Abrir Abril

As emoções sociais, não tendo exactamente as mesmas características das emoções básicas, têm uma origem neurofisiológica muito aproximada, ou mesmo comum. As emoções básicas, como o amor, o medo ou a repulsa, são, contudo, do ponto de vista neurofisiológico, muito mais antigas, resultando as emoções sociais, como, por exemplo, a admiração ou a compaixão, de estados evolutivos alcançados em tempos mais recentes, sendo a expressão do processo contínuo de aperfeiçoamento do ser humano.
Ainda assim, António Damásio distingue dois tipos de admiração e de compaixão, conforme a sua filiação neurofisiológica e anatómica ao aparelho músculo-esquelético ou ao meio interno e às vísceras.

A admiração que sentimos pelos feitos extraordinários de um grande militar ou de um grande atleta, é uma emoção social com uma origem neurofisiológica diferente, embora simétrica, da admiração que sentimos por um homem santo ou um grande benemérito da humanidade. O mesmo acontece com a compaixão, outra das emoções sociais mais importantes, que sentimos perante quem é exposto a sofrimento físico ou, diversamente, a sofrimento moral ou “mental”.
Existe, contudo, uma diferença importante entre estes dois tipos de emoções sociais. A admiração pelo atleta e a compaixão pela dor física, são emoções que se instalam e também desaparecem com mais rapidez do que a admiração pelo Santo e a compaixão pelo sofredor moral. Dir-se-ia que são emoções mais superficiais, reacções da pele, ligadas neurológica e anatomicamente ao aparelho músculo-esquelético, a estrutura do corpo que permite o movimento no espaço, a deslocação. Numa palavra, a transitoriedade.

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25 Poemas de Abril (VI)

Por ti , pelo teu ódio à Liberdade
à Razão e à Verdade
a tudo que é viril, humano e moço
a fome e o luto apagaram os lares
e os homens agonizam aos milhares
no exílio, no hospital, no calabouço

Por ti, raivoso abutre,
cujo apetite sofrego se nutre
de lágrimas, de gritos, de aflições,
gemem nas aspas da tortura
ou baixam em segredo à sepultura
os mártires que atiras às prisões [Read more…]

Abril pode ser no mês que um homem quiser

Uma explicação:  à revelia dos meus colegas aventadores (sim, o 25 de Abril começou por ser um golpe de estado) espalhei hoje por aqui várias cantigas que têm sido armas, excluindo propositadamente os clássicos da música dita de intervenção. Comemorar o 25 de Abril é muito bonito, ficar pelo saudosismo (que o tenho) ou pela discussão sobre o que foi ou não cumprido, é feio.

O passado de nada nos serve no presente se no presente nada fizermos pelo futuro. Quase 40 anos de governos repetidos trouxeram-nos a mais uma crise (estamos em crise desde 1973, banalizámos a crise, mas ela existe). No mundo, admito a possibilidade de o capitalismo superar esta convulsão, que passa pela transferência do imperialismo dominante dos EUA para a China, mas ensina-nos a história que nunca tal sucedeu sem guerra.

É um tempo de guerra o que vamos viver na próxima década. Pode ser, e espero bem que seja, uma guerra lenta, espaçada, de veludo mais ou menos frio. É um tempo de miséria o que temos pela frente, tal como sucedeu na década de 30 do séc. XX (e já assim tinha sido no séc. XIX). Mas é também um tempo onde aos homens e mulheres competirá decidirem do seu destino. As revoluções hoje podem não se fazer como no século passado. Podem ter mais ou menos sangue. Podem ser Tunísias, mas também podem ser Líbias ou Sírias ou Bahreins. Mas fazem-se, e vão fazer-se. A história nunca viveu sem elas e a história não acabou.

Eu fui à rua em Março – Música Rui Rebelo, Letra Miguel Castro Caldas

Esta cantiga, e outras, descobria-as no facebook, essa invenção reaccionária que por vezes vira revolucionária, num grupo que uma amiga em boa hora criou: (Banda Sonora para) Uma R E V O L U Ç Ã O. Passem por lá, para matar saudades do passado mas também para terem saudades do futuro que aí vem.

Imagens de Abril: Revolução Portuguesa

Imagens de Abril: A Revolução em Marcha – Povo MFA