Era uma vez uma grande empresa, outrora pública, destruída pela ganância e incompetência privada

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Imagem via Público

Os CTT eram uma empresa pública rentável, que servia os portugueses e enchia os cofres do Estado, porque chegava a todo o lado e, pasmem-se, dava lucro. Por motivos exclusivamente ideológicos, o governo Passos/Portas decidiu privatiza-la por meia-dúzia de tostões.

Infelizmente, porque o sector privado é tão falível como o público, os CTT são hoje uma sombra daquilo que um dia foram. Fecharam balcões – este ano serão 48, o número de municípios sem um posto dos CTT, todos no interior – despediram centenas de trabalhadores, viram os seus resultados financeiros cair trimestre após trimestre, mas, ainda assim, não deixaram de distribuir milhões aos accionistas. Capitalismo selvagem e predador em todo o seu esplendor. [Read more…]

A Flor e o Espinho de Mário Centeno

Vanishing Act

O jornal Público faz referência à viagem de comboio de Mário Centeno de Lisboa até Vila Nova de Gaia, onde arrancou a campanha do PS para as eleições europeias. O Ministro das Finanças, histórico socialista e aparentemente profundo conhecedor dos símbolos que representam o seu partido, terá dito, segundo o jornal, que trazia consigo apenas uma “rosa, símbolo do PS, que significa a importância do que aí vem, não preciso de mais nada”. Centeno proferiu estas palavras a partir de um púlpito decorado com o punho cerrado que tradicionalmente identifica o partido que representa. Para o cidadão menos atento, a mensagem de Mário Centeno será uma referência poético-botânica sem especial significado, destinada a comover as hostes, num comício de campanha onde as palavras são atiradas como punhos aos corações abertos da claque, sempre pronta a engolir sem mastigar, nunca distinguindo, por isso, o mel do fel do seu penso. Tudo é mel e água pura.

Mas a referência de Centeno não é, na verdade, inocente, nem mero lirismo gratuito. É muito mais do que isso. Infelizmente, não temos tempo para desenvolver aqui o assunto.

Ler aqui:  Eurogroup, The Vanishing Act.

 

A moção de censura do CDS

A moção de censura prometida pelo CDS e antecipadamente chumbada pela maioria do Parlamento é um acto político característico de um partido que quando não é irrelevante é desagradavelmente inútil. E quando calha de ter responsabilidades governativas é pernicioso. Nada disso, porém, lhe retira o direito de apresentar todas as moções que entender e que a Lei preveja. Mas tão desagradável e pernicioso como o CDS pode ser um Primeiro-Ministro que parece contaminado por uma certa vulgaridade no uso da palavra, quando se refere à iniciativa centrista como “um nado-morto”. 

Quer esteja na Assembleia da República, à saída de um Hotel ou sentado à mesa do café, um Primeiro-Ministro não pode esquecer-se que a sua função exige uma meticulosa avaliação do discurso, o qual todos – ou quase – os portugueses tomam como paradigma da autoridade, do siso e do comedimento.