Não, eu não compreendo e os sportinguistas também não!

Escrevo este post durante o intervalo do Moreirense vs Sporting quando o resultado da partida é favorável ao visitado por 2-1. Não irei ver a 2ª parte. Pela primeira vez em 4 anos dei por mim a crer que neste momento é mais benéfico para a minha saúde não ver, não ler e não querer saber. Reparo portanto que a última vez em que deixei de ver os jogos do Sporting foi precisamente nas últimas semanas do mandato de Godinho Lopes. Sobra portanto tempo para ver futebol a sério e para ver jogos de equipas que, indiferentemente da sua condição nas tabelas classificativas, ainda se esforçam minimamente para atingir os seus objectivos ou que, à falta deles, garantem bons espectáculos aos seus adeptos e dignificam a sua camisola até à última gota de suor.

O que não é o caso deste Sporting de Jorge Jesus. Estamos perante uma autêntica casa a arder na qual já ninguém sabe quem manda, já ninguém sabe quais é que são os critérios que o treinador utiliza para convocar ou para dar a titularidade, e em que já ninguém sabe qual é o guião até ao final da temporada. Isto porque, toda a gente percebe que a colocação de Bruno César (e Zeegelaar) na lateral esquerda foi o princípio do descalabro desta equipa. Quantos pontos é que Bruno César custou ao Sporting na presente temporada? Quantos pontos custou Zeegelaar na presente temporada? O que é que faz Ricardo Esgaio no banco quando, mesmo apesar de ser um jogador destro, faz melhor figura a lateral esquerdo que os 3 canhotos que o Sporting tem para a posição?
Ninguém percebe se o guião até ao final da temporada passa por lutar pelo menos pelo apuramento directo para a Champions ou se passa por construir uma equipa para a próxima temporada. Geraldes e Podence regressaram a Alvalade para quê, afinal? Para se sentarem no banco até ao final da temporada? Para se sentarem no banco num jogo em que todas as condições para poderem destruir o bloco baixo do Moreirense porque efectivamente conhecem os processos do seu antigo treinador e da sua anterior equipa? Se um é um médio altamente criativo e inteligente, ou seja, um jogador cujas características, lhe permitem descobrir soluções na circulação ofensiva que poucos médios descobrem (ainda para mais quando o Moreirense com um sistema defensivo que corta muita profundidade ao Sporting no último terço e que está a saber cobrir bem os espaços defensivos e pressionar no osso;  são este tipo de jogos que pedem jogadores criativos que saibam criar bem em velocidade) e se outro é um desequilibrador nato capaz de sacar de uma jogada de génio numa ala ou de furar as defensivas contrárias através de uma colocação entre linhas, porque é que são votados ao desprezo no banco por um treinador que há um mês considerou que são o “futuro do Sporting”?

Porque é que Paulo Oliveira continua no banco quando toda a gente percebe que Rúben Semedo está longe de estar a render o que rendeu na 2ª metade da temporada 2015\2016? Porque é que Jesus continua a dar a titularidade a jogadores sem qualidade alguma para envergar ao peito um emblema como o do Sporting?

Não poupo nem Adrien, nem William, nem Ruiz a esta crítica. Nos últimos 45 minutos assisti a três prestações individuais sem ponta que se lhe pegue. Sem alma, sem garra, sem espírito combativo, sem nada. Aliás, arrisco-me até a dizer que na cabeça destes três jogadores existe imensa falta de vontade para trabalhar.

E Inácio aproveita, obviamente. Bloco baixo defensivo, com duas linhas defensivas bem juntinhas e bem compactas, capazes de impedir superioridade numérica na ala de Gelson (o que tem obrigado o extremo a vir muitas vezes para o meio e para a esquerda para ter jogo), se bem que incapazes de fazer o mesmo na ala contrária, ala de onde saíram os únicos lances de perigo construídos pelo Sporting no 1º tempo com um jogador que está a sobressair defensivamente, de seu nome Cauê, jogador que tem uma inteligência posicional fora-de-série que lhe permite estar a fechar ali a zona central com uma categoria tremenda e por conseguinte fechar a linha de passe para Alan Ruiz, que, até tem sido um dos únicos a prestar um bom serviço ao clube no jogo de hoje com as constantes movimentações para ter a bola nos pés e dar profundidade ao jogo.
Inácio capitalizou para esta partida todo o conhecimento que tem obviamente desta equipa. E adequou muito bem a sua equipa aos processos defensivos do Sporting. O que não é de estranhar. Com um jogador muito rápido a conduzir e a criar na transição (Ousmane Dramé; jogador que jamais deveria ter saído da órbita de Alvalade pelo que tem vindo a mostrar na presente temporada), Inácio percebeu imediatamente que tinha de colocar aquele jogador a sair com  rapidez nas transições para o contra-ataque porque Adrien e William simplesmente não estão nos espaços devidos para estancar a velocidade do francês. O Sporting já tem naturais dificuldades para conseguir pressionar as transições adversárias a meio-campo. Quando se alia este facto a uma crassa falta de vontade do seu duplo pivot de meio-campo e a uma defesa desconcertada e sem velocidade para acompanhar as desmarcações (e fazer a cobertura a passes de ruptura) só não aproveita o treinador que não quiser aproveitar ou que demonstrar uma pura incompetência na análise do adversário.

Comments


  1. Hoje nao correu mal. Ja foste ver?

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