Indignados contra a manifestação

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=tV4io-BK4Ls]

Participei na manifestação de Lisboa, com a minha mulher. Não somos ambos participantes assíduos e permanentes em manifestações. A última em que tínhamos estado foi a de 15 de Setembro. Antes, apenas eu, estive entre os manifestantes de 12 de Março de 2011.

As notícias, respeitantes ao número de aderentes, em certos casos, causam-me vómitos. Com imagens, e quem estudou comunicação sabe que  usando até a mesma imagem é possível transmitir diferentes perspectivas do acontecimento fotografado ou filmado; em ambos os casos por se tratarem de variáveis igualmente definidas em função do momento, tempo, em que se colhem as imagens.

A SIC ontem realizou um mau serviço. Captou imagens do Terreiro do Paço com a luz do dia, dado o horário estabelecido para o helicóptero. Fê-lo muito antes daquela praça encher, ao ponto de ignorar os muitos manifestantes que percorriam as Ruas do Ouro (principalmente esta), Augusta, havendo também gente, a maioria de idade, que se ficou pelos Restauradores e Rossio.

Eu e a minha mulher, saindo às 16:00 horas do Marquês de Pombal, no meio da massa humana mais densa que eu já alguma vez vi na Avenida da Liberdade, chegámos ao Terreiro do Paço às 18:00 e, olhando para trás, via-se uma multidão compacta até ao Rossio – e ainda havia muito mais gente atrás.

Avaliar, pois, número de participantes por aqueles, a que a uma certa hora da tarde, a quem faltavam juntar-se muitos, muitos mais, é mau jornalismo. Da SIC ou do ‘Público’ que se limitou a dizer  que nem 180 mil manifestantes estiveram no Terreiro do Paço ou que as manifestações tiveram pouco eco na imprensa internacional – no corpo da notícia, contraditoriamente, cita o El País, o El Mundo, a BBC, a rádio francesa RFI, o Nouvelle Observateur’, Le Point, Le Parisien, o Washington Post, The Wall Street Journal e até a Al Jazeera como órgãos de comunicação social que, a nível internacional, se referiram às manifestações em Portugal. Deveriam acrescentar também o The New York Times, que também focou os acontecimentos e qualquer jornal português ao pé deste é um pasquim de aldeia.

Ainda não percebi se tudo isto é mau jornalismo ou, se entre alguns destes papagaios da palavra oral ou digitada, não existe igualmente um certo número de indignados contra as manifestações. Se sim, metam nos vossos empedernidos cérebros que a ‘troika’ e o governo também os vão  lixar, como lixaram já muitos dos vossos camaradas de trabalho.

Comments


  1. Que bom que a manifestação correu bem e correspondeu ás espectativas de demonstração de um povo indignado com tudo o que lhe têm feito e vão continuar a fazer.
    Mas gostava de deixar aqui a minha indignação a estas manifestações e ao resultado delas…primeiro continuamos a assistir ás manobras politicas de alguns que sabendo da indignação manifestada de várias formas usam e abusam para liderar as manifestações como se o povo manifestante fossem uns carneirinhos esquecendo-se que durante estes anos nada fizeram para proteger as pessoas que os elegeram e chegamos ao que chegamos e eles agora estão se armando em santos como se não tivessem culpa no que está acontecendo (eles sempre estiveram por dentro) mas tinham de manter as mordomias não deixando que a sociedade ela sim tem direito, o dever, a obrigação, a se manifestar porque estão sendo mutilados em vários aspetos da sua vida em todos os aspetos, a segunda é que estas manifestações não passam disso mesmo e o governo está á vontade para continuar na sua senda de destruição do estado tal como ele existe á muitos anos porque os manifestantes já se manifestaram e aqueles que os lideraram na manifestação vão manter os manifestantes quietos ou seja vão fazer o jogo do governo. Claro que os governantes sabem disso e a esta hora já devem estar a fazer contas de como vão pisar mais o povo portugues em nome de uma trica que não possa de um grande troico para lixar toda uma sociedade que trabalhou para criar riqueza ao país e que hoje se vê com uma mão atrás e outra á frente.
    Estou cada vez mais convencido que a troica não passa de um tru(oi)co…para lixar tudo o que construimos….


