Rui Moreira comenta pronúncia de José Sócrates por Ivo Rosa

Sei, tenho bem presente e defendo a presunção de inocência a que todos os indiciados, arguidos, acusados e pronunciados têm direito até ao trânsito em julgado, mas isso não obsta a leitura política.
Nessa perspectiva, talvez eu seja esquisito em demasia, não me caiu nada bem que Rui Moreira, acusado pelo Ministério Público, tenho usado o espaço de comentário que tem na TVI para zurzir num outro acusado e agora pronunciado, José Sócrates.
O pudor nestas situações, mesmo de quem se sabe inocente, deveria sensibilizar ao recato.

Comments

  1. Vaz Silva says:

    Neste momento vale tudo para atacar José Sócrates, porque os cobardes sabem que sairão impunes de tudo o que disserem.
    Ninguém acha bizarro que, ao contrário do que seria normal, é exatamente na altura em que um Juiz o iliba dos “crimes” que lhe arruinaram a vida e de que era acusado desde há tantos anos, que os vermes da (na) informação o ataquem com um ódio tão inqualificável?
    Sou só eu que me sinto enojado ( é mais do que isso, mas não encontro agora outras palavra) com o Pereira do ” Isto é Gozar Com Quem Trabalha”? Não vomitaram?
    É possível dizer-se o que ontem disse aquele energúmeno sem consequências?

    • Filipe Bastos says:

      Gostaria que estivesse a gozar, Vaz, mas nada o indica: há mesmo carneiros que pensam assim.

      Carneiros do 44 e do PS que ainda acreditam em ‘campanhas negras’, em fortunas da mãe e na infinita generosidade de amigos empreiteiros, em investimentos ‘académicos’ e casas de luxo à discrição. Há mesmo carneiros assim!

      Como explicar-lhes que o 44 devia estar preso há anos, não só pelas trafulhices pessoais como pela sua governação criminosa? Como fazer-lhes perceber que o Partido Sucateiro, num país só meio decente, já devia estar todo na cadeia?

      Impossível, Vaz. Sabe o que chamo a carneiros assim? Piaçabas. Lambem toda a merda do partido. Têm a língua tão metida dentro do cu do 44, que só de lá sai com cirurgia.

    • Paulo Marques says:

      Por acaso, não, o RAP limitou-se a fazer o seu humor inerte com comentário light, que é onde não se espalha ao comprido.
      Quanto ao resto, não há nada de surpreendente, é importante parar o estado de fazer coisas para se aumentar as rendas, ainda mais numa crise de lucro.

    • POIS! says:

      Pois é possível! E ainda bem!

      Já ouviu por aí falar em liberdade de expressão? Que experimente o “ofendido” chegar-se à frente!

      Ou o Estado de Direito já só é lindo quando achamos que nos “favorece”?

  2. estevesayres says:

    Ainda hoje, muitos dos políticos partidário, jornalistas «e não só»…Têm um ódio de morte ao saudoso jurista Arnaldo Matos, e quando escrevi um texto para os jornais na maioria das vezes não era publicado. Junto um dos seus textos mais abaixo sobre a justiça: (…)

    Uma Escandalosa Vergonha de Justiça!

    Se alguém porventura ainda tinha dúvidas de que a justiça portuguesa não passava de uma farsa fascista ao serviço da classe dos grandes capitalistas, pois então esta noite deve ter perdido definitivamente as suas ilusões, quando viu Ricardo Espírito Santo Silva Salgado, o chefe da quadrilha de gatunos da família Espírito Santo, autor de múltiplos crimes de falsificação de documentos, de falsificação informática, de burla qualificada, de abuso de confiança, de fraude fiscal, de corrupção no sector privado e de branqueamento de capitais, entrar no seu palacete de Cascais, sem acompanhamento nem vigilância de nenhum agente da polícia ou da guarda republicana, para cumprir não uma medida de coacção, mas para gozar umas férias, que lhe foram facultadas pelo incensado juiz Carlos Alexandre sob a capa de obrigação de permanência na habitação, sem pulseira electrónica e sem vigilância policial.

    Ah, ser ladrão, mas rico, é outra coisa!

    Os crimes cometidos pela quadrilha Espírito Santo sob comando do quadrilheiro-mor Ricardo Salgado já custaram ao erário público a quantia de 7,2 mil milhões de euros, só na operação da declaração de falência do Banco Espírito Santo (BES) e respectiva resolução bancária através da criação do Novo Banco.

    Mesmo que o governo de traição nacional Coelho/Portas, mais o incompetente governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, consigam vender o Novo Banco aos chineses, mesmo assim já estão definitivamente perdidos quatro mil milhões de euros, a pagar pelos mesmos que já foram roubados aos balcões do próprio Banco.

