Mónica Quintela, os funcionários públicos e o estado a que o PSD chegou

Mónica Quintela, uma das mais altas oficiais da deprimente bancada parlamentar do PSD, mostrou ontem ao país porque é que o maior partido da oposição é cada vez menos alternativa e cada vez mais parecido com o CH.

Podem ouvir a intervenção completa da deputada aqui, mas, resumidamente, Mónica Quintela defendeu, com todas as letras, que teria sido bom que os funcionários públicos ficassem alguns meses sem salário, com todas as consequências que isso traria, que era para aprenderem. Como se fosse sua a culpa pela bancarrota de 2008. E não, isto não é uma posição isolada dentro do partido. E o efusivo aplauso da sua bancada é revelador disso mesmo.

Pouco separa este PSD da extrema-direita, no que diz respeito a fazer dos funcionários públicos (e dos beneficiários de prestações sociais) bodes expiatórios dos problemas do país. O novo governo dos Açores, com os seus parceiros e boys, está aí para nos recordar disso mesmo. E isto coloca dois problemas ao PSD. O primeiro é que, entre o original e a cópia, o eleitorado tende a preferir o original. O segundo é que declarações como esta são uma passadeira vermelha estendida ao PS. Ou uma declaração de guerra aos funcionários públicos, que já foram uma parte importante da base eleitoral do centro-direita. Não aprenderam nada com o que se passou em Janeiro.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Claro, João. Escreveste tudo o que havia para dizer em poucas palavras.
    Mas a mim como me dói ver o velho PSD de Sá Carneiro neste registo deprimente, “estilo corno enraivecido”, acrescento.

    Continuam a viver no quadriénio 2011-2015. E dali não saem.
    O PCP caminha para a morte. Estes caminham para a irrelevância política.
    Cá para mim até devem estar a fazer figas para que a Guerra na Ucrânia se prolongue, para que haja uma crise mundial que os ressuscite como alternativa.
    Este discurso ressabiado contra os funcionários públicos é todo ele um assumir de culpas pelos castigos infligidos no passado, só pode, sob a forma de insulto (daí eu falar em corno enfurecido), como se a bancarrota fosse culpa deles, prestadores públicos.
    É nestes debates mais ou menos acalorados que o PSD mostra as suas verdadeiras motivações. Nada melhor do que picá-los para espantarem a caça.
    Como afirmas e bem, um partido que já foi transversal na sociedade portuguesa, onde a cúpula da administração pública se revia quase toda neles, onde os sectores intermédios dessa mesma administração se dividiam entre eles e o PS, acaba num feroz ataque contra uma boa parte do Estado, precisamente aqueles que nos garantem os mínimos para uma vida decente, como os médicos, fisioterapeutas, enfermeiros e técnicos auxiliares de diagnóstico, pessoal administrativo, no SNS, como os juizes, funcionários judiciais, nos tribunais, que ela tanto detesta, mesmo sendo pouco eficientes, como os professores e auxiliares de ação educativa na Escola Pública, que na província e nas zonas periféricas das grandes metrópoles, são a única forma de escolaridade possível para quem não tem colégios privados na zona, ou não os consegue pagar.
    Este PSD que dizem ser o mais próximo do centro, é aquele que no próprio dia das eleições, afirmou pela boca de uma deputada, que “os portugueses é que se enganaram no seu voto, nesse dia”. Os mesmos, que não tendo aprendido nada nessa noite, numa atitude revanchista, “mandaram de certa forma, repetir as eleições legislativas no círculo da Europa”, perdendo o único deputado que tinham conseguido “eleger”. Só faltava agora esta. Para quem se quer afirmar como alternativa, pior forma de estar política deve ser impossível.
    Mas será que está gente não se enxerga?
    Ou será que Mónica Quintela já está a minar o chão ao sucessor de Rui Rio?
    Se não é, parece.

  2. JgMenos says:

    Foi sem dúvida um erro!
    Já o Sócrates lhes tinha cortado nos salários – coisa que a cambada nunca refere, por coirões desonestos que são – e só tinha que o deixar continuar para que se soubesse o que é a justa consequência da desbunda socialista.

    • Paulo Marques says:

      Pois cortou, e vários teve que devolver. O que vocês querem sei eu, convencê-los todos a ir embora para dizer que é mau e privatizar para meterem carreiras. Estão com azar.

Trackbacks


  1. […] O João Mendes resumiu, e muito bem, o significado deste discurso, chamando, ainda, a atenção para… do mesmo partido da senhora cujo nome não irei repetir, porque quero poupar sabão. São os aplausos de gentinha que acredita no mito passista (já conta como meio palavrão) de que vivemos (nós? mas nós quem?) acima das nossas (nossas?) possibilidades e que era preciso ir além da troika.  […]

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