Da intolerância…


Artigo 13.º
Princípio da igualdade
1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.
2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.

Uma mulher muçulmana tem o mesmo direito a usar véu islâmico que um cristão usar uma cruz ao pescoço. E ninguém tem o direito de se sentir ofendido pelo uso deste ou qualquer outro símbolo religioso. O mesmo princípio a qualquer outro símbolo, político, de clube ou qualquer outro.

Por princípio, não devem existir discriminações no local de trabalho. No entanto sempre que o exercício de determinada actividade requeira o uso de qualquer tipo de uniforme, o empregado terá forçosamente que optar entre o emprego ou aceitar as normas que se aplicam a todos. Por exemplo nas forças armadas, bombeiros ou polícia, mas também nas empresas privadas de segurança que prestam serviços à comunidade, não faz sentido que alguém se apresente de forma diferente dos demais. Se não gosto de andar fardado, não vou concorrer a um emprego que me impõe fardamento. Da mesma forma um futebolista por exemplo, caso um sikh apresente talento e vocação para praticar futebol, terá que deixar o turbante no balneário sem que tal constitua qualquer discriminação.
A recente decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia abre portas à discriminação numa época em que falta bom senso e abunda a intolerância na sociedade. Um caminho perigoso se nos lembrarmos que ao longo da História todas as religiões já perseguiram e foram perseguidas. E pior, que a rejeição do outro, do direito à diferença, está longe de ser um fenómeno exclusivamente religioso, como se pode comprovar diariamente, no desporto, na política e até nos hábitos da sociedade, existindo uma predisposição para normalizar e regular o que devem ser exclusivamente do foro individual.

Comments

  1. tá bem tá says:

    ora muito bem.

  2. joão lopes says:

    a isto chama-se bom senso…agora só falta perceber porque existe tanto idiota no mundo,incluindo lusos que não percebem isto…

    • Ricardo Santos Pinto says:

      Engraçado. Bom-senso é chamar idiota a quem tem uma opinião diferente da nossa…

      • joão lopes says:

        gostaria de falar,olhos nos olhos com os idiotas obcecados com veus islamicos,sim senhor,com idiotas obcecados com muçulmanos,com monomaniacos que só pensam no islão,e chamava-lhes idiotas a não ser que finalmente explicassem porque são os muçulmanos os unicos “maus” do mundo…

  3. Rui Naldinho says:

    Ó António. Não seja mais papista que o papa.
    A decisão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem diz apenas que a empresa pode proibir o uso de símbolos religiosos, como por exemplo, o véu islâmico ou/e outros símbolos, de qualquer religião, desde que essa decisão seja uniforme para todos os funcionários. Só podia ser assim, caso contrário isso configurava necessariamente abuso.
    E não é só os militares, polícias e bombeiros que andam fardados. Eu até falo com conhecimento de causa, porque aquando da incorporação de mulheres nas Forças Armadas e na Polícia houve necessidade de ajustar indumentárias, mantendo e bem, o conceito do feminino na farda das mulheres.
    Você hoje vai a um Hospital e toda aquela gente se identifica pela roupa. Das funcionárias de limpeza, às auxiliares, enfermeiros e médicos. Uns andam de rosa, outros beije, outros de azul, outros de Branco, etc. Falo de funcionários, claro.
    Vai à NOS, VODAFONE e à MEO, toda aquela gente tem roupa normalizada fornecida pela operadora. Nos Hipermercados, idem. Na Sport Zone, na Decathlon, … até em muitas lojas dos centros comerciais, tipo ZARA, etc..
    Entra num Hospital Privado, e todos os funcionários tem roupa uniformizada, sejam homens ou mulheres. Vai a uma agência bancária e os homens estão todos de fato e gravata. Já lá vai o tempo do PREC. As mulheres só podem andar de saia e blusa, com casaco, ou andando de calças têm de usar um fato para Senhora. O tempo da calça de ganga e tshirt já já vai.
    Podia enumerar dezenas de empresas com o uso normalizado de traje de trabalho fora das forças armadas, polícia e bombeiros.
    Isto já para não falar dos operários, homens e mulheres, das milhares de fábricas pelo mundo fora, com o seu macacão.
    Eu sei que o racismo existe. Sei que temos de o combater, a começar pela escola, pelo clube, pelo bairro. Mas também acho que temos de colocar as coisas no seu devido lugar, porque gostemos ou não, infelizmente temos de conviver com ele.
    Já imaginou em França metade das caixas de pagamento do Carrefour todas vazias, porque as funcionárias estavam de véu islâmico, semi ocultas, com um ar muito circunspecto à espera de um cliente, que tardava em aparecer, e as outras caixas sem mulheres islâmicas a abarrotar de gente?
    Pense nisso, e diga-me se a decisão é assim tão insensata?