    À excepção do nosso jornal, ninguém se atreveu ainda a calcular em quanto importarão para o Estado, para o Povo português e para a economia nacional os prejuízos da falência fraudulenta do Banco Espírito Santo (BES) e do Grupo Espírito Santo (GES), sendo que a nossa previsão, calculada por baixo, aponta para uma verba colossal superior a 30 mil milhões de euros!

    Pois o gatuno que é responsável por esta fraude monumental descansa pachorrentamente em seu palácio, às ordens do juiz de Penhascoso, santo dos santos da pátria, que é tão justiceiro, tão justiceiro que até sai à frente do andor nas procissões da aldeia…

    Oliveira e Costa, presidente do cavaquista Banco Português de Negócios (BPN), cuja falência fraudulenta, em comparação com os crimes já indiciados a Ricardo Salgado, só custou à nação a módica quantia de seis mil milhões de euros, esteve quase dois anos detido em prisão preventiva e prisão domiciliária com tornozeleira electrónica, e ainda hoje tem de apresentar-se semanalmente, às terças-feiras, no tribunal.

    Mas Ricardo Espírito Santo Silva Salgado, o dono disto tudo (como era conhecido nos meios intrabancários no auge do seu poder) ainda hoje parece continuar a ser o dono disto tudo, inclusive da farsa teatral fascista da justiça que existe em Portugal.

    O nosso jornal foi o primeiro órgão da comunicação social a denunciar, em 15 de Abril de 2014 – já lá vão quinze meses! –, a falência fraudulenta do Banco Espírito Santo, exautorando também na mesma altura a conivência do governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, a cumplicidade do supervisor da Comissão dos Mercados de Valores Mobiliários (CMVM), Carlos Tavares, e a mais que suspeitosa inactividade da inútil comissão parlamentar do orçamento, economia e finanças. Toda essa canalha só acordou tarde e a más horas, quando todo o mal já estava feito.

    A maneira subserviente como os agentes do ministério público e os juízes de instrução tratam um criminoso da estirpe de Ricardo Salgado é um escândalo público intolerável, mas, todavia, demonstrativo daquilo para que sempre temos alertado: não há justiça em Portugal; há uma farsa de justiça com dois pesos e duas medidas: uma violenta e opressora para os trabalhadores e para a esquerda política, e outra justiça de lambe-botas dos serventuários judiciais para a direita e respectiva classe dos capitalistas.

    Salgado já tinha sido levado ao colo pelos agentes do ministério público e pelo mesmo juiz de instrução no Caso Monte Branco, de onde escapou à prisão preventiva, mediante o pagamento de uma caução monetária. Os ricos podem pagar a preventiva, os pobres é que não têm com quê…

    Assim, o maior caso de banditagem económica e financeira em Portugal durante mais de um século corre para aquilo que já todos adivinhamos: uma absolvição judicial, seguida de condecoração de todos os criminosos, como Salgado, em Belém.

    E é este ministério público e, no caso, até o mesmo juiz de instrução que mantêm preso em Évora, vai para nove meses, o ex-primeiro-ministro José Sócrates, sem qualquer culpa formada e, mesmo quando fossem verdadeiras as imputações do Correio da Manhã, por causa de uns trocados, comparados com o roubo da quadrilha Espírito Santo.

    Seria bom que a procuradora-geral da república mostrasse ao menos ter coragem de averiguar quais foram os possíveis favores que o BES porventura terá prestado aos agentes do ministério público e aos magistrados judiciais, que possam eventualmente justificar o manifesto tratamento de excepção que está a ser garantido à quadrilha Espírito Santo.

    O povo português deve erguer-se contra esta escandalosa farsa de justiça em que está mergulhado o país. Há milhares e milhares de emigrantes e trabalhadores cujas economias foram roubadas nos balcões do Espírito Santo pela quadrilha do Salgado e que estão na mais extrema das misérias.

    Ninguém tem pena e consideração por esta pobre gente. E a justiça só tem consideração pelos gatunos.

    Salgado teve mais de um ano – quinze meses ao certo – para esconder fortunas nos off-shores do mundo. Tal tempo foi concedido pelo ministério público, que só agora começou a fingir que queria deitar mão ao património da quadrilha. Pois o chefe da quadrilha foi apanhado a vender quadros e outras riquezas móveis avulsas e, mesmo assim, vai de férias para casa.

    Basta! Tenham vergonha na cara, juízes que o povo nunca elegeu!

    Salgado para a Cadeia! Sócrates libertado!

    Arnaldo Matos
    (Publicado no LT em 25.07.2015)

    • Filipe Bastos says:

      O Arnaldo defendeu o Trafulha, nessa circunstância, porque viu na sua prisão uma perseguição da direita.

