Numa altura em que o mundo anda preocupado com vários conflitos, a pergunta que mais se devia colocar é sobre a liberdade. Mas a liberdade como um fim em si mesmo, sem olhar ao lado que nos dá jeito e depois arranjar argumentos que se equiparam ao bola na mão ou mão na bola. Infelizmente, desde há muito que nos foi retirada a real possibilidade de colocar questões legítimas sobre as ações de determinados estados. Sim, podemos colocar as questões, mas não são levadas a sério e não obtém respostas além de um “cala-te, querias viver na Rússia ou na Coreia do Norte, era?”. Vivemos numa era em que um militar antipático interpreta tecnicamente uma guerra e é considerado um assalariado de Moscovo, mas que se idolatra um populista pró-Ucrânia por ter mulher ucraniana e um barbudo que grita asneiras na televisão. Nada procuram sobre a verdade, procuram cavalgar a popularidade de um assunto e desta forma mostrar um caminho àqueles lá em casa que não percebem nada disto.
O Ocidente percebeu que o povo já não tolera a falta de pilares básicos para o funcionamento de uma democracia, entre eles a possibilidade de votar e a liberdade de expressão. Desta forma, teve de arranjar outra forma para controlar as massas. Através de uma falsa ideia de liberdade de expressão, limita as opções dos outros através dos seus instrumentos democráticos. Em vez de permitir apenas comer carne de vaca, permite comer vaca e porco. Aqueles que são beneficiados por este sistema e que alinham no seguidismo ocidental que têm como maiores bastiões os EUA e a NATO dirão que ao menos há democracia. Eu acredito que devemos ser muito mais exigentes com a nossa liberdade, pois estamos mais próximos de sermos a Rússia do que sermos um povo livre.
Condenar agressões a protestantes pró-Palestina em países europeus não é desculpar as atrocidades cometidas pelo Hamas. Defender o direito de Israel existir não é defender um genocídio. Defender Pavel Durov, fundador do Telegram, e a possibilidade de haver informação de dois lados da barricada numa rede social não é defender a invasão russa. Defender que os EUA promoveram uma escalada na Guerra não é defender que a Ucrânia não tem direito a ser defendida. Defender a liberdade de expressão de uma forma ampla no ocidente e combater a turba defensora de governos corruptos e corporações que nos governam oficiosamente não é legitimar ataques aos direitos humanos na Arábia Saudita, na China, no Irão, no Afeganistão, etc.
A liberdade é um bem tão precioso que merece ser cuidada todos os dias como um bem em si mesmo e não apenas quando favorece o meu quintal. Lembremos que nenhum Estado está em condições de dar lições de moral aos outros e que o mundo não se esgota na Europa agradável que temos para viver. Num mundo global, se há algum par que não é livre, então eu não posso ser realmente livre.
Afinal, qual é o limite da liberdade?
Grato aos russos, aos ucranianos e a todos os soviéticos
Neste Dia da Europa, 9 de Maio, lembro sempre, gratamente, quem deu a vida para nos livrar do nazismo de Hitler, em particular os mais 22 milhões de soviéticos que pereceram, entre os quais os ucranianos. Se hoje vivemos sem o terror nacional-socialista em toda a Europa, não é aos europeus que o devemos, mas sim a quem nos veio resgatar: os soviéticos, em primeiro lugar, e os norte-americanos que, após Pearl Harbor, em boa hora decidiram tomar como deles as nossas dores.

Desde então a Europa tem sido o reflexo do poder dos vitoriosos, divididos entre pró-americanos e pró-russos, sem rumo certo, aos tropeções dos ventos políticos que foram soprando de ambos os lados, embora do lado do regime por nós fundado e erguido – a Democracia.
A Europa feneceu após a era colonial “gloriosa”, de seiscentos até ao dealbar do sec. XX, enquanto os novos imperialismos medraram, mas [Read more…]
Bombardeamento do Teatro Drama em Mariupol
Cronologia:
1 – A Ucrânia afirmou que os russos bombardearam o “Teatro Drama” em Mariupol onde se encontravam cerca de 1.000 pessoas;
2 – Nós vimos várias imagens dos escombros desse mesmo teatro e dos esforços para resgatar pessoas de entre eles;
3 – Ucrânia acusa Rússia de mais um crime de guerra;
4 – Rússia nega ter bombardeado o Teatro Drama;
5 – Parlamento ucraniano vem informar que não houve vítimas desse bombardeamento.