    • Sinceramente, tenho alguma dificuldade em compreender e avaliar o seu comentário. Sempre na vida, as manifestações, mesmo a do 1.º de Maio de 1962 que é a mais remota que me lembro de ter participada, tiveram uma estrutura a programar e a estabelecer a organização do evento.
      Justamente deixei de ir a manifestações – e comícios, é verdade a comícios – quando estes se tornaram meros veículos de propaganda do partido A ou B. Ontem, não foi o caso, tanto que chamam às estruturas que as organizaram os movimentos inorgânicos que, estou certo, não têm qualquer cumplicidade com o poder. E houve ainda as chamadas marés, como o caso da maré da MAC – Maternidade Alfredo da Costa que o governo quer encerrar. Então, acha, que médicos, enfermeiros, pessoal operacional e administrativo da MAC, presentes em grande número, foram para a rua reclamar o fim do seu emprego?
      Temos de ter um pouco de clarividência na análise. Estar contra tudo e todos, ignorando que o governo é o adversário principal, é um erro grave.
      Há manifestação. Quem não quer ir não vai! Ponto final.


  2. Sobre jornais e jornalistas e as noticias que transmitem e publicam não sejamos naifes eles fazem o que lhes mandam ou deixam piblicar, eu vou mais no que lhes mandam porque se fosse deixar publicar eles no outro dia estavam na rua e como o dinheiro fala mais alto.
    Agora cabe-nos saber distinguir donde veem as noticias quer sejam lidas ou escritas e não perder tempo a ouvir ou a ler quem nos quer enganar e ainda por cima ganham dinheiro com isso. Deviamos nos abester de ouvir e ler quem não está connosco fazer o que eles fazem, quem não está connosco está contra nós, desligar televisão e não comprar jornais.
    E fazer manifestações até acabar com eles…

    • Carlos Fonseca says:

      Trabalhei em jornais. Pouco tempo, mas o suficiente para conhecer profissionais honestos e desonestos. No jornal ‘A Capital’ fui dirigido por uma grande jornalista de todos os tempos, o Dr. Norberto Lopes.
      Hoje, sem ditadura política, o ambiente é outro e a deontologia dos jornalistas é também uma conversa diferente. Muitos deles dançam conforme os interesses que querem proteger. Ontem, a SIC cumpriu o papel de deturpar a informação, com o recurso tecnológico da imagem, colhida do helicóptero e da omissão de grande fracção da manifestação. Um tipo de censura redactorial que, aqui e ali, vai estando em voga. Vejam-se as contradições do ‘Público’ sobre a falta de interesse da imprensa internacional.
      Tudo exemplos de profissionais honestos e briosos.

  3. A. Diniz says:

    O número de manifestantes é irrelevante e uma falsa questão. Um debate sobre os números dos manifestantes só beneficia uma única parte: os partidos que a convocaram. Um debate sobre assuntos irrelevantes como o número de manifestantes apenas ajuda a desviar o assunto e a evocar teorias de conspiração absurdas, sobre como “o poder” os pretende derrotar ou sabotar essa suposta conquista maior que o mundo, maior que tudo e que todos. A discussão de números é a única forma que esses partidos tem de se engrandecer. Assim naturalmente exageram descaradamente nas suas estimativas. Não tem maneira de contabilizar as pessoas, não há maneira de obter um número objectivo, sabem que não é possível contar objectivamente sem investir recursos significativos para isso, e sabem que se terceiros contarem então a teoria de conspiração ganha pontos de propaganda. Assim, inventam os números e esperam que os outros façam a jogada.

    Mas o número de pessoas é perfeitamente irrelevante. Os únicos pontos substanciais são evitados a todo o custo. Este ponto, nesta manifestação, era apenas um: lixada a troika… o que é que fariam? Colocada de outra forma, afinal qual é a solução para o nosso problema? Onde é que ela está? Alguém sabe? Se sabe, qual é?

    Esta pergunta não tem resposta. A essa pergunta não foi dada resposta. Não tem resposta dos partidos que convocaram esta manifestação. Nem os meios de comunicação que a levaram ao colo se preocupam em procurar qual a solução. Quem os ouve falar fica com uma de duas ideias: ou não há solução ou não há alternativa. Porque qualquer uma ficou por apresentar.

    Outro grande problema que foi manifestado nesta manifestação foi a dissonância que existe entre os partidos que a convocaram e o povo. O povo queixa-se de problemas concretos (impostos elevados, dois ordenados suprimidos, contas desequilibradas, e nenhuma despesa do estado é cortada) enquanto que as cabeças falantes dos partidos só papagueiam tricas irrelevantes (a troika é má, os juros da dívida custam dinheiro, este governo tem de ser demitido, nós é que somos os maiores mesmo sem apresentar nenhuma alternativa). Se estes partidos exibem uma dissonância tão profunda entre aquilo que dizem e aquilo que o povo defende então quem é que acredita que com eles será possível resolver seja que problema for?

