American way of vote

Hoje há sorteio eleitoral nos States. Não vou chamar eleições, esse processo que em democracia consiste em ir a votos e quem tiver mais ganha, aos arcaicos procedimentos que por ali se usam, muito avançados no séc. XVIII, hoje só comparáveis aos vigentes no ex-colonizador britânico.

Aliás, em matéria de comparações se somarmos os votos dos dois únicos partidos de alterne, somada a impossibilidade de um não milionário se meter de permeio, também temos a Coreia do Norte.

O modo americano de escolher o presidente, na prática o último imperador que se curvará perante um chinês escolhido com igual mestria, tem a particularidade de embevecer todos os que, por exemplo, chamam a Chavez ditador. Compreende-se, sonham com um sistema assim, sem chatices de esquerda à mistura. O princípio da igualdade nunca entrou na cabecinha viscondessa na nossa aristocracia.

Posto isto não me é indiferente o resultado desta noite. É sabido que na Casa Branca  mais do que em qualquer outro lugar se faz o que as circunstâncias mandam, e muito pouco do que se quer. Mas há uma assinalável diferença de mortos entre Obama e Mitt Money e ainda sou pela sobrevivência dos meus semelhantes. O republicano teria aquela vantagem de acelerar alguns processos, produzir mais umas guerras que ele ou um sucessor se encarregariam de perder, mas os mortos não ressuscitam. Claro que para a extrema-direita o meu desejo de uma vitória de Obama se resume a isto:

Ora, é cool  apoiar um negro. Além disso, é preciso apoiar o pretinho, caso contrário ainda vão pensar que somos racistas, não é verdade? (…) Se calhar, o pretinho é salazarista.

Frase do grande Henrique Raposo, que só por si justifica uma campanha americana. Mentiroso, pobre de espírito, idiota, já sabíamos. Agora esta do pretinho revela uma componente sexual que Freud talvez explicasse, mas eu não vou por aí. Nem pretos, nem brancos, nem mulatos, nem amarelos. O meu género é outro.

Comments

  1. patriotaeliberal says:

    Tempos estranhos estes.
    Onde a baixeza de espírito se espalha por tudo o que é sítio quase que impunemente.

    E digo isto a propósito do que escreveu Henrique Raposo. A propósito do que o sr. Ulrich tem dito, a propósito do arrufo dos fedelhos Coelho e Seguro que governam o meu país.

    Concordo com o texto. Estas bipolaridades políticas são um aborrecimento.

    Obama ganhou o mandato como presidente dos EUA quase que por distração dos republicanos e de tudo o que se mexe por trás . Desta vez, esquecidas as guerras e os soldados mortos, os EUA mais profundos estão de volta.

    Assim sendo, espero que a vitória seja de Obama.

    Em Portugal estamos pior. A gente olha para o Passos e ….; a gente olha para o Seguro e idem.

    • Maquiavel says:

      Já eu desejaria que vitória fosse do Romney.
      É aquilo cairia pela base mais depressa…

      • patriotaeliberal says:

        Maquiavel,

        Isso pensas tu.

        Olha o que aconteceu por aqui: resmas de pessoal a votar Passos Coelho para derrotar Sócrates.

        O resultado?

        Maioria absoluta no parlamento PSD/CDS-PP.

        Isto “cairia pela base mais depressa”?

        Não só não cai como, entretanto, estamos a empobrecer e a ir a todo o vapor, tal qual as vacas, para a ordenha mecânica (embora não deliciados como as ditas).

        Quem vier a seguir tem o caminho preparado e já não há volta a dar.

        Temos um bacano em Belém a enviar mensagens pelo facebook; temos outro bacano em S. Bento com tiques de heteronímia a aumentar impostos em monólogos na TV e a ser o Pedro amigo no facebook; temos um Gaspar maníaco-obsessivo. Last but not least, temos um Seguro numa opisição violentíssima que responde a cartas do Pedro.

        • Maquiavel says:

          … e Portugal näo está a cair ainda mais depressa com Passos & gang que com o Socras y su pandilla?

          Embora neste caso, referia-me mais ao Romney armar-se em cowboy, e depois leva como resposta o acelerar disto:
          http://www.voltairenet.org/article175038.html
          Os EUA de 2012 säo como a URSS de 1985, está tudo preso por arames.


  2. Não é bem assim.. O autor deste artigo está a esquecer que os próprios candidatos democráticos e republicanos se submetem a uma escolha dentro do partido e que essa também é por votação universal. E se juntarmos as primárias a esta eleição e se a esta eleição juntarmos o facto da assembleia de representantes e o senado terem “deputados” eleitos pelos partidos mas que são verdadeiramente representantes do povo no sentido em que acima da “disciplina de voto” totalmente inexistente defendem as suas opiniões, se pensarmos que o presidente eleito tem que os convencer da bondade das suas decisões de todas elas no mínimo este artigo revela uma opinião bastante parcial. Isto independentemente de obviamente existirem defeitos no sistema, agora reduzir a democracia americana a um sorteio não é factualmente correto e não contribui muito para o esclarecimento. Desculpem a opinião frontal.


    • A opinião é respeitável. Agora a realidade que obriga alguém para ser candidato a pertencer a um dos dois partidos, o facto de as campanhas se basearem em publicidade paga, e o já ter acontecido pelo menos uma fraude eleitoral do tamanho de um irmão Bush, é que não coincide.

  3. maria celeste d'oliveira ramos says:

    E segundo é dito os biliões gastos nas campanhas eleitorais dos USA daria de comer a quem tem fome e medicina a quem morre por não a ter – os USA são um país miserável bonito por fora e um cagalhão por dentro

  4. maria celeste d'oliveira ramos says:

    E Obama não faz o que quer – faz o que o deixam e mandam fazer – é uma “rainha de inglaterra” ou menos – basta ouvir os entrevistados durantes as campanhas – e o que gastam para se legalizarem e fazerem guerra a todo o mundo excepto a Israel e terem Guantânamo e o mundo assiste

  5. maria celeste d'oliveira ramos says:

    E terem a pena de morte e o maior nº de cadeias per/capita do mundo e os soldados mais imorais do mundo – a fotografia de uma soldada a fazer xixi em cima de um “inimigo” prostrado pelo chão devia correr mundo e ser oferecida a merkel com dedicatória e emoldurada

  6. maria celeste d'oliveira ramos says:

    Mas quem manda são os falcões e ?? quem faz as armas e o negócio delas – e nada mais sei mas deve haver mais – Assange foi preso por revelar algumas coisas


  7. O sistema eleitoral nos Estados Unidos e tudo menos democrático, basta lembrarmos-nos que o Bush filho foi eleito com menos votos que o Al Gore. Enfim americanices.
    Espero que o Obama ganhe, porque nos dá uma pequena esperança para um futuro melhor, se a escolha recair sobre o Romney será o desastre final para todos nós.
    Em relação ao que o senhor Henrique Raposo escreveu, só posso dizer isto, é de uma pobreza de espírito gritante, o homenzinho para além de ignorante é racista.

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