Como é expectável em guerra, a desinformação e a contra-informação é o que nos é servido por ambas as partes litigantes com a conivência dos órgãos de comunicação social afectos a cada lado.
É triste, temos dificuldade em conhecer a verdade, se é que alguma vez a viremos a saber.
Sabemos, isso sim, que estão a morrer muitas pessoas a cada dia [Read more…]
De uma Negociação de Paz a uma Declaração de Guerra
Sob os auspícios da Turquia decorreu ontem um encontro entre os ministros dos Negócios estrangeiros da Ucrânia e da Rússia para, supostamente, negociar caminhos conducentes a um acordo de fim de guerra. Depois de no dia anterior o Kremlin ter dados sinais de algumas cedências nas suas pretensões, a declaração final de Lavrov intensifica-as, a ponto de tornar inviável não apenas um acordo, mas também o prosseguimento de qualquer ronda negocial.
De permitir a continuidade da independência da Ucrânia, na véspera, passa a exigir que a Ucrânia não se aproxime do Ocidente (adesão à União Europeia), e que a sua riqueza não seja explorada por capitais ocidentais.

Pieter Bruegel – A Queda dos Anjpos Rebeldes
Isto é absolutamente inaceitável para ucranianos, mas também para nós ocidentais. A independência de um país não se negoceia, nem se deve sentar à mesa com quem a não pretende reconhecer.
No início desta invasão, o Kremlin começou por dizer que se tratava de uma “operação militar”, ficando agora à vista que ontem, mais não fez do que a DECLARAÇÃO de GUERRA que tinha recusado fazer, cujo objectivo é [Read more…]
Incentivo suicida do Ocidente aos ucranianos
Importa e muito conhecer a História, particularmente a mais recente, para compreender a invasão russa da Ucrânia, mas a interpretação dos factos divide-nos, por fazermos, naturalmente, leituras diferentes.
O que nos deveria exclusivamente interessar neste momento, é como tratar o problema real actual de modo a pararmos a destruição, a morte e a fuga do horror provocados por Putin. Sobre a condenação desta invasão só pessoas muito mal-formadas não o fizeram, mas isso não demove o monstro. Numa guerra não há moral, não há ética, não há humanidade que resista à motivação bélica de quem a pratica. Não se deixem enganar nem iludir: Putin não quer saber de quantos são os que o condenam, de quão forte será a Rússia atingida por sanções económicas. Putin só persegue um objectivo – ganhar esta invasão e sequente ocupação. Nada o desviará desse propósito a não ser que o matem!

Neste contexto, temos uma Ucrânia a que permitimos que sonhasse vir a pertencer à União Europeia e à OTAN e aos ucranianos uma vida democrática e próspera como a que se vive no Ocidente. Acontece que esse sonho que alimentámos aos ucranianos esbarrou com a monstruosidade de Putin escudado no seu imenso arsenal bélico.
Qual é a situação neste momento? Estados Unidos e [Read more…]
Liberalismo explicado às criancinhas
Aguarda-se, a todo o momento, uma aula magistral por eminente teórico defensor do liberalismo económico sobre o papel da proibição de particulares e/ou empresas investirem onde e em quem bem entenderem. (ver notícia)

