II- Religião, Economia e Manifesto Comunista. As pretensões da família Marx

O que os trabalhadores mereciam, e poderiam obter se acordassem de sua sonolência, era o controlo de seu próprio trabalho, a posse do valor que geravam com esse trabalho e, consequentemente, auto estima, liberdade e poder. Pretendia que os trabalhadores passarem a possuir o produto do seu trabalho, acabar com a alienação.

Quem pensa a obra, fica com a ideia; quem empresta por salário a sua força de trabalho, é alienado. Esta palavra tem várias acepções. Uma, é a usada na teoria da psicanálise e refere normalmente à pessoa incapacitada de pensar por si própria sobre a realidade ou incapacitada de entender a realidade como a maior parte do seu grupo social a entende e usa. Freud, alienação é ao simbólico, ao imaginário não elaborado, não trabalhado Talvez toda a questão da satisfação narcísica na relação narcísica e na analítica estaria em torno do grau de independência ou de alienação em relação ao investimento que retorna do outro em direcção a eu.  Toda essa questão é determinada pelos factores intensidade e fixidez: tanto menos alienado será aquele que estiver menos condicionado ao desejo do outro.   O aprisionamento nesse olhar torna-se um problema que pode levar o eu às últimas consequências para tornar-se o suposto ideal aos olhos de outrem.[1].

Mas há mais para dizer sobre alienação. A mais importante, é corrigir esse engano de que Marx teria escrito sobre alienação nos seus manuscritos filosóficos de 1844 e nas Grundisse de 1857-1858. Ratzinger[2], que, de certeza nunca tinha lido nem estudado Karl Marx e o seu contexto histórico, como refiro na Introdução de esta obra, soube ir ao sítio certo: A Filosofia Alemã[3] de 1844, aparecida para o público apenas em 1932, essa obra tão importante do nosso filósofo materialista, que tem sido muito ignorada, excepto pelos estudiosos de Marx e os seus biógrafos. A alienação, da forma definida por Marx e Engels e aceite por Ratzinger, refere à pilhagem que fazem os proprietários do capital sobre o proletariado. É o que todos entendemos, vemos e analisamos, como faz Bento XVI ao reparar que o povo vive na miséria pela mais-valia que produz e que é apropriada pelos donos dos meios de produção, que, em forma de salário, devolvem umas mínima parte dos bens que fazem dos ricos, pessoas ainda mais poderosas. Tanto, que até se apropriam do poder e deslocam aos outros que fazem a obra, a uma miséria de salário, sobre a que devem pensar muito antes de gastar um cêntimo. Ou, como dizem Marx e Engels e redige Jenny, devem por a trabalhar a família toda para juntar uma certa super vivência, definida no Manifesto Comunista e no Tomo I do texto O Capital. Alienar é retirar a capacidade de trabalho artesão ao operariado, colocando ao trabalhador em vias de ficar espoliado da sua obra (o meu itálico). O proprietário do capital recebe lucro, o trabalhador, apenas o arroubamento do espírito, o que o coloca na perigosa situação de deixar de ser capaz de criar, inventar, viver com o espírito alto, porque a sua obra é tão boa, que o burguês poderoso ilude ao trabalhador ao lhe retirar a sua criação.[4]

Como consequência de todo o debate anterior, parece-me que esta pergunta tem todo cabimento: dos trabalhadores, quem se importa? Até esta alinha deste capítulo, tenho debatido a cultura dos doutores sobre a economia. Seriam os trabalhadores o objectivo da família Marx? Digo família[5], porque não era apenas, nessa altura da vida, como foi narrado em capítulos anteriores, apenas Karl Heinrich quem lutara pelo operariado. O seu genro Paul Lafarge, historiador e marido de Laura Marx, bem como Laura, Charles Longuet que ia a casar com Eleanor, matrimónio proibido por causa de ser Longuet um historiador anarquista, acabou por ficar dentro da família, ao casar com a filha mais nova, como narro no Capítulo 2, Jennifer Caroline. De todos eles, Eleanor era a mais combativa pela causa dos trabalhadores. Foi uma espécie de filho que Marx e Jenny nuca tiveram e a secretária especial de Karl Heinrich. Todo o que o pai não podia realizar, era feito por ela. Era a família Marx a que lutava em prol dos proletários. Como já sabemos, Eleanor, após secretariar ao seu pão, teve o seu próprio sítio na história do movimento dos trabalhadores[6]

Para atingir esse fim, Marx tomou duas atitudes. A primeira, foi criar o Comité de Correspondência de Bruxelas (1846). A sua função era divulgar as novas ideias sobre o comunismo[7]. Aos vinte e oito anos, Marx concluiu que o proletariado necessitava de um partido. Todavia, essa organização deveria estar precedida da ampla divulgação das ideias do comunismo. Através do Comité, manteve polémicas com vários pensadores contemporâneos. A com Proudhon[8] foi uma das mais famosas. Lances desse debate podem ser encontrados nas cartas de Marx a Paul Amenkov[9]. O Comité combinava à questão teórica com duas metas principais: liquidar o espírito sectário e dogmático e desembaraçar o movimento operário das limitações nacionais.

A estratégia inaugurada por Marx teve prosseguimento com Engels. Em Agosto de 1846, ele fundou o Comité de Correspondência em Paris. Nas suas palavras, Marx constatou os enormes obstáculos que as doutrinas socialistas utópicas constituíam para a união das forças proletárias de vanguarda. Impediam a superação das divergências ideológicas. Em geral, defendiam o comunismo adocicado, baseado no amor, o comunismo cristão e o comunismo igualitário francês, de carácter primitivo[10].

     Como consequência, iniciou uma segunda actividade: clamar pela abolição da religião como felicidade ilusória do povo. Ele queria que eles buscassem a felicidade real, que na filosofia materialista de Marx era a liberdade e a realização neste mundo. Ricos e Poderosos não iriam entregar a felicidade real de graça, as massas teriam de tomá-lo. É desta diferença que nasce o conceito de luta de classe e revolução.[11] Caracterizar a religião como uma droga que anestesia a dor, por mais chocante que seja para muitos no dia de hoje, era ainda mais radical durante o tempo de vida de Marx, esse ético vitoriano Século XIX.

Mas, atenção! Marx não quer condenar a religião como profissão de fé, bem ao contrário, a respeita, os seus apoiantes eram pessoas de prática religiosa, os seus próprios professores antes referidos, o eram também, especialmente pelas suas vidas terem transcorrido ao longo de vida do denominado baluarte ético da época, a era vitoriana[12]. O que Marx criticava era a condição de uma sociedade a orientar as pessoas para ideias que entorpeciam às próprias: pensava-se mais no acto de fé que nas opções que a vida proporcionava. De facto, na época da Revolução Industrial, não havia alternativas de pensamento, por não existir alternativas de investimento: ou se tinham bens para investir, ou nada havia do outro lado. A família Marx lutava pela existência social de uma igualdade económica, donde, de classes, que não conseguiam dinamizar. A luta era entre os que tinham e os que nada tinham ou luta de classes[13], a burguesia proprietária era forte demais e tinha muitos meios de produção para investir de forma alternativa, ou não. Se olharmos a realidade como cristãos, éramos capazes de entender a luta pelas opções empreendida por Marx e os trabalhadores. Mais uma vez, é preciso ler o já citado Sermão do Monte, para entender a procura de justiça da família Marx e do operariado que o apoiava. De qualquer modo, a partir daí, não paramos de ouvir as críticas aos comunistas sem Deus, implicando que o pensamento marxista não tem valores nem moralidade.

