El Sueño Americano

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[Helena Ferro de Gouveia]

Estas imagens são retiradas da conta de Instagram do fotógrafo norte-americano Tom Kiefer. Chama-lhes “ El Sueño Americano”.
As posses dos indocumentados, consideradas “não essenciais” são confiscadas, incluindo brinquedos de crianças, bíblias, rosários e roupa.
Nenhuma roupa para trocar é permitida aos migrantes detidos na fronteira norte-americana, nem mesmo roupa interior ou cobertores.
América 2018.
(E não me venham para aqui com o discurso de que os pais usam as crianças para a fuga, se vocês estivessem desesperados e deixassem tudo para trás deixariam os vossos filhos ?

Proteger as fronteiras? Sim, nunca desta forma, com esta indignidade. Falamos de humanos, com um coração que bate como o nosso )

Façam-me um favor e partilhem até à exaustão esta indignidade.

Washington a ferro e fogo

Os protestos anti-trump aqui, em directo. O Huffington Post fala de 25 mil pessoas envolvidas no protesto. A CNN avança que 100 manifestantes já foram detidos. Manifestações com milhares de pessoas em Nova Iorque, Chicago e São Francisco.

Trump: um desabafo

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Helena Ferro de Gouveia

Há uns anos em Berkeley entrei no supermercado para fazer as compras semanais. À minha frente na fila estava uma mulher negra com uma criança pela mão. O único item que tinham era uma maçã vermelha e enorme, como são as maçãs da Califórnia. A mulher entregou um cartão, não sei se de débito, se de crédito e não funcionou. Entregou outro. Não funcionou. A maçã ficou na caixa e a mulher saiu do supermercado falando baixinho com a criança.

Em Berkeley um capuccino e uma fatia de bolo vegan custavam 25 dólares no Café Gratitude e, não muito longe de minha casa, ficava Stanford e as empresas milionárias do Silicon Valley.
Quando apanhava o BART, metro, para São Francisco observava o exército de pobres nas estações.
A desigualdade perturba-me, a desigualdade na maior economia mundial – onde há fome, subnutrição, incontáveis sem abrigo, bairros de roullotes e ausência de horizontes para milhões de pessoas – é obscena.

Porque não confio em Trump? [Read more…]

God Bless Us

Celebridades como Robert De Niro ou Michael Moore discursam agora num protesto anti-trump ao pé da Trump Tower em Nova Iorque. Aqui, em directo, na página de facebook da CNN.

Donald Trump tem razão – são uns hipócritas


Nos últimos meses, Donald Trump disse que ia construir um muro para separar a América do México e que ia pôr este último a pagá-lo. Chamou criminosos, violadores e traficantes aos mexicanos. Queixou-se de ver negros «a contar o meu dinheiro». Disse que ia expulsar liminarmente 11 milhões de imigrantes ilegais. Que ia proibir a entrada de muçulmanos. Que os atentados de Paris só provam que a posse de armas devia ser liberalizada. Que o aquecimento global foi inventado pelos chineses para prejudicar a América. Que ia atacar o Médio Oriente para lhes ficar com o petróleo, destruindo tudo e mandando empresas americanas para fazer a reconstrução.
Defendeu o regresso de métodos de tortura mais agressivos nos Estados Unidos, atacou os pais de um militar americano morto no Iraque, expulsou uma jornalista mexicana de uma conferência, uma muçulmana de uma acção de campanha e um bebé que chorava num comício. Disse tudo e mais alguma coisa e sempre publicamente e em directo para milhões de espectadores.
Foi preciso ir buscar uma conversa privada com mais de 10 anos [Read more…]

Entretanto

Enquanto em Portugal andamos a por ex-primeiros-ministros em prisão preventiva e a queixarmo-nos muito do nosso sistema de Justiça, convém recordar que nos Estados Unidos, Darren Wilson, que deu seis tiros a um adolescente desarmado, não vai ser acusado.

Os pais de Michael Brown querem levar o caso ás Nações Unidas.

Michael Brown tinha 18 anos e tinha acabado o liceu. Era negro.

Duas Bandeiras Esfrangalhadas

?????????Calma, portugueses. Há angústia, mas não estamos sós no terror de falir. Nós, de falir novamente. Eles, os norte-americanos, de falir finalmente. Também eles engolem em seco e muitos nem sempre têm o que comer. A vida é isto. Não vale a pena capturar somente para nós toda a symbologia sinédoque de uma bandeira tratada abaixo de cão pela intempérie.

Não há atalhos para proteger a América

Desde a Segunda Guerra que a politica externa americana segue as mesmas directrizes. Com Barack Obama isso não se alterou.

