Paga-se um bocadinho caro mas é o que temos


daniel-podence

Jesus: se os quiseres trabalhar, terás um “cavalão”. Se continuares a apostar na trampa que observas pela Sporttv e pelo PFC continuarás a fracassar.

Paga-se um bocadinho caro mas é o que temos. Para seres o melhor, tens que trabalhar para mereceres ser chamado de “o melhor”. E digo-te abertamente Jorge: tens na Academia um bocado daquilo que precisas para trabalhar de forma a seres o melhor. É claro que no próximo ano terás que ir buscar o que falta fora das paredes da Academia. Falta-te calo, experiência e isso, decerto que não tens nos Zeegelaar´s, nos Markovic´s e nos Elias em quem apostaste durante meia temporada para depois chegares ao dislate de teres que lançar os meninos na fogueira, no circo de feras que é o Estádio do Dragão.

Esses é que nos ficaram caro!

Falta-te coragem para admitires que falhaste redondamente na presente temporada. És casmurro. Continuas a crer que as soluções que querias para o Benfica de há 3 anos atrás são as melhores para o Sporting de hoje. Continuas a crer que os teus processos de jogo são os únicos possíveis. Os teus processos de jogo de hoje com os laterais, com os centrais e com os médios que tens não valem nada. Nada. Leste? Nada.

Nada, porque de nada te vale jogar com uma defesa subida quando os teus médios não pressionam no osso como pressionaram hoje os médios do Porto. De nada. Não te vale de nada, sabes porquê? Porque os teus laterais nunca lá estão. E quando lá estão nunca sabem fazer marcação cerrada e um desarme limpo. Porque o teu trinco, o William, desaprendeu a pressionar e a cortar espaço e tempo ao organizador contrário para não colocar bolas em profundidade para as costas da tua defesa, principalmente para as costas dos cepos dos teus laterais. Qualquer equipa que tenha no meio campo um jogador pragmático na transição (em profundidade) para um avançado rápido ou forte como o foi hoje aquele matacão teso de mijo de principiante que o Porto foi buscar a Guimarães por uma pipa de massa superior ao que ele realmente vale, marca golos à tua equipa.

De nada, sabes porquê? Porque as tuas triangulações nas alas não funcionam. Tens três laterais com dois pés que parecem adobes. Excepto um, o Esgaio, os Marvins, os Jeffersons e aquele índio cheyenne do Schelotto (onde é que andaste na primeira metade da época Ezequiel?) aliam à falta de técnica, ao sentido posicional fraco que possuem e à pura falta de inteligência, dois defeitos terríveis para um lateral: são dextro-fóbicos e esquerdo-fóbicos. Trocando por miúdos. São incapazes de conceber um futebol em que os laterais recebem e jogam para dentro ou passam para o extremo por fora e vão receber por dentro. Chama-se overlaping, Mestre. Overlaping. Aquilo que o João Pereira fazia com o Gelson e que todo o lateral de uma equipa decente tem que saber fazer. Os teus laterais só sabem correr para a frente com bola e mal.

De nada, sabes porquê? Porque os dois Ruiz (se bem que um está a crescer; o outro deve-lhe estar a chegar a menopausa) quando aparecem naquele espacinho que tu tanto gostas entre os laterais e os centrais, espacinho que permite ao criador fazer o que quer da defesa, andam a gasóleo quando tem a bola nos pés. O Alan, primeiro que chute, tem que carregar em cima da bola 200 vezes. Não podes jogar contra equipas cujos jogadores andam a gasolina super quando os teus andam a diesel do Jumbo.

De nada, sabes porquê? Porque tens dois laterais que não sabem cruzar.

De nada sabes porquê? Porque o Adrien e o William, porque o Adrian e o Elias, porque o William e o Palhinha ou qualquer outra combinação de meio-campo, estão sempre em inferioridade numérica. Por vezes, andam ali a batalhar no meio de duas linhas de 5 (3 a morder a distribuição à frente com 2 atrás para as dobras ou para evitar que eles coloquem a redondinha no Ruiz nas entre linhas). Como é que tu, mestre, não sabes que para jogares nesse 4x4x2 precisas de ter um médio capaz de sair das marcações para vir receber a distribuição do Adrien no miolo de forma a fazer compactar a linha média do adversário no centro e ter a defesa fixa para colocar rapidamente nas alas, criando assim os espaços necessários para as tuas triangulações?