El Sueño Americano

[Helena Ferro de Gouveia]
Estas imagens são retiradas da conta de Instagram do fotógrafo norte-americano Tom Kiefer. Chama-lhes “ El Sueño Americano”.
As posses dos indocumentados, consideradas “não essenciais” são confiscadas, incluindo brinquedos de crianças, bíblias, rosários e roupa.
Nenhuma roupa para trocar é permitida aos migrantes detidos na fronteira norte-americana, nem mesmo roupa interior ou cobertores.
América 2018.
(E não me venham para aqui com o discurso de que os pais usam as crianças para a fuga, se vocês estivessem desesperados e deixassem tudo para trás deixariam os vossos filhos ?
Proteger as fronteiras? Sim, nunca desta forma, com esta indignidade. Falamos de humanos, com um coração que bate como o nosso )
Façam-me um favor e partilhem até à exaustão esta indignidade.
Washington a ferro e fogo
Os protestos anti-trump aqui, em directo. O Huffington Post fala de 25 mil pessoas envolvidas no protesto. A CNN avança que 100 manifestantes já foram detidos. Manifestações com milhares de pessoas em Nova Iorque, Chicago e São Francisco.
Trump: um desabafo
Helena Ferro de Gouveia
Há uns anos em Berkeley entrei no supermercado para fazer as compras semanais. À minha frente na fila estava uma mulher negra com uma criança pela mão. O único item que tinham era uma maçã vermelha e enorme, como são as maçãs da Califórnia. A mulher entregou um cartão, não sei se de débito, se de crédito e não funcionou. Entregou outro. Não funcionou. A maçã ficou na caixa e a mulher saiu do supermercado falando baixinho com a criança.
Em Berkeley um capuccino e uma fatia de bolo vegan custavam 25 dólares no Café Gratitude e, não muito longe de minha casa, ficava Stanford e as empresas milionárias do Silicon Valley.
Quando apanhava o BART, metro, para São Francisco observava o exército de pobres nas estações.
A desigualdade perturba-me, a desigualdade na maior economia mundial – onde há fome, subnutrição, incontáveis sem abrigo, bairros de roullotes e ausência de horizontes para milhões de pessoas – é obscena.
Porque não confio em Trump? [Read more…]
God Bless Us
Celebridades como Robert De Niro ou Michael Moore discursam agora num protesto anti-trump ao pé da Trump Tower em Nova Iorque. Aqui, em directo, na página de facebook da CNN.
Donald Trump tem razão – são uns hipócritas
Nos últimos meses, Donald Trump disse que ia construir um muro para separar a América do México e que ia pôr este último a pagá-lo. Chamou criminosos, violadores e traficantes aos mexicanos. Queixou-se de ver negros «a contar o meu dinheiro». Disse que ia expulsar liminarmente 11 milhões de imigrantes ilegais. Que ia proibir a entrada de muçulmanos. Que os atentados de Paris só provam que a posse de armas devia ser liberalizada. Que o aquecimento global foi inventado pelos chineses para prejudicar a América. Que ia atacar o Médio Oriente para lhes ficar com o petróleo, destruindo tudo e mandando empresas americanas para fazer a reconstrução.
Defendeu o regresso de métodos de tortura mais agressivos nos Estados Unidos, atacou os pais de um militar americano morto no Iraque, expulsou uma jornalista mexicana de uma conferência, uma muçulmana de uma acção de campanha e um bebé que chorava num comício. Disse tudo e mais alguma coisa e sempre publicamente e em directo para milhões de espectadores.
Foi preciso ir buscar uma conversa privada com mais de 10 anos [Read more…]
Duas Bandeiras Esfrangalhadas
Calma, portugueses. Há angústia, mas não estamos sós no terror de falir. Nós, de falir novamente. Eles, os norte-americanos, de falir finalmente. Também eles engolem em seco e muitos nem sempre têm o que comer. A vida é isto. Não vale a pena capturar somente para nós toda a symbologia sinédoque de uma bandeira tratada abaixo de cão pela intempérie.
Eugenismo, ciência de merda e nacional-liberalismo
Há tempos vi o programa de Anderson Cooper que tratava, entre outros, o tema do eugenismo e sua história. O próprio apresentador repetia manifestações de perplexidade pelo facto de os EUA serem pioneiros do chamado “eugenismo negativo”, que consiste na selecção da espécie humana no sentido de a melhorar, através de esterilização forçada, confinamento ou pura e simples eliminação por eutanásia dos humanos considerados defeituosos e indesejáveis como procriadores. Foi neste país que se fundou o movimento e não na Alemanha nazi que, mais tarde, veio a estudar as práticas e leis americanas no sentido de as aplicarem à sua realidade, ou melhor, aquilo que eles imaginaram ser a sua realidade. O resto é história conhecida.
