Jornal O Jogo cai no ridículo

Se o caso que faz notícia é, em bom rigor, uma absoluta nulidade, a falta de profissionalismo de quem a escreveu e do respectivo editor é gritante. A modelo da Playboy andava “aos saltitos” e quase foi atropelada pelo pelotão do Giro. “Infelizmente nada aconteceu“, o que é uma pena, pois teria sido fabuloso se a senhora fosse atropelada. Pelo menos a julgar pelo teor desta peça. Um aplauso para o jornalismo de qualidade.

Imagem via Os truques da imprensa portuguesa

 

Indignados contra a manifestação

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=tV4io-BK4Ls]

Participei na manifestação de Lisboa, com a minha mulher. Não somos ambos participantes assíduos e permanentes em manifestações. A última em que tínhamos estado foi a de 15 de Setembro. Antes, apenas eu, estive entre os manifestantes de 12 de Março de 2011.

As notícias, respeitantes ao número de aderentes, em certos casos, causam-me vómitos. Com imagens, e quem estudou comunicação sabe que  usando até a mesma imagem é possível transmitir diferentes perspectivas do acontecimento fotografado ou filmado; em ambos os casos por se tratarem de variáveis igualmente definidas em função do momento, tempo, em que se colhem as imagens.

A SIC ontem realizou um mau serviço. Captou imagens do Terreiro do Paço com a luz do dia, dado o horário estabelecido para o helicóptero. Fê-lo muito antes daquela praça encher, ao ponto de ignorar os muitos manifestantes que percorriam as Ruas do Ouro (principalmente esta), Augusta, havendo também gente, a maioria de idade, que se ficou pelos Restauradores e Rossio.

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A professora que falava de sexo

A professora Josefina Rocha, da Escola EB 2,3 Sá Couto, em Espinho, será julgada, acusada de ter ofendido e humilhado duas alunas. Espero, em primeiro lugar, que a professora seja condenada ou considerada inocente, o que é tão óbvio que merece ser reafirmado. Estranhamente, para o leigo que sou, o juiz terá afirmado que os indícios apontam para “uma provável condenação da arguida.”

Depois, gostaria de vir a perceber a importância que a gravação da aula, realizada à revelia da professora, teve, efectivamente, no processo, sobretudo tendo em conta outras decisões tomadas pela justiça acerca de escutas. Será, também, importante saber que riscos poderá vir a correr qualquer professor cujas aulas possam ser gravadas sem o seu consentimento. Para quem estiver interessado em ouvir, é anunciado que poderá descarregar aqui um ficheiro mp3 com a célebre gravação.

Entretanto, considero absolutamente lamentáveis as escolhas dos títulos do Público (“Professora que falava de sexo nas aulas de História vai a julgamento“) e do Correio da Manhã (“Professora que falava de sexo vai ser julgada“). Não é preciso saber muita gramática para perceber que aquele imperfeito (“falava”) serve para transmitir a ideia de um hábito, de um acontecimento frequente. Ora, tanto quanto sei, a professora está a ser julgada por causa do que aconteceu numa aula e não por ter o hábito de falar de sexo em todas as aulas.

Finalmente, e dentro dos limites éticos da profissão docente, não sei como é possível ensinar História ou Literatura, por exemplo, sem falar de sexo, de política ou de religião, por exemplo. Se o politicamente correcto americanóide vier a impor-se, estou a ver muito professor a ser obrigado a engolir a cicuta.