Não é vitória. É castigo

Em 2001, Fernando Gomes perdeu a Câmara do Porto, por castigo.

Foi o preço por ter aceite trocar a cidade do Porto, pelas delícias do estatuto de Ministro-adjunto e da Administração Interna na capital do império em 1999, em pleno mandato de Presidente da Câmara do Porto.

As gentes do Porto não gostaram da troca. E, tal como a mulher abandonada que vê à porta o marido regressado da casa da amante, porque as coisas não deram certo, as gentes do Porto bateram-lhe com a porta na cara.

Rui Rio, contra os oráculos, tornou-se presidente da Câmara do Porto, porque Fernando Gomes foi castigado pela infidelidade.

Ontem, as gentes de Lisboa não deram a vitória a Carlos Moedas: castigaram Fernando Medina.

O socialista, há poucos dias, tinha sido considerado pela esmagadora maioria dos inquiridos numa sondagem, como mais arrogante do que Carlos Moedas.

Foi a permanente arrogância de Fernando Medina, a principal razão do castigo. E o caso das informações às embaixadas – e, pior, o modo como lidou com todo o processo a salvar o seu gabinete de apoio e queimar na praça pública um funcionário -, caiu mal. Muito mal.

Até porque os valores de Abril, são queridos por muita gente que não é comunista ou sequer socialista. É gente de um centro social-democrata que sem cravos ao peito, defende, também, a democracia, a liberdade, a igualdade, o direito à manifestação, à privacidade, à inviolabilidade da sua correspondência e o respeito pela dignidade da pessoa humana. E, também, não suporta bufice. [Read more…]

Noites e noites frente a uma embaixada

Da primeira vez cheguei demasiado tarde (seriam 9.30h) e tive que voltar no dia seguinte. Assim, às 5.45h, lá estava eu a juntar-me a uma fila de pessoas no passeio, frente à embaixada de um país africano de língua portuguesa. Um, dois, três, quatro, trinta, trinta e um. Eram 5.45h e eu era o número trinta e um na fila, sabendo que apenas seriam distribuídas trinta senhas para pedidos de visto de entrada. Voltei a contar: trinta e três, desta vez. O melhor era manter-me no meu lugar e acreditar na providência.  Estava frio, chovia e iam chegando mais e mais pessoas, grande parte sem a mínima possibilidade de receber a dita senha.

Havia uma triagem prévia de documentos à porta da embaixada, o que fez com que algumas pessoas à minha frente não pudessem entrar e me colocou entre os primeiros trinta. Lá dentro, de guiché em guiché, detectaram algumas imprecisões menores na minha carta de chamada. Teria que voltar no dia seguinte, desta vez sem necessitar de senha. Agora está tudo bem, disseram-me nesse outro dia, mas hoje não é dia de aceitar pedidos de vistos, volte amanhã. Tentei insistir mas não adiantava, teria que madrugar outra vez frente à embaixada.

A experiência entretanto acumulada dizia-me que teria que chegar mais cedo ainda. Apontei para as cinco da manhã mas cheguei às 4.30h. [Read more…]