Homodireita: não tenho nada contra, mas…

JN – 2 de Outubro de 2008: esclarecedor

E por Vezes
de David Mourão-Ferreira

«E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos   

E por vezes
encontramos de nós em poucos meses

o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos

E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites, não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos»

Depois de anos, décadas e séculos em que a direita fez questão de ostracizar homossexuais, confesso que é lindo, agora, depois de um homem, branco e de direita se ter assumido homossexual, ver a direita a fazer dos mais belos malabarismos para se vir dizer defensora dos direitos LGBTQI+.

Senhores, deixem-se de merdas. Isto é só a prova de que direitos LGBTQI+ são direitos humanos e que, enquanto estes (e outros direitos) não forem cumpridos, os direitos universais não serão cumpridos.

A homofobia combate-se com políticas públicas de inclusão, de informação e de educação. Todo o escabeche que foi feito nos últimos dois dias em relação a Paulo Rangel tem um nome: hipocrisia. E quem melhor do que a direita para nos mostrar, tão bem, o que é ser hipócrita?

Se um dia Paulo Rangel for líder da oposição, ou, quem sabe, de um governo, aí sim, saberemos, finalmente, como age a direita perante os direitos humanos. Até lá, continuemos a dar a todos os eleitores de direita, aquilo que eles gostam: beijos gregos.

Comments

  1. JgMenos says:

    Lá vem o choradinho dos tadinhos anormais!

    Os cretinos sempre fazem a direita estúpida para promoverem que as idiotices da esquerdalhada parecem inteligentes.

    No género humano como nos bichos, acasalamento tem a ver com função reprodutora; casamento é só o registo formar e legal desse gesto e dessa intenção e assim devia permanecer.

    O que a canalha faz a todo o tempo, é abandalhar tudo que lhes pareça crença ou prática estabelecida, e basta ver a ausência da referência à ‘família’ em tudo que é lei e texto sobre organização social, para se perceber para onde vão na construção do seu admirável mundo novo: bestas em rebanho, que tanto melhor lhes cabe ao intelecto e ao ideal de igualdade.

    • POIS! says:

      Pois está claro!

      Para JgMenos está tudo resolvido: o género humano está entregue aos bichos.

      Que, para ele são quem estabelece a norma, ou seja, para a personagem, são seres superiores.

      Não precisa o Menos de dizer mais nada sobre si mesmo. Está tudo explicado.

      Já me tinham dito que tinha o hábito de comer perdizes à dentada mas, na altura, não acreditei. Agora dizem-me que está a estudar a vida sexual da osga para tentar variar a coisa lá em casa.

    • João L Maio says:

      O Menos, pelo Menos, ainda tem a capacidade de dar opiniões do século XII. Parabéns, campeão!

      Desejo muito beijo grego para si.

    • Paulo Marques says:

      E já pensaste em deixar de ser estúpido e pegar num livro sobre comportamento animal ou de história? Não? Hmmm.

      • POIS! says:

        Livros sobre comportamento animal?

        Nunca! O Menos não lê pornografia!

        A vida sexual da osga é estudada “in loco”. E só com o consentimento informado da osga.


  2. Este post denota a incapacidade de perceber que uma pessoa pode ser homossexual e, apesar de estar confortável com a sua orientação sexual e de assumi-la publicamente, achar que não é vantajoso, para a sociedade em geral, promover a institucionalização da homossexualidade como equivalente à heterossexualidade, enquanto norma social. Do mesmo modo, há quem não perceba que defender a igualdade jurídica das uniões estáveis homossexuais, relativamente às heterossexuais, não implica que se defenda o uso do termo jurídico “casamento” para as primeiras, uma vez que daí decorre uma igualdade substancial entre ambos os institutos (que é ontologicamente inexistente e serviu apenas para a esquerda radical cantar vitória num combate em que, na verdade, não tinha adversário).

    • Paulo Marques says:

      Porque é que não hão-de o poder fazer para motivos fiscais e partilha de bens como os outros?


      • Claro que podem, e, a meu ver, devem. É isso mesmo que refiro acima. Mas a igualdade jurídica (dentro do que é igual, que é quase tudo) não tem de corresponder a uma identidade absoluta, que não existe (o “quase”, aqui, faz a diferença, por óbvias razões). Chamar “casamento” à união civil entre pessoas do mesmo sexo só tem por objectivo marcar uma vitória “cultural” da esquerda sobre a direita, pois, na substância, há muitas décadas que há consenso social em matéria de igualdade de direitos. PS: há um palerma ali em baixo que acha que a orientação sexual tem de ser “assumida” publicamente, como se alguém tivesse alguma coisa a ver com isso. É o espelho dos palermas que acham que a orientação sexual tem relevância para decidir da adequação de uma pessoa a um cargo político ou público.

        • Paulo Marques says:

          Portanto, tem de ser um contracto exactamente igual, pelos mesmos exactos motivos, por razões identitárias, mas de forma a que nada divulgue sobre a orientação sexual.
          Vou pensar nisso. Bem como na idade do consenso social nos boatos sobre políticos, desportistas, e por aí fora.


