Os portugueses que vão votar dão uma lição de civismo

Acabo de votar numa das escolas reservadas para o efeito e por verificar, in loco, o civismo de tantos e tantos portugueses no momento do voto.
Ele é estacionamento dos carros em cima do passeio, em cima das passadeiras, nos lugares de deficientes, em segunda fila, enfim, onde calha. Em qualquer sítio que garanta ficar à porta do local de voto.
Ufanos por estarem a cumprir o seu dever, esses portugueses regressam a casa felizes. O seu civismo foi posto à prova e, mais uma vez, a exemplo do seu Querido Líder, ultrapassaram o teste com distinção.

A Madonna quer um parque de estacionamento? Arranjem-lhe antes um visto Gold!

Fotografia: Paulo Spranger/Global Notícias@Diário de Notícias

Parece que todos os partidos políticos, com excepção do PS, claro, estão muito indignados com a atribuição de uma espécie de parque de estacionamento no centro de Lisboa, a preço de saldo, à investidora estrangeira Madonna. Algo que, tanto quanto pude apurar, não é propriamente um exclusivo desenvolvido a pensar na Material Girl.

Não conheço os contornos do caso, pelo que me absterei de tomar uma posição, não obstante ser contra qualquer tipo de borla injustificada para elites e quejandos. Passei por aqui apenas para confirmar se o CDS e o PSD que se indignaram com este caso são os mesmos que criaram os vistos Gold para que uma série de mafiosos chineses, russos e afins pudessem adquirir nacionalidade portuguesa em regime de liquidação total. Não são, pois não?

Praia Fluvial com Estacionamento Pago?

estacionamento-praia-adaufeO impensável acontece nas margens do Cávado, na periferia da propalada “terceira cidade de Portugal”.
Sem factura, que o lucro é para causas nobres, dizem.

As multas por falta do cinto de segurança: a PSP preocupa-se com os portugueses


foto daqui

Acabo de ser aliviado de 120 euros que, há que confessá-lo, não me pesavam na carteira. Tudo porque não tinha posto o cinto de segurança no momento em que o agente da PSP me mandou parar o carro.
Não discuto a legalidade da coisa. É contra-ordenação, dá multa. Eu sabia, não pus o cinto, por isso é bem feito.
Só é pena que o agente se tenha cansado depressa de tão dura labuta. Tão depressa que eu fui o último a ser multado. Logo a seguir, atravessou a rua e foi conversar com o dono de um stand que estava mesmo em frente. Os restantes 5 agentes continuaram dentro da viatura.
Também tenho pena que a viatura da PSP tenha estado estacionada durante uma manhã inteira mesmo em cima de uma paragem dos STCP. E que os agentes de serviço não tenham reparado nos vários carros estacionados na passadeira e em cima do passeio.
Afinal, o que é um estacionamento na paragem de autocarro, na passadeira ou no passeio (30 euros) – pondo em causa a segurança dos peões – comparando com o grave crime que é não pôr o cinto de segurança? Algo que, no fim de contas, não prejudica ninguém a não ser o próprio em caso de acidente.
Mas percebe-se, 120 euros é muito mais do que 30 e não é por acaso que as multas em 2011 subiram 80% em relação a 2010. O país está em crise e se calhar esse aumento de receita até estava prevista no Memorando da Troika.
Seja como for, é bom saber que os senhores agentes da PSP se preocupam com a nossa segurança e que saem do quentinho da Esquadra, a um Sábado de manhã, unicamente para verificar se os condutores puseram o cinto de segurança.

Extorsão

A maior diferença que encontro entre a EMEL e Camorra, reside na protecção que a primeira goza na legislação produzida pelo seu dono, em interesse próprio… De resto, ambas praticam a extorsão como actividade.

Um Desejo Eléctrico de Estacionar

Praça da Batalha, Porto, 08 Dezembro 2010. Pelo menos meia hora de empatamento.

Será que não aperto bem?

(Porm.adão cruz)

Não é que eu me considere tolo, embora os meus amigos digam que às vezes eu não bato bem. Eu penso, de facto, que há uma ou outra vez em que eu não aperto bem, ou melhor, aperto à minha maneira, que não é exactamente a maneira como os outros apertam.

Dá-se o caso que, vindo eu de Lisboa, de uma reunião médica, saí da auto-estrada para ir almoçar ao centro de Ílhavo. Estacionei o carro e procurei um restaurante, o qual, por acaso, estava ali mesmo à beira. Restaurante Villa Madrid.

Agradável, aconchegado e com um ambiente acolhedor. Televisão abafada, só com imagem, e no ar uma música suave e melodiosa que já não é habitual ouvir-se na maioria dos restaurantes: a Barcarola, dos contos de Hoffman, de Offenbach.

Sentei-me. A meio da refeição, uma Senhora idosa, dos seus oitenta anos, que me pereceu muito bonita, entrou na sala e sentou-se na mesa em frente à minha. Tinha um rosto vincado e sofrido, uma daquelas caras que parecem estar sempre prestes a chorar. Os nossos olhares cruzaram-se duas ou três vezes durante a minha permanência na mesa. O suficiente para eu achar, com efeito, que aquela Senhora deveria ter sido muito bonita. [Read more…]

Polícia Municipal da Trofa e as multas, ou um caso de faz como digo e não como faço

PM_Trofa

A incoerência é uma coisa feia. Tal como escarrar no chão, por exemplo. Ninguém gosta de ver aquela nojice, olhamos de esguelha a reprovar em pensamento o badalhoco do fulano que o fez mas, às vezes, quase sem piscar os olhos lá o fazemos. Afinal, o raio da ‘lula’ está mesmo a incomodar e aí vai disto. Nem reparamos no indivíduo que nos olha de esguelha.

Por isso, sendo feia mas não arrogante, a incoerência acaba por ter atenuantes. Assim como um dia de festa em que nos prestamos a uns excessos. ‘É só hoje, juro’.

É feio termos um médico que nos diz que tempos de deixar de fumar, pela nossa saudinha, e minutos depois refugia-se num canto a chupar o cigarrito. É mais do que feio ter um primeiro-ministro que nos promete que os impostos não vão aumentar e depois… pumba, chumbo em cima do IVA, IRS e até da Coca-Cola, santíssimo… É muito mais do que feio ter padres que advogam a castidade e defendem a pés juntos o celibato e depois violam crianças.

Tal como o inferno está cheio de promessas, a terra está fartinha de incoerentes. Por isso, nem será de admirar a forma prazenteira e banal como um elemento da Polícia Municipal da Trofa, na noite de sexta-feira, se dedicou, no cumprimento do seu dever, a espalhar multas de estacionamento indevido. Consta que estava mortinho por se auto-contemplar.

Declaração de interesses: Não fui multado, nem sequer estava lá. E para não ser incoerente nunca estaciono em lugares onde é proibido.