Porque é que não metes mais criatividade na máquina? Porque é que o futebol do Sporting tornou-se tão basicamente previsível ao ponto de toda a gente perceber que o Sporting está sempre a massacrar o Gélson com bolas?

É o que há, Jorge. Tens meio ano para começar a trabalhar os Geraldes, os Gaulds, os Ruiz, os Podences, os Riquichos, os Rafaeis Barbosa, os Palhinhas. O Sporting não é o Benfica, Jorge. O Sporting não tem possibilidades de cometer o 2º maior passivo da Europa e passar impune. O Sporting não é um clube que afirma que vai viver da formação e depois anda a contratar contentores de estrangeiros. O Sporting é um clube de formação. Ponto. O nosso cariz tem um enorme handicap: só lá vamos de vez em quando, quando conseguirmos segurar os nossos talentos, quando os deixarmos crescer. Mas de vez em quando, pelo meio, para te pagar o ordenado principesco, temos que vender um ou outro. Assim como também temos de procurar a experiência para colmatar as lacunas do plantel quando a formação não é capaz de satisfazer. Se tenho saudades do Slimani, Jorge? Claro que tenho. Adorava vê-lo a fazer uma dupla mortífera com o Bas Dost. Se tenho saudades do João Mário, Jorge? Claro que tenho. Se tenho saudades do Dier? Claro que tenho. Se gostava de voltar atrás para te ver a trabalhar o Bruma? Claro que voltava. Mas essa é a nossa realidade: a realidade de um clube que precisa de vender e que tem de viver com o que lhe é possível. Não é a melhor, reconheço. Um clube de formação está pela devida natureza limitado a não vencer com regularidade, a não vencer em detrimento do crescimento dos seus atletas.

Tens de te adaptar a essa mentalidade. Eu sei que vais conseguir aproveitar este tempo para trabalhar o nosso cavalão de corrida. Já passou. Voltaremos a ser felizes, desta vez, contigo ao leme. Sei que gostas em demasia do clube para desistir. Sei que tens a metodologia de treino para inverter este fracasso. Sei que gostas de vencer porque te habituaste a vencer. Sei que tens fome de vitória para continuar a semear o teu lugar no Olimpo do futebol português. Sei que vais triunfar. Porque gostas tanto ou mais do clube que eu. Conto contigo, Jorge!

Resumo do clássico? Mais logo.

Comments

  1. O Jorge já respondeu?

  2. Já. Disse que me pagava um arrozinho de míscaros com entrecosto e duas garrafas de Châteu Mouton-Rotschild da reserva especial de 1982 para discutirmos o assunto.

  3. Konigvs says:

    Eu não vejo um jogo de futebol do campeonato português desde que o ex-doutor Relvas tirou o futebol da televisão pública. Afinal serviço público é fazer peditórios o dia todo ao fim-de-semana, embolsar milhões de euros mas nem por isso cortar a taxinha audiovisual.

    Do jogo de ontem, pouco antes do golo do Sporting retenho uma frase do Pateiro (TSF):
    “O Sporting, equipa que quer ser campeão nacional, com estes laterais? Valha-me Deus!”

    O Bruno de Carvalho teve mais olhos que barriga. Achou que a galinha gorda do vizinho era muito melhor que a sua galinha ainda novita em fase de engorda, então, vai daí e num golpe arriscado, foi buscar a galinha que o próprio vizinho já não queria por estar a comer demais. Um clube para ser vencedor tem de olhar para dentro, não tem de andar mais preocupado com o que o vizinho faz que consigo mesmo. É um dispêndio de energia estúpido. Um clube precisa de um projeto sério, não se pode dizer “Marco Silva Forever” e logo depois dizer que não presta porque não usou o fato de gala num jogo! É baixo, é muito reles, e com gente desse tipo, acaba por ser muito bem feito. Em dois anos o que ganhou Jesus? Nada!! Perdeu com cubes da segunda divisão, foi humilhado por clubes amadores na Liga Europa, perdeu o apuramento para a Liga dos Campeões, só aí, perdendo dinheiro que dava para lhe pagar o contrato de quatro anos. Sim, ganhou uma final da Supertaça, mas quem lá chegou por mérito próprio foi o Marco, portanto não conta. Eu arrisco mesmo a dizer, que dos últimos treinadores que o Sporting teve (Jardim, Marco, Jesus) o Jesus é o pior deles todos… O Jesus tem grandes qualidades, sem dúvida, mas quem assina com ele leva também os grandes defeitos que suplantam as qualidades. O principal é achar-se a melhor coisa do mundo, ele é que sabe, os outros não valem nada. A segunda é achar que tem sempre razão, persistindo sempre no erro até não poder mais. Convicção é uma coisa, persistir na estupidez de manter um guarda-redes que sofre frangos em todos os jogos (Roberto) é mesmo burrice.