          • Boa ideia, essa de pensar. Sugiro que experimente. Por exemplo, vai chegar à conclusão que contrato não leva “c” (nem nunca levou) e que, quem se casa, quer publicitar a sua união estável com outra pessoa. O registo civil é público. Se não quiser, não casa, e ninguém tem nada a ver com isso. E sim, devemos concluir que os homossexuais são discriminados porque há boatos, e “o boato mata”. De facto, os boatos sobre homossexualidade mataram as carreiras do Portas, do Sócrates, do Ronaldo, do Diogo Infante, do Eládio Clímaco, do Malato e por aí fora…

          • Paulo Marques says:

            Eu não me lembro de publicitar coisa nenhuma, mas lembro-me de fazemosr um contracto por motivos económicos. Presumo que aceite que sei mais sobre a minha vida, ao menos.
            Quanto ao resto, deve ser por isso que o grande governante roubado do trono insistia nos colinhos; vai-se a ver, e era o do Salgado a que se referia.

  3. JgMenos says:

    Não que não sejam fundamentalmente desonestos e estúpidos, mas à cautela, sempre se fazem desentendidos de tudo que lhes desmonte a cartilha a que indigentemente se amparam e pela qual definem as alianças que ambicionam os leve a acreditar serem muitos.

    E como manada que são urram e marram em uníssono, alheios a tudo que lhes soe a dissonância, e dizem-se intelectualmente activos só porque sacodem os cornos.

    • POIS! says:

      Pois estou, completamente, mas absolutamente, mas inteiramente de acordo com tão brilhante Comentário do extraordinário pensador político que é JgMenos.

      A sua análise da atual Direita é de uma lucidez impressionante!

      Principalmente, no segundo parágrafo, o uso da metáfora das touradas, manifestações tão caras à nossa Direita mais reacionária, permite-nos o imediato acesso ao verdadeiro retrato da crua realidade: amparam-se, urram, marram, mas não passam de meia-dúzia a fazer crer que são miuitos.

      Repare-se no firme, mas incisivo, reparo: “dizem-se intelectualmente activos só porque sacodem os cornos”. Que melhor imagem poderia existir dessa Direita espiritualmente debilitada, comandada por Venturosos Asnos e Franciscanos Melos?

      Só alguém que, pelo Menos, tão bem conheceu esses meios e a quem o pescoço tanto ainda dói seria capaz de tão lúcida análise.

      O nosso muito obrigado!

  4. Rui Naldinho says:

    A mim só me preocupa a falta coerência de Paulo Rangel. Ou melhor, o despudor desta gente, tão próxima dessa direita, católica, apostólica, romana.
    Senão vejamos:
    Não faltam por aí deputados e ex deputados, por exemplo, Nuno Vale de Almeida ou Alexandre Quintanilha, assumidamente homossexuais, figuras respeitadas da academia, como muitos outros heterossexuais. Nunca fizeram propaganda, mas também não esperaram por nenhuma entrevista intimista para se afirmarem. São aquilo que são, sem complexos, ponto final parágrafo.
    A direita tem um falso pudor. A começar logo na interrupção voluntária da gravidez. E por aí fora, seria um rol de imbecilidades várias.
    Paulo Rangel assumiu-se homossexual numa entrevista, depois de um vídeo mostrar que também se embebeda, apesar de pregar a moral e os bons costumes, coisa farta na nossa direita.
    Não, ele não saiu do armário por sua iniciativa. Saiu sim, do armário, forçado pela cusquice e javardice desta trupe de Tugas que proliferam nas redes sociais, jotinhas incluídos, e na política em geral, como gaivotas na praia.
    Paulo Portas nunca teve a coragem de se assumir como Homo. Nem outros da direita que escolheram a Opus Dei para se respaldarem. Até o Adolfo Mesquita Nunes só se assumiu, depois de insultado nas paredes da Covilhã, quando se candidatou a autarca.
    A direita tem vergonha da si própria. Sempre teve, daí o moralisme de merda que sempre apregoou. A questão do aborto, é talvez a pior delas todas.

  5. Miguel says:

    Um líder de bancada parlamentar não tem de concordar com todas as posições colectivas de que é porta-voz. Se tivesse não havia líderes parlamentares. No máximo, poderia pontualmente fazer objecção de consciência. Isto é o bê-a-bá dos lugares de representação parlamentar/partidária/…

    • João L Maio says:

      Diz que é do caciquismo.

      • Miguel says:

        Se diz, diz mal. É bom senso. Só um tótó (ou um Trampas) pensa que um fulano vai para uma posição dessas para expressar o que lhe vai na alma. Estávamos (estivémos) tramados com líderes assim.

    • Paulo Marques says:

      Não nestas questões (a que me falha o nome), embora mantenha o direito a não ter espinha como bom capacho.

  6. JgMenos says:

    Esta canalha fala de enrabar, emprenhar e abortar, como bandeiras de liberdade, tributos ao mais alto destino da humanidade.

    Ralezada….

    • Paulo Marques says:

      Não, não, liberdade é mandar no que os outros fazem na vida privada. A menos que quem mande goste de vermelho, aí é mau. A menos que seja vermelho encarnado, aí já é bom. A menos que caia em desgraça com o palheiro, aí já o conhecemos de gingeira desde sempre.
      É isto? Vá lá guardar mais capital no Panamá, a bem do país, que amanhã mandamos mais uns descontos para a China, a França, e outros abutres eficientes.

    • POIS! says:

      Pois é! A canalha tem de se moderar.

      Para começar, enrabar Menos.

      Isto para emprenhar Menos e Menos abortar.

  7. estevesayres says:

    Tanta coisa importante, e temos que perder o nosso precioso tempo a falar/escrever de pessoas. que nunca tiveram a coragem de assumir… O Hitler tb o fez… Mas tenho que concordar com o texto…(…)”Depois de anos, décadas e séculos em que a direita fez questão de ostracizar homossexuais….”!

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