Morte aos portugueses

Morte

Com a pátria da liberdade refém do medo, a extrema-direita soma e segue e alguns grunhos fascistas, cobardes e violentos como só eles sabem ser, vandalizaram uma associação portuguesa na localidade de Brie-Comte-Robert e a mensagem não podia ser mais clara. Parece – quem diria – que os gajos não vão muito à bola com os mais de 1 milhão de portugueses a residir em solo francês, apesar dos palermas com aspecto sinistro que vão reforçando as suas fileiras. A xenofobia e a fragmentação da União Europeia seguem dentro de momentos.

Quem manda no PSD? Passos Coelho ou Marco António?

Tomada de posse do XX Governo Constitucional

A SIC fez ontem notícia do caso em que o deputado Miguel Santos se terá recusado a fazer o teste de alcoolemia invocando a imunidade parlamentar. O texto que publiquei na passada segunda-feira e que serviu de base aos meus pedidos de abertura de inquéritos ao sr. Ministro da Administração de Interna e ao Director do DCIAP, relativamente a este caso que envolve o deputado do PSD, ainda não obtiveram qualquer tipo de resposta.

O pedido que também fiz anteontem ao Presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, para retirar a confiança política e abrir um processo disciplinar a Miguel Santos também ainda não obteve qualquer resposta. Aliás outras missivas que, nos últimos meses, tenho enviado, através de email, para o Presidente do PSD também não têm obtido qualquer resposta.

Parece-me que perante as muitas situações que são públicas é caso para perguntar: afinal quem manda no PSD é Pedro Passos Coelho ou Marco António Costa?

Talvez fosse muito útil ao nosso País saber quem é o presidente de facto do PSD. Os portugueses mereciam ter esta resposta para poderem saber com o que contar do Partido Social Democrata até porque uma coisa é Passos Coelho, outra coisa completamente diferente é Marco António.

Estou convicto que os portugueses terão estas mesmas dúvidas e partilharão das minhas opiniões e preocupações no que diz respeito à verdadeira e efectiva liderança do PSD.

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Portugal: uma sociedade doente

Os portugueses são um povo neurótico, a precisar de colo e de se pensar a si próprio e à sua existência. Carlos Céu e Silva, psicólogo clínico, pensa que o considerável aumento do mal-estar que a austeridade provocou espelha de forma preocupante as patologias mentais de uma sociedade doente. E responsabiliza os políticos portugueses por esse quadro depressivo.

(c) Sandra Bernardo
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Há dias, no Facebook, apareceu uma frase que creio que define bem o mal-estar que está na raiz de várias patologias que afectam os portugueses. Essa frase diz assim: «Doutor, sofro de retenção de tristeza». O que pensa da frase?
Diria que a partir do momento em que a pessoa expressa de forma tão clara o seu mal-estar, uma parte do caminho já se fez. O sofrimento mais profundo e mais existencial da nossa vida, nós temos muitas vezes dificuldade em expressá-lo, ele não é sempre traduzível em palavras. Nessa medida, essa frase indica muito claramente que a pessoa que a diz está muito triste, ou muito melancólica, relativamente a uma sociedade que não corresponde ao seu ideal. Penso, também, que há depressão na existência dessa pessoa. Mas não posso saber, apenas pela frase, a gravidade dessa depressão, o grau que tem na sua vida diária e de que forma a afecta.

CARLOS CÉU E SILVA (n. 1960) é Psicólogo clínico e Mestre em Aconselhamento Dinâmico. Fundador e Presidente da Olhar – Associação pela Prevenção e Apoio à Saúde Mental, é também Presidente da Laços Eternos – Associação de apoio a pais e irmãos em luto. Como pensador e escritor, assinou Dicionário Psicológico da Criança – a partir da obra de João dos Santos (Âncora, 2008), As Mulheres de Henry James (Coisas de Ler, 2009), Édipo – Uma História Completa (Coisas de Ler, 2009) e Infâncias (Esfera Poética, 2014).