    • joão lopes says:

      eram despedidas porque não produziam,certo? aqui,a fixação esta nos muçulmanos islamicos,porque tambem há muçulmanos cristãos,por exemplo…alis,a mono mania é mesmo com os islamicos,uma especie de psicose colectiva ,as vezes fico a pensar se as mentes não tem mais argumentos que não sejam o odio ao islamico

      • Fernando Manuel Rodrigues says:

        Muçulmanos cristãos? Você sabe o que são muçulmanos? Muçulmano é uma religião, não uma nacionalidade. Logo, se são muçulmanos não podem ser cristãos, e vice-versa. Seria como dizer que há benfiquistas portistas.
        Quanto ao ódio ao islamismo, é verdade que existe algum, mas talvez seja por causa dos extremistas que vêm perpetrando ataques terroristas um pouco por todo o lado, não lhe parece?

        • joão lopes says:

          o islão é que é a religião,os arabes podem ou não professar uma religião..seja ela qual for.ate podem ser agnosticos,ou não?

          • Dr. Fonseca Galhão says:

            O João começou por se referir a “muçulmanos cristãos”. Um muçulmano professa o islão. Ponto. Os árabes podem, sim, ser cristãos (havê-los-á), mas não foi isso que disse antes e foi nesse sentido que o Fernando lhe respondeu.

            +++++++++++++++

            De qualquer modo, e em comentário geral ao post do António Almeida, algumas notas:

            1. É efetivamente uma questão filosófica complexa: devem, ou não, as sociedades ocidentais ser tolerantes com predicados religiosos intolerantes, em nome da tolerância?

            Devemos estar, nestes casos, a defender o quê? Ou quem?
            A livre prática de uma religião? Ou as mulheres que essa religião subjuga totalmente à vontade do homem?

            Já sem falar de burkas ou nikabs (que são recrudescimentos de visões “puristas”, se bem que relativamente locais, recentes e até heterodoxas, do Islão), falemos só, por agora, pelos véus:

            A obrigatoriedade do véu é um símbolo de submissão. Certo?
            A mulher deve cobrir os cabelos, quintessência da sensualidade, para não provocar os maus instintos dos homens. A “modéstia” mais não é que um “keep your hands off my property” ou um, ainda pior, “tapa a cabeça, para eu não ser obrigado a violar-te, sua tentadora demoníaca”.

            Se assim é, porque não havemos, como sociedade, de repudiar este “símbolo”? Comparar isto com um crucifixo é, das duas uma, ou ignorância ou má fé.

            Querem andar com um crescente? Isso sim, enfim, seria análogo do crucifixo. Não podem representar deus ou o profeta? Azarete. Passar bem.

            As barbas também são um símbolo. No ocidente, simbolizam que se é um hipster. No médio-oriente, simbolizam que se é um crente. Repare que o Corão nem sequer diz nada sobre isto. Mas o profeta usava, gostava dela e, mutatis mutandis, quem apara a barba vai para o inferno. É a fitrah – a ordem natural das coisas.

            Não existe legislação a proibir barbas, certo? Porque as barbas são uma opção pessoal. Não são uma imposição de um grupo sobre outro. Não dizem “repara, tu tens de usar isto porque, caso contrário, estás a seduzir-me como uma meretriz e lá vou ter eu de te violar / seduzir e ir para o inferno à tua pala”.

            2. Será, então, a tolerância religiosa um valor absoluto?
            Terá um gajo – sob a égide da religião que professa – liberdade para fazer ou impor aos outros o que melhor lhe aprouver?

            Como hoje até estou bem disposto, vou colocar na mesa dois exemplos.

