É preciso fechar a torneira aos partidos

Entre 2014 e 2017, os contribuintes entregaram 120 milhões de euros aos partidos políticos, sendo que a esmagadora maioria desse montante foi parar aos cofres da São Caetano e do Largo do Rato.

Podia aqui argumentar sobre a importância de financiar a actividade dos partidos, como forma de os manter imunes a interesses privados, algo que não corresponde nem nunca corresponderá à verdade, em particular no seio do PS, PSD e CDS-PP. Podia escrever linhas e mais linhas sobre a importância dos partidos numa sociedade democrática e plural, que é inegável, como se o valor que para eles transferimos fosse usado em prol do esclarecimento da população. Mas prefiro não me pôr para aqui com merdas e paleio de saco.

O dinheiro que entregamos aos partidos, de uma maneira geral, não serve a população portuguesa. Serve para grandes almoçaradas, para lixo eleitoral como bandeiras, chapéus, canetas e autocolantes, serve para pagar favores, tachos e números de propaganda, mas raramente serve para esclarecer a opinião pública. Aliás, para a generalidade dos partidos, em particular os dois que dominam a cena política portuguesa, esclarecer a opinião pública é algo que não lhes assiste, na medida em que lhes pode sair o tiro pela culatra. O ideal mesmo é manter na ignorância o máximo de pessoas, durante o máximo de tempo possível.

Dos 120 milhões já referidos, cerca de 68 foram gastos em campanhas eleitorais. Desse valor, a fatia de leão diz respeito a brindes e repastos. Se lhes fecharmos a torneira, exactamente o que é que temos a perder com isso? Será que precisamos de bandeiras, canetas ou autocolantes de um partido político? Não, podemos viver sem eles. Será que precisamos de pagar almoços e jantares em formato de comício? Claro que não: se querem fazer tainadas, que as paguem do seu bolso e usem as cotas dos associados para o efeito. Não chega? Azar, comem menos. Façam comícios depois do jantar e digam aos amigos para comer em casa e aparecer no fim. Garanto-vos que só lá irá quem estiver verdadeiramente interessado.

É preciso fechar a torneira aos partidos. É preciso garantir que a sua actividade é regulada, e que o erário público não suportará milhões para propaganda desnecessária ou borlas para os caciques. O Estado poderá ajudar os partidos a desempenhar a sua actividade, de outra forma os pequenos estarão condenados, mas os valores devem ser revistos e reduzidos ao mínimo indispensável. O país não tem nada a ganhar por financiar lixo eleitoral, por pagar almoços de campanha que servem lobbies pessoais ou por manter negociatas entre militantes corruptos com gráficas estilo Webrand. Sim, é preciso reformar o procedimento relativo ao financiamento dos partidos. E essa reforma passa por uma redução drástica do seu financiamento.

Comments


  1. eu concordo que estes financiamentos não os tornam imunes – nem nada parecido, como é óbvio – aos “interesses”. mas sem este financiamento creio ainda ser pior.

    porque com o que têm agora de funcionamento público, os tais financiamentos obscuros dos “interesses” são numa lógica de ganâncias e portas giratórias. mas não apagam por completo o que há de autentico e diverso nos partidos.

    sem o financiamento público, a coisa agrava-se e a propria sobrevivencia dos partidos fica ameaçada. e isso não é bom. ficariam muito mais à mercê dos tais interesses. e à merc~e de lógicas que há 43 anos se derrubaram.

    é escolher entre o mau e o péssimo? provavelmente.


  2. E quem é que vai fechar a tal torneira?


  3. Os partidos devem ser sustentados pelos partidários, ou seja, os sócios-militantes com quotas. Tudo o resto é vigarice.

  4. Sergio says:

    Foda-se eu tenho um azar do karalho,quando fui a alguns dos jantares e almoços da campanha eleitoral,no partido onde costumo votar,paguei sempre o meu e da minha mulher!!
    É preciso ter mesmo azar!!!!

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