O que transforma essa frase num enunciado significativo é a palavra retenção. Porque essa palavra diz-nos que há uma justaposição de várias camadas de tristeza que estão retidas, que não foram ainda ou libertadas ou transformadas noutra coisa.
Concordo. Mas podemos também interpretar essa palavra de outra forma, porque ela também pode dizer-nos que a pessoa detém um poder individual sobre a situação.

Que é capaz de se auto-controlar?
Sim. E talvez até de um egoísmo.

Não percebo a ideia de egoísmo. Pode explicitar?
Se olharmos para o ser humano nas suas componentes internas e mentais, percebemos que há sempre egoísmo, porque para sobrevivermos tem de haver da nossa parte um constante esforço suplementar. É porque temos esse poder individual, seja ele mental, emocional ou fisiológico, que somos capazes de reter – tal como uma criança se torna capaz de controlar a micção, por exemplo. A capacidade de retenção tem a ver com a forma como nós nos concebemos como seres individuais e sociais. E é este conflito, por vezes desorganizado, que faz com que possamos sentir-nos melancolicamente desprovidos de capacidade para viver socialmente em equilíbrio.

Considera, ou não, que a frase define o povo português?
Considero que define bem e mal o povo português. Define bem porque de facto o povo português é um povo que deseja poder, que deseja conquistar poder, e também o poder de se auto-controlar. Mesmo que depois experimente dificuldade em ter poder, em lidar com o poder, qualquer que seja. E define mal porque quando o português adquire poder, a forma como o gere revela uma dificuldade operacional em assumir conscientemente as suas decisões. E revela também um equívoco, porque a relação com o poder não obriga ao uso de autoritarismo, mas a uma disciplina afirmativa e estimuladora.

O que quer dizer quando diz que os portugueses não lidam bem com o poder?
Quero dizer que nós, portugueses, historicamente, não fomos e continuamos a não estar preparados e a não ser educados para o poder. O português típico deseja o poder, e inveja o poder de quem o tem. Quem tem poder é sempre visto pelos portugueses como um ser a abater. Porquê? Para que possam substituir os outros nesse poder.

Podemos encarar isso como um defeito constitutivo do carácter nacional?
Podemos. Mas vale a pena perguntar porquê, por que é que esse carácter tem essas características? Porque é que nós, portugueses, somos tipicamente invejosos e temos, tipicamente, a tendência para ver o outro de forma deturpada e como um ser ameaçador?

Porquê?
A nossa história existencial enquanto povo, e a criação da nossa pátria enquanto chão, mostram-nos que fomos sempre assim. [Read more…]

Prós e contras

 

Ontem liguei a televisão mesmo a tempo de apanhar, no “Prós e Contras” dedicado ao caso BES, a Fátima Campos Ferreira a lançar a pergunta “Acha que os portugueses estão muitos entretidos a sobreviver?”

E de repente pareceu-me obsceno que alguém que junta na mesma frase entretenimento e sobrevivência possa conduzir um programa informativo.

Mas nenhum dos presentes pareceu ficar incomodado com a pergunta e eu, vencida pelo dia ou pelo sono ou pela impotência, desliguei a televisão e fiquei a remoer o sentimento de que este país já não é para pessoas.

Uma ponte contra o esquecimento

Ponte 25 de Abril
© Nuno Saldanha

Há uns quinze anos ou coisa que o valha, a propósito das pontes sobre o Tejo (a Vasco da Gama acabara de ser inaugurada), escrevi um texto defendendo que os nomes das grandes obras de Estado não deveriam mudar de nome com a mudança dos regimes. Fui muito atacada, e o editor fez questão de se livrar de toda e qualquer responsabilidade relativamente ao que escrevi, publicando uma caixa de texto dizendo isso mesmo. Defendia eu que não se deveria ter renomeado a ponte anteriormente designada por Ponte Salazar, não para celebrar a obra do ditador, Deus me livre, mas para que a memória de quem foi e do que fez ao povo português durante perto de 50 anos não fosse assim apagada, por renomeação decretada por impulso revolucionário, e pudesse dessa forma sobreviver ao esquecimento.

