Mais um aniversário de um dos grandes atentados terroristas patrocinados pelos EUA

Foto encontrada no mural do Facebook de Rui Bebiano

Foi há 44 anos que o governo democraticamente eleito de Salvador Allende, no Chile, foi derrubado por um golpe terrorista, patrocinado pelos maiores fabricantes de golpes militares do mundo, os Estados Unidos da América.

O dia 11 de Setembro de 1973 é o culminar de uma série de manobras norte-americanas, orquestradas pela CIA, que incluíram assassinatos selectivos, suborno de grevistas ligados à extrema-direita, financiamento e treino de grupos paramilitares fascistas, bloqueios económicos e pressão sobre outros países para que seguissem a mesma via, sob ameaça de represálias, entre outros esquemas que habitualmente vêm nas cartilhas terroristas do Tio Sam, sempre que se põe em prática um dos muitos planos, quase sempre bem-sucedidos, de derrubar governos democraticamente eleitos que, por algum motivo, não agradam a Washington. Ou, dito por outras palavras, governos que se recusam a ser vassalos à força do Estado mais violento do planeta. [Read more…]

Contas da História

If ever there was a time for America to look at itself in the mirror, if ever there was a time of reckoning and accountability, it is now.

Ariel Dorfman
Conselheiro Cultural de Salvador Allende, entre 1970 e 1973

Há dias assim…

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Hoje apetece-me apenas citar Salvador Allende.

In Memorian (II)

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Dedicado a todos os seres humanos que perderam a vida às mãos de bárbaros terroristas num dia infame.

Os onze da fatalidade

11 de Setembro de 1973. Eu estava em Munique pela terceira vez, sem poder resistir a ver de novo certas pinturas de certo museu. Nesse dia vi, desfilando pela rua, um grupo de gente morena exibindo cartazes, em alemão. Vestiam de negro e alguns choravam. Por ter ouvido alguns falando espanhol, abeirei-me e quis saber o que se passava: eram chilenos e contaram-me da morte de Allende, do golpe militar brutalíssimo de Pinochet. Golpe ajudado pelos Estados Unidos da América a pretexto de que estava iminente um regime pró-soviético a partir de Santiago. Por essas, e por muitas outras, é que os americanos são odiados na América do Sul. E não só, mas adiante.

(Por esse tempo, em Portugal, a ditadura continuava a encher prisões e a reprimir o povo de todas as maneiras, agitando o papão do comunismo. Tal como o rapaz da história popular, tanto gritou a esse lobo que, quando ele de facto nos apareceu em força, em 1974/75, o povo levou algum tempo a acreditar. Digamos mesmo que só acreditou quando o PCP, sempre triunfalista e sempre com o pé a fugir para o estalinismo, sem vocação nenhuma para a democracia, começou a fazer tratantadas gravíssimas. Depois foi o que sabe: o povo unido, muito centro esquerda e muito senhor do seu nariz, acabou por aplicar o irremediável xarope de marmeleiro). Por uma noite cálida, dias antes, em Paris, nos jardins do Palais Royal, um poeta exilado há vários anos perguntou-me como ia o regime. Respondi-lhe que estava a caír de podre. Adiantou-me: “É também o que penso. Mas olhe que vai caír nas mãos de uns políticos que enfiarão o país num banho de lama. E depois, será o banho de sangue”. Quando penso na lama em que Portugal está mergulhado, sinto um medo quase físico de que o poeta possa ter sido profeta. [Read more…]

A última fotografia de Salvador Allende

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Horacio Villalobos, Chile, 11 de Setembro de 1973. Explicação e desmistificação aqui.

O fracasso do governo de Allende

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Não passa um dia dos inúmeros anos da minha vida, em que não me lembre do Presidente do Chile, o médico Socialista Salvador Allende Gossens. Morava calmamente com a minha pequena família na Universidade da Cambridge da Grã-Bretanha. Soubemos que o Senador por Valparaíso Salvador Allende corria pela quarta vez para as eleições presidenciais da nação chilena e corremos ao Chile para votar por ele. Receávamos que fosse a perder a eleição, mais uma vez. A sua primeira corrida, em 1952, perdeu por uma estreita margem de votos para o candidato Carlos Ibáñez del Campo, um homem pouco popular, que já tinha presidido a República nos anos 30. A segunda tentativa, em 1958 foi contra o empresário e engenheiro Jorge Alessandri Rodríguez, quem ganhou por uma larga maioria.

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Ainda Hortênsia Bussi Soto de Allende

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4 de Novembro de 1970, assume o seu cargo o Presidente Salvador Allende, com Tencha, a Primeira-dama

dedico o texto ao meu irmão mais novo, o Engenheiro Florestal e Agrónomo, que hoje está de aniversário, amante de História como ciência, licenciatura que também cursara com proveito, Presidente das Juventudes comunistas do Chile, antes, hoje em dia Conselheiro do PCCH…

A primeira Parte deste texto foi enviada ao sítio que corresponde. Reescrevo este outro, sobre os mesmos factos, para demonstrar, comparando textos diferentes, sobre factos semelhantes, como a História se engana nos factos.