    Enquanto isso Marco Silva, com uma equipa de xaxa e com um clube em pé de guerra entre dono e adeptos já tirou o Hull do último lugar da Liga Inglesa e numa só semana travou o Mourinho (com Markovic logo a titular!) e despachou o ontem o Liverpool. Mas é como digo, a galinha do vizinho é sempre mais gorda que a minha, e o que me parece é que esta galinha vai engordar, engordar até se reformar, e neste tempo o Sporting vai-se afundar ainda em mais dívidas e vai ganhar… “bola”!

    • Ferpin says:

      Subscrevo inteiramente.
      Só acrescento que me parece incrível que, depois da enorme desanca que o autor deste artigo dá ao Jesus, termine dizendo que conta com ele para o futuro.
      Quem conta com o Jesus para o futuro são os adeptos do benfica e Porto.

    • Eu concordo com alguns pontos do teu comentário, precisamente naqueles em que tocas na falta de ambição europeia que o Jorge Jesus revelou no último ano, na incapacidade que ele demonstra em atribuir parte dos méritos da sua carreira ao esforço dos jogadores com quem trabalhou, à presunção mais que evidente que ele tem (errada) de que as equipas jogam dele jogam o que jogam ou vencem o que vencem porque ele é o treinador (como se os jogadores não tivessem nem alma, nem brio nem qualidade para demonstrar em campo que sabem fazer mais e melhor do que o treinador lhes pede ou trabalha nos treinos) e ao terrível fracasso que foi a comunicação do Sporting no primeiro mandato do Bruno de Carvalho. São factos evidentes que saltam à vista de qualquer um e tem que ser tomados, para minha infelicidade, como verdadeiros. Sempre pretendi de Jorge Jesus mais. Pretendi que ele fosse capaz de vencer mais do que venceu sem descurar o plano europeu, porque o Sporting obviamente precisa do dinheiro da notoriedade europeia para conseguir adquirir jogadores de maior qualidade. Contudo, deixa-me aqui corrigir ou assinalar alguns pontos de discordância em relação ao teu discurso:

      – Para quem não vê jogos do campeonato, andas muito bem informado sobre o panorama futebolístico. Por norma eu não comento sobre assuntos que não vejo ou cujo conhecimento me é limitado.

      – As transmissões televisivas dos jogos do campeonato já saíram da esfera pública há mais de uma década. Saíram quando a Olivedesportos levou os direitos para a Sporttv no ano de 2003 se não estou em erro. Desde então, a única coisa que aconteceu, precisamente no período Relvas, foi a declaração que os jogos da Liga dos Campeões não tinham interesse público. Como tal, a RTP pela primeira vez não optou por comprar os direitos de transmissão dos jogos das equipas portuguesas na Liga dos Campeões, passando os mesmos para a posse da TVI que os comprou. O mesmo aconteceu uns anos antes com os jogos das equipas portuguesas na Liga Europa quando a SIC os adquiriu.

      – Já expliquei (penso que te expliquei) que os motivos que levaram à rescisão do Marco Silva não foram esses. Mas não vou agora perder mais tempo em explicações sobre assunto.