            Calha, por exemplo, que descendo de uma longa linhagem de canibais do Bornéu (saudades para o Bornéu, se me está alguém a ouvir). Por que raio não posso eu praticar aqui os ditames da minha religião animista, tal como a famelga lá na terra? A carne dos meus inimigos é parte inextricável do meu ethos socio-cultural… e é também deliciosa, diga-se de passagem.

            Sou também mormon – professo os Santos dos Últimos Dias, por parte da minha mãe – e supostamente poder-me-ia casar com mais do que uma mulher. Religiosamente falando, claro. Por razões pias, e tal. No entanto, estes fascistas ociden… eurocratas também não me deixam fazê-lo. Ou pelo menos legalizá-lo / ostentá-lo.

            3. Podem achar o o supracitado é uma redução ao absurdo. Talvez o seja. Mas é um bom exemplo. E, pior que tudo, é legítimo interrogar-mo-nos porque não se extrai daqui um precedente? Se é tolerado a um grupo um “pecadilho” intercultural, porque não tolerar os “pecadilhos” religiosos dos outros?

            Se vamos pela história da inclusão, porque é que não aceitamos também que qualquer indivíduo, à luz de uma suposta crença ou background cultural, cometa, pratique ou professe os actos que bem quiser?

            Bestialidade? Pedofilia? Incesto? Casamentos aos 12 anos?

            Porque é que o meu amigo Toino não há-de poder casar a sua mais nova, já com 12 para a semana, com o filho do Garcia, gajo que, apesar dos seus 14 anos, já tem 4 vendas a render todos os Domingos?

            4. O António transcreve a CRP (um bocado irrelevante neste caso, mas percebe-se).

            Eu atiro-lhe com o Artigo 1.º da Dec. dos Direitos do Homem: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.”

            Isto não acontece no Islão. As mulheres NÃO são nem livres, nem iguais em dignidade, nem em direitos.

            É isto que se defende aqui? Duvido que seja isto que o António defende.

            Acontece é que está a ver a questão pelo lado do prosélico religioso, quando diz: “Uma mulher muçulmana tem o mesmo direito a usar véu islâmico que um cristão usar uma cruz ao pescoço.”

            Tem o direito? Talvez. Mas também podemos ver a coisa por outro lado:

            A questão não está na mulher ter o direito a usar o véu. Deverá antes estar no “a tradição x ou y NÃO TEM O DIREITO de impor ao cidadão a ou b o uso de símbolos z ou w”.

            Ok? A tradição litúrgica dos sodomitas-gatunos-neo-taoistas (não verifiquei se existe) NÃO TEM O DIREITO de impôr aos seus crentes que sodomizem as suas vítimas de furto. Pelo menos não em território europeu, sob a jurisdição de Constituições que preconizam a tolerância e a liberdade religiosa, mas também o direito à igualdade como cidadão e à liberdade como indivíduo.

            4. Outra coisa, só para finalizar: não se proíbe o USO. Proibe-se a EXIBIÇÃO em contextos profissionais. E não é só do véu. É de qualquer símbolo religioso: mitras, paramentos diversos, kippahs, cabeças-dos-inimigos, crânios de calva (um brinde a Odin!)…

          • joão lopes says:

            cometi um erro,de facto,e o fernando aproveitou,mas não contra argumentou.por exemplo:não teve a coragem de dizer que o “islão” que fala,veio todo,todinho da arabia saudita( e aqui sim,a propaganda fanatica deste pais serve bem o negocio do petroleo,e todos os ocidentais vivem bem com o seu conforto hipocrita).segundo: o corão tem muitas passagens onde se fala de respeito pelos animais( na europa,em portugal,matar animais é desporto,como sabe) … e para já chega.

          • Dr. Fonseca Galhão says:

            Não sei porque é o que o Fernando havia de ter essa coragem, porque não era, de todo, isso que estava em discussão.

            Mas já que puxa pelo assunto, aproveito para lhe dizer que, sim, todo o Islão nasceu, de facto, na zona da (hoje) Arábia Saudita – Meca e Medina. Até aí, não há grande novidade: Islão “de paz” (metade do corão – quando o profeta não tem exército e tem de “baixar a bola” na região) em Meca; Islão “de guerra” (outra metade do corão – desta com o profeta já com as costas quentes com um considerável poder militar, cheio de crentes prontos a islamizar todo o que mexe), a partir de Medina.

