Hoje não fiz greve

abandonado

Hoje não fiz greve porque não me deixaram.

Hoje não fiz greve porque, para este governo, eu sou desnecessária. Sou uma «não-professora». Sou um número. Sou gordura. Sou dispensável. Sou lixo.

Ao longo deste ano lectivo fui-me sentindo cada vez mais triste, inútil e desesperançada. [Read more…]

Alunos sem aulas desde Setembro: a longa greve de Nuno Crato

No Agrupamento de Escolas do Cerco, no Porto, há 300 alunos que continuam sem aulas desde Setembro, em consequência do novo processo de contratação imposto pelo Ministério da Educação. Situações como esta existem em várias escolas do país. Em nome de um simulacro de autonomia, a vida das escolas continua emperrada por burocracia, com prejuízo para os alunos.

Confirma-se, mais uma vez, que Nuno Crato, como Ministro da Educação, está em greve desde o início do mandato. Aguarda-se, a todo o momento, que comece a trabalhar. São pessoas destas que dão mau nome aos grevistas.

Os institutos politécnicos poderão passar a leccionar cursos profissionais

O ensino politécnico, em Portugal, é um subsistema do ensino superior. Nos últimos anos, o número de alunos tem diminuído, o que constitui um problema cujas causas não serão difíceis de adivinhar, num país em crise.

Graças, muito provavelmente, a jogos de bastidores, que devem ter incluído queixas pungentes, Nuno Crato propõe que os institutos politécnicos passem a leccionar os cursos profissionais do ensino secundário, como uma das formas para resolver problemas de financiamento desses mesmos institutos. Segundo o ministro, essas instituições seriam necessárias ao país, ao contrário, depreende-se, dos milhares de professores que ficaram sem emprego, graças às muitas medidas tomadas pelo agora cavaleiro-defensor dos politécnicos.

Com a mesma mistura de leviandade e de desonestidade, Nuno Crato diz que os politécnicos “têm professores, instalações e conhecimentos que muitas escolas secundárias não têm”. É claro que não sabemos em que se baseia para fazer tais afirmações, mas a verdade é que isso não faz parte das suas preocupações.

Esta medida não visa melhorar o ensino profissional, como é evidente. Para além de colocar professores do ensino superior a dar aulas ao secundário, tarefas que exigem habilitações e competências diferentes, Nuno Crato irá contribuir para aumentar ainda mais o desemprego entre os professores do ensino básico e secundário, gente, pelos vistos, sem conhecimentos.

O adjectivo “vergonhoso” para qualificar o consulado deste ministro já é eufemismo.

Professores desempregados

No que se refere ao mundo docente, não há, neste momento, nada mais importante do que a angústia pessoal e intransmissível de todos aqueles professores que, hoje, ficaram no desemprego, especialmente quando se trata de profissionais com vários anos de serviço. Mesmo que o número desses novos desempregados correspondesse apenas a um, o drama individual de alguém que fica impedido de trabalhar é do tamanho do universo, porque não há maior universo do que cada um de nós. [Read more…]

Secretário de Estado ou escriturário de Estado?

Santana Castilho*

1. A 19 de Julho, as escolas ficaram a conhecer um conjunto de orientações do secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar para, ao abrigo de 11 medidas indicativas, atribuírem carga lectiva aos cerca de 15 mil professores dos quadros, que a não tinham. Particularmente por declarações públicas de Nuno Crato, que repetiu e voltou a repetir que todos os professores eram necessários ao sistema de ensino, as apreensões dos visados diminuíram. Mas as coisas revelaram-se diferentes daquilo que passou para a opinião pública. Com efeito, dias volvidos, os directores receberam a “interpretação” que as direcções regionais de educação fizeram das orientações do governante. E onde, nas orientações, estava que a atribuição da componente lectiva devia simplesmente ser comunicada às direcções regionais, as ditas interpretaram, e como tal instruíram, que a atribuição da componente lectiva estava sujeita a prévia autorização daquelas. As facilidades badaladas em público foram semeadas de constrangimentos em privado. O que começou por ser decisão dos directores, afinal carecia do visto dos burocratas regionais. Secretário de Estado, afinal, é escriturário de Estado. Boa malha para santificar Crato e diabolizar os directores. O discurso da autonomia segue dentro de momentos. [Read more…]

É o tempo, estúpidos!

Antes de começar: não me interessa entrar em nenhuma competição para descobrir se há classes profissionais mais prejudicadas do que outras. Não ignoro que há quem viva muito pior do que os professores, mas os que estão pior do que nós não nos devem impedir de falar dos nossos problemas. Finalizando este intróito, os problemas dos professores vão para além de questões meramente corporativas: é a Educação que está em causa.

Terminados os preliminares, passemos ao acto.

Os professores, ao longo de vários anos, têm visto as suas condições de trabalho serem lesadas, nomeadamente, através de uma sobrecarga com tarefas de cariz administrativo. Para além disso, não é de mais relembrar que os professores pagam, do seu bolso, tudo o que implica deslocações e alojamento, para além de terem de comprar muito do material necessário ao seu exercício profissional, financiando, na prática, a empresa para que trabalham. Como se isso não bastasse, ainda foram alvo de congelamentos vários, reposicionamentos na carreira, diversos aumentos de impostos e cortes salariais.

Uma reportagem de hoje sobre as tão célebres quão esquecidas aulas de substituição já foi comentada pelo Paulo Guinote, que deixou, igualmente, um desafio. A propósito disso, e muito brevemente, quero só lembrar que aos professores foi retirado, com destaque para os últimos seis anos, o bem mais precioso da profissão: o tempo. [Read more…]