Grau zero no Parlamento


Soez foram os convites a emigrarem; as bocas à “peste grisalha”; o viverem acima das possibilidades; os sucessivos orçamentos inconstitucionais. Indigno é o exemplo que um deputado e líder de um partido dá no Parlamento. Porque a acusação é justa. É inaceitável que a fuga aos impostos seja um instrumento daqueles que têm maiores capacidades, obrigando os restantes a pagar os impostos que eles deixam de pagar. Não saber não é, nem nunca foi, desculpa. Há obrigações. E este é mais um caso a ilustrar a incompetência que foi a anterior governação.

O caso motivou um dos episódios de tensão entre Passos Coelho e António Costa durante o debate quinzenal. O primeiro-ministro respondia já ao secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, quando fez a afirmação que irritou o líder do PSD. “É absolutamente escandaloso que um governo que não hesitou em não acabar com a penhora da morada de família, por qualquer dívida, tenha tido a incapacidade de verificar o que aconteceu com 10 mil milhões de euros”, afirmou o primeiro-ministro. Foi nessa altura que Passos Coelho, com o microfone desligado, mas de dedo em riste, acusou António Costa de fazer “insinuações de baixo nível” e de “não ter moral para as fazer”.

Na manhã desta quinta-feira, no final da reunião da bancada, Montenegro também deu conta da indignação dos sociais-democratas, ao acusar António Costa de lançar uma “insinuação soez e indigna” ao responsabilizar o anterior Governo pelas transferências sem controlo.

É inacreditável que o fisco seja zeloso com quem se atrasa num pagamento de alguns euros, mas que nada tenha feito para verificar o que aconteceu com milhares de milhões de euros em transferências para offshores durante o governo PSD/CDS.

O caso ainda vai dar que falar dada a relação do ex-Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, com um escritório de advogados especializado em soluções fiscais, no qual trabalhou antes de ir para o governo e aonde regressou depois de ter saído do governo.

Quem é Paulo Núncio?

Antes de chegar ao Governo, o dirigente do CDS assessorou multinacionais no offshore da Madeira e o fabricante dos blindados no caso das falsas contrapartidas. No governo, destacou-se pela amnistia fiscal aos Espírito Santo que “lavou” as luvas dos submarinos e pela isenção milionária aos grandes grupos económicos.

Ide ler o artigo, que é um bom artigo. Mas se incomoda a fonte, também há com sabor a direita.

Paulo Núncio vai ser consultor na firma de advogados Morais Leitão

O ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais vai voltar à consultoria fiscal privada no início do próximo ano. Irá reencontrar na Morais Leitão o advogado António Lobo Xavier, que convidou para presidir à Comissão da Reforma do IRC.

Paulo Núncio, ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, vai trabalhar como consultor na sociedade de advogados Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados (MLGTS). Fonte oficial daquele escritório de advocacia confirmou ao Negócios que o antigo governante deverá voltar a exercer a sua anterior profissão a partir de Janeiro.

Comments

  1. O comportamento histérico e fanfarrão do sr. Montenegro é sintomático da infracção. Do crime. Uma Comissão de Inquérito no Parlamento pouco adianta. Também não se trata de uma vulgar fuga aos impostos, como qualquer um o faz se puder. Neste caso trata-se de uma conivência, colaboração, cumplicidade activa e propositada de altos responsáveis do Governo para que os impostos não fossem cobrados. Num momento nevrálgico para a grave situação financeira do país. Um crime de lesa-pátria. Uma traição ao país, ao povo, à democracia.

  2. Puxa-se o fio ao novelo e lá vêm eles todos agarrados. Uma verdadeira comandita, isto para lhe não chamar banditagem organizada.

  3. Hélder P. says:

    Eu não quero comissão de inquérito parlamentar, isso é uma forma de manter os assuntos em águas de bacalhau. O que fizeram as CPI por vocês até agora?
    Aqui existem indicios criminais e eu gostaria de viver num país em que o Ministério Público e os tribunais fizessem o seu trabalho. A PGR está à espera de quê? Será por não haver bloggers de esquerda nem o inimigo público numero 1 , a.k.a. o Sócas, envolvidos?

  4. manuel macuácua says:

    Ao ponto a que chegámos, só há duas saídas: a) concluir a revolução de Abril; b) Uma guerra civil para expurgarmos esta corja de bandidos, ten do em consideração o modo como estão infiltrados em todas as instituições.
    É chocante, mas não há outra hipótese.

  5. Anti-pafioso says:

    E agora apareceu o chefe para completar o ramalhete . corja de jagunços .

  6. Soez, apesar da similaridade silábica com suíno, quer dizer apenas vil; e sim o ataque de Costa, quando Passos já não poderia responder por falta de tempo parlamentar, foi vil. Mas é um clássico na democracia portuguesa, feita de eleitores que massificados me lembram sempre “as gajas”, liga-se muito mais ao que se diz e não ao que se faz.

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