Facto que não parece ser real, por dois motivos: o texto do Manifesto Comunista; e porque Marx era luterano. O seu ideal era libertar ao povo de todo tipo de opressão. O texto não é contra a religião nem a debate. O texto é contra o pensamento burguês que, de revolucionário no Século XVII, tinha passado a ser opressor do povo. Karl Marx, era em princípio simpatizante dessa estratégia de ataque à Cristandade para sabotar o estabelecimento da Prússia, mas mais tarde formou ideias divergentes e rompeu com os Jovens Hegelianos. A conclusão de Marx é que religião não é a base do poder de estabelecimento: a base que justifica a posse do capital – terras, dinheiro, e os meios de produção – que está situado no coração do poder estabelecido. Marx entendeu a religião como uma cortina espessa de fumo para obscurecer essa verdadeira base de poder. Na vida real e quotidiana, certamente era um amparo vital para o oprimido proletariado – o ópio do povo, o único conforto deles numa vida na qual ele não estaria disposto a abandonar.

O texto redigido por Jenny Marx, começa a análise das condições históricas da revolução europeia, com estas palavras: Um espectro ronda a Europa – o espectro do comunismo. Todas as potências da velha Europa unem-se numa Santa Aliança para conjurá-lo: o papa e o czar, Metternich[14] e Guizot[15], os radicais da França e os policiais da Alemanha. Que partido de oposição não foi acusado de comunista por seus adversários no poder? Que partido de oposição, por sua vez, não lançou a seus adversários de direita ou de esquerda a pecha infamante de comunista?

Duas conclusões decorrem desses factos:

1a. O comunismo já é reconhecido como força por todas as potências da Europa;

2.a. É tempo de os comunistas exporem, à face ao mundo inteiro, seu modo de ver, seus fins e suas tendências, opondo um manifesto do próprio partido à lenda do espectro do comunismo.”[16] Marx e Engels são conscientes de ser o seu objectivo uma facto que aterroriza a burguesia e aos proprietários do capital. O Manifesto é um documento histórico que argumenta sobre a substituição de antigas religiões por novas formas de fé, do nascimento do proletariado ao acabar o feudalismo e se segurar o domínio de outro grupo, o da burguesia, em tempos, revolucionária. Burguesia que tinha organizado um alçamento contra a aristocracia ou proprietários feudais de terras que rendiam, sem ser trabalhadas por eles. A base era o contrato de enfiteuse.[17] Operavam sobre os terrenos trabalhadores rurais ou foreiros, ou pessoas sujeitas ao proprietário das terras, que deviam pagar foro ou pensão anual que o enfiteuta paga ao senhorio directo. Enfiteuta ou pessoa que tem o domínio útil do prédio por enfiteuse ou convenção pela qual o dono de um prédio transfere para outrem o seu domínio útil em troca de um foro. O domínio da terra tinha quatro direitos em tempos do feudalismo e nos sítios onde ainda hoje, impera a enfiteuse, como na Beira Alta, em Portugal, o Sul da França, terras ao pé da Cordilheira dos Andes, especialmente o sítio que estudo, as Comunas da Pencahue, Corinto e Chanco[18]: útil ou usufruto, directo ou propriedade, direito de uso e, o mais importante para o proprietário privado e directo da terra, o direito de raiz, direito que define a vinculação de propriedade privada da terra entregue em enfiteuse ou usufruto[19]. O direito de raiz era o mais cobiçado pela burguesia. A terra era entregue a habitantes rurais que as trabalhavam como se forem deles, até o ponto da poder herdar por várias gerações. São trabalhadores denominados também caseiros ou rendeiros, depende da parte do mundo em que os trabalhos rurais sejam exercidos. O que é certo e de direito legislado pelo Código Civil, é o dever de entregar a metade do fruto da terra ao proprietário directo da terra o do direito de raiz, como tenho definido em vários livros meus[20]. Esta convenção entre o proprietário do direito de raiz e o usufrutuário ou quem goza de usufruto, era um problema económico histórico que preocupava a Marx, a Engels e a Liga Comunista. Para tratar deste e de outros assuntos, reuniram-se em Londres comunistas de várias nacionalidades para esboçar um manifesto para a sua defesa. Texto que fora publicado em inglês, francês, alemão, italiano, flamengo e dinamarquês.[21]

Marx, o ideólogo do Manifesto, refere o conceito religião em frases curtas ao longo de tudo o texto. O objectivo era só referir as mudanças que experimentam as crenças ao longo do tempo. Engels referiu apenas dos princípios básicos do comunismo e as suas consequências, assim: O trabalho industrial moderno, a sujeição do operário pelo capital, tanto na Inglaterra como na França, na América como na Alemanha, despoja o proletário de todo carácter nacional. As leis, a moral, a religião são para ele meros preconceitos burgueses, trás dos quais se ocultam outros tantos interesses burgueses[22]. Para provar o que ele já sabia, faz a acrescentar à redactora Jenny, estas palavras: Quanto às acusações feitas aos comunistas em nome da religião, da filosofia e da ideologia em geral, não merecem um exame aprofundado[23]. Penso eu que Marx se engana em este o seu comentário. As acusações da burguesia eram tão fortes e de tanta falácia, que quer o Partido Comunista[24] e a Liga Comunista precisaram permanecer sempre na clandestinidade. O nome dos autores do Manifesto Comunista, era desconhecido pelo mundo todo, ainda mais, pelos membros da Liga. Apenas poucos bovesianos de Marselha, membros da instituição, os que tinham solicitado a redacção de um Manifesto para honrar a Babeuf, conheciam a autoria. Essas 21 páginas foram publicadas como panfleto, por outras palavras, um  folheto escrito em estilo violento, ou obra impressa de carácter não periódico, com mais de quatro e menos de 48 páginas, sem contar com as da capa. O segredo da autoria, derivava da perseguição que a burguesia, que tinha dado cabo das suas ideias de revluçao, fazia dos radicais revolucionários, quer do Partido Comunista organizado por Marx ou da Liga dos Comunistas, derivada dos princípios de Babeuf. Não apenas era real a ameaça de retirar dos seus postos de trabalho aos membros da Liga ou de qualquer comunista, tal o seu medo de perder os sinecurismos[25] ou prebendas adquiridas no seu triunfo na Revolução Francesa, bem como os matava o encarcerava. Foi a etapa mais dura para os socialistas durante a sua história. A burguesia tinha criado, organizado e investido nas indústrias[26], eram proprietários de meios de produção que rendiam alto lucro. Controlava a circulação da moeda, ou a cunhagem da mesma, emprestava dinheiro com juros muito altos a aristocracia empobrecida, e apropriavam-se dos bens dessa classe que ia derrubando-se, comprando até os seus títulos nobiliários para saldar contas. Duvido que a burguesia tenha sido revolucionária, Uma grande dúvida fica em mim, uma grande dúvida aparece no meu pensamento: a referida frase do Príncipe Tomasi di Lampedusa: Para nos salvar, é preciso nós apoiar entrelaçando mãos e interesses, ou eles nos submeterão à República. Para que as coisas permaneçam iguais, é preciso que tudo mude[27]

 A luta de Marx contra a burguesia e a sua apropriação da mais-valia dos trabalhadores o fez confrontar um cientista que ele admirava e de quem tinha aprendido muito de teoria económica: o seu mestre por meio dos livros, François Quesnay, quem defendera a burguesia de modo implacável. No seu livro de 1758 – há um engano na Wikipédia, diz que o texto tinha sido publicado em 1778, quatro anos após a sua morte – livro que divide as actividades da forma que sintetizo em nota de rodapé[28]

Será preciso grande perspicácia para compreender que as ideias, as noções e as concepções, numa palavra, que a consciência do homem se modifica com toda mudança sobrevinda em suas condições de vida, em suas relações sociais, em sua existência social?[29] Esta frase dos ideólogos do Manifesto é praticamente uma psicanálise – de psicologia e de psicanálise. Marx sabia e entendia, demonstrado em outros textos dele, especialmente em A Crítica a Filosofia do Direito de Hegel de 1843 e em A Ideologia Alemã de 1846, ao falar de alienação[30] de bens retirados ao produtor e pagos pelo mais baixo valor que rende a sua produção, facto que transtorna as relações sociais, como é comentado no começo do Manifesto – é uma ironia para a burguesia não revolucionaria reparar que deve mudar porque o mundo não fica sempre igual. Existe a cronologia histórica, as invenções, as novas formas de pensar que, na época de Marx iam mudando com tanta rapidez, que estes intelectuais nascem e morrem na época das revoluções. Eles próprios, pessoas revoltadas contra o comportamento da forma de extrair mais-valia dos trabalhadores, com o modo de produção capitalista, definem essa História e a sua cronologia, da maneira seguinte: As relações de produção determinam todas as outras relações que existem entre os homens na sua vida social. As relações de produção são determinadas, elas próprias, pelo estado das forças produtivas… Esta parte do texto, a mim, o escritor, faz-me perguntar: o quê é forças produtivas? A resposta é dada por eles próprios, dentro do Manifesto:

Como todos os animais, o homem é obrigado a lutar pela sua existência. Toda luta supõe um certo desgaste de forças. O estado das forças determina o resultado da luta. Entre os animais, estas forças dependem da própria estrutura do organismo: as forças de um cavalo selvagem são bem diferentes das de um leão, e a razão desta diferença reside na diversidade da organização. A organização física do homem tem naturalmente influência decisiva sobre sua maneira de lutar pela existência e sobre os resultados desta luta. Assim como, por exemplo, o homem é provido de mãos. Certo é que seus vizinhos, os quadrúmanos (os macacos) também têm mãos; mas as mãos dos quadrúmanos são menos perfeitamente adaptadas a diversos trabalhos. A mão é o primeiro instrumento de que se vale o homem na luta pela sua existência, como ensinou Darwin.[31]

É uma frase crítica para os que já todos tinham e queriam passar a ser parte do estabelecimento, e governar os seus países conforme a sua conveniência: Quando o mundo antigo declinava, as velhas religiões foram vencidas pela religião cristã; quando, no século XVIII, as ideias cristãs cederam lugar às ideias racionalistas, a sociedade feudal travava sua batalha decisiva contra a burguesia então revolucionária. As ideias de liberdade religiosa e de liberdade de consciência não fizeram mais que proclamar o império da livre concorrência no domínio do conhecimento.[32] Ideias do saber histórico e antropológico de Marx, aprendidas no Ginásio e na Universidade, especialmente enquanto era aderente as ideiam do religioso Hegel. Este parágrafo merece dois comentários. Um, sobre o que aprendeu de Quesnay. Outro, sobre a sua ideia de religião. Ele vivia na Prússia, onde o luteranismo era parte da política do Governo: endémico e centralizador. Foi ai onde começou o problema com as pessoas da confissão hebreia ou A Questão Judaica[33], pela que Marx se interessara e escrevera um artículo no seu jornal Deutsch-Französische Jahrbücher. O texto era um comentário a dois ensaios que Bruno Bauer[34] tinha escrito sobre as más formas em que eram tratados os judeus na Prússia e nos Estados Alemães. Reclamava que para viver em paz judeus e cristãos, uma questão devia ser suprimida: a religião. No seu tom irónico, Marx responde que num Estado absolutista e confessional como era a Prússia, essa emancipação era impossível e que o que devia ser feito era emancipar os Estados Alemães do centralismo absolutista que imperava. Era impossível separar as religiões, especialmente as mais antigas, como a judaica, que tinha sido absorvida pelos cristãos. “A forma mais rígida de oposição entre o Judeu e o Cristão, é a contradição religiosa. Como se cria essa oposição à religião? Fazendo-a impossível. Como se faz impossível uma contradição religiosa? Neutralizando-a. Mal reconheçam Judeus e Cristãos que as suas respectivas religiões são apenas diferentes estágios da evolução da mente humana, diferentes viscosidades de serpente organizadas pela história, e que o homem é a serpente que as criou. As relações entre Judeus e Cristãos já não são mais uma questão religiosa, são apenas uma etapa crítica da história, da ciência e das relações humanas. Porém, a ciência sabe organizar a sua unidade[35]”. Note-se como o autor não fala contra a religião. Faz, isso sim, uma análise sócio-histórica da utilidade das ideias religiosas, que com o tempo, as circunstâncias, a ambição, mudam. O autor não critica a mudança, faz um comentário da sua utilidade para determinados seres humanos que lucram com o trabalho de outros que recebem deles salários pelo trabalho que rende lucro. Era o saber de Marx utilizado no Manifesto, que diz que as religiões antigas são absorvidas pelas novas. Sabido é e provado está, que a hebraica começara a existir milhares de anos antes de, parte dela, passar a ser cristianismo, estrutura organizada faz apenas dois mil anos de atribulada existência, que Marx não menciona. O autor é historiador social e não teólogo. Sabia de teologia, mas encontrou uma teoria melhor, a do materialismo histórico. No entanto, foi a atribulada confissão que aplicara para a sua análise da vida social….[36]

 A segunda questão já anunciada, sobre a influência de Quesnay sobre a obra de Marx. É evidente que esta é uma ideia retirada do que aprendera das suas leituras das obras de François Quesnay, quem fomentava no mercantilismo, é dizer, na concorrência livre para a carestia da vida. Não é possível, no entanto, esquecer que Marx aprendeu de Quesnay o tratamento da terra e de como devia ser usada: pelo proprietário, caso houver – caso houver, o ideal dos princípios do comunismo, era acabar com a propriedade privada. Quesnay teimava que a terra devia ser trabalhada no tempo que a natureza floria. Nos seus textos para a Enciclopédia[37] de Diderot e D’Alambert, Métayer[38] ou Rendeiros em português (1756/7) e Les Moissons ou Cereais em português (1757), os que mais impressionam a Marx. O primeiro, por narrar com minúcia as suas formas de vida e de trabalho, criticando Quesnay aos Rendeiros ou, como se diz em Portugal, Caseiros ou Contrato a Medias, que semeavam ou permitiam a reprodução, dos animais, especialmente vacas e vitelos, quando acontecer. Quesnay deu-se não apenas o trabalho de aplicar o seu saber fisiológico dos seres humanos aos animais, bem como nas suas terras e onde quer que for requerido, ensinar que há estações. Quer em Rendeiros, quer em Cereais, Quesnay divide o trabalho por estações do ano. O que encantou ao nosso intelectual. Bem como passou a ser um fiel seguidor das ideias do Quadro Económico sobre a esterilidade do Comércio e da Indústria, que analisara no seu livro O Capital, mas usando um outro conteúdo, esse de não partilhar o lucro de indústria com os produtores. Como os rendeiros, recebiam uma mísera parte dos produtos, sendo para os trabalhadores um mísero salário, comparado ao lucro do proprietário da usina ou estabelecimento industrial que emprega máquinas (fundição, serralharia, etc.) ou empresa que produz bens em série, em grandes quantidade para vender de forma ampla e não fraccionada. Críticas de Marx, retiradas do seu saber Quesnay e Smith.

Este saber, permite aos autores do Manifesto, dizer: “ … demonstra a história das ideias senão que a produção intelectual se transforma com a produção material? As ideias dominantes de uma época sempre foram as ideias da classe dominante[39] Mais um acha para a fogueira da ideologia materialista e da sua base histórica. Este ideólogo do Manifesto, mais tarde, em outra obra sua de 1876, I Volume do Capital, prova que a História não é uma sucessão de factos, mas sim o desenvolvimento material dos meios de produção. Desenvolvimento que transforma a sociedade ao ritmo da Revolução Industrial, analisada já em outras páginas de este texto. Acrescentam os autores ideológicos e ideológico-material, como Jenny, que pensava mas redigia este, como outros textos de Marx.: Sem dúvida, – dir-se-á – as ideias religiosas, morais, filosóficas, políticas, jurídicas, etc., modificaram-se no curso do desenvolvimento histórico, mas a religião, a moral, a filosofia, a política, o direito mantiveram-se sempre através dessas transformações[40]. Estas aparentes palavras difíceis de Marx, conseguem-se destrançar sem grande trabalho: são ideias que orientam o comportamento, mudam de conteúdo conforme os tempos, mas as estruturas permanecem. Os estudos de Direito de Marx e o aprendido com Georg Wilhelm Friedrich Hegel[41], presbítero luterano, filósofo formado em Direito, permitiam-lhe analisar que a organização do que esta mandado passa a ser permanente. Especialmente os seus conhecimentos do Direito Romano. Este saber permite-lhe dizer que além das estruturas, há verdades eternas, como a liberdade, a justiça, etc., que são comuns a todos os regimes sociais. Mas o comunismo quer abolir estas verdades eternas, quer abolir a religião e a moral, em lugar de lhes dar uma nova forma, e isso contradiz todo o desenvolvimento histórico anterior[42]. Mas Marx não fica calmo com apenas essas ideias. Ao início do Manifesto Comunista, define de uma vez e para sempre – digo para sempre, porque é a base dos seus comportamentos políticos e pesquisa como intelectual, esta ideia que vou citar e pela qual o marxismo tem sido sempre julgado, uma verdade que, apesar da mudança na forma de vida dos trabalhadores e os seus ingressos, mantêm-se igual – A base da sua teoria é esta: A história de todas as sociedades que existiram até nossos dias tem sido a história das lutas de classes.

Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, mestre de corporação e companheiro, numa palavra, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada; uma guerra que terminou sempre, ou por uma transformação revolucionária, da sociedade inteira, ou pela destruição das duas classes em luta[43]. As palavras de Marx e Engels são duras, mas correspondem à verdade. Desde que sabemos a história do mundo, podemos reparar que as relações são antagónicas, especialmente em relação ao trabalho. Estas ideias estão definidas no livro de Adam Smith de 1776 e nos textos também citados de François Quesnay. Eles não falam de luta de classe, mas ao estudar esses livros sob o prisma da teoria materialista, pode-se apreciar que os grupos são em pares, como tenho salientado em negrito. Um tipo de história cronológica, que narra factos conforme os anos do seu acontecimento. Outra, é a história analítica que procura factos ao longo do tempo, orientado por uma ideia, como no caso do materialismo e repara que no mundo sempre houve guerras e essas guerras eram entre os que tinham posses e os que obedeciam por nada ter. Adam Smith denomina a inclinação do ser humano para o trabalho, Quesnay fala de trabalho produtivo e improdutivo ou agricultores e industriais. Até onde eu possa lembrar, é a primeira vez no campo da análise social, em que os grupos aparecem repartidos entre opressores e oprimidos. As guerras nunca tinham sido classificadas como luta de classes, apenas como amor à Pátria, a defesa de uma Nação ou Estado, ou lutas pela independência do controlo de um Estado invasor. No entanto, eram resultado de lutas pelo poder e o lucro: luta de classes. As lutas dentro do mesmo país, tinham e são denominadas revoluções, mas, se ouvimos o alarido dessas lutas, podemos apreciar que normalmente são levantamentos do povo oprimido contra o grupo opressor ou sentido como tal. Dois exemplos, dentro da minha vida, saltam de imediato a minha memória e recordações: o alçamento das forças armadas contra um governo democrático no Chile em 1973, analisado mais em frente; e esse não poder suportar mais as perseguições, detenções injustas, apagar do saber matérias importantes para a análise social, uma guerra injusta contra povos africanos, que acabou por rebentar no que hoje denominamos o 25 de Abril, acontecido em 1974 em Portugal.

O resultado da análise do manifesto, pode-se sintetizar com frases do mesmo texto. Uma delas é cumprida e contundente e diz: A burguesia despojou da sua auréola todas as actividades até então reputadas veneráveis e encaradas com piedoso respeito. Do médico, do jurista, do sacerdote, do poeta, do sábio fez seus servidores assalariados.

A burguesia rasgou o véu de sentimentalismo que envolvia as relações de família e reduziu-as a simples relações monetárias. A burguesia revelou como a brutal manifestação de força na Idade Média, tão admirada pela reacção, encontra seu complemento natural na ociosidade mais completa. Foi a primeira a provar o que pode realizar a actividade humana: criou maravilhas maiores que as pirâmides do Egipto, os aquedutos romanos, as catedrais góticas; conduziu expedições que empanaram mesmo as antigas invasões e as Cruzadas. A burguesia só pode existir com a condição de revolucionar incessantemente os instrumentos de produção, por conseguinte, as relações de produção e, como isso, todas as relações sociais.


[1] Freud, Sigmund, (1914) 1969: Sobre o Narcisismo: Uma Introdução, Imago, Rio de Janeiro.

[2] Joseph Ratzinger, definido já na Introdução de este texto, é o Papa Católico Romano Bento XVI

[3] O poder social, quer dizer, a força produtiva multiplicada que é devida à cooperação dos diversos indivíduos, a qual é condicionada pela divisão do trabalho, não se lhes apresenta como o seu próprio poder conjugado, pois essa colaboração não é voluntária e sim natural, antes lhes surgindo como

um poder estranho, situado fora deles e do qual não conhecem nem a origem nem o fim que se propõe, que não podem dominar e que de tal forma atravessa uma série particular de fases e estádios de desenvolvimento tão independente da vontade e da marcha da humanidade que é na verdade ela quem dirige essa vontade e essa marcha da humanidade.

Esta alienação – para que a nossa posição seja compreensível para os Filósofos – só pode ser abolida mediante duas condições práticas. Para que ela se transforme num poder insuportável, quer dizer, num poder contra o qual se faça uma revolução, é necessário que tenha dado origem a uma massa de homens totalmente privada de propriedade, que se encontre simultaneamente em contradição com um mundo de riqueza e de cultura com existência real; ambas as coisas pressupõem um grande aumento da força produtiva, isto é, um estádio elevado de desenvolvimento. Por outro lado, este desenvolvimento das forças produtivas (que implica já que a existência empírica actual dos homens decorre no âmbito da história mundial e não no da vida loca]) é uma condição prática prévia indispensável, pois, sem ela, apenas se generalizará a penúria e, com a pobreza, recomeçará paralelamente a luta pelo indispensável e cair fatalmente na imundície anterior. Página 20 de obra em linha, página 170 da obra em formato de papel, David McLellan, Clarendon Press, Oxford. O texto em linha, pode ser lido em:  http://www.pcb.org.br/textos/A%20Ideologia%20Alem%C3%A3.pdf

[4] A palavra alienação tem várias definições: cessão de bens, transferência de domínio de algo, perturbação mental, na qual se regista uma anulação da personalidade individual, arrombamento de espírito, loucura. A partir desses significados traçam algumas directrizes para melhor analisar o que é a alienação, e assim buscar alguns motivos por quais as pessoas se alienam. Ainda assim, os processos alienantes da vida humana foram tratados de maneira atemporal, defraudada, abstraído de processos sócio – económico concreto.

A alienação trata-se do mistério de ser ou não ser, pois uma pessoa alienada carece de si mesmo, tornando-se na sua própria negação.

Alienação se refere à diminuição da capacidade dos indivíduos em pensar em agir por si próprio.

A sobrevivência do homem implica uma transformação da natureza e do outro à sua imagem e semelhança, o que impõe uma transformação de si mesmo à imagem e semelhança do mundo e do outro. Viver para o homem é objectivar-se, ser fora de si.

O conceito de alienação é histórico, tendo uma aplicação analítica numa ligação recíproca entre sujeito, objecto e condições concretas específicas. Logo, a história afirma que o homem evoluiu de acordo com seu trabalho. Portanto, a diferença do homem está na sua criatividade de procurar soluções para seus problemas, então com a prática do trabalho desenvolve seu raciocínio e sempre aprende uma “nova lição”. Sem trabalho, não consegue desenvolver esse raciocínio, fica mais pobre em inteligência e desenvolvimento racional. A ideia é de Marx, grande parte  do texto, é meu. Pode-se saber mais em:  http://pt.wikipedia.org/wiki/Aliena%C3%A7%C3%A3o

[5] A genealogia da família Marx, a sua composição e os seus objectivos, estão referidos no Capítulo 3 de este texto e no anexo 2.