Com o rebentar do escândalo PRISM, programa de recolha de informações indiscriminado da NSA, é apropriado relembrar as palavras de Obama em 2007.

Eugenismo, ciência de merda e nacional-liberalismo

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Há tempos vi o programa de Anderson Cooper que tratava, entre outros, o tema do eugenismo e sua história. O próprio apresentador repetia manifestações de perplexidade pelo facto de os EUA serem pioneiros do chamado “eugenismo negativo”, que consiste na selecção da espécie humana no sentido de a melhorar, através de esterilização forçada, confinamento ou pura e simples eliminação por eutanásia dos humanos considerados defeituosos e indesejáveis como procriadores. Foi neste país que se fundou o movimento e não na Alemanha nazi que, mais tarde, veio a estudar as práticas e leis americanas no sentido de as aplicarem à sua realidade, ou melhor, aquilo que eles imaginaram ser a sua realidade. O resto é história conhecida.

O termo eugenismo aparece no século XVIII, com Galton que pensava ser possível melhorar a espécie humana através de factores sociais e escolha adequada de pares reprodutores. Estava-se no inicio do fascínio pelo estudo da hereditariedade, e nunca passou pela cabeça do pobre Galton o que aconteceria a seguir, nomeadamente quando esta hipótese mergulhasse no pântano de preconceitos de algumas sociedades que aí vinham. Em muitos países esta teoria teve até aspectos positivos e, por isso, se distingue um eugenismo positivo, frequentemente focado em domínios como o da higiene social e condições de vida das populações. [Read more…]

A História do medo nos Estados Unidos em 3 minutos

Autoria (não confirmada) de Michael Moore.

O patriota

Excerto de «O Patriota», que conta a história da Revolução Americana. Mel Gibson no papel principal.


 

Da série Filmes para o 8.º ano de História
Tema 7 – As transformações do mundo atlântico: Crescimento e rupturas
Unidade 7.2. – O triunfo das Revoluções Liberais

The Crossing

Em 1776, menos de seis meses após a Declaraton da Independência, o Exército Continental, sob o comando do general George Washington, estava à beira da derrota total.

Da série Filmes para o 8.º ano de História
Tema 7 – As transformações do mundo atlântico: Crescimento e rupturas
Unidade 7.2. – O triunfo das Revoluções Liberais

A saga dos Estados Unidos

Início de um novo tema, a Revolução Americana. Documentário que serve bem como introdução ao tema.

Da série Filmes para o 8.º ano de História
Tema 7 – As transformações do mundo atlântico: Crescimento e rupturas
Unidade 7.2. – O triunfo das Revoluções Liberais

O Gulag americano

Cadeias privadas precisam de clientes. Assustador. Via.

Acordo bilateral Portugal-EUA sobre a transferência de dados biométricos e genéticos

Foi publicado hoje em DR o aviso (13/2012) da entrada em vigor do acordo.

O que a Europa pode fazer por nós

Por JOÃO PINTO

Nunca fui dos que pensam que Portugal está na atual situação por causa da moeda única, da Europa ou dos mercados (apesar de estes exagerarem e nem sempre serem razoáveis). Apesar de pensar de Portugal tem de mudar de rumo – não podemos voltar a cometer os mesmos erros -, a europa não tem feito o seu trabalho de casa como deve ser.

Os EUA têm uma dívida pública maior do que a dívida pública da europa (e da zona euro). No entanto, os mercados não têm penalizado os norte-americanos como têm penalizado os países da zona euro – é verdade que há países da zona euro (e da europa) que, individualmente, têm um risco de incumprimento maior, sendo que os mercado têm penalizado essencialmente aqueles.

Falta na europa a unidade e a coesão que existe nos EUA. A europa tem de falar a uma só voz e tem de mostrar aos mercados que tudo fará para resolver os problemas internos.
Enquanto tal não acontecer, os mercados continuarão a olhar para os países da europa (e da zona euro) como elementos desagregados e desamparados dentro da união. [Read more…]

11 de setembro, qual dos dois?

Sim, há dois: o de 1973 que marca a primeira catástrofe neo-liberal construída sobre o assassinato de 30 000 chilenos, e o de 2001 que agora parece ter o monopólio da data.

Dos Once de Septiembre en una vida explora ideas y sentimientos de ex presos políticos y exiliados chilenos de la dictadura de Pinochet que ahora viven en San Francisco, California. Ellos analizan las tragedias del 11 de septiembre de 1973 en Chile y del 11 de Septiembre del 2001 en Estados Unidos y la intervención del gobierno estadounidense en ambos hechos.

