O novelo

2013-03-30-17h06m45Como seria a vida se fosse um fio estendido, simples, esticável, uma sequência linear que não se enrodilhasse pelos dias? uma profunda chatice, suponho, um sossego, imagino; tranquila, acredito.

No bairro por onde deambulo não é assim. As ruas não foram desenhadas rectilíneas, traçaram-se a si mesmas por sua alta recreação tortas e escorregadias, e os seus habitantes acrescentam artes de complicar a  vida que nelas decorre..

As crianças podiam brincar às coisas simples a que os pais não brincaram, mas preferem sempre um risco detonador de aflição casas fora.

Os homens amam mulheres que amam outros homens, ou não amando são levadas a imitá-lo. As mulheres, por sua vez, amam os homens errados porque não estão certas de os amarem. Vice-versa, troquem homens por mulheres e mulheres onde está homens, é a mesma desafinação e corrupio.

As lojas continuam de portas todas abertas em plena caloraça ou invernaça, esbanjando pelo ar condicionado, que assim não condiciona.

Veio-me isto a propósito de nada e coisa nenhuma.  A vitória de Merkel, o mau dia para os meus clubes, o peditório de Portugal aos mercados à espera do resgate seguinte, são outro novelinho. Mas há dias em que nos sentimos enrolados. Para a semana o Domingo será melhor.

Este está descartado!

A caminho da Grécia.

A um Felino

Estás idoso, muito idoso. Os teus 17 anos de vida, equivalentes à juventude nos humanos, pesam-te já muito nas pernas. É verdade, os teus desvarios da mocidade, as tuas noites passadas na rua, todas as loucuras que cometeste, reflectem-se agora em alguns problemas de locomoção.
Estás connosco desde o regresso da lua de mel.
Casei sabendo que irias partilhar a minha vida. Não te conhecia, esperei pelo momento de regressar para te conhecer.
Não gosto de escolher animais. Normalmente, e tem sido assim durante quase toda a minha vida, os animais é que me escolhem. Trazidos por não sei que instinto, não sei que odor, são eles que param a meio do seu caminho, desviam a sua rota e me seguem. Ou me entram pela porta dentro. Ou chamam à minha passagem. Ou simplesmente se sentam no meu colo, onde quer que eu esteja. [Read more…]

Uns cortam nos Feriados…

Outros cortam no Domingos.

Telefonema de Domingos a Vítor Pereira

Vitor Pereira, treinador do Porto

– Pá, é bem feito para o Pinto!

– Quem? O Presidente?

– Não! O ! Agora é que eu o quero ver ao estaladão com o Americano… Aquele, o… Como é que ele se chama?

– Polga?

– Não! Esse é do Paraguai? O outro. O que tem nome de telemóvel… Oniduo ou lá o que é… Mas, o nome não interessa! O que vai ser bacano vai ser o Pinto à cabeçada com ele.

– Quem? O Presidente?

– Porra! Tu és mesmo burro! Olha lá. Esse Pinto já te ligou?

– Quem? O Presidente?

– Sim. Esse! Já te ligou?

– Ligou. Pediu-me para ir comprar pão quente para a Brasileira.

– Ah… OK… Mas…

– Mas, porque é que perguntas?

– Por nada! Era só para saber se amanhã arranco pela 222 ou se me fico por Leça…

Carta de amor a Dublin


Sabes bem como eu amo Dublin. Não é uma cidade de monumentos. Não é uma cidade linda. Mas é uma cidade fremente de vida. De noite. De paixão.
Em Dublin, amor, fomos felizes e havemos de voltar a ser. Em Dublin, fomos tudo aquilo que tínhamos sonhado. Desde que estivessem cheias as canecas de «Guiness» e de «whiskey in the jar». No mais antigo pub de Dublin, o Brazan Head (1198), lembras-te?, erguemos todos os copos em honra da Molly Malone. Estava na hora de preparar os corpos para a noite do Temple Bar.
E enquanto lemos um livro do Oscar Wilde ou do James Joyce, saboreámos o «Fish & Chips» do Leo Burdock num dos baquinhos do jardim da Christ Church. Lembras-te das paredes? Edith Piaf. Bruce Springsteen. BB King. Tom Cruise. Todos levaram de lá um guardanapo de papel e, se calhar, também se foram sentar no mesmo sítio.
Vamos deixar as compras de lado. As compras naquelas lojas caríssimas que já conheceram melhores dias. Eu sei que é Natal, mas temos tempo para os presentes.
Vamos para o Temple Bar. Ó vamos. Ó vamos. É dali que somos. Daqueles pubs que são exactamente iguais aos que vimos nos filmes. Está a tocar o Patsy Watchorn. O Davy Spillane – lembras-te do Davy Spillane a tocar na Ribeira em 1990?, foi aí que estivemos juntos pela primeira vez. [Read more…]

O Leixões – Porto e o tesão do mijo

ONDE SE FALA DAS RAZÕES DO FALHANÇO DESTE ANO E DO NOVO RUMO PARA A PRÓXIMA ÉPOCA

Mais um empate e o título mais longe. Uma semana depois de o Benfica ter perdido dois pontos, acabámos por fazer o mesmo. Por culpa de quem? Obviamente, por culpa própria. Parece que aqueles jogos contra o Nacional e contra o Sporting não passaram do habitual «tesão do mijo» que costuma marcar a entrada de jogadores novos. Chegou Ruben Micael, pegou na batuta e parecia que tudo ia mudar, mas foi sol de pouca dura.
Como é óbvio, assim perdemos o campeonato e perdemos muito bem. Podem agora vir falar do Bruno Paixão, esse magnífico árbitro que já nos roubou um Campeonato em Campo Maior e que ontem nos roubou mais um «penalty» flagrante, mas isso é «tanga». Uma equipa que luta para o título não pode estar dependente de uma jogada, tem de jogar para ganhar desde o primeiro minuto e é isso que o Porto não sabe fazer.
As coisas são mesmo assim e não há volta a dar-lhes. Claro que, se fosse ao contrário, logo viriam os do costume falar de sistema, de fruta, de vergonha, dessas coisas. Como eu sei perder, ao contrário desses, e sei acusar quem deve ser acusado, falo de um falhanço completo que tem como principal culpado Jorge Nuno Pinto da Costa. O mesmo que foi responsável pelas vitórias do passado é responsável pela derrota do presente. Não se pode desmembrar completamente uma equipa, todos os anos, e esperar que o treinador no banco – ainda por cima um treinador normalíssimo – faça milagres. Quando não há adversário à altura, pode ser que seja suficiente. Como este ano não é isso que está a acontecer, os resultados estão à vista. [Read more…]