[6] Estou ciente de reiterar a vida de Eleanor, mas tomo a liberdade de lembrar ao leitor a vida de Eleanor Marx (Londres, 16 de Janeiro, 1855 — Londres, 31 de Março, 1898) foi uma activista política e autora marxista, filha de Karl Marx e Jenny von Westphalen, a mais nova dos cinco: dois mortos na infância, três sobreviventes.

Nasceu na Inglaterra. Foi educada em sua casa por seu pai; com o passar do tempo se converteu na sua secretaria, passando logo a ser professora em um colégio de Brighton. Teve uma relação amorosa com Hipólito Lissagaray, autor da História da Comuna de 1871; sem apoio  familiar, a relação não floresceu devido ao já referido rechaço do pai.

Em 1884, uniu-se à Federação Social Democrata e foi eleita para entrar em sua executiva, empregando parte de seu tempo em dar conferências sobre socialismo. Esse mesmo ano chegaria a ser um dos fundadores da Liga Socialista (formação rival da Federação) como seu companheiro de então, Edward Aveling.

No fim da década de 1880 e na de 1890, Marx converteu-se em activista sindical, apoiando greves como a de Bryant & May e a do porto de Londres. Ajudou a organizar a Gasworkers’ Union e escreveu numerosos livros e artigos.

Traduziu diversas obras literárias, como Madame Bovary, assim como A dama do mar e Inimigo do povo, de Henrik Ibsen.

Em 1898, descobriu que Aveling havia casado secretamente com uma jovem, actriz. Propôs a ele um suicídio pactuado, mas Aveling recuou. Em troca, proporcionou-lhe a Eleanor o ácido prúsico que usou para se suicidar. Abandonou a casa. Embora tenha sido publicamente reprovada a sua atitude, não seria acusada de nenhum delito.

[7] História em: http://intervox.nce.ufrj.br/~ballin/mani.htm  , na base do texto de Luiz Carlos Tau Golin, Historiador e Jornalista, professor da Universidade de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. A fonte destes dados é seu ensaio: As condições históricas do Manifesto comunista, de 31 de Dezembro de 2008.

[8] Biografia de Jean-Pierre Proudhon e debate, estão narrados em capítulos anteriores, especialmente no Capítulo 3

[9] Qué es la sociedad, cualquiera que sea su forma? El producto de la acción recíproca de los hombres. Pueden los hombres elegir esta o aquella forma social?’Nada de eso. A un determinado nivel de desarrollo de las facultades productivas de los hombres, corresponde una determinada forma de comercio y de consumo. A determinadas fases de desarrollo de la producción, de comercio, del consumo, corresponden determinadas formas de constitución social, una determinada organizacion de la familia, de los estamentos o de las clases; en una palabra, una determinada sociedad civil. A una determinada sociedad civil, corresponde un determinado Estado político, que no es más que la expresión oficial de la sociedad civil (Carta de C. Marx a P. V. Amenkov del 28 de diciembre de 1846).Fonte:  http://www.asambleasociedadcivilcuba.info/Operacion/Propuestas/PinardelRio-UnProyectoparaCuba.htm http://www.asambleasociedadcivilcuba.info/Operacion/Propuestas/PinardelRio-UnProyectoparaCuba.htm

[10] Fonte: Golin, Tau, 2001: As condições históricas do Manifesto Comunista, que abre o seu texto com as seguintes palavras: há 150 anos, Marx escrevia o texto da viragem na luta de classes, texto que pode ser lido na página web:http://intervox.nce.ufrj.br/~ballin/mani.htm ; bem como o livro de Francis Wheen, 1999: Karl Marx: A life, editado por W.W.Norton, , Londres. Versão portuguesa de 2003: Karl Marx. Biografia, Bertrand Editora, Lisboa. Dados e excertos da versão inglesa, em: http://www.amazon.com/Karl-Marx-Life-Francis-Wheen/dp/039304923X#reader. A versão luso  portuguesa tem uma recensão, diz: a nova biografia de Francis Wheen é um trabalho informado dirigido ao grande público, que não procura apresentar Marx como um demónio nem como um deus, mas como um simples homem. Assim, éuma obra admirável, dando-nos a conhecer a vida de Marx, com as suas contrariedades do dia-a-dia, as suas manias, os seus defeitos e as suas qualidades.

Esta biografia compreende 12 capítulos, uma introdução e três apêndices, além das notas que referem as fontes, dos agradecimentos e do índice analítico. Apresenta-se redigida num estilo directo e despretensioso, por vezes até humorístico, o que ajuda o leitor mais tímido a vencer as páginas ligeiramente densas, onde algumas das ideias importantes de Marx são apresentadas e discutidas. Para quem nada sabe de Marx além de lugares-comuns, esta biografia é um bom ponto de partida. Fonte: http://criticanarede.com/html/lds_marx.html

FRANCIS WHEEN, escritor e jornalista, foi eleito Colunista do Ano, em 1997, por suas contribuições no Guardian. É autor de Karl Marx, biografia que ganhou o prémio Isaac Deutcher em 1999, e de The Soul of Indiscretion, que recebeu o Prémio Orwell de 2003. Escreveu também Como a picaretagem conquistou o mundo, lançado no Brasil. Texto de Jorge Zahar, em: http://www.zahar.com.br/catalogo_autores_detalhe.asp?aut=Francis+Wheen

[11] Texto retirado de comentários sobre o livro Crítica a Filosofia do Direito de Hegel da Folha em linha Filosofia e Ideias, inter filosofia, sem autor, texto completo em: http://www.geocities.com/Athens/4539/opiodopovo.htm. O texto tem por título: A Religião é o Ópio do Povo.

[12] Época vitoriana, período que compreende a segunda metade do século XIX e primeira década do século XX, em que os movimentos sociais populares cederam lugar a um sistema social equilibrado grandemente devido à estabilidade do Império Britânico, governado pela rainha Vitória (1819-1901). Apesar do materialismo herdado, a época foi marcada pelo retorno de valores éticos como respeitabilidade, polidez e circunspecção, considerados as mais elevadas virtudes sociais. O espírito vitoriano marcou a literatura com refinamento e vigor, como nas obras de Charles Dickens, Emile Brontë, George Eliot e Thomas Hardy. No entanto, muitos críticos sociais têm uma visão amarga desse período, que consideram uma época de preconceitos, excessiva repressão moral e hipocrisia. Era, nem mais, a época da Revolução Industrial, que danificou ao povo e a monarquia da Rainha Vitoria não estava interessada. O puritanismo era aparente. Até a Rainha, aos 17 anos, teve intimidades com o Duque de Wellington, e, a seguir a morte do seu marido, com John Brown, um escocês, o seu amante ou marido. Os segredos da monarquia inglesa estão bem guardados e ocultos. Existia apenas nos textos mencionados, excepto nos de Óscar Wilde, encarcerado não pelas suas preferências sexuais, mas pela verdade que aborda da ética do seu Século, de amores ocultos, compras de capital, heterogamia e traições amorosas ou actos de bigamia: estado de quem tem ao mesmo tempo dois consortes. Facto normal, do qual nem se falava, no Século XIX. Hoje em dia, Século XXI, a bigamia é praticamente impossível: as pessoas nem casam…Uma das peças que causara mais escândalo entre as de Óscar Wilde, era O leque de Lady Windermere, e queiram ou não, a peça A importância de se chamar Ernesto, é uma corrida de mentiras sobre o estado civil das pessoas…..e as sua origens: semeia a dúvida…. Uma personagem feminina de Wilde no Leque, diz:

Se uma mulher quer mesmo agarrar um homem, tem de apelar ao pior que há nele

As histórias de amor entre John Brown e a Rainha Vitoria, podem ser lidas em: http://www.royal-deeside.org.uk/RDhistory/johnbrown.htm . Muita tinta tem corrido sobre os amores da Rainha Vitória, que podem ser lidas. Tenho um informante privilegiado, um meu amigo, um Duque, o seu parente, que me tem contado os segredos da sua família. O nome, como é natural, fica comigo… 