Governo vende identificação dos portugueses a potência estrangeira

Janet Napolitano E vende barato: em troca de um sorriso.

“Em Junho de 2009, Janet Napolitano, secretária do Departamento de Segurança Interna norte-americano esteve em Portugal e firmou o acordo com os ministérios da Administração Interna e da Justiça.”

“Os Estados Unidos (EUA) querem ter acesso a bases de dados biométricas e biográficas dos portugueses que constam no Arquivo de Identificação Civil e Criminal. O FBI, com a justificação da luta contra o terrorismo, quer também aceder à ainda limitada base de dados de ADN de Portugal” in DN

Sendo de esperar que o acordo seja aprovado no parlamento, teremos então os nossos BI´s numa base de dados onde serão cruzado com o sistema Echelon, permitindo-lhes saber tudo o que queiram, de quem queiram.

Pode ser que assim descubram como Bin Laden se retirou para uma simpática aldeia beirã, e se dedica agora à produção de maças bravo esmolfe. O potencial terrorista de uma maça brava não é em caso algum de descurar.

Wikileaks, pois pois, brincadeiras de crianças.

Wikileaks: EUA agradecem a Sócrates a utilização da Base das Lajes para repatriar os presos de Guantanamo

La Embajada de EE UU describe a Sócrates como un político “carismático”, un “eficaz pragmatista” y un líder “tozudo”, que se “resiste a tomar medidas que parezcan una cesión a la presión de la opinión pública”. Los diplomáticos agradecen a Sócrates haber “permitido a EE UU usar la base de Lajes en las Azores para repatriar a detenidos de Guantánamo”, “una decisión difícil que nunca se hizo pública”, señala un despacho de septiembre de 2007.

Para quem não percebe espanhol: os Estados Unidos agradecem a José Sócrates por ter permitido utilizar a Base das Lajes para repatriar os presos de Guantanamo. Algo que até hoje nunca tinha sido tornado público.

Ainda não é desta que se demite?

Hoje há wikileaks, pânico nas embaixadas

Hillary_Clinton Hoje à noite deverá ter início mais uma operação Wikileaks: 250 000 memorandos da diplomacia dos Estados Unidos, de e para as suas embaixadas.

Hillary Clinton contactou pessoalmente diversos governos (pelo menos a Inglaterra, Israel, Austrália, Noruega, China, Dinamarca e Canadá) numa tentativa de antecipar e minimizar os prejuízos, que podem ultrapassar em muito as denúncias passadas de crimes de guerra no Iraque e Afeganistão. Sendo a diplomacia a arte da hipocrisia em todo o seu esplendor, promete.

Em Portugal, país que esteve ameaçado de invasão americana em 1975, ficaremos talvez a saber o que o império pensa realmente de nós. Desconfio que vai ter piada.


Uma Europa que se nega a equipar para a defesa e a colaborar na garantia da sua própria segurança, não podia ter esperado mais de uma cimeira que antes de tudo, serviu para um crucial apaziguamento e até aproximação da Rússia. Estando o gigante do leste perante dilemas de difícil resolução – fronteiras instáveis, separatismos vários, forte quebra da natalidadel, fraca densidade populacional nas fronteiras da parte asiática -, a NATO pode hoje significar o seu auto-reconhecimento como parte integral da defesa de um Ocidente, a que em boa medida pertence. Daí a vinda a Lisboa e o sucesso da Cimeira. Consistiu este, o aspecto fundamental da magna reunião.

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https://aventar.eu/2010/11/21/1077835/

EUA, uma máquina de morte mais produtiva do que o Irão


Larry Wooten, negro, sem família, foi assassinado ontem pelo Estado do Texas pelo homicídio de dois octogenários, que matou para roubar 600 dólares. Sem advogado e sem que houvesse nada que o ligasse ao crime até ao momento, recusou o acordo de prisão perpétua porque lhe esconderam provas de ADN que só apareceram nas vésperas do julgamento. A morte durou 9 minutos.
É o 17.º assassinado em 2010.
E sejamos claros: morreu por ser pobre e morreu por ser preto.
E a Cância, desta vez não se importa? Não, claro que não. Porque é preto, não é mulher e não é iraniano.