            Aquilo a que o João aí se refere, creio eu, é um “novo” Islão mais tradicionalista – salafista / wahabi (ramo sunita) – que preconiza um retorno literal ao mundo do séc. VI, i.e. à data do profeta.

            É uma corrente relativamente recente, originária e muito bem financiada pela Arábia Saudita, efetivamente.

            É altamente agressiva para todas as formas de culto blasfemo (inclusivé intra-muçulmanos, mais especificamente, mas não limitado a, ao ramo xiita). Repare, aliás, que as maiores vítimas do terrorismo islâmico são, efectivamente, os próprios muçulmanos. A isto conjuga-se uma guerra de poder geoestratégico, com as relações Irão / Arábia Saudita (ainda por cima etnicamente distintos e mutuamente detestados) no centro da tempestade da região.

            Que a Arábia Saudita use os seus petrodolares pare financiar a construção de mesquitas, madrassas e proselitistas de toda a espécie em território europeu não deveria ser por si utilizado como argumento.

            Pelo contrário: essa é uma das principais razões pela qual estes movimentos “estratégicos” da islamização deveriam ser estancados o quanto antes. Esta discussão da proibição dos véus – por ténue que seja – é um passo nesse sentido. Não se iluda: há uma estratégia político-militar subjacente, tão insidiosa quanto o foi, à sua data, a “cristianização dos selvagens” com a criação de missões jesuítas, do Brasil ao Japão.

            Tem toda a razão quando refere que a Arábia Saudita promove e financia uma propaganda fanática. E ainda mais razão se com isto quiser dizer que essa visão do Islão Salafista está a “envenenar” o Islão moderado e a empurrar as relações com outras culturas em direção ao abismo. Porque é mesmo isso que está a acontecer.

            Contudo, note-se também a reticência com que o “islão moderado” critica estas ações. Podem argumentar que é uma religião de paz, que não o deixa de ser, mas não podem – porque não conseguem – dizer que isto não está no Corão. Porque está. E como está escrito e não se pode criticar a palavra de Deus, qualquer crítica ao Salafismo tem de ser mesmo muito bem medida. Ou oblíqua. Está a perceber?

            É como uma seita que lê literalmente o Livro, tal como foi escrito há 500 anos atrás.

            Seria como se uns maluquinhos quaisquer começassem a ler a Bíblia e a querer fazer literalmente o que lá está (ehehe, vide sistema educativo do Texas). Tipo: não usar pontos de malha diferentes, não misturar carne no leite da sua mãe (adeus, mista de queijo e fiambre), derrubar muralhas com trombetas… o costume.

            O que seria MESMO porreiro era que o islão (dos mais aos menos moderados), em vez de gastar tanto tempo a insurgir-se contra os malandros dos europeus – que querem promover direitos e o caralho – se dedicasse mais a insurgir-se contra a barbárie:

            as decapitações de apóstatas, a defenestração de homossexuais, os brinquedos com explosivos (?!) na Síria, os apedrejamentos de adúlteras (mesmo pós-violação), a excisão do clitóris, a prostituição de escravas, os assassinatos de honra (matar filhas e irmãs que se relacionam com homens, sem autorização familiar), a doutrina do espancamento, os atentados à população cristã-copta, a total proibição de igrejas cristã e de outras confissões…

            Devo estar a esquecer-me de alguns, mas julgo que é esclarecedor. Quando vir tanto sururu – da parte de alguns quadrantes interessados – acerca disto, como vejo acerca das “liberdades de culto” e da “opressão do laicisimo sobre o islão”, posso começar a ver o problema de outra forma.

            Portanto, para resumir:

            Que a Arábia Saudita seja sistematicamente “esquecida” nestes assuntos – em prol dos sujos interesses do petróleo, tanto europeus, como americanos, mas também cada vez mais chineses – é um sintoma da doença.

            Também não percebo bem onde é que entre essa do “conforto hipócrita dos ocidentais”… Se me disser “conforto ignorante” ainda vá.

            Ou então, estou a falar com alguém que acredita que “ser anti-ocidental / anti-americano é naturalmente bom” e que, portanto, nesse caso pode tratar as mulheres e os não-crentes (ou os crentes numa coisa um bocadinho diferente) como lixo. Ou lixo que se pode matar. Em nome de deus.

