Quando Trump diz a verdade


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É caso para se lhe tirar o chapéu. Em entrevista à Fox News, e após ter afirmado que respeitava Vladimir Putin, Donald Trump foi confrontado por Bill O’Reilly com o facto do presidente russo ser um assassino. A resposta do presidente dos EUA, que gerou forte indignação, inclusive no seio do Partido Republicano, não podia ser mais honesta. Sim, honesta:

Há muitos assassinos por aí, nós também temos muitos assassinos. Acha que o nosso país é assim tão inocente?

É verdade, Trump. O vosso país não é inocente. O vosso país anda há décadas a patrocinar golpes de Estado, do Irão ao Chile, a invadir estados soberanos no Médio Oriente, a treinar e a equipar terroristas, a bombardear hospitais e escolas, a apoiar o terrorismo de Estado de Israel e a alimentar guerras um pouco por toda a parte. A comparação com a Rússia não poderia ser mais certeira e já era tempo de alguém o admitir.

Comments

  1. Ausente52 says:

    Lamentavelmente muitas das organizadoras e integrantes da Marcha das Mulheres em Washington optaram por ignorar as mulheres que estão sendo torturadas e exterminadas por terroristas islâmicos, optaram também por ignorar o que acontece em outras partes do mundo onde elas não podem frequentar uma escola nem sair de casa sem a permissão de um homem.
    Fiz copy/paste
    Todos sabemos que um cão de guarda quando se apercebe de alguém estranho defende a propriedade que está á sua guarda.
    Cabe ao dono da propriedade saber se o intruso vem por bem ou por mal.

    • É apoiante do Donald Trump e ficou incomodado com a marcha das mulheres?

      O tema aqui não é a manifestação das mulheres.

    • Ferpin says:

      Ridículo é dizer pouco sobre a sua argumentação. Mas, dizer o que penso ecigia escrever palavrões.
      Então, a resposta acessa preocupação é, impefirvas refugiadas de procurar asilo e isolar a “América first”, para assegurar que, com o ocidente a lavar as mãos, essa matança continue à vontade. Ah, e se o investidor mor nessa matança for a Arábia saudita, o trump abre uma excepção à indiferença…para apoiar.

    • Eu ia comentar mas penso que o Tayeb e o Ferpin já disseram tudo. Enfim…

  2. Na verdade ele não mentiu.

    Vou contar algo que aconteceu comigo na Inglaterra, quando soube algo sobre o poder dos EUA, com meros 18 anos de idade (tenho agora 62 anos), e vindo de território português de Moçambique, que era governado por uma ditadura.

    Eu já frequentava City University em Londres, e sendo um dos responsáveis da Associação de Estudantes Muçulmanos, foi-me pedido o voto dos estudantes muçulmanos na Assembleia Geral da Associação dos Estudantes. A nossa associação votava em bloco, o que nos dava um certo poder.

    O voto dos estudantes condenou o governo britânico, que queria deportar um ex-agente da CIA com o nome de Philip Agee, que escrevera um livro sobre a CIA “Inside the Company” que contava coisas sobre assassinatos e golpes de estado e outras subversões feitas pelo governo americano.

    Philip Agee foi convidado para endereçar a assembleia dos estudantes. Ele teve medo de vir porque receava ser raptado. Tinha razão, porque passados uns meses o representante da OLP no Reino Unido, coincidentemente após visita à universidade foi assassinado.

  3. Filipe says:

    Sim, é verdade. Mas acusar os EUA de influenciarem os destinos de outros países, é patrocinar a política isolacionista de Trump. Comparar a culpabilidade dos EUA (enquanto país, com séculos de história, e que já tanto evoluiu), com a de Putin (que é o líder de facto e actual da Rússia), é esquecer as perseguições que várias minorias sofrem às mãos do estado Russo, e banalizar a guerra na Ucrânia e a anexação da Crimeia.

    Estamos a viver uma época crucial da nossa história, e não nos podemos enganar em relação a quem são os nossos inimigos.