Continuo a pensar que estava certa, embora hoje não me passasse pela cabeça assinar semelhante texto, porque tenho sobre a memória histórica dos portugueses uma outra ideia, que deriva do que aprendi sobre a sociedade portuguesa. [Read more…]

Portugueses pessimistas

O Diário de Notícias de hoje desenvolve, com grande chamada de 1ª página, uma longa abordagem dos resultados de um estudo sobre a representação que os vários povos europeus fazem da realidade social e política. Os portugueses, calcule-se, mostram-se o povo mais pessimista da Europa, o que menos expectativas têm em relação ao futuro. Caramba! Que surpresa! Ninguém diria. O que nos vale são os sociólogos e politólogos para nos mostrar a luz. E há mais: os portugueses, esclarecem-nos, são os que mais acreditam no inferno. Claro. Experimentam-no todos os dias. Ver para crer.

O fim do sonho

Uma entrevista imprescindível do filósofo José Gil à TSF/DN.

Construção embargada

“Os portugueses sentem-se pouco europeus”, leio por aí. Olha que novidade. Os portugueses nunca se sentiram verdadeiramente europeus por todas as razões que os separam desse povo imaginado, indistinto e vago, constituído por gente culturalmente muito diversa entre si, cidadãos de um império alargado em combinações possíveis. Os portugueses são um povo demasiado (ou suficientemente, conforme a perspectiva) ancorado materialmente na sua identidade (na sua terra concreta, a que sempre regressam, propulsados pela saudade) para conseguirem projectar-se numa utopia a que a realidade tem conferido crescente distância. [Read more…]

«De repente, uma sombra de medo

começou a pairar sobre as cabeças de muitos dos nossos políticos de tribuna e comentadores de cátedra. (…)» Rui Bebiano, atento. n´A terceira noite

Os portugueses da Europa – um retrato a preto&branco

Somos um bocado aristocratas, altivos, vaidosos até, porém não porque sejamos má gente, ou tenhamos a supremacia no coração – é só porque somos antigos que somos assim, é porque somos gente há muito tempo, povo independente, de cultura singular, únicos na Europa, apesar de todas as semelhanças – com os do Sul, necessariamente, e também com os de África, a nossa outra terra, que deixámos ainda anteontem, fugidos de lá pela metamorfose da História que nos devolveu ao território de partida, aqui regressados anteontem chegados cheios de raízes outras, remotas e até um pouco excêntricas para Homens pós-modernos do século XXI que vivem em economias de mercado.

Somos esses, senhores da Europa, e até mesmo quando somos pobres. Se estudarem a História do Mundo verão que estamos sempre lá, nos momentos decisivos como nos outros. O nosso outro nome é viagem. Por vezes chamamo-nos Oliveira de Figueira. Somos árvores, compreendem? Somos navios de madeira verdadeira, exóticos de antiguidade, já nem se usa. [Read more…]

Este Schengen não é para pobres

A Suíça planeia fechar as suas fronteiras a espanhóis, italianos e portugueses (notícia em castelhano).

Condições

O governo detesta e despreza os portugueses. Os portugueses desprezam e detestam o governo. Pronto. Estão reunidas as condições para um divórcio por mútuo consentimento.

A exportar portugueses desde o séc. XVI

Remessas de emigrantes aumentaram 12,6%

Ouvir a terra

Os portugueses expatriados não são melhores nem piores portugueses do que os que não precisaram de emigrar. São apenas portugueses e é o que basta para os identificar. Embora vivam longe, alguns até muito longe, “no peito vai-lhes um país”, no certeiro resumo de Pedro Barroso.  Mesmo que, por razões práticas, tenham outra nacionalidade alem da portuguesa. Porque mãe há só uma e ninguém a esquece nem lhe é indiferente. É por isso que devoram o que de Portugal se conta nas televisões e rádios, nos telefonemas e e-mails da família e dos amigos. [Read more…]

PS está a distanciar-se e a ganhar a preferência dos portugueses

Porquê!? – Sou levado a acreditar que os portugueses têm apenas aquilo que merecem… Edição: Coloquei o mesmo link no reddit, gostei da conversa.