[13] Luta de classes foi a denominação dada por Karl Marx, ideólogo do comunismo juntamente com Friedrich Engels, para designar o confronto entre o que consideravam os opressores (a burguesia) e os oprimidos (o proletariado), consideradas classes antagónicas e existentes no modo de produção capitalista. A luta de classe se expressa nos terrenos económico, ideológico e político. A definição não é minha. Tenho usado a definição de Marx e Engels, escrita por Jenny Marx. Segundo Karl Marx e vários outros pensadores como Ricardo e Proudhon, a luta de classes seria a força motriz por trás das grandes revoluções na história. Ela teria começado com a criação da propriedade privada dos meios de produção. A partir daí, a sociedade passou a ser dividida entre proprietários (burguesia) e trabalhadores (proletariado),ou seja, possuidores dos meios de produção e possuidores unicamente de sua força de trabalho. Na sociedade capitalista a burguesia se apodera da mercadoria produzida pela classe do proletariado, e ao produtor dessa mercadoria sobra apenas um salário que é pago de acordo apenas com o valor necessário para a sobrevivência desse. Os trabalhadores são forçados a vender seu trabalho por uma fracção mísera do real valor da mercadoria que produzem, enquanto os proprietários se apoderam do restante. Outra característica importante do capitalismo é o conceito criado por Karl Marx da mais-valia. A mais-valia é a percentagem a mais que os capitalistas retiram da classe proletária. Importância que pode ser atingida, por exemplo, aumentando o tempo de trabalho dos operários e mantendo o salário. A luta de classes, segundo Karl Marx, só acabará com a implantação do regime comunista, onde esse conflito não terá como existir pois não existirão mais classes sociais. Até os tempos actuais o comunismo ainda não foi posto em prática em nenhuma região do mundo, apesar do socialismo, que seria como uma fase de transição do capitalismo para o comunismo, já ter reinado em diversos países. A proposta mais radical é abolição do Estado e sua reorganização descentralizada em moldes federativos anarquistas

Apesar de toda a história da humanidade, segundo Karl Marx, ter sido a história da luta de classes, a sociedade original não possuía divisões sociais. Isso se deveia-se ao facto de que, nesse estágio das forças produtivas sociais, não havia praticamente excedente. Todos os membros da sociedade eram por isso obrigados a participar do processo produtivo, de modo que era impossível a formação de uma hierarquia que diferenciasse as pessoas dessa sociedade. Uma das primeiras formas de hierarquização dos membros foi a divisão homem/mulher, quando os homens começaram a explorar as mulheres. A luta de classes origina-se, no entanto, no momento em que a sociedade passa a ser composta de diferentes castas.

A divisão social em classes foi possibilitada quando as forças produtivas atingiram um certo nível de financiamento, onde o excedente já promovia maior segurança à sociedade em relação às suas necessidades. Parágrafo que é a minha síntese do texto que define a hierarquia social em classes e a luta entre elas. Fonte: O Manifesto Comunista. Pode ser lido em: http://www.dorl.pcp.pt/images/classicos/manifesto%20ed%20avante%2097.pdf

 Editado de acordo com a Edição da Editorial “Avante!” de 1997 com Tradução de José Barata Moura

[14] Klemens Wenzel Lothar Nepomuk von Metternich, príncipe de Metternich-Winneburg-Beilstein, (Coblença, 15 de maio de 1773Viena, 11 de junho de 1859) foi um diplomata e estadista do Império Austríaco.

Após a queda de Napoleão, apoiou vigorosamente a restauração da dinastia dos Bourbon em França, e foi um dos mais distintos apoiantes da reconquista absolutista em Portugal, por D. Miguel, opondo-se vivamente ao governo liberalista, após o retorno deste ao poder português. Presidiu o Congresso de Viena, tendo influenciado profundamente as decisões tomadas neste.

[15] François Pierre Guillaume Guizot (n. 4 de Outubro de 1787, Nîmes – f. 12 de Setembro de 1874 ) foi um político francês. Ocupou o cargo de primeiro-ministro da França, entre 19 de Setembro de 1847 a 23 de Fevereiro de 1848. Se Guizot é referido no Manifesto, deve-se a coincidência de datas entre a redacção do Manifesto e a chefia da burguesia pelo Primeiro-ministro da França, que era Guizot.

[16] É, de facto, o começo de um texto com ataque violento, como comenta no seu texto O Manifesto Comunista e O Pensamento Histórico, Virgínia Fontes, Professora da Universidade Federal Fluminense, Niterói, R J, Brasil. Artigo publicado em colectânea organizada por Daniel Aarão Reis Fº, Rio, Editora Contraponto, 1997, que diz, entre outras ideias: O Manifesto Comunista se inicia por uma provocação política, breve porém incisiva — “um fantasma ronda a Europa: o fantasma do comunismo” — e apresenta as concepções, objectivos e tendências dos comunistas. Antes, porém, de apresentá-las, de definir alianças ou projectos políticos, o primeiro capítulo é dedicado à explanação sobre o processo histórico no qual se constituem tanto os burgueses como os proletários. Texto completo em: http://resistir.info/marx/manifesto_vfontes.html. Em francês, em: http://www.u-paris10.fr/ActuelMarx/indexm.htm., A obra toda, em: http://resistir.info

[17] Convenção pela qual o dono de um prédio transfere para outrem o seu domínio útil em troca de um foro.

[18] Factos estudados por mim e Blanca Iurra, que tem como resultado o livro de (2007) 2009: Yo, Maria del Totoral, editado pela Universidade Autónoma do Chile, sede de Talca.

[19] Acto ou efeito de usufruir ou de gozar os frutos ou rendimentos de alguma coisa que pertence a outrem.

[20] Os mais importantes, são o de 1980: Strategies in the domestic organization of production in rural Galicia, em Cambridge Anthropology, vol.6, nºs 1 e 2, Cambridge University Press ; 1989: La reproduction hors marriage (1862-1983), Études Rurales Nº 113-114, Janvier – Juin, Collège de France; 1992: Changement et Continuité: la paysannerie en transition dans une paroise Galician, CUP, Maison de Sciences de l’Homme Paris; 1988: Antropologia Económica de la Galicia Rural, editado pela Xunta de Galicia Publicações, Santiago de Compostela, texto no qual defino todas as relações diferentes do ser humano com a terra e os seus produtos, para tornar a definir 25 anos depois, comentado em: http://baleirasensaios.blogspot.com/2006/03/antropologia-econmica-ddiva-emprstimo.htm l O resultado foi o livro de 1998, Editado pela Profedições, Porto: Como era quando não era o que sou. O crescimento das crianças, texto no qual estudo a relação com a terra desde o Século XV, no mesmo sítio, a Paroquia de Vilatuxe na Galiza, Província de Pontevedra, Concelho de Lalín. Conceitos estudados outra vez por mim, na Freguesia de Vila Ruiva, Concelho de Nelas, Província da Beira Alta, comentado em: http://www.si.ips.pt/ese_si/noticias_geral.ver_noticia?p_nr=5531 Textos todos comentados no decorrer deste livro. Comentados outra vez nesta secção deste livro, para sustentar os meus argumentos e avaliação sobre o Manifesto Comunista.

[21] Apesar de ter sido elaborado em 1847 em Paris por Marx sobre a base do texto referido de Engels, O Manifesto Comunista foi escrito e redigido por Jenny Marx, pouco antes de estalar na França a revolução de 1848. Foi escrito e publicado em alemão em Londres: a Liga Comunista teve a ideia de organizar um Manifesto para o seu grupo, organização baseada na Alemanha, com ramificações em outros países, como na França, especialmente em Marselha. Seu chamado aos trabalhadores de todos os países para que se unissem era completamente internacional; os alemães que o aprovaram eram operários de mentalidade internacional, que viveram desterrados de sua própria nação e tomaram parte nos movimentos operários dos países em que temporariamente residiram, sobretudo da França. Acreditavam que era sua missão substituir os franceses como líderes doutrinários do proletariado mundial, ou pelo menos isso acreditava Marx e eles o aceitaram.

