Nunca mais chega a “ajuda humanitária”

Sendo a notícia de 2013, não consta que, entretanto, tenham chegado à Coreia do Norte camiões com bifes e aspirinas. Nem que um qualquer Quim tenha sido “reconhecido” como presidente interino, encarregue de marcar eleições livres. Impressiona até que Paulo Rangel não tenha perdido nenhum avião para Pyongyang. É isto, afinal, a “arte da versatilidade”, de que falava o senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. A Coreia do Norte parece que não tem petróleo, nem ouro, nem coltan. Dizem que tem bombas atómicas. A carvão.

É só isto, obrigada

 

E que dizer do ‘casar bem’ de Rodrigues? Reparem ainda que a esfera doméstica da opinadora do facebook não inclui cozinhar ou limpar casas de banho. Não, é decorar e receber. O trabalho doméstico é feito pela criada. Ora, claro que escreveu para o mundo upstairs (malgrado usar o piroso ‘esposa’). Mas queriam que se preocupasse com a vida da criadagem?

E agora o choque com a realidade. Portugal é um país onde as mulheres têm uma alta participação no mercado laboral. Porque, com salários baixos, são necessários dois ordenados e, como foi mostrado na apresentação do recente estudo da FFMS sobre as mulheres portuguesas, apreciamos a independência financeira. (As mulheres portuguesas têm a sorte de não conhecerem ‘a Mulher’ de Rodrigues.) Por outro lado, temos muitas famílias monoparentais sustentadas pela mãe.

Ora Joana Rodrigues legitimiza um mundo onde as mulheres têm menores rendimentos que os homens. Se esta defesa é problemática nos casais com dois baixos ordenados, nas famílias monoparentais é infame. É uma defesa do empobrecimento de famílias e de menores oportunidades para as crianças.

Geralmente quem tem atividade política persegue a sua visão própria de bem comum. Que uma tendência (mesmo que irrelevante) de um partido político defenda a pobreza e a infelicidade alheia é algo que nunca tinha visto. É repugnante. Mas são só os integristas católicos a fazer política. Estrebucham furiosamente contra uma medida que aumenta a participação política feminina, contra a igualdade salarial, chamam nomes às feministas, mas, olha, distraem-se de dizer coisas sobre pobreza (que incide mais sobre mulheres), violência sexual ou doméstica. Prioridades. Quem quer saber se as mulheres downstairs levam umas traulitadas ou são molestadas?

 

Maria João Marques no Observador a propósito do artigo de Joana Bento Rodrigues que me escuso a citar para não dar audiências.

Masculino Feminino

[Helena Ferro de Gouveia]

  1. Circula por aí um vídeo intitulado “não tenho género, tenho sexo”.
    O vídeo parte logo do pressuposto errado de que o sexo é binário – mulher, homem – só que a natureza demonstra o contrário e países evoluídos e civilizados como a Alemanha permitem o terceiro sexo na identificação, o neutro, para hermafroditas e não só. A ciência é uma maçada de facto.

  2. Os mais recentes estudos do cérebro demonstram que não existe um cérebro masculino e feminino, existe um cérebro condicionado posteriormente pela teoria da congruência de papéis. A ciência de facto é uma maçada.

3. O exército britânico, norte-americano e israelita concluíram que as mulheres têm exactamente as mesmas capacidades que os homens para combate, a mesma resistência ao stress, a mesma capacidade de matar e a mesma resistência física. Nem todos os homens por serem homens podem integrar tropas de elite, algumas mulheres e apesar de serem mulheres têm a capacidade e a competência para o fazer. A biologia aqui não risca nada. A ciência de facto é uma maçada.
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“Os pobres fizeram-se para a gente os transformar em classe média”

Alexandre Soares dos Santos

 

A frase é atribuída a Alexandre Soares dos Santos, líder do grupo Jerónimo Martins, alegadamente proferida numa entrevista que concedeu recentemente ao jornal Observador. É daquelas frases que falam por si, como se costuma dizer, não necessitando de grande indagação hermenêutica. “Os pobres fizeram-se para a gente os transformar…”, como se transforma um porco num chouriço, ou qualquer sub-produto, coisa mal acabada, imperfeita, material de desperdício, em algo um pouco mais limpo, consistente e organizado do ponto de vista da sua forma e da sua função – a “classe média”.

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Mais um fracasso do socialismo

Fracassou na Venezuela, em rigor fracassou onde quer que tenha sido implementado.

O estado a que a justiça chegou e o canto da sereia de cabeça rapada

Após a decisão do juiz Neto de Moura, que mandou retirar a pulseira electrónica ao indivíduo condenado a 2 anos e 8 meses de pena suspensa por rebentar o tímpano da mulher ao soco, a vítima que a Justiça Portuguesa se recusa a auxiliar foi novamente ameaçada pelo agressor.

Chegará o dia em que ninguém mais acreditará nesta espécie de justiça, fraca com os fortes e forte com os fracos, permissiva com a violência exercida sobre os mais frágeis, mas também com a corrupção e com outras formas de criminalidade que engordam as carteiras de uma certa elite de traficantes de influências e poder.

Nesse dia, suspeito, aparecerão por aí uns tipos sinistros, de suástica no braço e crucifixo ao peito, a prometer justiça divina, respeito e ordem, mas apenas para aqueles que pensarem como eles. Não sei quanto a vocês, mas eu vou sentir saudades da liberdade. Resta saber quanto tempo irá a maioria aguentar o estado a que isto chegou, sem se render ao canto da sereia de cabeça rapada.