coniunctio oppositorium

Algo de extraordinário sucedeu nas últimas semanas, sem que, aparentemente, alguém tivesse reparado. Na questão venezuelana, que tem trazido ocupada a comunidade internacional depois de ter sido (in)devidamente encerrado o “dossiê Brasil”, dá-se o caso bizarro de termos do mesmo lado da barricada o Ministro dos Negócio Estrangeiros do governo português, o Dr. Augusto Santos Silva, e o “terrível fascista” – assim, pelo menos, designado por muitos – e alegado estratega e mentor dos movimentos globais de extrema-direita, o senhor Steve Bannon.

É sabido – embora mal sabido – que a política internacional tem muitas vezes destes paradoxos e que a História da humanidade se fez e vem fazendo sobre os despojos de insanáveis e aparentes contradições, as quais emergem tantas vezes da necessidade, como da necessidade emerge também a manifestação completa da essência humana, expressa no coniunctio oppositorium que Nicolau Krebs entreviu há 500 anos, mas que talvez Augusto Santos Silva não tenha interpretado do modo mais fiel ao espírito filosófico do conceito. É que, no fim de tudo, entre ele, Santos Silva, e o “terrível fascista” Steve Bannon, é bem possível que os Homens escolham aquele que se manteve fiel aos seus princípios e em nome deles actuou com coerência, desprezando o que agiu de acordo com os interesses de circunstância e jamais foi coerente com coisa nenhuma. Nem com os princípios que jamais teve.

Google paga mais em multas da UE do que em impostos

A Google anunciou as receitas de 2018, revelando que pagou 900 milhões de dólares a mais em multas da UE do que o valor pago em impostos (artigo em inglês; tradução Google – tem o seu quê de irónico).

Com valores estratosféricos de lucro, assentes num mercado publicitário construído à conta do uso gratuito dos dados pessoais dos seus utilizadores e sem restrições , a Google depara-se com uma Europa menos aberta ao faroeste digital e com uma América a acordar para o tema da protecção e segurança destes dados.

Esta situação talvez tenha algum impacto nas receitas da empresa, mas a questão central é outra. Como é que é possível que se tolere a evasão fiscal, perdão, a engenharia fiscal, permitindo que uma empresa apenas pague um resquício de impostos? Pelo caminho, muitos sectores de negócio vão fechando portas, não só porque perderam o comboio da inovação tecnológica, mas também devido aos compromissos fiscais que precisam de honrar.

A solução poderia ser simples, passando pelo fecho dos paraísos fiscais, houvesse para isso vontade e coragem política para actuar ao nível global.

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À tona: tendência dominadora

Marcelo pode vetar o que se votou, não quem votou.

Bagunça na Área Metropolitana do Porto

A Área Metropolitana do Porto, onde pontificam alguns daqueles que com mais violência se insurgiram contra o acordo de Descentralização proposto por este governo, está a implodir. As desinteligências são diárias, com acusações recíprocas na comunicação social, ameaças de demissão, atitudes prepotentes e um clima generalizado de desconfiança. O problema, para já, parece estar relacionado com a gestão dos transportes, mas cedo se perceberá que são bem mais fundas as divergências. A realidade é que há muitas ambições pessoais em jogo, que não passam pela estrita luta política, mas se estendem, como a seu tempo se verá, à guerra de sucessão na presidência do Futebol Clube do Porto, a maior autarquia da região.

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As comissões do MBWay

Partilho um ponto de vista sobre o chicoespertismo da banca quanto à cobrança de comissões, neste caso no serviço MBWay.

Por Daniel Santos

“Ainda a propósito do BPI, ser o primeiro banco a cobrar €1,2 por transação feita no MBWay (https://lnkd.in/dYwGmCA):

Quando é que a banca tradicional portuguesa vai perceber que as pessoas não são palermas? Este tipo de situações são de um chico espertismo tremendo. No mínimo, denunciam uma preguiça instituída, que os bancos têm de compreender o que as pessoas, realmente, precisam. Para além de ser manipulativo, do ponto de vista da interação com o serviço (pesquisem “dark pattern UX”), esta é uma abordagem, também, punitiva (“ai usas o MBWay? Então toma lá uma prenda!) e de um autoritarismo perverso, que, infelizmente, ainda é norma em muitos serviços em Portugal.

Numa altura que, a nível europeu, se regula o “open banking” (procurem o que é o PSD2), os próximos dois anos serão determinantes para que o mercado se “abra” ainda mais à inovação vinda das FinTechs. Ora, os bancos que forem pelo mesmo caminho protecionista e reactivo do BPI irão ter um belo fim!
Foto Luis Cortes”

Breaking News: roubaram-nos (mais) 3 mil milhões de euros

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Álvaro Sobrinho, antigo presidente do BESA, a extensão angolana do outrora poderosíssimo império dos pobrezinhos da Comporta, revelou à revista Visão algo surpreendente e inesperado: os portugueses foram roubados.

São declarações bombásticas, que poderão levantar uma série de dúvidas ao caríssimo leitor, a começar por esta: exactamente a que assalto se referirá Álvaro Sobrinho? É que, dada a quantidade de assaltos bancários de que temos vindo a ser alvo, fruto da faustosa existência desta sociedade de salafrários que insiste em viver acima das suas possibilidades, torna-se difícil perceber a que assalto se referirá o doutor Sobrinho. Estará relacionado com papel comercial? Será algo de natureza socrática? Quiçá um Monte Branco? [Read more…]