Fazer o Secundário para aprender a escrever requerimentos

1087 Deslocacoes automovel proprioA Educação, em Portugal, continua a ser palco de lutas feudais, o que inviabiliza a existência de pactos, de consensos ou, no mínimo,  de um debate sério.

A instabilidade no sistema de ensino é crónica, sendo ainda pior no âmbito da disciplina de Português, continuamente sujeita a alterações curriculares, terminológicas e ortográficas a um ritmo tal que irmãos com pouca diferença de idade não podem, por exemplo, partilhar o mesmo manual. Mais absurdo ainda: muitos alunos aprenderam duas terminologias gramaticais e duas ortografias ao longo do seu percurso escolar. [Read more…]

A Associação de Professores de Português reconhece que há problemas com o AO90

Este ano, de acordo com informação do IAVE, a única grafia admitida nos exames nacionais será a que está conforme o acordo ortográfico de 1990 (AO90)

Entretanto, a sociedade portuguesa não conseguiu, não pôde ou não quis adoptar o referido acordo. As causas são variadas e começam nos vários erros de concepção do próprio AO90, com várias pessoas e instituições a fingir que não há problemas.

Os jovens que vão, este ano, fazer exames nacionais foram obrigados, ao longo do seu percurso escolar, a conviver com duas ortografias, sendo que a mais recente tem contribuído para o aumento de erros. Como é evidente, os estudantes, sentindo-se ortograficamente inseguros, desejam, no mínimo, que seja reposta a possibilidade de continuar a optar pelas duas ortografias – a de 1945 e a de 1990 –, tal como acontecia nos exames de 2014.

Edviges Ferreira, presidente da Associação de Professores de Português (APP), discorda dessa pretensão e julga ter explicado a razão, ao declarar que, “se todos os docentes tivessem feito o que deviam, preparando os alunos activamente durante os últimos três anos, para este momento, não haveria qualquer problema.” [Read more…]

O Jogo e o Expresso abandonam o acordo ortográfico…

Expresso 652013

… e continuam a aplicá-lo: auto-regulação, *autorreguladora, sector, *setor, direcção, *direto, *extração, pára, *abril, *maio ―  enfim, o costume.

Falta muito pouco para celebrarmos, com pompa e circunstância (já agora, permitam-me), os três anos de adopção do AO90 no Expresso… Perdão, da tentativa de adopção do AO90 no Expresso… Peço desculpa, vou reformular: da não adopção do AO90 no Expresso… Não, não era isto. Outra vez, agora sim… Não. Já chega.

Pois é, falta O Jogo… Pois, não é fácil. Mas, isso, já sabemos.

Post scriptum: Não sei quem vai representar a Associação de Professores de Português, depois de amanhã, em audição na Assembleia da República. Se for a Dr.ª Edviges Ferreira, espero que os senhores deputados lhe perguntem: [Read more…]

Acordo Ortográfico: a Associação de Professores de Português explica

A imagem acima reproduzida foi retirada da página da Associação de Professores de Português (APP). Neste momento, mantêm-se os erros assinalados, como se pode confirmar, porque escrever segundo diferentes acordos ortográficos só pode ser considerado erro.

Trata-se do anúncio de uma acção de formação da responsabilidade de Edviges Ferreira e Paulo Feytor Pinto, a actual e o antigo presidentes da APP e defensores do Acordo Ortográfico, naturalmente. Diante da indecisão ortográfica patente no facto de que as consoantes mudas ora caem ora nem por isso, e não sendo aceitável pensar que tal se deva à incompetência linguística de uma associação de professores de Português, só posso deduzir que este anúncio é material didáctico elaborado com a finalidade de levar os formandos a perceber algumas das novidades introduzidas pelo AO. Fico muito mais descansado.

Feytor Pinto, curiosamente, terá afirmado que o AO era algo que os professores poderiam aprender num ápice, logo após uma primeira leitura, mesmo em cima do joelho. Ainda assim, terá sido, certamente, a pensar nos mais duros de entendimento que o mesmo Feytor Pinto se sacrifica a ensinar o óbvio aos ignaros.

Professores apoiam declarações sobre acordo ortográfico

O título deste texto é tão enganoso como o do Diário de Notícias de hoje, em que se pode ler “Professores lamentam declarações sobre acordo ortográfico”. Na verdade, desconhecemos, o DN e eu, o que sentem os professores, de uma maneira geral, acerca das declarações de Francisco José Viegas, pelo que seria da mais elementar honestidade termos escolhidos ambos títulos diferentes. É claro que a minha escolha é provocatória; a do DN é, apenas, incompetente. O título escolhido pelo Paulo Guinote no comentário que faz a esta mesma notícia corresponde, afinal, à pergunta que deve ser feita.

Edviges Ferreira, presidente da Associação de Professores de Português (APP), representando-se a si própria e falando, eventualmente, em nome dos associados da dita associação, lamenta as declarações de FJV e considera que se anda a “a brincar com os professores, alunos, pais, e toda uma comunidade”. Devo dizer que, em grande parte, concordo com muito daquilo que afirma a minha ilustre colega e, desde há vários anos, que vejo a APP participar em muitas dessas brincadeiras, tendo em conta a facilidade acrítica com que tem cavalgado várias ondas, incluindo a cobertura dada ao empobrecimento dos programas de Português do Secundário, passando pela aprovação dada à nova terminologia gramatical e terminando na aceitação deslumbrada do Acordo Ortográfico.

O DN quis também ouvir o professor Carlos Reis, um estudioso rigorosíssimo de matérias como a obra literária de Eça de Queirós ou a Teoria da Literatura. Na defesa do Acordo Ortográfico, no entanto, Carlos Reis tem revelado um entusiasmo inimigo do rigor e uma pobreza de argumentos que repete aqui, ao deixar implícito que só pode haver “política da língua” se houver um acordo ortográfico, como se a primeira implicasse necessariamente o segundo. Ao admitir “ajustamentos pontuais” coloca-se, no entanto, numa posição que se pode confundir com a de Francisco José Viegas.

Finalmente, aproveito para deixar aqui uma palavra de pesar para a displicência com que a comunidade docente aceita muitas imposições: é especialmente grave que continue a não existir uma reflexão sobre o Acordo Ortográfico. Como tem acontecido em muitas outras ocasiões, os professores limitam-se a encolher os ombros e a dizer, com um desencanto sofrido: “Agora é para fazer assim…”