Chorar

faz bem! Claro!

pedófilos, serão os romanos apenas?

uma criança martirizada pelos seus adultos

A pedofilia não é prática exclusiva dos sacerdotes romanos de Boston…nem dos do Norte de Portugal…nem dos Bispos de Roma. É uma actividade generalizada de tempo imemorial. Em maus lençóis anda metida a fé dos católicos, com um Ratzinger ou Bento XVI, a não saber o que fazer! Adultos, guardai-vos dos vossos contemporâneos simpáticos…!

Romanos, conforme os Cânones 1, 2 e 8 do Código de Direito Canónico de 1983, são todos aqueles que dizem pertencer à Sé Apostólica ou Igreja chefiada pelo Bispo de Roma ou Romano Pontífice, definido pelo Cânon 330 do mesmo Código.

Ele, como todos os Sacerdotes ou pastores de almas, de acordo com o Cânon 542, estão obrigados à castidade, definida pelos artigos 915, 1632, 2053, 2337 e seguintes e 2374 e seguintes, do Catecismo da Igreja Católica, promulgado em 1992 por Karol Wojtila ou Joannes Paulus Secundus, Servo dos Servos de Deus. Infante é

[Read more…]

as culturas da cultura: infantil, adulto, erudito (II parte)

continuação daqui

a cultura do adulta

adulto a se habilitar para a corrida pela vida

2ª Parte excerto um livro meu: O imaginário das crianças. Os silêncios da cultura oral

1ª e 2ª edição, Fim de Século. Uso o texto de 2ª edição, 2007

A cultura do adulto

Tal como a infância, parece-me que a vida adulta não tem idade. É verdade que há textos legais que definem capacidades, com base na cronologia; contudo, o convívio que tenho mantido com tanto ser humano ao longo da vida, nas minhas diferentes idades e em continentes diversos, assim como em trabalhos de campo diversificados e prolongados, tem-me feito pensar que a cronologia está correlacionada com uma multiplicidade de factores.

Um deles parece ser o lugar social que se ocupa: quem define o que deve ser feito e quem obedece com o seu desejo de aceitar.

Um outro factor diz respeito ao maior ou menor envolvimento e entendimento que uma pessoa tem dos valores aceites pelos indivíduos de um grupo, classe, país ou Estado. Outro ainda diz respeito à passagem do tempo histórico que, em correlação com a tecnologia, vai acumulando experiência social que constrói uma memória. A lembrança de pessoas que convivem é heterogénea, porque foram criadas em épocas diversas, ainda que necessariamente próximas. Dessa lembrança nascem a capacidade de entender contextos e a aceitação de aspectos da vida de que gostamos e que nos desagradam, assim como se desenvolvem alianças estratégicas e associações.

O ser humano, como tenho observado, é mutável, porque é resultado da história. E a ideia que temos do adulto é apenas um paradigma, uma definição, uma expectativa: o seu comportamento varia conforme os objectivos individuais e sociais. Quer nos bairros quer nas aldeias e etnias que estudei, os mitos definem expectativas e comportamentos, aparentemente hegemónicos, definindo objectivos comuns, coincidam ou não com o objectivo da construção de cada um através da sua vida. Um outro factor é, ainda, aquilo em que se acredita e o futuro que se espera alcançar.

[Read more…]

desesperos de criança e de adulto maior

a alma dos desesperados...

O leitor pode pensar que não existe comparação entre um grupo de crianças e um de idosos. Contudo, o meu trabalho de campo tem-me demonstrado que as emoções são muito semelhantes: o desespero existe nos dos dois extremos do processo da vida. O primeiro facto a tratar, é procurar a forma de canalizar essa emoção quer para idosos, quer para o futuro adulto.

A velhice e a doença que normalmente a acompanha, faz do adulto sujeito de mimos, como se de um bebé se tratasse. Esse idoso que, um dia, não conseguirá falar ou movimentar o seu corpo. Os seus pares de geração ou de gerações próximas perdem a paciência devido à lentidão dos movimentos, das palavras que faltam, dos esquecimentos. E, como se de um bebé se tratasse, vão falando com palavras parvas, no intuito de ajudar. Uma senhora que lia e conduzia o seu carro, apesar dos seus 85 anos, sem óculos e sem problemas de orientação, até que um mês depois, vítima de um aneurisma, fica imobilizada, logo, lenta e envergonhada numa procura desesperada das memórias que o derrame cerebral tinha lavado, como um rio. Uma amiga próxima da sua geração, ao pretender estimular esse rio, nublou com adivinhas de nomes e sítios, essa memória perdida e, conjunturalmente, enervada ao perceber que não consegue agir, como esperado. E, na sua boa intenção, a amiga insiste: coitadinha, claro que sabes, vá lá, diz… Num acesso de fúria mal contida, intervenho e digo com arrogância: Não era melhor dar a pista com uma palavra para ela continuar a frase… Frase a minha que não é ouvida porque os adultos sadios entendem que adulto maior e doente precisa de…compaixão,  como refiro no texto, A criança velha, publicado neste sítio de ensaios académicos. O meu apoio à criança velha mas consciente da sua situação, ajuda-a encontrar as palavras costumeiras, com calma, e diz: Bom, foi um prazer, vou andando, e a conversa acaba. Mas, a senhora compassiva, porque é assim que tem sido ensinada, começa com festinhas na cabeça desse adulto maior, beijinhos nas bochechas e

[Read more…]

In limine

(desenho de Manel Cruz)

 Pelos caminhos de prantos e sorrisos, dentro de um tempo farto de horas sem minutos, a vida vai colhendo flores que murcham, por não serem simples flores ou flores simples, sem exigências de estufa ou jardim, flores de terra húmida, céu por cima e sol de permeio.

 Em tudo o que me é vida interfere a vergonha de ser adulto. Descortino as janelas que me disseram haver dentro dos homens e só vejo muralhas. Nada de crianças. Os homens comeram as crianças, os homens comeram-se crianças, os homens pariram-se adultos.

 Os pongídeos chegaram a homens. Quinze milhões de anos para o homem ser bicho. Bicho erecto. Rastejo de púrpura.

 Eu nasci na erva e dormi no feno, e acordei com a voz dos melros e rouxinóis e saltitei com os pardais. Vesti-me de sol e despi-me de luar. Estreei o mundo no abraço das árvores e no beijo dos rios. Meus olhos dormidos casavam a noite e o dia no mesmo silêncio de sonho-menino. A vida viveu em mim crescendo todos os tamanhos e medindo todos os céus. Também eu fui criança e matei em mim a criança que procuro, ao pensar que eram de amor as mãos que a mataram.

 Passei a vida a correr tropeçando nas sombras. Arrumei ao canto da luz mil horas vazias, sangradas a curricular futuros para ser gente na praça dos homens. Pisei os passos pequeninos nos avessos da verdade e palmilhei léguas vagarosas a tossir poeira.

 Vestido de ausências fui renascendo de amor pela vida fora, nos infinitos da fantasia que outros foram lentamente matando com fruído prazer.