Lettres de Paris #59 et #60


Nous ferons 100 ans à Paris…

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A Sílvia há-de ser a pessoa com quem festejei mais aniversários na vida. Desde há mais de 20 anos que, com raras exceções, passamos o aniversário juntas. A razão é simples: nascemos no mesmo ano, na mesma maternidade, com um dia de diferença apenas. Portanto, podemos dizer que nos conhecemos desde o dia em que nasci eu, que fui quem das duas nasceu mais tarde.
Este ano fazemos 100 anos, a dividir de forma igual pelas duas. Quando for meia-noite de 7 para 8 de janeiro entraremos ambas nos cinquenta. 100 anos a dividir por duuas é uma idade e pêras e muita coisa aconteceu desde que nos cruzámos, ela bem disposta como sempre e eu chorona, como quase sempre, mas por causa dela menos, na Maternidade Alfredo da Costa.
Por isso somos irmãs-praticamente-gêmeas. E por isso, com raras exceções, desde há mais de 20 anos festejamos os nossos aniversários juntas. Há 3 anos, quando fizemos 94 anos por junto, estávamos ambas em Paris. A situação era a contrária. Ela estava na Maison Suger e fui eu que vim visitá-la e festejar com ela o aniversário. Hoje ela está quase a chegar para o início das celebrações. Ela e a segunda pessoa com que creio ter festejado mais aniversários na vida – o meu sobrinho-emprestado-único-e-preferido, o miudinho que conheço desde que nasceu e que é um dos meus amores da vida. O meu Guilherme.
E portanto, as celebrações do nosso centenário esperam-se grandiosas nos próximos dois dias. Três, se juntarmos o aniversário da Simone de Beauvoir que fazia anos a 9 de janeiro.
Não comecem já a dar-nos os parabéns. Os cinquenta para cada uma só chegam entre amanhã e domingo e parece que dá azar desejar felicidades antes do tempo. Já que chegámos aos 100 anos juntas, seria bom celebrar estes dias por muitos mais anos. Talvez não mais 50 para cada uma, que isso seria pedir, talvez, de mais, mas mais uns 25 ou 30 e já seria bom.
É um pouco assustador realizar que o que temos para viver é já bastante menos do que o que vivemos até aqui. Em termos de tempo, não de experiências, bem entendido. A mim nunca me impressionou fazer anos. E os 50 não me impressionam igualmente. Apenas essa constatação um pouco assustadora. Olho para nós nesta fotografia, com 94 anos a dividir por duas. Olho para nós agora, com quase 100 anos a dividir por duas e – desculpem lá – não vejo esses anos todos. Não consigo ver esses anos todos. Basicamente ainda somos as miúdas que nasceram há pouco na mesma maternidade. As miúdas que se reencontraram aos 18 anos nas salas de aulas de sociologia, no Iscte, as miúdas que depois disso se acompanharam quase sempre. Venham mais, muitos mais, anos. Seremos sempre as mesmas miúdas. E no fim, estaremos juntas no mesmo lar, a rir desalmadamente de tudo, até do próprio fim.
Bienvenue ma soeur!
Bienvenue famille!

 

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