Nada corre bem a Rui Rio

Rigorosamente nada.

Missão de resgate na Guiné-Bissau

Mas… afinal existe?


Já vai a caminho da Guiné-Bissau, uma das tais fragatas milagrosamente construída nos anos 80. Portugal “não precisa de navios de defesa, a não ser alguns patrulhas, um navio-hidrográfico e umas lanchas pesca-náufragos”. A NATO e os espanhóis tratam do resto”.
Em resumo, aqui está a teoria dos inteligentes da nação que quando precisam, recorrem aos parcos efectivos das Forças Armadas para satisfazer as suas políticas. Este é mais um caso e embora ainda não se perceba bem o que está a acontecer em Bissau – lutas pelo controlo do tráfico de droga, tribalismos vários, ódios e ambições políticas ou outros interesses que envolvem dinheiro -, a verdade é que há quem avise acerca da soberania guineense sobre o seu território e orla costeira. Uma novidade neste nosso país onde as sumidades mandantes nos enchem os ouvidos com “desígnios”, Zonas Económicas “Exclusivas” e outros recursos oratórios de enfarda-chouriços.
Mas existe outro aspecto a ponderar: afinal, após trinta e sete anos de independência, a Guiné-Bissau existe? Ou aquelas fronteiras delimitavam um espaço mantido uno por uma certa nefanda presença que de vez em quando ainda intervém? A uns dias do 25 de Abril, pensem no caso.

Da Guiné

“Apelo dramático à comunidade internacional”
Na Guiné prendem-se os de opinião diferente. Cá não, que isto aqui é uma democracia.

Conversa do chácha

Há trinta e sete anos, o que este país andou a ouvir acerca de colonialismos, ocupações e outras conversas então na moda! As Forças Armadas “jamais” deixariam o rectângulo europeu e apenas serviriam para a segurança da população e da independência nacional.
Viu-se, vê-se! Intervenções regulares no antigo Ultramar, desta vez sob as mais diversas formas de encapotamento daquela realidade que todos conhecemos: após décadas de independência e única e exclusivamente apenas excluirmos Cabo Verde, temos uma plêiade de Estados falhados, entregues a quem bem conhecemos. Nos maiores territórios, os mais básicos indicadores de desenvolvimento regrediram ao início da década de 50 do século passado e nem sequer valerá a pena voltarmos a contabilizar as montanhas de mortos sobre os quais os regimes se alicerçam. Em suma, já não cola o argumento do dedo apontado ao colonialismo que tudo justificou. Passaram mais de duas gerações. No caso da Guiné, ao vergonhoso fuzilamento sumário de dezenas de milhar de antigos soldados que serviram o Exército Português – “não temos nada com isso, eram pretos”… -, soma-se o descalabro social e económico, a constância da chacina dos tittulares do poder em Bissau, o total abandono das populações ao livre arbítrio e para cúmulo, a transformação do país numa placa giratória do narcotráfico internacional. Em suma, uma espécie de escondida Somália atlântica.
Agora, Portugal prepara mais uma intervenção militar na Guiné. A desculpa é clássica, com o recurso à defesa dos corpos e talvez das almas dos residentes portugueses no território. Pois…