    Se houvesse hoje eleições hoje então o PSD voltaria a obter a maioria dos votos, apesar de ter caído nas intenções de voto. Este problema não é virtude do PSD. Ou do PS. Ou do CDS-PP. Ou do povo. Se houvesse eleições hoje então o BE e o PCP, juntos, não chegariam a 20% dos votos. Este problema não é defeito do PSD. Ou do PS. Ou do CDS-PP. Ou do povo. É a consequência tão natural de vivermos em um sistema democrático, e do nosso povo realmente não ser idiota, por muito que estes partidos o tentem passar por parvo. As pessoas sabem, tem memória, tem cabeça para pensar. Assim, as pessoas sabem que este género de ruído é irrelevante e inconsequente. Não é a lixar a troika que se resolve nenhum problema. O problema do país não é a troika. E nenhum partido resolve o problema do país.

    Perde-se tempo a falar no número de manifestantes e em teorias de conspiração, mas este problema fica sempre por abordar. Evita-se falar nele. E evita-se falar nele porque o objectivo não é resolver os problemas do país. O povo, que é quem mais ordena, pode exigir isto, mas essa gente dos partidos não quer, e assim não se faz. Então falam no povo como se fosse um figurante, só para aparecer no pano de fundo. E lidam com o povo como se fossem marionetas, nunca a mostrarem o que realmente diz e em vez disso a porem-lhe frases feitas na boca. E assim vão seguindo com a sua manobra de propaganda, a discutir se eram 100 ou 200.

    E o que é que isto interessa? Nada.


    • O PSD voltava a obter a maioria? qual maioria? o PSD está no governo coligado porque não tem maioria absoluta. Você vive em que país?


      • ” Se estes partidos exibem uma dissonância tão profunda entre aquilo que dizem e aquilo que o povo defende então quem é que acredita que com eles será possível resolver seja que problema for?”
        Estamos a falar do PSD-CDS-PS… ou de outra coisa qualquer que lhe apareceu na cabeça?

        ” É a consequência tão natural de vivermos em um sistema democrático, e do nosso povo realmente não ser idiota, por muito que estes partidos o tentem passar por parvo.”
        São extremamente inteligentes e por isso querem continuar a votar no único partido que lhes garante que vai piorar a vida, e nem sequer é por causa da troika, mas por acharem que a sociedade “cada um por si ” resultante é ideal? Não, esse modelo está mal feito.

      • Maquiavel says:

        Infelizmente parece que é verdade, de cada vez que visito isto fico incrédulo…
        http://www.marktest.com/wap/a/p/id~112.aspx#t
        Basicamente PS 35%, PSD+CDS 35%.
        Será o tuga geneticamente masoquista?

        … mas enfim, as sondagens valem o que valem,em Itália o Grillo tinha 15% nas sondagens e depois levou 25% (se calhar deveríamos fazem como em Itália, que näo podem haver sondagens nas 2 semanas anteriores ao dia das eleiçöes)!


    • Maioria? Sim, de lugares que perdia na Assembleia para a oposição.
      Na verdade, o PSD arrisca-se a ter uma derrota “Humilhante”, e o cds, coitados, nem para partido do Taxi…….este correrá mesmo o risco de ser ridicularmente votado. Na verdade, nem lá devia de estar, refugo da ditadura que quer implementar oesclavagismo da caridade da Igreja.
      Mas vá acreditando, vá……Já os vi internados por menos.
      Votos sinceros de melhoras.
      Vivam os valores de Abril, Vivam a Democracia e a Liberdade, Viva PORTUGAL.

  4. Robalinha says:

    A. Dinis não vou comentar o que escreveu, mas urge um esclarecimento, a manifestação não foi convocada por nenhum partido.