      Disparate, claro: por que raio havia a direita de perseguir um seu lacaio? Que seria do Salgado e outros mamões sem os 44s da vida, sem a esquerda vendida e sucateira do PS?

      Grosso engano do Arnaldo; ninguém é perfeito. Mas em seu abono, eis o que disse do Trafulha na mesma altura:

      “O Sócrates é para mim um dos maiores filhos da puta que existem neste país;
      é o gajo;
      esse gajo não presta;
      eu denunciei-o sempre;
      esse tipo não presta, é um patife”.

      Está no Youtube, di-lo no final da (belíssima) entrevista “Vemos Ouvimos E Lemos com Arnaldo de Matos”.

  3. estevesayres says:

    Mais um excelente texto de saudoso jurista Arnaldo Matos, sobre os corruptos e traidores:

    Um Governo de Corruptos

    Três secretários de Estado do governo de António Costa andam hoje na berlinda, porque se deixaram comprar pela Galp para verem gratuitamente jogos da selecção portuguesa de futebol em França, no último campeonato da Europa.

    Para que conste, os três políticos corruptos são: Fernando da Rocha Andrade, secretário de estado dos assuntos fiscais, João Vasconcelos, secretário de estado da indústria, e Jorge de Oliveira, secretário de estado da internacionalização.

    Qualquer destes três vendidos e comprados trabalha para a Galp e demais empresas monopolistas no governo. Não há aliás nenhum governo capitalista burguês que não seja um governo de corruptos, gatunos e ladrões.

    No nosso Partido, andamos todos agora a estudar e a reestudar um livro absolutamente fundamental de Marx e Engels, intitulado Manifesto do Partido Comunista. Aí escreveram Marx e Engels, mais ou menos por páginas 52 da nossa edição Bandeira Vermelha, que o governo moderno não é outra coisa senão uma comissão que gere os negócios comuns de toda a classe burguesa.

    Tendo em vista os interesses de classe do proletariado, todos os governos burgueses são governos de gatunos, de corruptos e de ladrões.

    Lembrem-se apenas do governo de Sócrates, de que já faziam parte António Costa e dois dos secretários de estado agora comprados pela Galp, e não esqueçam, nesse mesmo governo, Vítor Constâncio, governador do Banco de Portugal, hoje com um magnífico tacho no Banco Central Europeu, ao lado de Mário Draghi, Constâncio que é responsável pelo começo do descalabro total do sistema financeiro nacional.

    Não se esqueçam de comprados e vendidos como Vítor Gaspar, ministro das finanças de um governo de gatunos dirigido por Passos Coelho e Portas, e hoje no Fundo Monetário Internacional, onde ainda receberam grandes tachos dos monopólios Álvaro Santos Silva, na OCDE, António Mexia e Catroga, nos monopólios da electricidade adquiridos pela China, e de Maria Luís Albuquerque, ao serviço do sistema bancário britânico.

    E sobretudo não esqueçam gatunos como Durão Barroso, que começou o treino a assaltar e a roubar mobília na Faculdade de Direito de Lisboa e agora está no Goldman Sachs, a assaltar bancos na União Europeia, o tal que foi durante oito anos presidente da respetiva Comissão.

    O que há de interessante nisto tudo é que António Costa, em vez de correr a pontapé os corruptos que, em menos de um ano de actividade, já se revelaram três zelosos sacristas no gamanço, promete um código de ética para moralizar São Bento…

    Como se pode moralizar gatunos que aceitam deixar-se corromper pela Galp, uma empresa que não paga ao Estado 240 milhões de euros em dívida – e não 100 milhões, como dizem os jornais! – montante da contribuição extraordinária que lhe foi aplicada sobre os lucros, contribuição que todos os operários pagaram por desconto directo nos seus salários?

    Nós rejeitamos os códigos de ética de António Costa, de Sócrates e de Passos Coelho. Nós chamamos o proletariado a derrubar pela força, com todos os meios ao seu alcance, os governos da burguesia, porque todos eles são, como ensinam Marx e Engels ainda hoje, comissões de gestão dos negócios de toda a classe burguesa capitalista.

    E sobretudo não se esqueçam: o partido social-fascista de Jerónimo de Sousa apoia, apoiou e apoia… um governo que já soma três declarados corruptos no activo.

    Não é de admirar: pois foi um ex-ministro do PCP de Jerónimo, um tal Pina de Moura, quem privatizou a Galp, para a qual depois entrou como administrador, a ganhar 12 vezes mais do que ganhava como ministro das finanças vendedor…

    Ah, mas então digam-me lá: isto não é tudo um putedo?!

    06.08.2016
    Arnaldo Matos
    Retirado do jornal online LP

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