    • Não concordo, Filipe. Os EUA usaram a sua política externa para influenciar os destinos de vários países, não raras vezes para se apoderarem de recursos naturais ou para aí instalarem mais uma base militar. Os EUA até têm poucos séculos de história – penso que não devemos contabilizar os séculos de ocupação britânica – e da mesma forma que a Rússia anexou a Crimeia, os EUA invadiram inúmeros países, colocaram governos fantoche na sua liderança e instrumentalizaram-nos a seu bel-prazer.

      Nas relações internacionais não existem inimigos. Existem alinhamentos de conveniência com prazos incertos. Ou não devemos também à URSS a vitória na 2GM?

      • Filipe says:

        João Mendes, concordo com quase tudo o que dizes. Mas não é esse o ponto. Primeiro porque não se pode equivaler uma crítica aos erros passados de um país (guerra do Vietname, as duas guerras do Golfo, entre muitos outros, que ocorreram noutras circunstâncias históricas), com aquilo que se está a passar neste preciso momento na Rússia, em termos de atentados aos direitos de minorias, e na guerra com a Ucrânia.

        O que Trump está a dizer é que eles não podem criticar a Rússia, porque os EUA não são melhores. E, por isso, Putin pode continuar a fazer o que está a fazer. Trump está a legitimar a política interna e externa de Putin.

        Por outro lado, Trump está também, com este discurso, a descredibilizar os próprios EUA e os valores que defende, o que só interessa ao próprio Trump. Porque a agenda é precisamente a do ataque ao Estado de Direito e a perseguição às minorias.

        Por isso, tal como na 2GM, temos de saber muito bem quem são os nossos inimigos. Eu não tenho dúvidas de que os nosso inimigos não são o Obama e a Hillary, mas sim (entre outros), o Putin e o Trump.

    • Paulo Marques says:

      O Iraque, a Líbia, o Afeganistão e a Palestina, para falar só nos mais visíveis da última década, não conta, porque só têm gajos muçulmanos e toda a gente sabe que são todos terroristas.

      • Que exagero. Se todos são terroristas quem está a morrer a combater o Estado Islâmico?

        • Paulo Marques says:

          É ironia, meu caro, para mostrar como não é só a Rússia que é imperialista. Aliás, até é bem menos se começarmos a ver os acordos comerciais e como é que eles são feitos – com a ameaça de invasão, guerra civil e coisas semelhantes.

  4. A. Silvaq says:

    Quando o Trump diz a verdade e o João Mendes faz exercícios de manipulação:

    “com o facto do presidente russo ser um assassino”, e o João Mendes que é mais neoliberal do que faz parecer, replica a mentira sem lhe tirar as espinhas.

    Ó João, se o Putim é criminoso o que é o Obama, ou a Clinton?

    • Oh SIlva, se eu sou um neoliberal, você é um totalitário tipo Kim-jong. Deixe de ser doente, por favor!

      E sim, Obama ou Clinton também cometeram inúmeros crimes. Ou você pensa que tenho os EUA em melhor conta que a sua amada Rússia?

      • A.Silva says:

        Para além liberalzinho da treta, João Mendes, parece que é parvo.

        • O único parvo – e faccioso, diga-se – aqui és tu, António. O Putin é uma jóia de moço e eu sou neoliberal porque não vou de encontro à tua opinião? Pensei que já só restassem fanáticos desses à direita. Enganei-me.

    • Paulo Marques says:

      Boris Nemtsov, Anna Politkovskaya, Yuriy Chervochkin…

      • Alexandra Martins says:

        Não seja inocente, é óbvio que esses três sofreram acidentes que resultaram nas suas mortes. Senão vejamos: Boris Nemtsov foi claramente vítima de um erro numa carreira de tiro perto de uma ponte; Anna Politkovskaya caiu no poço do elevador onde foi encontrada e a arma que trazia na mala disparou acidentalmente, acertando-lhe duas vezes no peito; e Yuriy Chervochkin entrou num campeonato de MMA que correu mal. Esqueceu-se de mencionar Alexander Litvinenko que, como é óbvio, confundiu uma lata com polónio que lá tinha em casa com o desodorizante Axe que tinha na casa de banho e acabou com uma dosezita exagerada de radiação.
        Isto são factos (alternativos)!

  5. Alexandra Martins says:

    Citando um filme já com uns anitos: “American components, Russian components, ALL MADE IN TAIWAN!”. Ou seja, é tudo farinha do mesmo saco.

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