A ciência da austeridade

Sempre bom recordar:

Números

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Os aldrabões em processo de negação

2m

E contudo ela move-se, a terra e a multidão. Calcular o número de manifestantes com base no metro quadrado, que é imóvel, ou é ignorância de quem nunca esteve numa manifestação (e boa parte dos que criticam o 2 de Março estiveram no 12 de Março de 2011) ou pura aldrabice.

Vou mais para a segunda hipótese, digna de quem continua a debitar mentiras sobre a economia portuguesa, desde o célebre “chamámos a troika porque não havia dinheiro para pagar os salários e as reformas” (quando o que não havia, nem há, é dinheiro para pagar os juros da dívida que dispararam por via de um ataque concertado das agências de ranking) ao”temos professores a mais“. [Read more…]

Antologia da sacanice económica

A economia tem duas maneiras de ser albardada: com pessoas ou com números. É a diferença entre a esquerda e a direita. A direita quando discute economia fala assim:

as empresas (…) sabem tomar as suas decisões sem recorrer a António Borges ou aos que o aplaudiram. De facto, tem sido comum nas empresas privadas nestes últimos anos a contenção salarial, quando não mesmo o congelamento dos salários nominais (o que implica a descida dos salários reais) ou a diminuição de prémios de produtividade e outras regalias. (…) [Read more…]

Os números não enganam

Diz Henrique Raposo que

“os números não enganam. Os portugueses trabalham 38.8 horas por semana, quando a média europeia é de 40. Os portugueses colocaram Portugal a crescer apenas 1,45% (entre 2004 e 2007), enquanto que a média europeia de crescimento foi de 2,63%. Mas, apesar disto, os portugueses receberam um aumento real de salários de 3,9%, enquanto que o aumento real na Europa foi só de 2,1%. Há aqui muita coisa que não está certa nas contas portuguesas.”

Pois não enganam:

Average monthly labour costs, in € (2005) €1,617 (2006) €2,981

São mais baratos, os portugueses. E quase não fazem greves:

Number of working days lost through industrial action per 1,000 employees (annual average 2004–2007) 13.5 days* 37.47 days (estimate)

Os números não enganam, agora cada um selecciona da mesma estatística os que acha mais relevantes para justificar a sua conclusão. Ele acha que trabalhamos pouco. Eu acho que somos dóceis e baratos. E sendo mais baratos ainda bem que trabalhamos menos, e devíamos ter mais aumentos para ganharmos como os outros. Se calhar até produzíamos como eles se recebêssemos o mesmo que eles, é até por isso que emigramos: para trabalhar mais 1,2 horas por semana mas receber mais 1364€ no fim do mês.

Isto para não falar de omitir os números que lhe estragam a conclusão:

Collectively agreed weekly working hours (2007) ~ 38.2 hours** 38.6 hours

Ou que me levariam a concluir que o resto da Europa trabalha mais e recebe mais porque tem mais horas extraordinárias, mas não gosto de manipular números, até porque sei que eles não enganam.

Enganado foi o Luís M. Jorge, um homem de boa fé que embora para tratar de assuntomais vasto respeitou as estatísticas ratadas pelo Raposo.