Os próximos Panama Papers estão aí e passam por Portugal


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E, como não poderia deixar de ser, o Expresso já está em cima do acontecimento. Desconheço se Os truques já puseram algum contador a rolar (este já rola há quase 300 dias), mas, aparentemente, foram os primeiros a fazer soar o alarme cá no rectângulo. Lá fora o assunto já é tema desde Terça-feira. Pelo menos em Espanha, França e Alemanha.

Long story short: uma investigação internacional, que envolveu vários jornais e cadeias televisivas, descobriu aquilo que Portugal já sabia há anos. Que a Zona Franca da Madeira (ZFM) é um paraíso fiscal onde têm lugar situações pouco recomendáveis para pessoas sérias, dignas e dadas à transparência. A investigação fala de um esquema de evasão fiscal que se prolongou durante 19 anos, com milhares de empresas, muitas delas meras fachadas dedicadas à livre circulação de dinheiro vindo sabe-se lá de onde, a pagar impostos microscópicos.

Mas ai e tal que geram emprego. Geram sim senhor. Mas o que não falta por aí são actividades criminosas a gerar emprego. Será que os madeirenses em geral beneficiam verdadeiramente destas regras feitas à medida de meia dúzia, com a bênção da Comissão Europeia? Claro que não. Com uma ou outra excepção, são os suspeitos do costume quem beneficia. A investigação retrata a ZFM como uma plataforma giratória de milhões de euros, feita de empresas de fachada onde até o emprego gerado é, muitas vezes, fictício. Um paraíso fiscal procurado por craques do futebol e destacadas figuras de regimes exemplares, como Isabel dos Santos ou Bashir Saleh Bashir, homem forte de Kadhafi. Um esquema de evasão fiscal como qualquer outro, através dos quais os ricos ficam mais ricos, os Estados colectam menos impostos e o povinho fica a arder.

Talvez por isso seja interessante notar que, por duas vezes, é referido na peça do Expresso que o valor gerado em impostos pela ZFM durante um ano, cerca de 20% do total da colecta da região autónoma, seja suficiente para pagar a despesa do sistema de saúde madeirense. Como se este sistema de evasão fiscal fosse uma espécie de Robin dos Bosques que tira ao grande capital para dar aos pobres para curativos e medicamentos. Será truque? Talvez não seja preciso. O enquadramento legal da coisa e a crescente passividade com que tendemos a aceitar situações destas como normais fazem muito bem o seu trabalho. Resta saber se o Expresso se ficará outra vez pelas boas intenções, daquelas que enchem a casa do messias da direita parlamentar, ou se irá investigar a fundo. É pôr o contador a andar. Enquanto isso, o assalto continua. E o mais certo é terminar como já sabemos que estas coisas terminam: tudo igual.

madeira

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Já li sobre esse assunto na página dos “Truques”. O tema foi recentemente abordado pela imprensa internacional.
    E também li alguns comentários engraçados de certos escribas, afirmando que o off Shore da Madeira não é bem a mesma coisa do que outros off shores.
    “É um bocado como o sms do Centeno!”
    Estes iluminados fazem- me lembrar aquela anedota sobre a prostituição.
    Várias prostitutas iam pacientemente esperando pelos seus clientes, junto ao passeio, na Rue de Saint Dénis.
    Num pequeno grupo estão quatro prostitutas, uma belga, uma francesa, uma inglesa e uma portuguesa. Falam entre si, quando se aproxima um norte americano que estava por ali de passagem.
    Pergunta a todas elas se são prostitutas.
    Respondem em “uníssono” que sim, menos uma que ficou calada. Por coincidência foi a portuguesa.
    Intrigado, o Norte Americano vira-se para a que não tinha assumido essa, como a sua profissão, e questiona-a de novo:
    – E tu, não és como elas?
    Responde-lhe a portuguesa.
    Não! Eu só sou acompanhante.

  2. Fernando Manuel Rodrigues says:

    Acho curioso este “trabalho” da imprensa estrangeira (durante 19 anos… uau) sobre a ZFM, quando há imensas zonas francas, inclusivé na Europa, a maioria em territórios sob administração do Reino Unido, e não tenho conhecimento de qualquer investigação sobre essas mesmas zonas francas.
    Que o que se passa na ZFM é pouco recomendável, é algo que já intuíamos. Pergunto apenas: Será só na ZFM? Ou essa questão, esse problema é transversal, e comum a todas as zonas francas?

  3. Mais uma história poeirenta a fazer comichão com o intuito de nos pôr a coçar. E onde se mete o Expresso temos eternidade. Está-lhe no nome. A Madeira predestinada? Mas sempre o foi… do caruncho! E quem investiga os investigadores? Porque não vão investigar o Luxemburgo, a Holanda, a Alemanha, a Áustria? A Madeira só é um paraíso, porque a Europa é um pântano.

  4. Desde quando os paraísos fiscais são ilegais?O que leva algumas pessoas a pensar que as pessoas que utilizam os paraísos fiscais é proveniência duvidosa ou para fugir a pesados impostos?

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