Google paga mais em multas da UE do que em impostos

A Google anunciou as receitas de 2018, revelando que pagou 900 milhões de dólares a mais em multas da UE do que o valor pago em impostos (artigo em inglês; tradução Google – tem o seu quê de irónico).

Com valores estratosféricos de lucro, assentes num mercado publicitário construído à conta do uso gratuito dos dados pessoais dos seus utilizadores e sem restrições , a Google depara-se com uma Europa menos aberta ao faroeste digital e com uma América a acordar para o tema da protecção e segurança destes dados.

Esta situação talvez tenha algum impacto nas receitas da empresa, mas a questão central é outra. Como é que é possível que se tolere a evasão fiscal, perdão, a engenharia fiscal, permitindo que uma empresa apenas pague um resquício de impostos? Pelo caminho, muitos sectores de negócio vão fechando portas, não só porque perderam o comboio da inovação tecnológica, mas também devido aos compromissos fiscais que precisam de honrar.

A solução poderia ser simples, passando pelo fecho dos paraísos fiscais, houvesse para isso vontade e coragem política para actuar ao nível global.

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Esta é uma daquelas notícias a requerer esclarecimentos urgentes, uma vez que começa a haver sinais algo preocupantes de que a Autoridade Tributária utiliza a iliteracia fiscal e digital dos contribuintes para exponenciar a sua receita de modo, no mínimo, questionável.
O contribuinte talvez deva declarar com presteza e transparência as viagens que faz a expensas de empresas privadas da indústria energética com as quais mantém relações tutelares, mas não lhe pode ser exigido que conheça em detalhe o inextricável labirinto das declarações de impostos digitais e respectivos anexos, declarações essas que, por vezes, parecem desenhadas para, justamente, provocar o erro.

Este governo está a cumprir um importantíssimo papel na recuperação da dignidade do país e das pessoas que o habitam, sendo quase todos os dias atacado por uma comunicação social hostil e apostada em dificultar a sua missão. Esta notícia poderá ser, eventualmente, mais um desses casos mas, dada a sua gravidade, merece desmentido categórico.

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A incoerência é uma coisa feia. Tal como escarrar no chão, por exemplo. Ninguém gosta de ver aquela nojice, olhamos de esguelha a reprovar em pensamento o badalhoco do fulano que o fez mas, às vezes, quase sem piscar os olhos lá o fazemos. Afinal, o raio da ‘lula’ está mesmo a incomodar e aí vai disto. Nem reparamos no indivíduo que nos olha de esguelha.

Por isso, sendo feia mas não arrogante, a incoerência acaba por ter atenuantes. Assim como um dia de festa em que nos prestamos a uns excessos. ‘É só hoje, juro’.

É feio termos um médico que nos diz que tempos de deixar de fumar, pela nossa saudinha, e minutos depois refugia-se num canto a chupar o cigarrito. É mais do que feio ter um primeiro-ministro que nos promete que os impostos não vão aumentar e depois… pumba, chumbo em cima do IVA, IRS e até da Coca-Cola, santíssimo… É muito mais do que feio ter padres que advogam a castidade e defendem a pés juntos o celibato e depois violam crianças.

Tal como o inferno está cheio de promessas, a terra está fartinha de incoerentes. Por isso, nem será de admirar a forma prazenteira e banal como um elemento da Polícia Municipal da Trofa, na noite de sexta-feira, se dedicou, no cumprimento do seu dever, a espalhar multas de estacionamento indevido. Consta que estava mortinho por se auto-contemplar.

Declaração de interesses: Não fui multado, nem sequer estava lá. E para não ser incoerente nunca estaciono em lugares onde é proibido.