[22] Página 7 do texto citado, que pode ser lido em: http://ateus.net/ebooks/geral/marx_manifesto_comunista.pdf

[23] Página 10 do Manifesto Comunista, da versão citada em pdf

[24] Um partido comunista é aquele que segue os ideais defendidos pelos filósofos alemães Karl Marx e Friedrich Engels na obra O Manifesto do Partido Comunista, de 1848. Ao longo da história, em quase todos os países do mundo, existiram e existem partidos comunistas. A expressão pode se referir a diversos contextos, a diversas linhas ideológicas. O conceito advém da palavra francesa communiste. A sua definição é: sistema político, económico e social que tende para a supressão da luta de classes pela colectivização dos meios de produção. O conceito é definido por Jules Guedes, no seu texto de 14 de Maio de 1882, no jornal bovesiano L’Egalité, texto intitulado: Une formule pretendi communiste: L’Egalité, que começa por dizer: Le vieux cliché – prétendu communiste – ” de chacun selon ses forces, à chacun selon ses besoins ” tend à redevenir à la mode. En vain un de ses pères, M. Louis Blanc, l’a compromis dans les fusillades de Juin 48 et les mitraillades de Mai 71. Des socialistes du Parti ouvrier, sans que l’on puisse s’expliquer comment et pourquoi, l’ont repris à leur compte et l’opposent comme un pas en avant à la formule collectiviste :  De chacun selon les nécessités de la production, à chacun selon son temps de travail.  Crónica do jornal citado, baixado da Bibliothèque National de Paris. Em português seria: O antigo cliché – pretensamente comunista – “de cada um conforma à sua forças, para cada um conforme as suas necessidades, torna a estar na moda. Em vão um dos seus pais, Louis Blanc, tem tentado introduzir o conceito após os fuzilamentos de Junho de 1848 e dos metralhados de Maio de 1871. Os socialistas do Partido Obreiro, sem lhes explicar o como e o porque, o converteram pela sua conta como um passo mais avançado da fórmula colectivista: de cada um conforme as suas necessidades de produção, para cada um conforme o seu tempo de trabalho. Texto completo em http://fr.wikisource.org/wiki/Une_formule_pr%C3%A9tendue_communiste  Referencias em todas as entradas Internet da página web: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Biblioth%C3%A9que+National+de+Paris++Journal+L%27Egalit%C3%A9&btnG=Pesquisar&meta=

[25] Sistema governamental que favorece as sinecuras ou emprego remunerado, de pouco ou nenhum trabalho

[26] Indústria é toda actividade humana que, através do trabalho, transforma matéria-prima em outros produtos, que em seguida podem ser, ou não, comercializados. De acordo com a tecnologia empregada na produção e a quantidade de capital necessária, a actividade industrial pode ser artesanal, manufactureira ou fabril.

O processo de produção industrial é também conhecido como sector secundário, em oposição à agricultura (sector primário) e ao comércio e serviços (sector terciário), de acordo com a posição que cada actividade normalmente está na cadeia de produção e consumo. Hoje em dia o processo industrial é capitaneado pelas multinacionais.

Também se pode usar o termo indústria, genericamente, para qualquer grupo de empresas que compartilham um método comum de gerar dividendos, embora não sejam necessariamente do segundo sector, tais como a indústria de Marcos Malheiros, a indústria bancária ou mesmo a agro-indústria.

[27]  http://pt.wikipedia.org/wiki/Giuseppe_Tomasi_di_Lampedusa#O_Leopardo   A história da sua vida começa assim: Giuseppe Tomasi di Lampedusa (Palermo, 23 de Dezembro 1896Roma, 23 de Julho 1957) foi um escritor italiano. Entre as suas obras conta-se o romance Il gattopardo (O Leopardo) sobre a decadência da aristocracia siciliana durante o Ressurgimento.

A única mudança permitida é aquela sugerida pelo príncipe de Falconeri: tudo deve mudar para que tudo fique como está, frase amplamente divulgada em todo o mundo.

[28] No Tableau Économique, Quesnay constrói seu esquema de funcionamento do sistema económico. Neste esquema a sociedade acha-se dividida em três classes: a classe produtiva, constituída pelo conjunto dos arrendatários capitalistas e assalariados que desenvolvem suas actividades na agricultura e cujo trabalho é produtivo no sentido fisiocrático, isto é, como criador do produto líquido; a classe estéril, constituída pelo conjunto por todos aqueles que exercem sua actividade à margem da agricultura e cujo trabalho não é produtivo, ou melhor, é estéril, porque não produz excedente; e a classe dos proprietários de terras, que não desenvolve qualquer actividade económica e que possui o direito à percepção dessa renda, ou seja, de todo o produto líquido – fazem parte o rei, com sua corte e o conjunto dos funcionários públicos, e a Igreja. Todos estes percebem uma porção da renda, quer por serem eles mesmos proprietário – o caso do rei e da igreja – quer por ter o direito de arrecadar impostos – o rei – ou dízimo – a Igreja.

A indústria e o comércio são, assim definidos, estéreis. Esta conclusão equivocada vai conduzir todo o trabalho de Quesnay, por não ter sabido ver que o rendimento do proprietário fundiário é um levantamento antecipado operado sobre o lucro do rendeiro e que o lucro se encontra tanto na indústria como na agricultura. Como a época era,  a indústria era também  basicamente artesanal, o lucro era baixo, e confundido com o rendimento do trabalho executado. Fonte: as minhas aulas de Antropologia Económica, proferidas com tutória em Cambridge, UK, na École dês Hautes Études e Collège de France com Seminário com Maurice Godelier, Marie-Élisabeth Handman e Philippe D’Escola e no ISCTE, Lisboa, com um grupo de colaboradores, hoje todos Doutores; e a 2ª Edição do Quadro Económico, Fundação Calouste Gulbenkian (1978) 1986. Síntese do texto em linha: http://augusto-economia.vilabol.uol.com.br/francoisquesnay.htm

[29] Página 12 do mesmo texto.

[30] O conceito é uma teoria de Marx, analisada não apenas por Bento XVI, referido ao começo, bem como analisado no texto de Bertell Ollman (1971) 1976: Alienation. Marx’s conception of man in capiltalistic society, Cambridge University Press, texto que pode ser lido em troços,  em:   http://www.nyu.edu/projects/ollman/books/a.php  No Capítulo 18 do livro, página 131 Ollman diz: The theory of alienation is the intellectual construct in which Marx displays the devastating effect of capitalist production on human beings, on their physical and mental states and on the social processes of which   they are a part. Frase retirada de http://www.nyu.edu/projects/ollman/docs/a_ch18.php.  Não é de qualquer texto que Ollman retira partes da teoria. A citação deriva do livro A Ideologia Alemã, texto no qual Marx define a sua teoria da alienação, baseada no saber de Hegel e as suas próprias conclusões. Nos princípios de Hegel, define-se um processo em que a consciência se torna estranha a si mesma, afastada de sua real natureza, exterior a sua dimensão espiritual, colocando-se como uma coisa, uma realidade material, um objecto da natureza.