            Não me parece, de todo, que seja essa a sua visão.

            Contudo, e já agora, não posso deixar de achar piada à questão que levanta sobre os animais no Islão. Matar bichinhos é errado; degolar e escravizar os apóstatas, é recomendável. Ok.

            Se é para comparar, fique-se pelo budismo. Um monge budista, ao limite da não-violência, poderá nem sequer lavrar a terra, para não matar as minhocas e outros animais que nela se encontrem.

          • joão lopes says:

            anti americano é que não sou,ou então o lou reed não era americano( o poeta do rock fartou-se de bater na hipocisia americana e é actual,basta o dirty blvd)…quanto aos animais:sabe que os lusos(religiosos ou não) estão quase a dar cabo das raposas que existem neste pais? e quem não vive bem com a natureza,dificilmente respeita um ser humano

    • Já imaginou em França metade das caixas de pagamento do Carrefour todas vazias, porque as funcionárias estavam de véu islâmico, semi ocultas, com um ar muito circunspecto à espera de um cliente, que tardava em aparecer, e as outras caixas sem mulheres islâmicas a abarrotar de gente?

      Caro Rui, isto cabe dentro do que escrevi, quando comparei com seguranças privadas. Sim, as funcionárias do Carrefour e outros supermercados, não devem poder usar véu islâmico, apenas porque todas estão uniformizadas, mas uma que esteja por exemplo na caixa do Banco já deve ser autorizada a usá-lo, porque tanto quanto eu saiba, não existe propriamente um fardamento no Banco. Penso que fui claro… E se tiver uma fila não importa para quê, com 2 pessoas a atender, uma de véu e outra de mini-saia, olhe que eu sou capaz de preferir despachar-me rapidamente…

    • Rui Mateus says:

      Caro, deixando de gora a hipocrisia,esta lei visa a mulher mulçumana, o resto é fogo de vista…com uniformes ou não.

    • Dr. Fonseca Galhão says:

      Já agora… “há 1500 anos atrás”. Deve haver aí mais gralhas, mas fiquemo-nos por esta.

  4. joão lopes says:

    olha ,houve uma atentado em França e foi um arabe ou um cigano…e se não foi esta gente,então não é atentado nem terrorismo,certo? e alem disso,o holandês só falou no islão na campanha,rigorosamente mais nada,percebeu,ou precisa de um desenho?

  5. Não estou suficientemente elucidado em que situações pode-se usar véu sem tapar a cara, ou a tapar a cara, ou burka!

    • Isto para dizer que, para mim, não é uma questão religiosa, fosse qual fosse a religião que impusesse qualquer forma de cobrir o rosto, eu não me sentiria à vontade.

      • joão lopes says:

        pois,só que agora o islão esta em todo o lado,porque é argumento facil para alguns brancos chegarem ao poder…para depois se utilizarem do poder em beneficio proprio(caso trump)

  6. Dr. Fonseca Galhão says:
    De qualquer modo, e em comentário geral ao post do António Almeida, algumas notas:

    1. É efetivamente uma questão filosófica complexa: devem, ou não, as sociedades ocidentais ser tolerantes com predicados religiosos intolerantes, em nome da tolerância?

    Li atentamente o seu comentário e percebo a lógica. Mas abre igualmente espaço para alguns perigos:
    a) Seguindo a lógica de proibirmos o uso de véu por exemplo, pela representação que encerra da falta de direito das mulheres nas sociedades do médio-oriente. Não é um pouco como impormos a Democracia ocidental aos países que não a querem? Que direito tenho eu de afastar do poder no Irão os Ayatollah? Eu até sou agnóstico, quero um Estado separado da Igreja, não tenho paciência para teocracias…
    b) Interessante ter apontado o exemplo do canibalismo. O “fardo do homem branco” ter que educar selvagens e salvar suas almas.

