O imaginário das crianças: Os silêncios da cultura oral – Indíce

  • Prefácio
  • Capítulo I– As culturas da cultura: infantil, adulta, erudita
  • Capítulo II – Amas-me como eu te amo?
  • Capítulo III – É de ti que aprendo a fugir dos meus pais.  A criança significativa
  • Capítulo IV – Vejo e não entendo, pergunto e não sabes. O processo de aprendizagem
  • Capítulo V – Queres que leia. Mas eu pratico para entender os textos. O processo de ensino.
  • Capítulo VI –  Eu sou homem e mando. Eu sou mulher e obedeço. Meninos e meninas.  O comando da ordem social.
  • Genealogias
  • Bibliografia

O imaginário das crianças: Os silêncios da cultura oral – Bibliografia

Bibliografia

A Bíblia (500 a.C.-150 d.C.), Verbo, Lisboa, 1976. Há versões anglicanas, católicas romanas, calvinista, luterana, presbiteriana e outras.

Agostinho, Santo (Agostinho de Hipona) (367), o Livre Arbítrio, Braga, Faculdade de Filosofia, 1986.

—, (397), Confessions, Thomas Nelson & Sons Ltd, Londres, 1937.

—, (412-426), La Ciudad de Dios, ed. Porcia, Buenos Aires, 1988.

Alcorão (651-652), Europa-América,Lisboa, 1989.

Allende, Isabel (1982), La casa de los espíritus, Plaza & Janés, Barcelona. [Read more…]

O imaginário das crianças: Os silêncios da cultura oral – Genealogias

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O imaginário das crianças: Os silêncios da cultura oral – Capítulo VI

Capítulo VI

Eu sou homem e mando. Eu sou mulher e obedeço. Meninos e meninas.

 O comando da ordem social

“Gostava de ir como a Bertita, toda de branco como se fosse noiva. Pai, deixas-me?”, perguntava a “pequena do pai”, na medida em que ela pensava que ele mandava e decidia; e, ainda, porque era dele que dependia a celebração de um ritual associado a uma crença de Vilatuxe pouco praticada em casa. A conversa passou-se há quase 20 anos, numa aldeia galega onde pai e filha eram moradores conjunturais. E girou à volta de uma crença confessada em público e posta em dúvida em privado. A pequena, aliás, sabia que o pai pouco se importava com esses assuntos e que, adulto como era, pouca atenção ia dar ao seu pedido. Assim, com um misto de confiança que [Read more…]

O imaginário das crianças: Os silêncios da cultura oral – Capítulo V

Capítulo V

Queres que leia. Mas eu pratico para entender os textos. O processo de ensino.

Pega no livro

Frase que eu já tenho utilizado (Iturra, 1990) e repetido várias vezes. Mais ainda, frase que corresponde à forma como o pequeno é tratada dentro dos seus grupos. Denomino processo de ensino os actos institucionais que regulamentam a vida das crianças para que entendam a interacção para além do lar. Já afirmei noutro texto (Iturra, 1994) que há pequenos desejosos de serem admitidos na instituição que vai regulamentar a sua vida, assim como a de todo o seu grupo. Talvez que, entre adultos e pequenos que moram num mesmo sítio e estão próximos, exista uma diferença no entendimento do processo. Bem sabemos que o processo de ensino é entendido de forma diversa, e vai desde o desinteresse pela assistência à escola, ao sentimento de obrigatoriedade de assistir, como a lei manda. Assunto que remeto quer para os meus textos (Iturra, 1990b, 1994a e 1994b), quer para os estudos feitos pelos historiadores da educação. [Read more…]

O imaginário das crianças: Os silêncios da cultura oral – Capítulo IV

Capítulo IV

Vejo e não entendo, pergunto e não sabes. O processo de aprendizagem

Tu fazes, eu observo

Quando falava deste tema a um conjunto de antropólogos de outro país, um deles disse: “o professor pensa que os pequenos são como Kant, racionais; mas os pequenos, se alguma coisa os caracteriza, são serem ignorantes e terem de obedecer ao que nós, os pais, mandamos.” Calei-me. Não quis responder ao dito académico que de certeza ama o seu pequeno, mas não lhe consegue atribuir mais conhecimento e saber que o que ele tem adquirido no seu doutoramento universitário. Que o pequeno não tenha aprendido [Read more…]

O imaginário das crianças: Os silêncios da cultura oral – Capítulo III

Capítulo III

É de ti que aprendo a fugir dos meus pais.  A criança significativa

 A questão

Nunca mais esqueci como desapareciam os chocolates. A pequena estava proibida de comê-los e, no entanto, a casa estava cheia deles. Resultado: a criança era punida e recebia homilias sobre os seus malefícios – de como faziam mal aos intestinos, tiravam o apetite e estragavam os dentes. Eu próprio nunca me tinha apercebido que os adultos introduzem as suas contradições na interacção com as crianças, mesmo sob a forma de mimos. Nos nossos hábitos, o [Read more…]