A teoria marxista é um processo em que o ser humano é  afastado da sua natureza material, torna-se estranho a si mesmo na medida em que já não controla sua actividade essencial (o trabalho), pois os objectos que produz, as mercadorias, passam a adquirir existência independente do seu poder e antagónica aos seus interesses

A fonte inclui outras, que não vou citar. No entanto, podem-se lidas em: http://www.areaseg.com/mural/msg/11601.php

[31] Frase retirada, de formas sintética, do texto Contribuição à Crítica da Economia Política, 1857-58 ou Grudrisse, publicada apenas em 1939, texto de KarI Marx, tradução francesa de Lêon Rémy, págs. III-IV, citada no artigo de Plekhanov de 1901: “A Conceição Marxista da História, que Anton Plekhanov não apenas lera no livro citado, bem como ouvira dizer a Marx e reproduz no texto que cito, a Conferência intitulada “Da Filosofia da História” feita em Genebra em 1901, texto completo que pode ser lido e copiado no sítio web: http://www.marxists.org/portugues/plekhanov/1901/mes/concepcao.htm#topp Transcrição e HTML de: Fernando A. S. Araújo, Dezembro 2005.
Direitos de Reprodução: Marxists Internet Archive (marxists.org), 2005

[33] O artigo A Questão Judaica foi escrito em 1843 e publicado pela primeira vez em Fevereiro de 1844 no jornal e que Marx era redactor e um dos seus proprietários, o Deutsch-Französische Jahrbüche (English: German–French Annals). Era um periódico publicado em Paris por Karl Marx e Arnold Ruge. Foi neste pretendido Anuário que Marx publicou o ensaio On The Jewish Question. Foi criado como reacção à censura do seu jornal Rheinische Zeitung. Este Anuário foi editado, em número duplo, apenas uma vez, em Fevereiro de 1844, por causa de desavenças de princípios teóricos entre os proprietários, especialmente entre Marx e o burguês radical Arnold Ruge e pelas dificuldades do introduzir clandestinamente na Alemanha.

[34] Bruno Bauer (6 de Setembro de 180913 de Abril de 1882) foi filósofo, teólogo e historiador alemão.

Filho de um pintor de uma fábrica de porcelanas em Eisenberg, Bauer estudou sob a orientação directa de Hegel até a morte deste. Hegel certa vez lhe concedeu um prémio académico por um ensaio filosófico criticando Immanuel Kant. A maioria conhece Bruno Bauer (1809-1882) pela crítica demolidora que Karl Marx lhe dedicou (com a colaboração de Friedrich Engels), a ele e a seus seguidores mais próximos, num livro inteiro (A Sagrada Família) e num capítulo de outro (A Ideologia Alemã), como um filósofo “espiritualista”, “idealista”, pouco ligado à realidade histórica concreta, preso aos vícios de pensamento e de linguagem de Hegel, a um modo de pensar em última análise “teológico”.

 http://pt.wikipedia.org/wiki/Bruno_Bauer

[35] O texto em ingles diz: The most rigid form of the opposition between the Jew and the Christian is the religious opposition. How is an opposition resolved? By making it impossible. How religious opposition is made impossible? By abolishing religion. As soon as Jew and Christian recognize that their respective religions are no more than different stages in the development of the human mind, different snake skins cast off by history, and that man is the snake who sloughed them, the relation of Jew and Christian is no longer religious but is only a critical, scientific, and human relation. Science, then, constitutes their unity. But, contradictions in science are resolved by science itself. Pode ser todo lido o em formato de papel já citado, ou de forma virtual em: http://www.marxists.org/archive/marx/works/1844/jewish-question/

[36] Ideia retirada da página 10 do pdf do Manifesto Comunista

[37] Encyclopédie, ou dictionnaire raisonné des sciences, des arts et des métiers foi uma das primeiras enciclopédias que alguma vez existiram, tendo sido publicada na França no século XVIII. Os volumes finais foram publicados em 1772.

Esta grande obra, compreendendo 28 volumes, 71 818 artigos, e 2 885 ilustrações, foi editada por Jean le Rond d’Alembert e Denis Diderot. D’Alembert deixou o projecto antes do seu término, sendo os últimos volumes obra de Diderot. Muitas das mais notáveis figuras do Iluminismo francês contribuíram para a obra, incluindo Voltaire, Rousseau, e Montesquieu.

Os escritores da enciclopédia viram-na como a destruição das superstições e o acesso ao conhecimento humano. Foi um sumário quintessência do pensamento e das ideias do Iluminismo. Na França do ancien régime, no entanto, causaria uma tempestade de controvérsia. Isto foi devido em parte pela sua tolerância religiosa. A enciclopédia elogiava pensadores protestantes e desafiava os dogmas da Igreja Católica Romana. A obra foi banida na totalidade, mas porque ela tinha apoiantes em altos cargos, o trabalho continuou e cada volume posterior foi entregue clandestinamente aos subscritores.

Foi também um vasto compendio das tecnologias do período, descrevendo os instrumentos manuais tradicionais bem como os novos dispositivos da Revolução Industrial no Reino Unido.

Fig.2: “Sistema figurativo do conhecimento humano”, a estrutura pela qual a Enciclopédia estava organizada. Tinha três grandes ramos: memória, razão e imaginação

A Enciclopédia desempenhou um papel importante na actividade intelectual anterior à Revolução Francesa.

A Enciclopédia desempenhou um papel importante na actividade intelectual anterior à Revolução Francesa.
Em 1750, o título completo era “Encyclopédie, ou Dictionnaire raisonné des sciences, des arts et des métiers, par une société de gens de lettres, mis en ordre par M. Diderot de l’Académie des Sciences et Belles-Lettres de Prusse, et quant à la partie mathématique, par M. d’Alembert de l’Académie royale des Sciences de Paris, de celle de Prusse et de la Société royale de Londres“. A página  titular foi emendada à medida que d’Alembert adquiriu novos textos para a obra.

A Encyclopédie continha uma taxionomia do conhecimento humano (ver fig. 2) que era inspirada no “Advancement of Knowledge” de Francis Bacon.

Nele, os três ramos principais do conhecimento são “Memória”/História, “Razão/Filosofia“, e “Imaginação”/Poesia. Notável o facto de a Teologia se encontrar dentro (abaixo) da “Filosofia”. Robert Danton afirma que esta categorização da religião como sujeita à razão humana foi um factor significante na controvérsia que envolveu a obra. Note-se também que “Conhecimento de Deus” está a poucos nódulos de distância de ‘Divinação’ e ‘Magia Negra’.

[38] Quesnay, François, 1694 – 1774, economista francês, fundador da Escola Fisiocrata da Economia. Os seus estudos económicos começaram em 1756, ao escrever os textos Fermiers [Rendeiros) e Grains ou Les Moissons, ou Cereais para a Encyclopédie, ou dictionnaire raisonné des sciences, des arts et des métiers . O seu trabalho mais importante foi O Quadro Económico de 1758, que Marx usara  n\as suas análises. Diz a história que o livro foi impresso pelos manos do próprio Rei, Luis XV. Quesnay e os seus seguidores pensavam que O Quadro Económico sintetizavam as leis naturais da economia. Quesnay e outros physiocrats influenciaram profundamente o pensamento de Adam Smith. As obras de Quesnay foram compiladas em um texto que tem por nome Œuvres économiques et philosophiques (com estudos biográficos do autor e uma introdução, em 1888). As obras para a Enciclopédia Francesa ou Dicionário Racional das Ciências, das Artes e dos Ofícios. A sua contribuição foi:(1756/7) 1888 Les Moisons ou Ceráis e Métayer ou Rendeiros, em Œuvres de Quesnay, Onken, Paris, obras escritas para A Encyclopédie de Diderot et D’Alembert, Tomo VI, p528-540 e tomo VII, p 812-831Podem ser lidas em linha aqui em:  ou em Gallica: http://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k829070

A obra de Quesnay pode também ser lida no motor de pesquisa Les classiques des sciences sociales, em: http://classiques.uqac.ca/classiques/quesnay_francois/quesnay_francois.html

[39] Página 12 do texto em análise.

[40] Mesmo texto, mesma página mesmo sítio web.

[41] Georg Wilhelm Friedrich Hegel (Estugarda, 27 de Agosto de 1770Berlim, 14 de Novembro de 1831) foi um filósofo alemão. Recebeu sua formação no Tübinger Stift (seminário da Igreja Protestante em Württemberg).

Era fascinado pelas obras de Spinoza, Kant e Rousseau, assim como pela Revolução Francesa. Muitos consideram que Hegel representa o ápice do idealismo alemão do século XIX, que teve impacto profundo no materialismo histórico de Karl Marx. Mais nada acrescento por

[42] Página 12 do Manifesto em pdf

[43] Páginas 12-13, mesmo texto