    E sim, deveremos reconhecer tudo o que existe noutras paragens, o que não implica de forma alguma legalizar. Se um mormon, ou o sultão do Brunei aparecerem em Portugal ou qualquer outro país europeu, acompanhado das suas esposas, não os vamos prender por bigamia ou poligamia. Isso não implica qualquer reconhecimento legal. E até posso comentar o exemplo do canibal, caso apareça em Portugal, sem que exista qualquer mandato de captura internacional, pode passar umas férias tranquilas que ninguém o vai incomodar. Se o canibalismo ainda for legal lá para o Bornéu, seguramente que as autoridades do seu país não se incomodariam.

    Mantenho o meu pensamento, se a Sonae quer todos os funcionários com a mesma apresentação, uma muçulmana será informada do facto logo na entrevista e pode ou não aceitar o emprego. Se aceitar, tem que cumprir as regras. Já a senhora que trabalha no escritório, não tem a ver com estar em contacto com o publico, até pode ser professora por exemplo, desde que não esteja obrigada a usar uniforme, deve poder usar um véu islâmico. E por último, se uma cristã devota que tenha perdido um familiar próximo, pretender usar luto carregado, que inclui um lenço preto na cabeça, também a vamos proibir? Se vamos por aí, abrimos um caixa de Pandora…

    • joão lopes says:

      luto carregado…para toda a vida…são as viuvas negras e são no minimo assustadoras.

    • Dr. Fonseca Galhão says:

      Obrigado pela sua resposta, António. Hoje estou com tempo e com “dedo” para a conversa.

      Ora, o meu caro António está feito um relativista:)

      Não, não é como impor a democracia ocidental aos países que não a querem. Simplesmente, porque não estamos a falar de outros países. Estamos a falar do nosso. Bem, do espaço europeu.

      Quem “impõe” é quem chega, certo? Querem impor a ideia que a mulher deve ser vista – e visualmente definida – de uma determinada forma. Determinada forma essa não várias vezque atenta, diretamente, contra um dos pilares do que constitui a sociedade ocidental, europeia.

      Se faz sentido cobrir as mulheres no país a ou b, não é o que está aqui em causa. Eu posso achar repugnante que o façam no país x ou y, mas não os vou chatear por causa disso. Muito menos impor uma visão. Quando a minha mulher está comigo “chez musulmans” tapa o cabelo com o véu e amocha. Não ando a desafiá-los, nem a declarar que é o direito dela. Porque ali, nesse contexto, não é.

      Até lhe digo mais, entre parêntesis: sendo a minha mulher uma tipa vistosa, morenaça – benza-a Deus – com traços do Golfo Pérsico (quis a sorte que assim fosse: alta, olhos grandes, cabelo negro) não raras vezes é abordada por outras mulheres, quando por ali estamos, no sentido de pequena reprimenda por andar ali enrolada com um ocidental. Ali, na tromba das outras. É, até ao primeiro esclarecimento, uma meretriz sem vergonha (gosto de pensar que o dizem, as roidinhas de inveja).

      Voltando à vaca fria… foi o António buscar a questão do canibalismo, mas viu-a da perspectiva errada. Não se trata do fardo do homem branco, ora essa.

      Há uma data de razões para repudiar o canibalismo (principalmente de ordem médica e sanitárias) mas, de todas elas, foi logo buscar o “educar o selvagem”. De todo, homem. Pergunte-se bem: porque é que o canibalismo é repugnante ao nossos olhos? Doença de Creutzfeldt-Jakob? Não somente. Também – e principalmente – por uma série de construções morais, éticas, religiosas, whatever… porque a nossa sociedade convencionou que o canibalismo é errado. Logo proibe-o. Implícita e explicitamente. É hediondo.

      Mas se o é para nós, não o será para a famelga (props para eles) no Bornéu. Mas não se trata de “educar o selvagem” porque não estamos a ir lá, ao Bornéu, a impedi-los de o fazer. E ainda bem, diga-se de passagem: um churrasco DE vizinho é melhor que COM o vizinho.

      O que podemos, sim, é impedir que alguém – em solo europeu – marine o vizinho em ervas e limão, e que o leve à grelha, salpicado de sal; servindo-o depois com uma bela salada, batata frita e arroz branco. E digo-o com mágoa no coração.

      Passando depois para o sultão do brunei. Não vamos impedir o senhor de ter as suas mulheres, claro. Mas se se quiser cá casar com várias, não pode. Se tiver várias mulheres no Brunei, e se quiser casar com uma portuguesa cá, em solo português, também não pode. Bigamia. Casamento inválido. Se quiser copo de água e marcha nupcial, pode, as vezes que quiser. Casamento registado, com valor legal, não pode.