  5. eu só espero que as manifestações façam o governo pensar melhor para o bem da sociedade…anda muito mísera escondida neste países,como já vi pessoas andarem em caixotes do lixo há procura de comida..isto é chocante…eu não sou de partido nenhum,pois acredito que todos que vão para lá,só vão para seu beneficio próprio e não para darem melhores condições aos portugueses….Gostaria muito que o nosso país tivesse condições,para os nossos jovens poderem dar o contributo do seu trabalho a Portugal e não no estrangeiro,tenho dois filhos lá fora e sofro imenso com isso,porque gostaria de te-los cá,este é o meu paris e o país de muitos que estão no estrangeiro e que gostariam de ter uma vida digna em Portugal


  6. óbvio que esta gente que diz não ter tido eco nem sequer sabe o que é eco; ontem, apenas para falar dos dois principais jornais espanhóis, o elpais de esquerda e o elmundo de direita, faziam capa com o eco, e não era um eco qualquer, para além do eco evidente da noticia da coisa, em si; falavam também das ligações â coisa; algo assim parecido com eco…

  7. robim dos bosques says:

    Quem criou o movimento os indignados, foi a net tendo por trás uma mente forte de um entre milhares de expelorados por este governo da treta cambada de ladrões mas estão perto do fim.

  8. Helena Murteira says:

    Relativamente à manif2M, há que denunciar, para além do menosprezo, o silêncio que lhe foi votado pela comunicação social. Tratou-se da maior demonstração de repúdio a um governo e respetiva política dos últimos 10 anos! Enquanto que a manif15Set. foi largamente noticiada nos dias consecutivos, esta deixou de ser notícia rapidamente, substituída pelo, sempre presente, futebol. Não se enganem, é uma tentativa de fazer cair rapidamente no esquecimento (e desacreditar,obviamente) o que assustou muita gente! E assustou não só o governo e apaniguados, como os detractores do mesmo filiados nos partidos do poder. Assustou igualmente o PS. Só se fala no assunto nas redes sociais e blogues. É preciso denunciar esta situação e não deixar esmorecer a incrível força popular que saiu à rua no sábado passado!

  9. lopes lisboa says:

    Preparem o rebanho para o matadouro.
    Eles sabem que os caes ladram e … eles continuam a roubar e a beber o sangue daqueles que os sustentam.
    Portanto podem continuar a convocar manifestações sucessivas, porque seguidamente irao de novo votar cíclica e alternadamente no partido que já la esteve, porque este povo de cretinos sente-se bem com este sistema que os escraviza.
    Temos este sistema politico alimentado por uma manada de ignorantes que continua eternamente a pedir mais do mesmo, tal como se afiliam nas seitas religiosas e religiões fanatizantes, tal como nos clubes de futebol, continuam a defender fanaticamente a ideia de submissão aos partidos, acreditando que eles terão a solução para os problemas que a manada se recusa a entender, porque dá muito trabalho pensar, mas também porque estão anestesiados com pensamentos de odio, fornicaçao, e fanatismo de todos os supostos prazeres da moda, difundidos hipnoticamente pelas noticias que so servem para distrair dos verdadeiros problemas, mas também anestesiados com o fluor, que deixa as pessoas inertes e submissas, tal como já foi aplicado nos campos de concentração alemaes, bem como progressivamente intoxicados com químicos vários que aniquilam a inteligência, e subjugados por um sistema educativo que serve apenas para cultivar e aumentar a ignorância do povo.

    Esta gente ainda não percebeu que este sistema se apoia num enorme polvo com tentáculos ilimitados que ira sempre continuar a proteger todos os intocáveis com uma justiça virtual organizada para defender os interesses dos respectivos associados… porque a verdade deste povo está na mafiosa corrupção em cadeia, onde a maior parte daqueles que não querem ser oprimidos, querem ser opressores, e por isso se juntam a eles e os apoiam, porque esperam receber vantagens…

    Uma das formas de boicotar esta mafia seria recusar votos, aumentando a abstenção para níveis próximos dos 90%… então algo poderia começar a mudar, porque para quem não sabe, os partidos recebem um grande subsidio contabilizado pelos votos recebidos.
    Vejam sobre a lei dos votos: apodrecetuga.blogspot.com/search?q=votos

    Quando o nível cultural deste povo estiver melhor… talvez daqui a 50 anos se pense em fazer algo semelhante ao que foi feito na Islandia, e se possa atingir mais tarde um sistema social semelhante à Dinamarca e Suecia, países de quem nunca se ouve noticias, para que este povo nem sonhe em copiar algo de bom…

    Para quem quiser abrir os olhos:
    apodrecetuga.blogspot.com/2011/10/islandia-foi-saqueada-como-portugal-mas.html

    http://www.umanovaera.com/conspiracoes/dinheiro_vindo_do_nada.htm

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