Teresa Lewis é a 5ª executada nos últimos 14 dias nos Estados Unidos

Calendário das execuções nos EUA até ao fim do ano

Teresa Lewis foi executada ontem na Virginia. Com um QI baixíssimo, muito próximo do retardamento intelectual, dependente de drogas, viu os dois homens que a seu mando mataram o marido serem punidos com prisão perpétua, apesar de ter sido ela a conduzir a Polícia aos autores materiais do crime. Ficou provado que estava drogada na altura do crime e que não foi ela que o planeou.
Para Teresa Lewis, a primeira mulher a ser condenada naquele Estado desde 1912 e a quinta vítima da pena de morte nos Estados Unidos nos últimos 14 dias, não houve manifestações nem hipócritas vozes de protesto, que deviam corar de vergonha de cada vez que abrissem a boca para falar de Sakineh (cale-se de vez, pode ser?)
Entretanto, nos Estados Unidos, estão marcadas mais 10 execuções até ao dia 7 de Dezembro. A partir daí as execuções são interrompidas. Para as férias de Natal.

A pena de morte nos Estados Unidos e a hipocrisia da Manifestação contra a Lapidação


Holly Wood, negro, com uma idade mental de 8 anos, defendido por advogado oficioso com 4 meses de experiência, vai ser executado na próxima quinta-feira, 2 de Setembro, no Alabama, em resultado de um julgamento de homicídio que durou uma hora.

Cal Brown, doente bipolar, vai ser executado por homicídio no dia 10 de Setembro em Washigton ao fim de 15 anos sem execuções no Estado, em resultado de um julgamento constituído por um júri do qual foram convenientemente eliminados todos os jurados que se manifestaram contra a pena de morte.

Kevin Keith, negro, vai ser executado no dia 15 de Setembro no Ohio. Não foi identificado pelas principais testemunhas do alegado crime de homicídio, tinha um alibi consistente e não se verificou no local qualquer correspondência a nível de sangue e impressões digitais. Foi defendido por um advogado que não estava certificado para julgamentos de pena capital e julgado por um juri constituído por jurados que receberam ameaças por telefone, que discutiram o caso fora do Tribunal e que foram conduzidos ao Banco durante a deliberação.

Gregory Wilson vai ser executado no dia 16 de Setembro no Kentucky. Negro, não teve advogado de defesa durante a parte final do julgamento, sendo que na parte inicial teve de recorrer a um advogado voluntário. O outro réu que foi julgado com ele mantinha um caso amoroso com um juiz e acusou-o para ser punido com prisão perpétua. Neste momento, não se sabe se a última dose da injecção letal será eficaz, visto que o seu prazo de validade está a terminar.

No dia 23 de Setembro, Teresa Lewis vai ser executada na Virginia. Com um QI baixíssimo, muito próximo do retardamento intelectual, dependente de drogas, viu os dois homens que a seu mando mataram o marido serem punidos com prisão perpétua, apesar de ter sido ela a conduzir a Polícia aos autores materiais do crime. Ficou provado que estava drogada na altura do crime e que não foi ela que o planeou.

No dia 6 de Outubro, Michael Benge vai ser executado no Ohio. Para além da acusação de homicídio, foi-lhe acrescentada uma outra que permitiu a condenação à morte, o roubo do cartão Multibanco da vítima. Durante o julgamento, os jurados receberam instruções ilegais que os impediram de ouvir a defesa do réu, a principal testemunha negociou com o Ministério Público. Registaram-se 16 erros nos procedimentos em Tribunal.

Gayland Bradford, negro, vai ser executado no Texas no dia 14 de Outubro por homicídio de um guarda durante um assalto. Foi acusado através de uma chamada telefónica para um programa de televisão. 3 testemunhas disseram que não fora ele o autor do homicídio, a arma do crime tinha impressões digitais que não eram as suas. Em julgamento, foi defendido por um advogado oficioso sem qualquer experiência. Retardado intelectualmente, tem um QI de 68. [Read more…]

Pena de morte por enforcamento e injecção letal pode ser – por lapidação é que não!


Há neste momento 19 americanos com execução marcada para o que falta de 2010, fora todos os outros que se mantêm há anos no corredor da morte. Nos Estados Unidos, a injecção letal é o método mais comum, mas a electrocussão, a câmaras de gás, o enforcamento e o fuzilamento também são permitidos.
A morte por lapidação é abjecta… como são todas as outras formas de matar. Um Estado não tem o direito de tirar a vida, seja a quem for. A manifestação de hoje é muito, mas muito redutora.

O velhinho que roubou 11 bancos nos Estados Unidos


Um benemérito. Porque ladrão que rouba ladrão tem mil anos de perdão.

Haiti ou a hipocrisia americana

 

Como é relativamente longo, retirei de um texto de Eduardo Galeano apenas estes três parágrafos, os quais me parecem oportunos nestes dias de profunda hipocrisia. A sua transcrição isolada não me parece desvirtuar o sentido do texto.

 Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até
1934. Retiraram-se quando conseguiram os seus dois objectivos: cobrar
as dívidas do City Bank e abolir o artigo constitucional que proibia
vender plantações aos estrangeiros. Então Robert Lansing, secretário
de Estado, justificou a longa e feroz ocupação militar explicando que
a raça negra é incapaz de governar-se a si própria, que tem “uma
tendência inerente à vida selvagem e uma incapacidade física de
civilização”. [Read more…]

Contos Proibidos: Memórias de um PS Desconhecido. Mário Soares e o 25 de Novembro.

continuação daqui

O antigo chefe de gabinete do ministro dos Negócios Estrangeiros e secretário-geral do PS, Vítor Cunha Rego, tivera contacto anteriores ao 25 de Abril com o chefe da CIA em Lisboa, John Morgan. Após o assalto ao «República» e quando Carlucci adquirira a certeza de que Soares entrara no «bom caminho», seriam designados Cunha Rego e Bernardino Gomes para veicular os futuros contactos e o apoio da CIA ao PS.

Com o caso «República» ainda fresco e tendo em conta que aquela organização considerava prioritárias as acções na imprensa e em editoras, como o senador Edward Boland de Massachusset apuraria no final dos anos 70, foi decidido combater a predominância do PC nestes sectores. Assim nasceria a editora «Perspectivas Realidades», ao mesmo tempo que era adquirido o edifício onde iria funcionar a CEIG, Cooperativa de Edições e Impressão Gráfica, com a finalidade de imprimir o diário «A luta» em substituição do «República». O contacto americano era um «operacional» das chamadas «covert operations», ou operações clandestinas, da CIA, a que chamarei apenas KC. (…)

Em entrevista à TVI e a Miguel Sousa Tavares na SIC [1994], o Presidente da República [Mário Soares], para além de se colocar no papel de principal líder da resistência à tentativa comunista de 25 de Novembro, adiuantaria que, de facto, «conspirara» com Callaghan e os serviços secretos ingleses, embora negasse qualquer apoio dos norte-americanos. (…) Mas o general Ramalho Eanes, um pouco esquecido pelos media, viria a contestar o paperl de Mário Soasres no 25 de Novembro, afirmando poder «garantir que a versão dos mesmos apresentada pelo Dr. Mário Soares contém algumas inverdades». Chegaria mesmo a acusar o seu sucessor de pretender adulterar a história, de não ter lido os documentos oficiais sobre o 25 de Novembro e de ter tendência para valorizar os seus contactos internacionais. Mas, segundo refere, «a verdade é que os militares trabalharam essencialmente com matéria-prima nacional». [Read more…]

O Prémio Nobel da Paz, rejuvenecido

Podia-se dizer que a atribuição do Prémio Nobel da Paz a Barak Obama, seria uma surpresa. É verdade que ninguém estava a espera, e, todos ficamos felizes. A minha felicidade é apenas porque o Prémio deve incentivar ao Presidente a acabar a guerra de Iraque-notem bem, acabar a guerra de Iraque, digo, e não uma retirada. Usar essas palavras significa uma obrigação para que os iraquianos não combatam mais entre si. Nunca esqueço o dia em que foi eleito Presidente dos EUA. De imediato escrevi um texto no jornal O Interior, Intitulado: Finalmente! É verdade também que o prémio Nobel da Paz não´tem o mesmo significado desde o ano 1973, por ter-lhe sido atribuído a um criminoso que em Setembro de 1973, após dinamizar um golpe de Estado, em Novembro desse ano foi premiado. O seu colega no Prémio, Le Duc Tho, rejeitou o galardão por motivos conhecidos por todos nós. Ele tinha lutado para acabar a guerra do Vietname, o outro, após da incentivar, virou do avesso e procurou essa paz…anos depois! Le Duc Tho, tinha estado na luta e sabia o que a guerra era e a sua felicidade pela paz era autêntica.

Mas, será justo misturar Obama, esse grande pacificador, com falsos profetas? No seu discurso pré entrega do Prémio, prometeu solenemente acabar as guerras do mundo. De certeza, consegue. E mais nada digo. O facto de comentar o Prémio do Presidente, da família Iraquiana Hussein, é um orgulho: laços de parentesco, não com o ditador, mas sim com um país que sofre, como o sem Prémio Nobel deixa nas suas mãos a responsabilidade que Bush, o seu predecessor no crgo, nunca quis assumir: que o povo Iraque viva em paz. Que os Chitas não perturbem a paz. Que os Sunitas estejam reconciliados entre si e com o povo que sofre. O novo Nobel da Paz, é semelhante ao Dalai Lama, quem também recebera esse galardão. Desde o meu humilde sítio de escritor, penso e sinto que Academia Sueca não podia ter escolhido uma melhor pessoa que Barak Obama Hussein