Portugueses sonham (com o Euromilhões)

A glória só chega àqueles que com ela sonharam.

Charles De Gaulle (1890-1970), general e estadista francês.

Um estar português – Histórias de viagens on the road (EN 109 e EN 1)

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© Sandra Bernardo | Direitos reservados

Os Portugueses, por AP, e Alberto Pimenta, por SB

Alberto Pimenta - luz, sombra, brilho. © Sandra Bernardo | Direitos reservados

 

“Os portugueses não formam uma sociedade porque não são sócios uns dos outros. Tomemos os exemplos mais corriqueiros. Na cidade velha, vai-se pela rua e pode-se apanhar com sacos de migas de pão ralado, atirados aos pombos, na cabeça. E a rua está cheia de cagadelas de cão, coisa que não se vê em mais cidade nenhuma, porque cada um entende que o espaço público se pode sujar à vontade. Lisboa é habitada por uma horda que usa fato e gravata e anda de automóvel, mas que não chegou sequer ao patamar mínimo de civilização urbana. Começa-se sempre de cima para baixo. A Lisboa 94, com a sua falta de ideia, fez várias coisas em cima sem haver nada em baixo, confundiu arte com cultura. A cultura começa nas ruas onde se pode andar, no ambiente cuidado, nos jardins tratados, que não existem.

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Um novo blogometro

Na net nada se perde, tudo se pode recriar e algo se transforma. O velho Blogometro morreu (reencaminha agora para o portal AEIOU, o que não deixa de manifestar alguma lata), há um novo Blogometro em versão ainda muito beta, mas já operacional.

Desde já alguns avisos:

– Nesta fase de desenvolvimento utilizou-se a listagem do blogometro defunto, expurgada de alguns não-blogues portugueses que por ali andavam.  Não aparecem os resultados dos blogues que têm o sitemeter oculto (não conseguimos ter acesso a esses dados; aceitamos dicas sobre como o fazer).

– Quem quiser retirar da listagem o seu blogue pode solicitá-lo para já através do nosso formulário de contacto, colocando um email válido.

– Em breve anunciaremos uma forma de adicionar o seu blog.

– Apenas está a funcionar neste momento a estatística da média de visitas.

– A apresentação e as funcionalidades vão evoluir,  neste momento testamos o código propriamente dito.

Sugestões são bem vindas nesta caixa de comentários, a divulgação deste novo Blogometro dos blogues portugueses também.


Actualização 26/06/2012: acrescentada uma página Acerca, cujo conteúdo aqui fica:

Este site está ainda em fase alfa, na realidade foi iniciado, de raiz, no dia 22 de Junho passado. Assim podemos com alguma segurança antecipar a existência de problemas que tentaremos resolver à medida das nossas possibilidades de tempo.

Desde já temos em mente desenvolver algumas características que, na nossa opinião, estavam a faltar no Blogómetro antigo:

  • Categorias de blogs. Com estas poderemos comparar as performances dos vários blogs com os seus pares mais directos. Além disto, para áreas mais específicas daremos destaque a blogs que de outra forma ficariam escondidos;
  • Vai ser possível consultar a classificação dos blogs em dias passados; FEITO
  • Vai ser possível obtermos médias por mês, ano ou no período que quisermos;
  • O proprietário de cada blog terá acesso a uma área privada onde poderá configurar as suas opções;

Em termos práticos, se olharmos para além da discreta elegância da interface actual (isto é sarcasmo, para os distraídos), já podemos encontrar muitas coisas diferentes quando comparadas com o Blogómetro antigo:

  • A nossa plataforma é aberta. Pode consultar o código e participar no processo de desenvolvimento no projecto que criámos no Google Code;
  • Se encontrar bugs no sistema ou se quiser propor melhorias ou novas funcionalidades, agradecemos que utilize este formulário;

Como este é um projecto do Aventar, as últimas notícias sobre o Blogómetro podem, sempre, ser encontradas na tag Blogómetro do Aventar.

