Marco Verrati, o cérebro do cavalão de Unay Emery


O meu destaque do fim-de-semana futebolístico vai para a goleada do Paris Saint Germain em Marselha no grande clássico do futebol francês. A vitória por 5-1 dos parisienses frente aos marselheses de Rudy Garcia, uma equipa e um treinador que ainda procuram construir um elenco minimamente competitivo (mesmo apesar de terem conseguido resgatar o seu maior ícone Dimitry Payet; falta-lhes claramente uma defesa mais coesa) confirma a excepcional subida de forma de forma da turma comandada pelo espanhol Unay Emery depois de uma primeira metade de temporada mais complicada do que aquilo que era previsto no início da temporada.


Já tive ocasião de afirmar neste blog a propósito da goleada imposta ao Barcelona para a 1ª mão dos oitavos-de-final da Champions que este cavalão do PSG tem finalmente todas as condições para poder dar o salto da Ligue 1 para os triunfos europeus. A mudança de estrutura técnica (Blanc era pouco ambicioso no que concerne ao plano europeu) dotou o PSG de um técnico que sabe o que vencer uma prova europeia por 3 vezes. No entanto, a saída de Zlatan Ibrahimovic para o Manchester United levou os parisienses a reformular o seu projecto pela natural influência “monopolista” que o sueco exercia no jogo dos seus pares. Zlatan foi em Paris durante várias épocas muito mais do que o artista que garantia vitórias. Zlatan era o maestro, a orquestra, os instrumentos e os roadies que desmontam o palco após o concerto. O sueco foi durante anos um tudo (positivo é certo) que fazia secar o futebol de vários jogadores. Em boa hora o sueco saiu de Paris, dizem. Os outros músicos não tardaram a aparecer. Em boa hora. Mas o processo de construção desta equipa parisiense não foi nem está a ser fácil para Emery. E Emery foi obrigado a pedir reforços, em especial, para a zona de criação da equipa porque jogadores como Javier Pastore ou Lucas Moura não estavam a dar os créditos suficientes para alimentar as pretensões do seu treinador. Vieram Draxler, Gonçalo Guedes, Giovanni Lo Celso. A concorrência fez aumentar a produtividade do brasileiro e do argentino, juntando o útil ao agradável, numa equipa que está a ser pautada por uma luta pelo equilíbrio – a qualidade é tanta que todos os jogadores são obrigados a render mais para ganhar a titularidade. Quando existe competitividade saudável em todas as posições, ganha o colectivo. Daí o facto de ter baptizado este PSG de Cavalão.

Emery sempre foi muito inteligente na gestão das equipas que treina. É certo e sabido que no Sevilla também teve a preciosa ajuda daquele que considero o melhor director desportivo do mundo – Monchi Rodriguez, o homem que desde há uma década a esta parte descobriu talento de todas as espécies para todos os lugares ao mais variado centro de custos, do milhão de euros pelo brasileiro semi-desconhecido (Dani Alves; Mariano Ferreira, Júlio Baptista; Adriano Correia) ou por jogadores como Diogo Figueiras (lançado e catapultado para a alta roda do futebol mundial por Paulo Fonseca no Paços de Ferreira versão 2012\2013) para os 15 e 20 milhões que foram pagos por alguns dos jogadores que foram recentemente contratados pela turma andaluz. A única decepção de Monchi? O ucraniano Yevhen Konoplyanka. De resto, Monchi acertou em quase todos e não é à toa que os andaluzes venceram o que venceram na última década e arrecadaram mais de 520 milhões de euros em vendas na última década em contraste com os cerca de 315 milhões gastos no período referido. 5 vitórias continentais ficaram portanto, literalmente, assentes em barras de ouro nos cofres do clube.

