Serviço público: a lição de demagogia de Miguel Pinto Luz

No rescaldo das eleições espanholas, que tem como desfecho mais provável a repetição do sufrágio, uma boa parte da direita portuguesa viajou no tempo, até 2015, e perdeu-se na boa velha ignorância sobre o funcionamento da democracia representativa. Ou então, influenciada pelos seus novos potenciais parceiros, deixou-se levar pelo populismo mais básico e infantil.

E porque chora essa direita?

Chora porque os seus amigos do PP venceram as eleições, mas não têm uma maioria para governar. Apesar do contributo dos neofranquistas do Vox.

É uma daquelas coisas chatas da democracia representativa: não governa quem fica à frente. Governa quem tem maioria no Parlamento. Porque são deputados que se elegem em Legislativas, não governos.

Aliás, não existe eleição alguma, em Espanha ou Portugal, para eleger um governo. Os governos, cá como lá, são uma emanação da arquitectura parlamentar. Governa quem consegue apoio maioritário para ser investido, no hemiciclo ou nas cortes.

E de pouco interessa, caras pessoas, se existem “pessoas que acham que votam em governos”. Também existem pessoas que acham que podem estacionar em cima do passeio, que o fazem impunemente, mas isso não as livra de levar uma multa. Mesmo que seja a primeira vez. [Read more…]

O dia em que Sinead O’Connor enfrentou os pedófilos da Igreja Católica

O ano é 1995 e eu estou a ver a final do Chuva de Estrelas. Entre músicas mais ou menos conhecidas para um miúdo de 10, 11 anos, aquela Nothing Compares 2 U bateu-me por ter uma sonoridade totalmente diferente daquilo que a rádio e os 4 canais de TV tinham para oferecer a um jovem com acesso limitado à imensidão do mundo da música. Foi o dia em que Inês Santos me deu a conhecer Sinead O’Connor.

Não sou o maior fã da sua música, devo confessar, mas aquela actuação e aquela música nunca mais me saíram da cabeça. Essa e a Wuthering Heights, de Kate Bush, interpretada por Jessi Leal, que venceria o concurso dois anos mais tarde. E pelos mesmos motivos.

Mais do que a sua música, marcou-me um episódio de 1992, que só conheci muitos anos mais tarde. Em directo no Saturday Night Live, Sinead O’Connor rasgou uma foto de João Paulo II, em protesto contra os abusos sexuais na Igreja Católica, que a instituição ainda negava. Pagou cara a ousadia, mas conseguiu atenção global para o escândalo, num tempo em que não se viralizavam causas na internet. Não se ia lá com dancinhas da moda. [Read more…]