Joacine Katar Moreira: 25 de Abril não é passado, Futuro!

(Joacine Katar Moreira, Historiadora, Deputada à Assembleia da República)

Comemoramos o segundo 25 de Abril em contexto de pandemia sanitária provocada pelo vírus SARS-COV, responsável pela doença COVID-19. Foi um ano difícil e imprevisível, que juntou a crise sanitária a uma crise social latente que ganha e ganhará novos contornos. Fomos todos obrigados a repensar os hábitos, os prazeres e as relações sociais com as medidas de isolamento, distanciamento e confinamentos sucessivos, mas também o emprego com o teletrabalho e o crescente desemprego, a escola com as aulas online e o futuro.

Mas falando de futuro, e da imprevisibilidade que o pode caracterizar, sabemos, no entanto, que dele depende boa parte do presente e das decisões tomadas hoje, tanto políticas como as pessoais. Neste quadro, é da nossa responsabilidade a salvaguarda da democracia e das suas instituições como garantes de um futuro marcado pela igualdade, a liberdade e maior diversidade, ou de permitir retrocessos políticos e o afirmar de ideologias já vencidas como as pró-fascistas – com o autoritarismo, a perseguição, a censura, a misoginia e o racismo que o caracterizam.

Ouviremos aqueles que abominaram sempre as transformações democráticas, pelo desconforto que trouxe aos seus privilégios, a apontar o caminho para trás, usando as dificuldades quotidianas, as frustrações legítimas de parte da população, para piorar – nunca para melhorar – as suas vidas. 

Para isso, devemos resgatar a herança histórica do 25 de Abril, a herança anti-colonial e anti-fascista como motivação do combate do dia-a-dia, um alerta permanente para que não nos esqueçamos de lutar. Mas, marcar esta herança não apenas como um marco do passado, mas como bússola que conduz a um futuro democrático, pluralista e aberto, que nos permita uma vida digna.

25 de Abril é futuro, na medida em que os valores que nos trouxeram a Liberdade não estarem totalmente garantidos, sendo ameaçados constantemente. Nesse futuro, que está em permanente construção, temos abertura para lutar pela justiça social e ambiental. E é isto o 25 de Abril.

Comments

  1. estevesayres says:

    Há, pois, dois 25 de Abril – um, que é o da revolução popular que foi efectivamente derrotada por uma contra-revolução que se iniciou após a tentativa de golpe social-fascista de 25 de Novembro, com o chamado documento dos 9, e que chegou ao seu termo com o anterior governo do PSD/CDS, que rasgou toda a réstia de direitos e liberdades conquistados pela classe operária. Direitos novamente atacados pelo governo de Costa e suas muletas, agora de forma mais insidiosa e “democrática”…