A imagem que escolhi é do dia 4 de Novembro de 1970, data da tomada de posse do cargo de Presidente da República do Chile, do médico socialista Salvador Allende, como a mulher que sempre o acompanhou ao longe da sua vida, nomeadamente durante as campanhas políticas da sua vida, desde Deputado a Senador e nas quatro corridas  para a presidência da República. Foi a Tencha, alcunha dada pelo povo a hoje Primeira-dama, que o fez triunfar e ser eleito para o cargo. Fez, como era habitual desde os seus vinte anos ela, com vinte e quatro anos ele, quem o ajudara a governar, uma compincha amante do seu marido até o delírio, e vice-versa. As adversidades de governar, eram saradas pela sua mulher, a sua eterna embaixatriz em todos os sítios necessários, dentro e fora do Chile, arrecadando popularidade e apoio humano e económico, que permitiram esses quase três anos de Presidência.  O acompanhou até no dia do seu forçado suicídio, sem poder estar com ele na morte, por que essa única ditadura chilena, de uma República libertada a sangue e fogo em 1810-1818, não o permitira. [Read more…]

Aniversário do nascimento de Salvador Allende. A Tencha o chora

Tencha chora morte marido

A conheci como Primeira-dama da República do Chile. Sempre bem penteada, bem vestida, magra, sorridente, amável e serena. Falava de forma cadenciada, com o seu sorriso sempre alegre, sem gargalhadas: uma Senhora. O seu marido, que era um pituco (betinho em Português Europeu), gostava de vê-la bem vestida [Read more…]

Crianças, os senhores do mundo esmagam os fracos?

Salvador AllendeXanana

…meditação de docente perante discente…no começo do ano escolar… a uma pequena que nunca foi a escola antes deste dia

É com uma certa tristeza que vos digo isto. É com stress e melancolia. É a lamentar não poder ser poderoso perante vós. É a pensar que é bem possível que eu seja um senhor do mundo em frente dos pequeninos. É a reparar que, por vezes, a vida nos [Read more…]

Um país de curta memória…


Eduardo Frei Ruíz-Tagle.

A segunda volta para as eleições para a Presidência da Republica do Chile, foram realizadas este passado Domingo 17 de Janeiro. Era uma segunda volta, o candidato mais votado na primeira volta, o industrial Sebastian Piñera, enriquecido pela mão do antigo e já falecido ditador, não apenas teve a maioria dos sufrágios, bem como um programa muito semelhante ao do seu rival, Eduardo Frei Ruíz-Tagle, filho de Presidente e Presidente ele próprio no segundo período presidencial, com a Democracia restabelecida no Chile.

Dois problemas aparecem no meu pensamento: o industrial enriquecido, recebe um imenso tesouro do Estado que, de certeza vai gastar em Obras Publicas e melhorar a arquitectura do Chile, para converter o país numa Nação de turistas, baseada nas suas empresas. Esse candidato que tem carisma, virtude que falta a Frei que parece ter esquecido as maneiras de falar e esse sorriso que conquista multidões. O Presidente Eleito sabe rir e cantar e dançar esse Berlusconi do Chile…enquanto Frei apenas pode falar palavras “huasas”, personagem folclórico do Chile, definido por mim noutros debates. Nem é capaz de seduzir a sua mulher….Conheço-o desde a infância: sabe ler, estudar e e excelente advogado, mas não conhece a realidade chilena.

Especialmente após o brilhante governo de Michelle Bachelet e o seu eterno sorriso e entusiasmo.. Nunca haverá outra Presidente com o seu carisma…um louvor para ela…um imenso beneficio para todos nós. [Read more…]

A máquina do tempo: Víctor Jara

A música para este poema de Pablo Neruda – «Poema 15», «Me gustas cuando callas» – foi escrita por Víctor Jara, que interpreta também a composição. Todos ouviram já falar do cantautor Víctor Jara. Até existe em Portugal um agrupamento chamado Brigada Víctor Jara. Alguns até devem saber que era chileno. Outros, indo um pouco mais longe no conhecimento sobre este grande cantor, saberão que foi assassinado nos primeiros dias da feroz repressão que se seguiu ao golpe de estado de Pinochet. Vou hoje falar sobre esse homem que se transformou num dos símbolos da heróica resistência chilena à ditadura militar. Sábado passado, dia 5, foi realizada uma cerimónia, um segundo funeral do grande músico, já que o primeiro se fez clandestinamente. Desta vez, uma multidão acompanhou Jara  – sobreviventes da ditadura e do exilio. O cantor catalão Joan Manuel Serrat escreveu um texto de homenagem. Trinta e seis anos depois, Víctor Jara teve um funeral condigno. [Read more…]

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