Selvajaria

Se a descaracterização de uma cidade resultar do “capitalismo selvagem” – que condena o comércio tradicional em detrimento dos starbâques – as lágrimas pelo passado e o clamor pela sua preservação são uma demonstração de apreço pela tradição e alma lusitanas.

Se essa descaracterização for fruto de uma agenda progressista de relativismo cultural, as lágrimas pelo passado e o clamor pela sua preservação são laivos racistas de saudosistas bafientos.

Harmonia conjugal

Abundance of Fruit (1860) – Severin Roesen

 

Aproveitei a pausa de almoço para ir às clementinas numa das poucas mercearias que por aqui resistem. Ao meu lado, entre os caixotes da fruta, uma mulher ia consultando a estátua maciça que a esperava à porta.

Queres bananas, Zé?

A estátua não se moveu. Silêncio absoluto.

Ela escolheu um cacho e pô-lo no cesto.

Queres ameixas, Zé?

E assim sucessivamente.

Quando o cesto já estava cheio e o Zé na mesma posição, ela mudou de táctica. [Read more…]

Preços excessivos: Pomar Coutinho vs Continente

Muito se tem falado sobre os lucros ditos excessivos que algumas das maiores empresas, em Portugal e lá fora, têm acumulado ao longo dos últimos anos, primeiro durante a pandemia, agora com a invasão da Ucrânia e a inflação que daí resultou.

Já aqui escrevi sobre a decisão de vários governos europeus, à esquerda e à direita, de aplicar taxas sobre a fatia dos lucros considerados excessivos. E sobre a resistência deste governo de eSqUeRda em seguir o mesmo caminho. Não sei o que esperavam de um governo que se chegou à frente para pagar o aumento do salário mínimo nessas empresas, mas eu não esperava nem espero nada. O único governo de esquerda que este país conheceu foi o XXI, este e os restantes são o business as usual de sempre.

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Este país não é para resilientes

Transição energética, digitalização e obras públicas. É sobretudo destas três áreas que temos ouvido falar, quando o tema é o Plano de Recuperação e Resiliência. E poucas coisas nos dizem tanto sobre o país em que vivemos, sobre a União que integramos, como este conjunto de prioridades, que, não sendo negligenciável, em particular naquilo que diz respeito ao combate contra as alterações climáticas, parece ignorar uma parte do país real. A parte que foi silenciosamente empurrada para a pobreza, pela pandemia e pela ausência de uma estratégia que a contemple, que quer trabalhar e não pode, sem que nenhuma solução alternativa lhe seja apresentada. Os segregados deste admirável mundo novo.

E não, isto não se resume apenas à crise que se abateu sobre a restauração, sobre a cultura, sobre turismo, ou sobre o tecido produtivo, feito de micro, pequenas e médias empresas. Estão todos em muito maus lençóis, no doubt about that. Mas não são invisíveis, ou sequer ignorados, como outros que, não dispondo de tempo de antena, organização de classe ou de figuras mediáticas que os representem, com amigos influentes no Twitter e no Instagram, acabam esquecidos, nesta guerra pelos recursos europeus, ou pelas migalhas que sobrarão do banquete que se antevê.

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Porto, Lisboa e Setúbal são os distritos com mais Centros Comerciais

CCOMERCIAIS 2E assim, a par da crise, se vai destruindo o Comércio Tradicional