Mas… afinal existe?


Já vai a caminho da Guiné-Bissau, uma das tais fragatas milagrosamente construída nos anos 80. Portugal “não precisa de navios de defesa, a não ser alguns patrulhas, um navio-hidrográfico e umas lanchas pesca-náufragos”. A NATO e os espanhóis tratam do resto”.
Em resumo, aqui está a teoria dos inteligentes da nação que quando precisam, recorrem aos parcos efectivos das Forças Armadas para satisfazer as suas políticas. Este é mais um caso e embora ainda não se perceba bem o que está a acontecer em Bissau – lutas pelo controlo do tráfico de droga, tribalismos vários, ódios e ambições políticas ou outros interesses que envolvem dinheiro -, a verdade é que há quem avise acerca da soberania guineense sobre o seu território e orla costeira. Uma novidade neste nosso país onde as sumidades mandantes nos enchem os ouvidos com “desígnios”, Zonas Económicas “Exclusivas” e outros recursos oratórios de enfarda-chouriços.
Mas existe outro aspecto a ponderar: afinal, após trinta e sete anos de independência, a Guiné-Bissau existe? Ou aquelas fronteiras delimitavam um espaço mantido uno por uma certa nefanda presença que de vez em quando ainda intervém? A uns dias do 25 de Abril, pensem no caso.

Comments

  1. nightwishpt says:

    Tem razão, já não me queixo de estar a perder mais de 14% do ordenado para pagar dois submarinos!

  2. Os barcos patrulha construídos em Viana do Castelo, que o Estado não pagou e deixou os ENVC à beira da falência? Havia de ser com os Alemães…
    Outro caso, quando naufragou a “Virgem do Sameiro” quem foi resgatar os pescadores?
    Quanto aos submarinos, tinham que ser aqueles? Tinham que ser importados? Tinham que ser tão caros? Não se anunciaram naqueles tempos umas “compensações”?

  3. Seria óptimo que nas relações internacionais deixasse de ser necessário o uso de forças militares. Mas ainda não chegámos a esse grau de civismo internacional!!! Por isso os militares são necessários e têm que ser eficientes.
    Esta pronta reacção mostra aos que tanto criticam os militares, que estes não são simples funcionários públicos, pois não há outra profissão que disponha de imediato de um efectivo como o agora mobilizado, em que cada elemento deixou os familiares e outros interesses pessoais e partiu para uma missão sem duração definida e com riscos imprevistos, sem horário (24 horas por dia em alerta).
    Acerca disto, o meiu amigo AMF escreveu em comentário:
    Como é óbvio, estamos de acordo que os militares não são «funcionários públicos» pois até há um estatuto da «condição militar» mas que, com frequência, é esquecido pelos governantes e políticos e, até, por determinados sectores da sociedade.
    Abraço amigo,
    AMF.

    Cumprimentos
    João

  4. Afonso Jorge says:

    O almirantado adora manobras!!!

  5. Tito Lívio Santos Mota says:

    A Guiné-Bissau existe porque NÓS e as outras potências coloniais a inventamos.
    O tráfico de droga existe porque há clientes na Europa e na América.
    A Guiné-Bissau é apenas uma sequela da política colonial portuguesa, em particular, e europeia em geral.
    Sabiam que a capital da antiga Casamança (nome que os portugueses deram ao que encontraram antes de colonisar), se encontra hoje no Senegal?
    Que os ingleses impuseram ao Senegal a existência do Gana, perfeita aberração geo-polícia a que os senegaleses chamam educadamente “supositório” ?

    Pusemos e dispusemos da África segundo os nossos interesses sem ter em conta nem a história nem o direito dos povos.
    Criamos uma elite de sobas mantida no poder para maior proveito dos nossos interesses (ou de outros quaisquer que não os dos africanos) e achamos que vamos resolver os problemas que NÓS criamos, à paulada e à força de navios de guerra.

    Se eu tivesse 18 anos, a lutar por alguém, lutaria certamente pelo direito dos guineenses a dar um pontapé no supositório que lhes metemos no traseiro há mais de um século e a daria com vontade um tiro nos “cornos” do sobas que nos servem e nos hipócritas que mandam navios de guerra para tirar uns sobas e meter lá outros para continuarem todos a chupar os africanos como se de nada fosse.

    Mas o Mundo ainda não acabou e a História faz-se. Faz-se sempre, demora é mais tempo a fazer-se que o tempo das nossas vidas.

  6. Nuno Castelo-Branco says:

    Tito Lívio, falou e disse: “se”. Ora, o mundo não vive de “ses”.

    • Tito Lívio Santos Mota says:

      talvez, mas neste caso Portugal não tem que meter o bedelho.
      O problema é dos guineenses e são eles que devem resolver o assunto.

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