      – Tenho visto por aí uma vontade expressa de comparar o trabalho do Marco Silva ao trabalho do Jorge Jesus. Atenção que essa vontade não é só tua ou de outros comentadores que vem escrever sobre o mesmo assunto para as barras de comentários dos meus posts. É uma tendência que se tem vindo a demonstrar ultimamente nos jornais desportivos pelos falsos experts do comentário desportivo, porque neste momento, com o Jorge Jesus em baixo, e com o Marco a fazer um excelente trabalho no seu novo clube, à semelhança do que fez no clube anterior pelo qual passou, é muito fácil vir para a praça pública estabelecer comparações. Contudo, os contextos são diferentes e a única coisa que admito é que o Marco Silva não teve tanto apoio nem tanto dinheiro e liberdade para contratar quanto a que o Jesus teve.
      Não me esqueço porém que a 8 minutos do fim do jogo da final da Taça de Portugal, o Sporting perdia por 2-0 contra o Braga. O Marco Silva está portanto a 8 minutos de não vencer nada porque o Braga estava a ser mais forte e jogava desde a primeira parte com um homem a mais. O triunfo do Sporting nessa Taça não se deve ao Marco Silva. Deve-se ao Slimani e ao Montero que foram contratações do Leonardo Jardim e ao trabalho do Leonardo Jardim. Curiosamente quem os veio a trabalhar melhor até foi o Jorge Jesus. O Slimani de Marco Silva era um jogador-alvo, o que os ingleses chamam um Target Man. Ou seja, um avançado de área, tosco, que era muito limitado tecnicamente e como tal incapaz de sair da área para vir participar nos processos de construção ofensiva da equipa. Com o Jorge Jesus o jogador melhorou em tudo e tornou-se um melhor ponta-de-lança: finalizou mais e melhor, saiu da sua redoma no meio dos centrais para vir tabelar e abrir jogo sempre que a equipa pedia a sua colaboração, tornou-se um jogador muito melhor no capítulo do pressing à saída de jogo adversária a partir de trás quando a equipa precisava de uma primeira linha de pressão forte em situações de aplicação de pressão alta. Tanto é que o jogador, que com o Marco Silva esteve próximo de ser vendido por 12 milhões para a Turquia conseguiu ser vendido um ano depois por mais que o dobro, ou seja, por 30 milhões.

      – Não me esqueço também que o Sporting de Marco Silva não venceu o título porque foi uma equipa extremamente irregular na 1ª volta e no final do campeonato. Teve ali um período de regularidade entre Dezembro e Março mas já era tarde, Foi afastada com um golo do Jardel em Alvalade contra o Benfica em tempos de descontos num jogo em que os rivais empataram 1-1 e em que o Sporting era obrigado a ganhar para reduzir vantagem. Perdidos que foram esses dois pontos, o resto do campeonato foi um descalabro (nem o 2º lugar conseguiu atingir) e o Sporting foi efectivamente à final da taça porque teve muita sorte nas meias contra o Nacional. Na Europa chegámos aos 16 avos e fomos eliminados pelo fortíssimo Wolfsburg, curiosamente, com um golo de Bas Dost na Alemanha.

      – Também não me esqueço que o Marco Silva tirava pouco rendimento de jogadores como o William, Adrien e João Mário. Não me esqueço também do empate concedido na Liga dos Campeões 14\15 no terreno do Maribor, nos últimos minutos, com uma trapalhada de um jogador que o Marco Silva pediu expressamente à sua direcção: o Naby Sarr. O Maribor não deve em nada ao Skenderbreu, a tal equipa amadora que falas.

      – O Jorge Jesus é eliminado nos playoffs da Liga dos Campeões do ano passado em virtude de erros de arbitragem no CSKA de Moscovo – Sporting. Um golo com a mão em Alvalade e um golo limpo sacado ao Slimani num canto na 2ª parte foram os reais motivos pelos quais o Sporting foi impedido de ir disputar a fase de grupos da prova. Assim como no ano anterior, o Marco Silva só não atinge os oitavos porque o Sporting é gamado em Gelsenkirchen (com aquele penalty que foi assinalado nos últimos minutos no qual o árbitro considerou como tendo sido com a mão quando o Jonathan Silva levou um balázio em cheio na cabeça) e não consegue vencer o Maribor na Eslovénia no jogo que acima te descrevi.

      – A história do Roberto é outra. Como sabes, o Roberto foi contratado para a Luz a pedido do Jorge Mendes. Como tal tinha de ser valorizado. Acredito que o Jorge Jesus nunca o quis verdadeiramente. Por vezes os treinadores tem de ceder aos objectivos da direcção. Tanto é que quando acabou a época, o Roberto foi cedido (ou vendido; nunca percebi bem essa história) ao Saragoça e o Jorge Jesus foi resgatar o Jan Oblak a sucessivos empréstimos.

  4. azia grave

  5. Texto de quem sabe o que diz. Mto bom.

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  2. […] O Semanário Sol anuncia na capa da edição que sairá hoje para as bancas o interesse por parte da afamada Uber em contratar um ex-ministro ou secretário de estado para lobista de serviço da empresa. Se não tivesse efectuado a minha habitual e higiénica pesquisa no google por casos análogos e não tivesse encontrado estes dois resultados (aqui na Folha de São Paulo; aqui no Diário Argentino La Nación) seria capaz de acreditar que este redondo título não passaria novamente de mais uma mentira de pinóquio da malta que consta da lista de pagamentos do Álvaro Sobrinho. Eu sei que o Marvin Zeegelaar também consta desse payroll. Paga-se um bocadinho caro mas é o que há.  […]

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