O termo eugenismo aparece no século XVIII, com Galton que pensava ser possível melhorar a espécie humana através de factores sociais e escolha adequada de pares reprodutores. Estava-se no inicio do fascínio pelo estudo da hereditariedade, e nunca passou pela cabeça do pobre Galton o que aconteceria a seguir, nomeadamente quando esta hipótese mergulhasse no pântano de preconceitos de algumas sociedades que aí vinham. Em muitos países esta teoria teve até aspectos positivos e, por isso, se distingue um eugenismo positivo, frequentemente focado em domínios como o da higiene social e condições de vida das populações. [Read more…]
A História do medo nos Estados Unidos em 3 minutos
Autoria (não confirmada) de Michael Moore.
O patriota
Excerto de «O Patriota», que conta a história da Revolução Americana. Mel Gibson no papel principal.
Da série Filmes para o 8.º ano de História
Tema 7 – As transformações do mundo atlântico: Crescimento e rupturas
Unidade 7.2. – O triunfo das Revoluções Liberais
The Crossing
Em 1776, menos de seis meses após a Declaraton da Independência, o Exército Continental, sob o comando do general George Washington, estava à beira da derrota total.
Da série Filmes para o 8.º ano de História
Tema 7 – As transformações do mundo atlântico: Crescimento e rupturas
Unidade 7.2. – O triunfo das Revoluções Liberais
A saga dos Estados Unidos
Início de um novo tema, a Revolução Americana. Documentário que serve bem como introdução ao tema.
Da série Filmes para o 8.º ano de História
Tema 7 – As transformações do mundo atlântico: Crescimento e rupturas
Unidade 7.2. – O triunfo das Revoluções Liberais
Acordo bilateral Portugal-EUA sobre a transferência de dados biométricos e genéticos
Foi publicado hoje em DR o aviso (13/2012) da entrada em vigor do acordo.
11 de setembro, qual dos dois?
Sim, há dois: o de 1973 que marca a primeira catástrofe neo-liberal construída sobre o assassinato de 30 000 chilenos, e o de 2001 que agora parece ter o monopólio da data.
Dos Once de Septiembre en una vida explora ideas y sentimientos de ex presos políticos y exiliados chilenos de la dictadura de Pinochet que ahora viven en San Francisco, California. Ellos analizan las tragedias del 11 de septiembre de 1973 en Chile y del 11 de Septiembre del 2001 en Estados Unidos y la intervención del gobierno estadounidense en ambos hechos.
Governo vende identificação dos portugueses a potência estrangeira
E vende barato: em troca de um sorriso.
“Em Junho de 2009, Janet Napolitano, secretária do Departamento de Segurança Interna norte-americano esteve em Portugal e firmou o acordo com os ministérios da Administração Interna e da Justiça.”
“Os Estados Unidos (EUA) querem ter acesso a bases de dados biométricas e biográficas dos portugueses que constam no Arquivo de Identificação Civil e Criminal. O FBI, com a justificação da luta contra o terrorismo, quer também aceder à ainda limitada base de dados de ADN de Portugal” in DN
Sendo de esperar que o acordo seja aprovado no parlamento, teremos então os nossos BI´s numa base de dados onde serão cruzado com o sistema Echelon, permitindo-lhes saber tudo o que queiram, de quem queiram.
Pode ser que assim descubram como Bin Laden se retirou para uma simpática aldeia beirã, e se dedica agora à produção de maças bravo esmolfe. O potencial terrorista de uma maça brava não é em caso algum de descurar.
Wikileaks, pois pois, brincadeiras de crianças.
Wikileaks: EUA agradecem a Sócrates a utilização da Base das Lajes para repatriar os presos de Guantanamo
La Embajada de EE UU describe a Sócrates como un político “carismático”, un “eficaz pragmatista” y un líder “tozudo”, que se “resiste a tomar medidas que parezcan una cesión a la presión de la opinión pública”. Los diplomáticos agradecen a Sócrates haber “permitido a EE UU usar la base de Lajes en las Azores para repatriar a detenidos de Guantánamo”, “una decisión difícil que nunca se hizo pública”, señala un despacho de septiembre de 2007.
Para quem não percebe espanhol: os Estados Unidos agradecem a José Sócrates por ter permitido utilizar a Base das Lajes para repatriar os presos de Guantanamo. Algo que até hoje nunca tinha sido tornado público.
Ainda não é desta que se demite?
Hoje há wikileaks, pânico nas embaixadas
Hoje à noite deverá ter início mais uma operação Wikileaks: 250 000 memorandos da diplomacia dos Estados Unidos, de e para as suas embaixadas.
Hillary Clinton contactou pessoalmente diversos governos (pelo menos a Inglaterra, Israel, Austrália, Noruega, China, Dinamarca e Canadá) numa tentativa de antecipar e minimizar os prejuízos, que podem ultrapassar em muito as denúncias passadas de crimes de guerra no Iraque e Afeganistão. Sendo a diplomacia a arte da hipocrisia em todo o seu esplendor, promete.
Em Portugal, país que esteve ameaçado de invasão americana em 1975, ficaremos talvez a saber o que o império pensa realmente de nós. Desconfio que vai ter piada.
EUA, uma máquina de morte mais produtiva do que o Irão

