Grupo “PSD – Distrital de Lisboa”: conivente com haters, intransigente com a discórdia


Remoção selectiva de posts no grupo “PSD – Distrital de Lisboa”

O grupo do Facebook “PSD – Distrital de Lisboa” é um poço de partilhas por parte de haters. Entre posts de gosto duvidável e de manipulações facilmente desmontáveis, exulta-se perante a doença e previsível morte de Mário Soares.

A parte realmente surpreendente é isto ter lugar explícito num partido político. Diriam que qualquer um pode publicar nesse grupo. É verdade, eu próprio o fiz, como se constata na imagem supra. No entanto, o meu post foi apagado, enquanto que as porcarias que lá são despejadas lá continuam.

O grupo tem dois administradores, que podem apagar ou moderar os posts como entenderem. Optaram por apagar o meu e permitir que o resto lá ficasse. A conclusão é óbvia, não concordam com o que publiquei, mas concordam com o restante.

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Administradores do grupo “PSD – Distrital de Lisboa”

Dirão que é um grupo não oficial e que, por isso, não representa o partido. No entanto, neste grupo existem deputados da Assembleia da República (10), deputados de assembleias municipais, funcionários do partido, dirigentes da JSD, outras páginas do partido, etc. Numa lista não exaustiva, aqui ficam alguns dos elementos deste grupo.

A página deste grupo no Facebook poderá não representar a posição oficial do partido, mas um partido não é feito só de posições oficiais. Será que estas pessoas concordam com as polémicas publicações do grupo? Ao manterem-se ligadas a este grupo não estarão a dar cobertura a mensagens de ódio indignas de um partido democrático e civilizado?

Chegados aqui, porquê este post? Porque me apagaram algo numa página do Facebook? Não, porque há uma forma de fazer política, baseada no anonimato e na mentira, que é profundamente errada. Tácticas com o recurso a perfis falsos do Facebook e sites de ódio não podem ser toleradas. E o PSD, por estratégia ou conivência, está a usá-las. É sobre isto que é este post.

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Quem dá troco a fascistas, recebe as respectivas consequências…

  2. Rui Naldinho says:

    Há dias, num destes blogues da” Direita Politica”, ou “amigos, não deixam amigos votar António Costa“, estava escarrapachado um post em que o seu autor, dizia:
    “Não percebo como é que um defensor do SNS como Mário Soares está hospitalizado no Hospital da Cruz Vermelha, depois de em tempos já ter estado no Hospital da Luz, e não no Hospital Público como seria de esperar de um socialista, e defensor do Serviço Nacional de Saúde.”

    O que mais “excita” em certa pessoas de uma determinada linha de pensamento ideológico, como este PSD Lisboeta, por exemplo, não é a sua tacanhez, nem a sua arrogância para com os opositores à sua agenda, mas uma recorrente entrega espiritual à hipocrisia, e àquela burrice tão portuguesa, de quem não se exime a dizer uma irracionalidade para “ saldar dívidas antigas”, ou, pior ainda, para satisfazer o seu egozinho preconceituoso.
    Senão vejamos:
    Para esta gente existe um estereótipo de socialista. “Um socialista tem de ser, na melhor das hipóteses, um remediado. E nunca poderá confundir-se no espaço público com eles próprios. Há uma espécie de snobismo ideológico e económico que se reflete no visual, vulgo traje, e na postura. Os outros deverão ter um aspecto físico comportamental que se coadune com o seu pensamento de esquerda. Logo, deveriam assumir-se como pessoas simplórias, por vezes austeras, rudes, mal vestidas ou pirosas, se possível com roupa de linha branca ou daquelas marcas massificadas. Talvez, com calçado sóbrio, mas daquele couro artificial. Devem abster-se de dar muitos palpites junto das elites, caso contrário podem degenerar em sindicalistas ou comunistas. Só deverão frequentar tascas ou restaurantes baratos, beber vinho de pacote em jarras de faiança. Devem conduzir um carro utilitário e passar férias na praia mais próxima. Um socialista para aquelas gentes deve ser alguém que esteja para a austeridade como o banqueiro está para o dinheiro.”
    Como alguns socialistas parecem ser mais ricos do que este padrão, tal como Soares, ele tem um apartamento em Lisboa numa zona nobre, casa em Sintra – Nafarros, casa no Algarve – Vau, é proprietário de um Colégio de referência, daqueles onde os ricos poem os filhos a estudar com receio de que estes apanhem piolhos, ou fumem charros, eles vem isso como uma incoerência entre o sentimento político de Soares, a sua praxis e as suas origens burguesas.
    Um socialista deve ter um desapego enorme aos bens matérias, e ao consumo, uma vez que isso é coisa para ricos e gente que defende o capitalismo puro e duro.
    Logo Soares deveria estar numa enfermaria com mais 3 doentes terminais, para fazer jus à seu magistério.

    • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

      Independentemente da correcção do raciocínio que exprime e com o qual concordo em absoluto, há um enorme erro de base que me leva a esta manifestação.
      Soares é tão socialista como Cavaco é social democrata.
      Esta gente, pelo facto de ter um partido, não é sinónimo de ter uma ideologia. E no caso deste par de jarras, a ideologia deles é claramente a capitalista. E se de Cavaco, nada me admira, pois é um personagem da “outra senhora”, de Soares esperava-se algo mais que não fosse “meter o socialismo na gaveta”.
      Não fiquemos presos a chavões partidários que hoje, não fazem qualquer sentido.
      Compreendo muitíssimo bem o seu raciocínio, repito, mas Mário Soares foi, enquanto primeiro ministro e presidente, um dos que defendeu o capitalismo puro e duro.

