«Uso de português em debate de candidatos presidenciais timorenses causa polémica».
A língua portuguesa e a coboiada
Meninas de mini-saia estão mesmo a pedi-las
Com o alto patrocínio da diplomacia nacional-trumpista, o director educativo municipal de Díli divulgou uma mensagem onde defende a proibição de mini-saias e roupas transparentes nas escolas de Timor-Leste, como forma de combater a violência de género. Já para as crianças e adolescentes do sexo masculino, a proibição fica-se pelo consumo de álcool e drogas no recinto escolar. Parece-me equilibrado: Introdução à Sharia para as meninas, Detox para os meninos. Pelo menos no interior das escolas. Cá fora podem beber e fumar o que lhes apetecer. Já as meninas, caso decidam seguir o caminho do pecado, é porque estão a pedi-las. [Read more…]
Crónicas de Timor-Leste – I
António José
Nota prévia:
O meu amigo Tozé é, há uns bons 30 anos, o mais ardente defensor da causa timorense que em Portugal houve. Anarquista e libertário, dos verdadeiros e dos sete costados, passou de Tozé Fotógrafo ao Tozé por Timor. Não abraçou a causa, como tantos fizemos, porque entre ele e a causa houve mais fusão que dialéctica.
Um dia, tantas vezes o esperámos, Timor tinha de conhecer o Tozé, e o Tozé não se importava nada de conhecer Timor. Já lá está, Coimbra emprestou-vos o Tozé, é favor devolverem intacto e bem disposto, e aqui vou adaptar o que nos vai contando no Facebook; são crónicas de um fotógrafo, as imagens não me chegam nas melhores condições, mas faz-se o que se pode e a mais não somos obrigados.
João José Cardoso
25/2/2015
Há coincidências engraçadas… acabo de me cruzar com Adelino Gomes. Não resisti e incomodei-lhe a leitura. Uns dedos de conversa … “lembra-se nuns Dias do Desenvolvimento?”… Em que o encontrei mais de três décadas depois de o ouvir falar pela primeira vez, sobre Timor-Leste … tinha a Indonésia invadido Timor e dizimava… Obrigado Adelino Gomes. Foi consigo que a ilha encantada começou aqui “por dentro”. [Read more…]
A diferença
Cavaco Silva está de visita a um país recentemente independente pela força e vontade do seu povo. Um país que Portugal abandonou aos invasores. Em Timor faltam estradas, casas, empregos, hospitais e medicamentos, comida, sapatos e roupa para os seus habitantes. Timor possui um Fundo do Petróleo, um “pé de meia” precioso para o desenvolvimento.
Oficialmente, o cavalheiro 23%, consumidor de dezassete milhões e quinhentos mil Euros anuais – fora os “outros comensais” na retraite e o resto que não sabemos -, decidiu-se a uma visita de cortesia para saudar o novo Presidente da República de Timor-Leste, Sua Excelência Matan Ruak, herói da libertação nacional. Essa é a desculpa oficial para a ausência, mas certa, certa, foi a sugestão a tresandar a pedinchisse que me deixou vermelho de vergonha. Como se atreve a fazê-lo, quando foi ele próprio que não soube administrar o equivalente a dezenas de frotas de naus carregadas de pimenta, charões, lacas e porcelanas da China e ouro e diamantes do Brasil, desta vez sob a forma de Fundos da antiga CEE?
O video mostra toda a diferença. Imagens como estas jamais serão vistas em Portugal, nem que vão até Plutão arrebanhar todos os Cavacos, Sampaios, Soares, Tomases, Carmonas, Craveiros Lopes, Bernardinos e Almeidas que encontrarem. Nunca! Realmente, os poderes fécticos não são, nem podem ser eleitos. Basta de camarilhas.
Timor-Leste
Sempre foi um tema aborrecido para o sistema que durante anos a fio, procurou ocultar a responsabilidade por aquilo que acontecera em Timor. Quando os ventos começaram a mudar, então sim, foi vê-los – Sampaio e muitos, muitos outros – alegremente “aderirem” à “nova causa” da independência timorense.
O Irmão Mais Novo de Timor Leste
Estou completamente de acordo com este poste do J. Mário Teixeira e saúdo-o por aqui recordar a efeméride.
Isto das causas tem tanto que se lhe diga que, com um Timor-Leste aqui à porta -o Saara Ocidental- todos fecham os olhos e negoceiam alegremente com a “Indonésia” do caso. Porquê? Porque há demasiados interesses comuns e muito investimento em casa de um ocupante que também é um vizinho importante.
E porque é que eu, ao ler estas declarações, me lembro do mestre a ganhar tempo, a emperrar negociações e empurrar peças de xadrez com a barriga que era Ali Alatas? E, ao lembrar-me, comparo a Europa que (tardiamente) se solidarizou com Timor com esta Europa que acena e diz que sim, que compreende inteiramente a posição do MNE marroquino, que é preciso dar tempo ao tempo, que a boa-vontade é grande e etc. & tal & rebéu, béu, atirando para as calendas o reconhecimento dos direitos sarauís.
As causas funcionam, claro, mas longe nossa casa, se possível do outro lado do mundo. Ou não somos todos a favor de maior justiça social entre os chineses?
O (Des)acordo Ortográfico
Encarado nas estritas perspectivas histórica e cultural, não haverá muita argumentação em favor do Acordo Ortográfico.
Recordo o modo como há dezenas de anos que Jorge Amado é apreciado em Portugal e como este autor brasileiro afirmou que como escritor devia muito a Ferreira de Castro. Portanto, ao longo dos tempos a apreciação da literatura de ambos os países é mútua, sem necessidade de codificação comum, e isso parece-me inegável.
Eu não preciso do Acordo Ortográfico para ler autores de língua portuguesa, seja qual for a nacionalidade. Nem vejo qual o ganho com a uniformização. Aliás, em matéria cultural, a uniformização não é sinónimo de maior riqueza, bem pelo contrário.
Acredito, sim, que se trata de um acordo que facilita o mercado editorial/livreiro, que expande mercados, e que congrega e dá maior sentido à CPLP – porque a matéria anda a ser sempre debatida como se fosse uma questão Portugal/Brasil, mas há que lembrar que também há países africanos envolvidos, bem como Timor-Leste.
O Acordo Ortográfico, será, pois, apenas uma questão económica. Tanto mais face ao crescimento exponencial do Brasil que, sendo o único país de toda a América Latina a falar português, consegue, por exemplo, ser líder do Mercosul e a referência de crescimento económico daquele continente.
O Acordo Ortográfico parece-me ser um instrumento económico, ajustado à tendência da emergência de novas potências económicas (China, Índia, Brasil, etc.), e, eventualmente, dará maior congregação e significado á existência da CPLP . Se não for nesta perspectiva, não vislumbro qualquer interesse em tal Acordo, bem pelo contrário: na cultura a uniformização é redutora, logo incompatível com os pressupostos de pluralidade e de riqueza em que deve assentar a evolução cultural.









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