Larry Wooten, negro, sem família, foi assassinado ontem pelo Estado do Texas pelo homicídio de dois octogenários, que matou para roubar 600 dólares. Sem advogado e sem que houvesse nada que o ligasse ao crime até ao momento, recusou o acordo de prisão perpétua porque lhe esconderam provas de ADN que só apareceram nas vésperas do julgamento. A morte durou 9 minutos.
É o 17.º assassinado em 2010.
E sejamos claros: morreu por ser pobre e morreu por ser preto.
E a Cância, desta vez não se importa? Não, claro que não. Porque é preto, não é mulher e não é iraniano.
Teresa Lewis é a 5ª executada nos últimos 14 dias nos Estados Unidos



Calendário das execuções nos EUA até ao fim do ano
Teresa Lewis foi executada ontem na Virginia. Com um QI baixíssimo, muito próximo do retardamento intelectual, dependente de drogas, viu os dois homens que a seu mando mataram o marido serem punidos com prisão perpétua, apesar de ter sido ela a conduzir a Polícia aos autores materiais do crime. Ficou provado que estava drogada na altura do crime e que não foi ela que o planeou.
Para Teresa Lewis, a primeira mulher a ser condenada naquele Estado desde 1912 e a quinta vítima da pena de morte nos Estados Unidos nos últimos 14 dias, não houve manifestações nem hipócritas vozes de protesto, que deviam corar de vergonha de cada vez que abrissem a boca para falar de Sakineh (cale-se de vez, pode ser?)
Entretanto, nos Estados Unidos, estão marcadas mais 10 execuções até ao dia 7 de Dezembro. A partir daí as execuções são interrompidas. Para as férias de Natal.
A pena de morte nos Estados Unidos e a hipocrisia da Manifestação contra a Lapidação

Holly Wood, negro, com uma idade mental de 8 anos, defendido por advogado oficioso com 4 meses de experiência, vai ser executado na próxima quinta-feira, 2 de Setembro, no Alabama, em resultado de um julgamento de homicídio que durou uma hora.
Cal Brown, doente bipolar, vai ser executado por homicídio no dia 10 de Setembro em Washigton ao fim de 15 anos sem execuções no Estado, em resultado de um julgamento constituído por um júri do qual foram convenientemente eliminados todos os jurados que se manifestaram contra a pena de morte.
Kevin Keith, negro, vai ser executado no dia 15 de Setembro no Ohio. Não foi identificado pelas principais testemunhas do alegado crime de homicídio, tinha um alibi consistente e não se verificou no local qualquer correspondência a nível de sangue e impressões digitais. Foi defendido por um advogado que não estava certificado para julgamentos de pena capital e julgado por um juri constituído por jurados que receberam ameaças por telefone, que discutiram o caso fora do Tribunal e que foram conduzidos ao Banco durante a deliberação.
Gregory Wilson vai ser executado no dia 16 de Setembro no Kentucky. Negro, não teve advogado de defesa durante a parte final do julgamento, sendo que na parte inicial teve de recorrer a um advogado voluntário. O outro réu que foi julgado com ele mantinha um caso amoroso com um juiz e acusou-o para ser punido com prisão perpétua. Neste momento, não se sabe se a última dose da injecção letal será eficaz, visto que o seu prazo de validade está a terminar.
No dia 23 de Setembro, Teresa Lewis vai ser executada na Virginia. Com um QI baixíssimo, muito próximo do retardamento intelectual, dependente de drogas, viu os dois homens que a seu mando mataram o marido serem punidos com prisão perpétua, apesar de ter sido ela a conduzir a Polícia aos autores materiais do crime. Ficou provado que estava drogada na altura do crime e que não foi ela que o planeou.
No dia 6 de Outubro, Michael Benge vai ser executado no Ohio. Para além da acusação de homicídio, foi-lhe acrescentada uma outra que permitiu a condenação à morte, o roubo do cartão Multibanco da vítima. Durante o julgamento, os jurados receberam instruções ilegais que os impediram de ouvir a defesa do réu, a principal testemunha negociou com o Ministério Público. Registaram-se 16 erros nos procedimentos em Tribunal.
Gayland Bradford, negro, vai ser executado no Texas no dia 14 de Outubro por homicídio de um guarda durante um assalto. Foi acusado através de uma chamada telefónica para um programa de televisão. 3 testemunhas disseram que não fora ele o autor do homicídio, a arma do crime tinha impressões digitais que não eram as suas. Em julgamento, foi defendido por um advogado oficioso sem qualquer experiência. Retardado intelectualmente, tem um QI de 68. [Read more…]
Pena de morte por enforcamento e injecção letal pode ser – por lapidação é que não!

Há neste momento 19 americanos com execução marcada para o que falta de 2010, fora todos os outros que se mantêm há anos no corredor da morte. Nos Estados Unidos, a injecção letal é o método mais comum, mas a electrocussão, a câmaras de gás, o enforcamento e o fuzilamento também são permitidos.
A morte por lapidação é abjecta… como são todas as outras formas de matar. Um Estado não tem o direito de tirar a vida, seja a quem for. A manifestação de hoje é muito, mas muito redutora.









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