Outra das características do treinador espanhol é a sua natural capacidade para desenhar e trabalhar esta equipa em função do adversário. Este PSG tem muitas máscaras e não estamos a falar de carnaval. Estamos a falar de uma equipa que é trabalhada com a minúcia de um artesão de diamantes para render aquilo que tem de render em função de um adversário. Se o adversário gosta de gerir o jogo através da posse, o espanhol baixa as linhas e arrasa no contra-ataque. Tem jogadores rápidos e criativos para ir e um ponta-de-lança de pé quente chamado Edinson Cavani. O uruguaio, votado às alas na presença do Rei Ibrahimovic, foi um dos que mais lucrou com a saída do sueco pois voltou a ser o temível ponta-de-lança dos tempos do Napoli. Se a equipa tem que assumir uma construção em ataque organizado, Emery trabalha mais a construção, a velocidade da construção, os processos de circulação de bola, a dinâmica posicional, as movimentações que permitem furar as marcações instituídas da equipa adversária – em suma, os mecanismos que geram continuidade de posse, profundidade e criatividade.

Contudo, a linha de produção deste PSG depende obviamente do homem que tem atrás a comandar todas as operações. Esse homem é o italiano Marco Verrati, a peça chave na mecânica ofensiva deste PSG.

O jovem italiano, o digno sucessor do futebol de Andrea Pirlo, formado nas escolas do Pescara (um dos maiores clubes de formação do futebol italiano) é o cérebro (box-to-box) que põe a equipa inteira a jogar com a sua inteligência, com a sua visão de jogo e com a sua qualidade de passe. Com Verrati a comandar as operações através de trás, Unay Emery resolveu de uma assentada a sempre difícil construção ofensiva da equipa. O italiano joga e faz jogar. É ele quem coloca critério nos processos de circulação de bola, é ele quem chama um-a-um os companheiros da linha da frente (os criativos) para entrar no jogo, é ele que acaba por conseguir, em qualquer cenário defensivo da outra parte, projectar sempre a equipa para a frente, retirando-se sempre benefício das suas acções.

Em Marselha, o italiano foi a chave do sucesso do PSG. Com duas assistências directas e uma indirecta, tendo sido ele quem construiu a jogada do 2º golo, golo da autoria de Cavani, não só foi directamente fundamental no resultado obtido como permitiu que os outros 2 golos surgissem de contextos muito importante para a equipa: ele está lá para recuperar, construir e para servir, o que não o impede também, como vimos de ir à área adversária criar, mas, tal facto, o facto de ele estar lá para assumir o jogo da equipa, permite a quem de direito construir, ou seja, os criativos que acima enunciei, com um organizador mais atrás estão livres de tarefas (organizativas) para se poderem dedicar ao que de melhor tem para oferecer ao futebol da equipa, as tarefas criativas. Esta divisão de tarefas é fundamental para uma equipa que se quer assumir como vencedora ao mais alto nível.

Resta a Emery dar o passo para a último nível desta evolução para dar o seu trabalho inicial como findo: colocar o polaco Grzegorz Krychowiak a funcionar ao lado do médio italiano como um stopper na posição que actualmente é ocupada por Adrien Rabiot, médio de características mais próximas de Verrati. Quando o conseguir, o espanhol poderá replicar na sua equipa uma espécie de dupla Pirlo-Gattuso. Se o conseguir, este PSG ganhará asas para dominar a europa nos próximos anos.

Comments

  1. diarreia mentol ó futebulística says:

    O Aventar cheira mal.
    Que diarreia mentol ó futebulística

  2. Deixa-me que te digas mas és supersónico! Conseguiste em 3 minutos ler e digerir um post tão grande? Ou tens apenas somente o prazer de ser o meu o troll de estimação?

  3. diarreia mentol ó futebulística says:

    Tás maluco ?
    Ler a tua prolongadíssima diarreia ?

    Vai-ta mas é tratar.

  4. Quando um treinador compra um jogador do Benfica é logo bom…

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  1. […] Rodrigues promete o primeiro produto de Monchi Rodriguez, ontem citado aqui no Aventar. Exceptuando a sua passagem pelo Sevilla, Juande Ramos ganhou […]

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