      • Rui Naldinho says:

        Por isso eu escrevi num pequeno texto sobre Soares que o Aventar teve a gentileza de o publicar, que, contrariamente aos seus maiores detratores, eu achava que o seu maior pecado tinha sido, o ” ter mandado engavetar o socialismo”.
        O que aqui está em causa meu caro, não são as fragilidades de Soares, que as tem e foram muitas, mas a forma como muitas pessoais acham que alguém de esquerda, mesmo um moderado, não pode defender mais justiça social, uma melhor redistribuição dos rendimentos, uma escola pública de qualidade, que seja ela por si um elevador social, ou um Serviço Nacional de Saúde eficaz.
        Se por coincidência Soares fosse para um hospital público, ele estaria num quarto privado, que lá também os há, pagando claro, e como está em coma, seria provável que estivesse isolado, só com familiares por perto e um de cada vez.
        Nessa altura, eles diriam que o ex presidente era um desavergonhado, e uma personagem sem escrúpulos, pois estava a tirar a cama a um desgraçado que não podia pagar a conta num hospital privado. Alguns diriam mesmo que ele devia estar na tal enfermaria de que falo no post anterior, com mais três terminais.

        • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

          E por isso mesmo eu afirmei repetidamente que compreendi perfeitamente a sua mensagem.
          Tenho um ideia muito negativa de Mário Soares, mas apenas no campo político. O outro, não será para aqui chamado e muito menos, nas actuais circunstâncias.
          Quem o faz é cobarde e um vingativo primário.

  3. Rui Naldinho says:

    Deve ler-se:
    “Um socialista deve ter um desapego enorme aos bens materiais e ao consumo, uma vez que isso é coisa para ricos e gente que defende o capitalismo puro e duro.
    Logo, Soares deveria estar numa enfermaria com mais 3 doentes terminais, para fazer jus á sua ideologia política.”

  4. Ricardo Almeida says:

    Há um certo padrão emergente nestas coisas dos blogs e espaços de discussão públicos.
    Não se trata de direita Vs esquerda mas sim populistas idiotas apostados em criar ondas mediáticas Vs discussões ideológicas sustentadas.
    Não é a primeira vez que esta “direita” recorre à saudosa censura do antigo regime como forma de matar a discussão antes de ela começar sequer. Aliás, é isso que diferencia uma simples caixa de ressonância de um fórum de discussão consciencializado.
    Como exemplo do outro lado do espectro temos este mesmo espaço, apesar de conseguir enumerar alguns outros honrados casos, (a página dos Truques da Imprensa Portuguesa por exemplo). A grande diferença é que nestes casos os comentários divergentes, que devem sempre existir nem que seja para se cobrir todos os pontos de discussão, são discutidos à luz da temática em causa, muitas vezes para lá do necessário. É este tipo de transparência que legitima uma discussão e não a ausência de opiniões divergentes.
    Por vezes a “direita” lá sucumbe a esta tendência, como por exemplo no Twitter do Duarte Marques, o que resulta em enxovalhamento público 99% das vezes. Mas esta é consequência de tentar defender ideologias imbecis em público. Se as querem divulgar têm que estar dispostos a defendê-las também.

  5. José Peralta says:

    J. Manuel Cordeiro

    (…) “porque há uma forma de fazer política, baseada no anonimato e na mentira, que é profundamente errada. Tácticas com o recurso a perfis falsos do Facebook e sites de ódio não podem ser toleradas. E o PSD, por estratégia ou conivência, está a usá-las. É sobre isto que é este post”.

    Sim ! E o PSD, por estratégia ou conivência, está a usá-las.

    Mas não só por estratégia e conveniência ! É também por um cada vez mais patente, iniludível, e tão irracional quanto “animalesco” desespero, ao ver “o chão” a desabar-lhe debaixo dos pés !

    E então as “crias” que vão ficar sem “tacho”…é vê-las, raivosas e vingativas a regougar contra o Marcelo, contra o Rio, contra todos os que se lhe atravessarem no “covil”…

    E ainda a “procissão” vai no adro !

  6. braga city says:

    Pois eu sou daqueles que defende que um socialista, na verdadeira acepção da palavra deve ser austero, levar um vida frugal e com completo desapego dos bens materiais. Ser e julgar-se igual ao seu semelhante. Claro, Mário Soares nunca foi um socialista, mas tão só um antifascista. Daí que ele tivesse sido, no trato com os demais, sobranceiro, arrogando-se como o único filho predestinado para exercer a arte do “mando”. Viu-se com Salgado Zenha e mais recentemente com Manuel Alegre, quando contra este e favorecendo a candidatura da direita, concorreu às presidenciais. Ademais, a pretexto de derrotar e aniquilar comunismo, ligou-se a Carlucci e aos EU., que são só o expoente máximo do capitalismo selvagem. Mário Soares não era socialista, nem nunca foi. Limitou-se a rebater Salazar e Marcelo, quiçá, por não lhe terem oferecido um lugar no aparelho. Fez coligação com o partido mais reaccionário do país, à altura. Lembram-se do fascizante CDS? Desde então o dito socialismo foi para a gaveta. Para além de tudo, conjuntamente com Cavaco Silva tomou parte no processo legislativo mais injusto do país. Atribuição de escandalosas reformas a deputados e autarcas e respectivos subsídios de reintegração. Não deixará saudades, nem nunca foi o pai da democracia. A democracia nasceu com o Movimento dos Capitães de Abril. “Veritas, veritas est”.

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  1. […] de Lisboa” uma acusação envolvendo Soares no atentado que vitimou Soares Carneiro, entre outros mimos. No grupo existem deputados à Assembleia da República e de assembleias municipais, funcionários […]

  2. […] que um partido que faz parte do Estado de Direito se demarque disto (e do resto) a qualquer […]

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