O imaginário das crianças: Os silêncios da cultura oral – Capítulo II

Amas-me como eu te amo? Os ciclos de vida

A questão

Parece uma matéria impossível de ser pensada por parte das crianças. No entanto, julgo ter percebido que, na interacção adulto-criança, há uma ponte emotiva nem sempre fácil de cruzar. Porque não há ensino de relações emotivas, elas existem de forma diferenciada através dos tempos (Mead, 1933; Fortes, 1959; Süskind, 1984) e das culturas (Godelier, 1996; Bourdieu, 1972; Netting, 1981; Iturra, 1988, 1990 e 1995c). A afectividade, especialmente quando se trata da relação entre o adulto e a criança, constitui um dos aspectos mais difíceis e controversos nas sociedades. Nos grupos que tenho estudado, no período que vai do nascimento à puberdade, o sentimento de pertença dos pequenos aos adultos, bem como o sentido de posse que os adultos têm dos pequenos não é questionado. E, no entanto, há uma emotividade que [Read more…]

O imaginário das crianças: Os silêncios da cultura oral – Capítulo I

CAPÍTULO  I

AS CULTURAS DA CULTURA: INFANTIL, ADULTA, ERUDITA

A questão

Miguel (v. Genealogia 1), o neto do Marques, queria uma bicicleta. Conseguia equilibrar-se na minha, que era preta, de ferro e pesada. Seu pai, a trabalhar nas obras de uma cidade longínqua, não tinha dinheiro suficiente para comprar uma; a mãe, jornaleira, guardava o dinheiro para os gastos da casa. Os avós, quinteiros da casa da aldeia onde eu e eles vivíamos, observavam os vizinhos e sonhavam com outra vida enquanto entregavam produtos e dinheiro das vendas aos proprietários. A bicicleta não podia materializar-se, e Miguel Marques sabia; com sete anos, sabia. Mal podia, entrava na garagem [Read more…]

O imaginário das crianças: Os silêncios da cultura oral – Prefácio

Para minha neta Maira Rose van Emden, filha de Cristan van Emden e Paula (née Iturra-González)

I

O processo educativo é aquele que mais marca o quotidiano das nossas vidas e é o mais quotidiano dos processos que orienta o nosso agir. Todo o grupo social precisa de transmitir à geração seguinte a sua experiência acumulada no tempo, como condição da sua continuidade histórica. A intenção de entender a transmissão e aquisição do saber das novas gerações e seu desenvolvimento nas gerações que as acompanham, dá margem a uma disciplina que pretende conhecer, quer os meios, quer as estruturas dos processos de ensino/aprendizagem. [Read more…]

Sir Archibald Radcliffe-Brown

Para Ana Matias, no dia do seu aniversário, que coincide com a festa do amor.

Sir Archibald Reginald (Birmingham, 17 de Janeiro de 1881Londres, 24 de Outubro de 1955), cientista social britânico é considerado um dos maiores expoentes da Antropologia, ao ter desenvolvido a teoria do funcionalismo estrutural. Esta forma de análise, usada por ele e seguida por vários outros, é definida como: Funcionalismo (do Latim fungere, ‘desempenhar) é um ramo da Antropologia e das Ciências Sociais que procura explicar aspectos da sociedade em termos de funções realizadas por indivíduos ou as suas consequências para a sociedade como um todo. É uma corrente sociológica associada à obra de Émile Durkheim. Para Durkheim cada indivíduo exerce uma função específica na sociedade e a sua má execução significa um desregramento da própria sociedade. A sua interpretação de sociedade está directamente relacionada ao estudo do facto social, que segundo Durkheim, apresenta características específicas: exterioridade e a coercibilidade. O facto social é exterior, na medida em que existe antes do próprio indivíduo, e coercivo, na medida em que a sociedade impõe tais postulados, sem o consentimento prévio do indivíduo. Entre os académicos que usaram este método analítico da conduta social, estão: Michel Foucault, Bronislaw Malinowski , Alfred Reginald Radcliffe-BrownÉmile Durkheim , Talcott Parsons, Niklas Luhmann, Louis Althusser, Nikos Poulantzas,George Murdoch,Kinglsey Davis , Wilbert Moore, Jeffrey Alexander, G. A. Cohen, Herbert J. Gans e Pierre Bourdieu. Fonte: textos dos autores mencionados com as palavras na wikipédia.

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E eu que pensava que podia agir sempre igual!

Ensaio de Antropologia da Educação

Era o que os meninos comentavam. Numa das muitas sessões que fizemos ao longo do tempo. Com toda essa equipa em Portugal, Espanha, França, Chile, Angola, Brasil e noutros países. Equipa que me tem permitido viver a Antropologia da Educação. Essa Antropologia que nos faz viver de forma diferente, quando pesquisamos. E depois. E durante. E nos sonhos. E na interacção. Que nos confronta com o poder público que gere o nosso Estado. Essa, que Meyer Fortes, tantas vezes referido nos meus trabalhos, empurrou entre os Tallensi do Trans-Volta, no antigo Ghana. E no nosso imaginário. Eu nunca tinha pensado que havia esses agir propositados, incumbidos na mente. Na mente desse ser que está a entender, a pouco e pouco, o que no mundo anda a acontecer. E que o surpreende às tantas, e às tantas o deixa igual. O pai não quer, é uma frase reiterada nas culturas; a mãe não deixa, seria outra; se o tio souber? E a vizinha? E o Senhor Padre? E o professor? E o que aconteceu ao Capuchinho Vermelho por não aceitar? O lobo a comeu, Sr. Doutor. A Catequese já diz que é preciso obedecer. A quem de entre todos, é que a catequese não diz. Mas, nestes países latinos, como nos outros que tenho estudado de crendices não universais, o ensino do que e como fazer, está definido. Da forma heterogénea que eu gosto de bisbilhotar. Da forma heterogénea que o grupo onde calha andar, me ensina. No seu dizer, no seu fazer. [Read more…]

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