      O mesmo para os mormons (também há cá bastantes, sabia? e a cena do casamento múltiplo não é tão linear quanto lhe disse no outro post, mas serviu como expressão ao limite). Podem professar a religião como quiserem. Podem viver como homem e mulher(es). Mas não podem é casar, de jure, com vários parceiros.

      Isto para dizer o quê? A lei PERMITE livre fruição da liberdade de culto, mas NÃO PERMITE determinadas expressões desse culto, por razões práticas, históricas, morais, etc. que se foram construindo ao longo de séculos.

      Uma coisa é o USO e a outra é a EXIBIÇÃO. Eu posso estar “casado” com três gajas, mas não posso usufruir desse estatuto aos olhos da lei. O mesmo para uma mulher, parece agora, que queira seguir o Islão: pode sê-lo no seu espaço privado, é lá com ela e com a família, whatever, mas tem de se sujeitar a uma lei que – para todos os europeus – define claramente que ninguém deve ser subjugado à projeção de uma ideia ou religião.

      Por fim, quanto às suas notas finais: dá o exemplo da Sonae e, pelo que julgo saber, esta “nova” lei deriva até de um recurso de uma empresa que estava impedida de exigir um dress code às suas funcionárias. Ou seja: queria uniformizar, etc. mas estava impedida, porque algumas mulheres se recusavam a retirar o véu, por razões religiosas.

      “Se aceitar tem de cumprir as regras”, diz o António. E se não aceitar? Faz barulho e diz que foi descriminada pela religião? Impugna processos de selecção? Leva-os a tribunal?
      E se já lá estiver? Continua a usar? Despede-se a si própria? Fat chance. E imagina a shit-storm que se criaria se a empresa se limitasse a despedi-las?

      Mais: a “sonae vs. escritório” não colhe. As base das leis é para todos. Se num determinado escritório, o patrão não se importar, acho muito bem que usem o véu, crucifixos do tamanho de pés-de-cabra, as orelhas do seus inimigos, o que quiserem.

      Porquê? Ora, porque uma empresa não tem de se subjugar ao ideário religioso de parte ou do total dos seus funcionários. Se no meu escritório há regras para as mulheres não andarem com decotes até ao umbigo (infelizmente), se eu não posso andar de t-shirt e ténis, vai tudo dar ao mesmo.

      Só como última nota: mais uma vez, a cristã devota ou a freira são fracos argumentos. Usam véu em determinadas circunstâncias, como parte de um ritual, e não por imposição expressa da sua cultura, como “marca” indelével do seu estatuto.

      Uma coisa é algo que se pode escolher usar ou não. Outra, é um símbolo imposto a todas, sejam mais ou menos crentes, mais ou menos religiosas, mais ou menos pecadoras.

      • Uma coisa é dress code, outra bem diferente é uniformização. Ainda assim pode fazer sentido não permitir o uso de véu islâmico, mas as pessoas são informadas durante a entrevista a que se submetem no processo de candidatura. O que já não é tolerável é que a partir de determinada altura, só porque entra um CEO ou até mesmo um simples Director, que antipatiza com o Islão, vamos mudar as regras só porque sim.
        Mais do que forçar as que convictamente pretendam usar o véu islâmico, preocupa-me sim que pelo menos na Europa, se garanta total liberdade e segurança às muçulmanas que o queiram efectivamente tirar… que ninguém seja impedido de usar um símbolo que considere importante, mas também que ninguém seja forçado ao uso contra a sua vontade.
        É simples, que a Europa seja um espaço de Liberdade para todos. E quem não aceitar as regras, então sim, caso seja europeu pode lutar pela sua alteração, caso não o seja, não pode permanecer…

  7. Dr. Fonseca Galhão says:

    Nem de propósito:

    http://www.dn.pt/mundo/interior/erdogan-dirige-se-aos-turcos-da-europa-facam-cinco-filhos-5731813.html

    “Façam 5 filhos. A Europa será vossa”. Muçulmano. Teocrata. Espertalhão.

    Ah, Califado dreaming…

  8. E a boçal Umanidade continua na mesma…

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