assim, como governar com medidas que, podendo ser justas, ferem os interesses do poder económico?…

    Todo o pobre aspira a viver bem; todo o pobre prepara ou tenta preparar os filhos para que tenham uma vida melhor do a que eles próprios tiveram; e que, rapidamente —o mais rápido que for possível—, se formem e, “estraticamente”, se aproximem dos lugares da frente; lá, onde tudo se decide… E é vê-los, por altura da queima-das-fitas, gente que se percebe ter feito sacrifícios e que, então, sem ferir a humildade, é certo, caminham, garbosos, ao lado dos filhos que são ou estão prestes a ser a doutores.

    Lembrando os exércitos de Aníbal, como tema de Turner, assim é o cortejo desesperado dos pobres que procuram fugir à pobreza; e que, de cada vez que dão um passo, esquecem companheiros de desgraça que ficaram para trás.

    Po isso é que dizia, em comentários passados, não serem os ricos que oprimem, mas os pobres que, ao seu serviço, procuram evitar a pobreza, fugir-lhe —veja-se, como ilustração do que digo, os exemplos de Fábio Coentrão e de André Villas-Boas, que, já carregados de dinheiro e de mordomias, não consegueem evitar a pobreza; fugindo de 20 ou 30 mil contos por mês como quem foge das grilhetas do sálário mínimo; tendo em conta, ainda por cima, as juras, que fizeram, de amor….

    Acham que alguma organização se aguenta no cultivo desta filosofia, produto de mentalidade tão tacanha?… O dinheiro não é apenas a estrela polar dos magnatas, mas de todos os que gostariam de ser magnatas; o que, não sendo pecaminoso, em si, como sonho, pode sê-lo, se o processo de comsumação exigir o uso de atitudes reprováveis —o que, em regera, sucede; porque, a menos que se ja filho da herança ou do jogo, ninguém chega dos 0 aos 100, sem fazer vítimas. E há outra questão: gente que, por muito que tenha, nunca lhe basta, contribuindo para a propagação da miséria.

    Neste momento, o País necessitaria de alguém com grande personalidade; alguém capaz de im por medidas “cegas”, ajudadas por medidas internacionais que obrigassem à identificações dos paraísos para onde os dinheiros são levados. Mas por que é que essas medidas não são tomadas?… Porque todos os poderes são cúmplices, ao contrário do que se acha, serem separados; porque todos dormem no mesmo quarto, apesar de, aparententemente, residirem em casas separadas.

    Não tem —como sempre achei que não tinha— personalidade própria para propor e impor as medidas necessárias. Refiro-me, naturalmente, a Passos Coelho; que, inclusive, me parece boa pessoa. Por estranho que pareça, em termos de bonomia, como ele, na cena política, só vejo Jerónimo de Sousa. Não são estas pessoas as mais indicadas para a aplicação de medidas drásticas, porque têm que ser erradicadas muitas das tolerâncias, e este tipo de personalidades não é capaz de “fazer sangue”, porque são brandos, porque são ou tentam ser compreensivos —poder-se-á ser agressivo, no sentido da convicção, sem se ser perverso?… O equilíbrio, o meio, a virtude; o tal ponto que é difícil de ser conseguido, porque é proposta uma luta sem tréguas contra o Instinto.

    Há quem defenda que a alma é constituída de três elementos principais: a coragem, o instinto e a moderação. É neste, digo eu, que reside a responsabilidade de encontrar o ponto de equilíbrio. Porém, a própria moderação depende da vontade instintiva, porque a sobrevivência e o conforto da sobrevivência são o grande sonho do Instinto, atrave-mestra que liga todas as espécies. E agora a questão é: pode-se ser desprendido, sem se perder a vontade de viver; pode a resignação, pela inteligência, sobreviver à vontade de desistir?…

    Sem que se compreenda o funcionamento da Vida, não se está preparado para se ser governo, porque o Pensamenbto exige muito mais capacidade do que para se ser ministro ou rei —é isso que a actual situação demonstra. Quer dizer: correr para o poder, sem que se tenha corrido, antes, para o conhecimento… não é um passo, é uma corrida em falso.

    • MásLínguas says:

      Até gosto do que escreve… mas Ricardo migito,
      quando acabar de ler isto tudo já estou a dormir…

  6. Ricardo says:

    Eu só queria fazer uma pergunta: qual o racional por detrás de privatizações de empresas que dão lucro ao Estado? Entrada imediata de capital? Mas isso não é como uma dose que no momento até serve para aliviar a dor mas que no longo prazo só vai piorar a saúde?

    E aquele argumento da Microsoft que dá lucro mas que o Estado dos EUA não nacionaliza? Epá ainda agora começou e já estão a tentar fazer dos portugueses estúpidos.

    O PSD não é o representante parlamentar, mas representante á séria, assim mesmo mesmo representante dos interesses liberais e empresariais? Está bem, quem está no poder tem que se prostituir com o poder económico, mas isso é outra coisa.

    Uma coisa é prostituir-se com o poder económico, outra coisa é fazer amor com ele… mas um amor unidireccional, porque não augura nada de bom para o país. É natureza da besta.

    Tenho para mim que o PSD é uma espécie de superego governado pelo id, o que, covenhamos, não me parece bem.

  7. Inteiramente de acordo. Por isso tomei a liberdade de o citar aqui:

    http://bissectriz.blogspot.com/2011/07/parece-e-que-ja-nascem-ensinados.html

    Espero que não se importe.

    Abraço

  8. Claro que não me importo.

Trackbacks

  1. […] Tem de continuar a enriquecer. Tem de continuar a poder emprestar dinheiro à economia, diz o farsola que estava mortinho por ir ao pote. Sim, tem emprestado muito até agora… Aos meus amigos e […]

  2. […] gente que não olha a meios para voltar ao pote (usando a metáfora de Passos Coelho, lembram-se?) tem um cadastro negro quanto a incêndios. Mas isso não os compele ao recato que a decência […]

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