Os finalistas do Secundário segundo Maria João Marques

Dedicado à Maria João Marques, que nunca, nunca desilude

 

Cenário: quarto de hotel em Torremolinos. Dois finalistas perdidos de bêbedos. Fábio tenta pegar num colchão e arrastá-lo para a varanda. Tiago tenta ouvir o colega enquanto vomita.

Fábio: Man, ajuda aí a atirar com esta cena lá pa baixo!

Tiago: Pera, que tou a vomitar e não consigo ouvir.

Fábio: Mas tu vomitas pelos ouvidos, man? Na volta, ainda tens as pupilas gustativas nos olhos!

Tiago: Diz agora. Já vi que vomitei o jantar de anteontem, já deve ter acabado…

Fábio: Era para me ajudares atirar esta cena lá pa baixo, a ver se acertamos na piscina,´

Tiago: Man, não curto essa cena, porque esta cena é propriedade privada do hotel.

Fábio: Qu’é qu’isso tem a ver? Não vês que o governo  se vê, qual pasionaria em guerra civil, imbuído da missão de atacar a propriedade privada dos portugueses?

Tiago: , se o governo se vê embebido dessa cena, quessafoda o colchão!

Fábio: É isso, a malta tem ser bons alunos da geringonça, man!

Depois de atirarem o colchão, Tiago tem mais um acesso de vómito.

Fábio: Fogo, já paravas com essa merda.

Tiago: Não pode ser, sou contra a propriedade privada. O que eu tiver comigo é nosso.

Não é caca, é mesmo merda

eat shit

Anda a nossa extrema-direita neoliberal numa desmesurada lufa-lufa tendo por alvo a Raquel Varela. Não procurem uma linha que seja onde se critique o que tem a moça publicado sobre o país onde estamos – não há. Mas já teclar sobre a personalidade, o clássico argumentum ad hominem, floresce-lhes nos dedos com uma dimensão inesperada.

Ele foi a Helena Antena1 Matos, por conta do guarda-roupa de Passos Coelho, a beata Maria João Marques desenvolvendo o tema dos trapos, sobre o que imagina nos seus piores pesadelos ser o socialismo, e agora André Azevedo Alves em pleno estilo Ramiro Marques, a que pelos vistos não segue só a linha censória de comentários, caindo na velha argolada de invocar o socialista e notável anti-estalinista George Orwell para meter uns bacóros ao barulho.

Ainda pensei que tanto trabalho vindo de quem despreza o papel da sua força se deveria a uma pepinada televisiva que a rapariga frequenta, e nunca consegui ouver dadas outras presenças intelectualmente repulsivas. Mas parece ter a coisa explicação mais prosaica. Escreve este último: [Read more…]

A ortografia “sei lá”

A questão ortográfica não é suficientemente importante para que faça sentido uma corrida ao armamento, mas é demasiado importante para que qualquer pessoa se permita emitir opiniões, especialmente se não se informar minimamente. É demasiado importante por variadíssimas razões que incluem, entre outras, o peso da escrita na sociedade actual, as relações complexas entre ortografia e fala ou a importância de aspectos etimológicos (úteis para a compreensão das palavras e para a relação com outras línguas).

Maria João Marques (MJM), membro do blogue Insurgente, cultiva uma imagem de leviandade que confunde com humorismo (e já não é a primeira vez que me dou ao trabalho de comentar aquilo que escreveu, o que me mereceu a duvidosa glória de ter tido um texto comentado pela Paula Bobone). Agora, estende a sua leveza a uma coluna do Observador, o que é um direito que lhe assiste, evidentemente.

Recentemente, resolveu emitir a sua opinião sobre o chamado acordo ortográfico, num texto ligeirinho, como convém, que a silly season é quando uma pessoa quiser. [Read more…]

Do direito à futilidade

Ó Maria João, se eu mandasse, nunca me passaria pela cabeça retirar-lhe o direito a ser fútil e a julgar-se engraçada e educada, actividades que consegue praticar com grande autonomia. Já percebi, de qualquer modo, que, para si, discutir Política e Educação corresponde a comentar o verniz das unhas ou as camisolas da Catarina Martins e a fazer associações simplistas entre partidos e regimes políticos ou a chamar políticas socialistas à corrupção do Estado. Diante de si, estarei sempre em desvantagem, porque não tenho competências de “fashion adviser” que me permitam debater consigo, por exemplo, a Educação, esse tema que passa, sobretudo, pelo comentário à barba de três dias ou ao corte dos fatos de Nuno Crato. Ainda me lembrei de voltar a falar do conteúdo do texto da Inês Gonçalves, mas – lá está – não estou apto a escrever sobre as tendências da moda para este ano.

Também eu, Maria João, sou um ferocíssimo defensor do direito de todos nós à futilidade. É graças a essa prática continuada da futilidade que sou capaz de me divertir a ler o que escreve, porque é importante, também, lermos textos que não nos ensinem nada de importante, tal como é fundamental para o meu equilíbrio emocional ouvir os dislates de personagens como uma Paula Bobone ou um Cláudio Ramos. A Maria João é, no fundo, o gloss com que me mimo para não estar sempre sisudo a pensar em coisas importantes. [Read more…]

A Maria João Marques será uma criatura?

É possível. Sem dúvida que burra e ignorante. Vá ler poesia,  cresça, minta menos e apareça.