Uma história do Público em 2233 palavras


Alexandra Lucas Coelho, o Último Texto.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Uma Jornalista a sério. Num mundo em que os estagiários são tratados como pajens, e aqueles que deveriam ser os portadores da verdade politicamente incorreta, os jornalistas, são apenas caixas de ressonância dos interesses instalados.

  2. Rui Naldinho says:

    José Vítor Malheiros

    “Ainda a propósito do despedimento de Alexandra Lucas Coelho do Público (entre muitos outros jornalistas e cronistas) e da última crónica que publica hoje naquele jornal.
    São muitos os leitores que lembram e se consolam com o facto de ser possível continuar a ler a Alexandra nos seus livros e em crónicas e reportagens que certamente não deixará de publicar noutras páginas. Mas a questão não é essa e o facto só parcialmente serve de consolo. É que um jornal não é um somatório de textos e fotos que tanto se podem encontrar ali reunidos como dispersos em vários suportes avulsos.
    Um jornal, aquilo que vemos reunido naquela mão-cheia de páginas, é o resultado de uma conversa constante que acontece na sua redacção e a saída de tantos bons profissionais do Público (e de outros jornais), ao longo dos últimos anos, empobrece de forma irreparável essa conversa.
    É essa “conversa”, que passa despercebida aos leitores e que apenas se traduz no produto final, que produz o jornal, com a sua multiplicidade de pontos de vista, de referências, de interesses, de culturas, de memórias, de sentimentos, de preocupações, de gostos, de estilos, de histórias, de discussões, de valores e de atitudes que se enfrentam mas que confluem num objectivo comum: dar o mundo a conhecer aos leitores, ajudá-los a compreender melhor o mundo em que vivem e a compreender os outros, a agir sobre o mundo e a participar de forma empenhada e criativa na construção de um mundo melhor e na construção do próprio jornal, num processo de realimentação constante, exigente e generoso.
    Esta conversa (a que os especialistas chamam a cultura da redacção) é, nos melhores casos, como o Público foi durante anos, um lugar maravilhoso, intelectualmente estimulante e excitante, eticamente exigente, divertido e caótico, apaixonado e extenuante, sentimentalmente agitado, cheio de gritos e discórdias e de fúrias, de noites sem dormir e de frustrações diversas, mas também de alegria e de camaradagem, de vitórias pessoais e, nos melhores momentos, de êxitos da cidadania e da cultura.
    É por isso que, mesmo que Alexandra Lucas Coelho e tantos outros continuem a escrever noutros locais, o seu texto tem este sabor inconfundível do luto e de perda. É de perda que se trata e de uma perda irreparável. Nascerão certamente outros jornais e outros espaços de liberdade, de cultura e de debate democrático. Mas este, aquele que ela e eu ajudámos a construir, por agora está a morrer e isso é profundamente triste.”

  3. Mais uma remadora atirada pela borda fora. Só interessam os cinzentos, os incondicionais. QUO VADIS LIBERDADE DE IMPRENSA.

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