Vai demorar muito, América?

and lock that thug up!

A democracia ganhou, mas não se livrou do trumpismo

Quando penso naquilo que me move, politicamente falando, a resposta é tão simples quanto a genial Sophia a colocou: movem-me os dias iniciais inteiros e limpos. Dias que fazem renascer a esperança na construção de um mundo e de um futuro um bocadinho melhor. Dias como estes. Dias em que abrimos a janela e sentimos aquela brisa boa da democracia a bater-nos nas trombas, entretanto transformadas em caras felizes, aliviadas pelo ponto final que os Estados Unidos da América decidiram colocaram na era sombria do neofascismo trumpista. Já temos problemas que cheguem no Ocidente, não precisamos de mais quatro anos desse idoso trafulha, com idade mental insuficiente para frequentar um jardim de infância.
A queda de Donald Trump é um balão de oxigénio para o mundo democrático, e isso explica, a meu ver, a forma como, por todo o mundo, mulheres e homens de esquerda e de direita, liberais e conservadores, festejaram a eleição de um candidato de centro-direita, que a narrativa mais fundamentalista acusava de ser um socialista, termo que, nos EUA, ainda significa, para milhões de pessoas, União Soviética (uma espécie de Venezuela, versão old school). Houve mesmo quem afirmasse que Biden tinha um programa comunista, só para termos a noção do patamar de absurdo em que nos situamos. A risota que não terá sido em Wall Street.

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There was no collusion

American way of vote

Hoje há sorteio eleitoral nos States. Não vou chamar eleições, esse processo que em democracia consiste em ir a votos e quem tiver mais ganha, aos arcaicos procedimentos que por ali se usam, muito avançados no séc. XVIII, hoje só comparáveis aos vigentes no ex-colonizador britânico.

Aliás, em matéria de comparações se somarmos os votos dos dois únicos partidos de alterne, somada a impossibilidade de um não milionário se meter de permeio, também temos a Coreia do Norte.

O modo americano de escolher o presidente, na prática o último imperador que se curvará perante um chinês escolhido com igual mestria, tem a particularidade de embevecer todos os que, por exemplo, chamam a Chavez ditador. Compreende-se, sonham com um sistema assim, sem chatices de esquerda à mistura. O princípio da igualdade nunca entrou na cabecinha viscondessa na nossa aristocracia.

Posto isto não me é indiferente o resultado desta noite. [Read more…]