Esperem mudanças nas próximas semanas!

Em busca do salário perdido

O pároco da minha freguesia leu um aviso que deixou a assembleia a murmurar, reagindo. Alguém perdeu a carteira onde trazia todo o salário. 

Penso nesse homem ou nessa mulher que, a esta hora, se sente ainda mais pobre e mais desesperado. Imagino o pior dos cenários.

Não deve viver muito longe da minha casa. A crise,  se ainda não entrou na minha (sou afortunada), anda por perto: na minha rua, na escola dos meus filhos, etc.

No estabelecimento onde costumo tomar café reparei, certa vez, numa criatura com o jornal aberto nos anúncios de Emprego. Apontou um contacto num guardanapo. Talvez tenha conseguido o desejado emprego. Espero que sim.

É tão difícil «arranjar» trabalho nos dias que correm. A falta que faz o merecido e tão necessário salário…

Acredito que esse homem ou essa mulher vai encontrar o seu dinheiro, mais cedo ou mais tarde. Os portugueses são, na sua maioria, gente de confiança e compaixão.

O Circo do Jogo

O embate de ontem com a Alemanha só deu circo no resultado, no mais os titulares foram suficientemente briosos para fazer esquecer as insinuações que Manuel José atirou como um ferrete indelével e agoiro de mau gosto.

No final da partida, pensei que teria sido interessante se a Alemanha tivesse marcado mais cedo, situação que levaria obrigatoriamente ao que se viu: uma reacção de brilho com fogachos vulgarizadores dos alemães, coisa que tivemos tarde de mais, e não tivemos enquanto o empate ou o medo pareceram suficientes. Somos geniais sob pressão e mais ainda quando estamos a perder, já muitos o disseram. No alto mar, especialmente sob uma procela de morte, era preciso um porto. Fazia-se por ele. Nas Ilhas Encantadas do Sul, nesses longes oceânicos de áfricas e brasis, cercados de índios, nativos e aborígenes, era preciso mulheres para federar o sangue. Casava-se com elas, olha o desgosto!

Actualmente, no campo de futebol, é preciso que nos fodam. Aparece logo aí uma genialidade tirada do cu com um gancho que por vezes, raramente, dá bónus, isto é, bons resultados. É quando acordamos e faz-se luz. Por que acham que a Troyka nos avalia positivamente e os elogios ao Governo e ao Povo chovem dos quatro cantos do mesmo mundo que hoje corta os ratings da Espanha aqui ao lado?! Porque damos tudo. Ontem, conforme previsto, perdemos, tirando o facto de não termos sido arrasados. É sempre a mesma merda com a Alemanha.

Mas se o circo de Manuel José compareceu neste primeiro jogo, foi somente no pequeno pormenor do resultado, repito. Aposto que ontem a raiva dos nossos jogadores era tal que prescindirão de bom grado da folga cultural-sexual-familiar a que teriam justamente direito em caso de vitória ou empate. É bom que se compenetrem disto: estão quase fora deste Euro.

Apelo aos portugueses e aos diretores dos jornais

Será a loucura total o que vou dizer a seguir. Mas espero que não me levem a mal!

O desespero dos portugueses já chegou ao espaço dos leitores nos jornais diários: alguns já não aguentam estar calados e, pela via mais democrática, educada e civilizada, dão o seu grito «Basta!».

Estamos “indignados” e a “ser roubados por políticos incompetentes, mentirosos e rascas”, li ontem no JN. Pensamos todos, como aquele leitor, “numa forma de correr com eles pela via democrática”. Será que vamos conseguir, algum dia?

E se um dia… [Read more…]

Paródia sobre a deportação de portugueses no Canadá

Um vídeo já com uns anos. Lê-se na página do vídeo:

Com o governo canadiano a deportar milhares de portugueses, o pessoal da  Canadian Broadcasting Company, CBC, decidiu emitir esta simpática paródia, retirada do programa  Rick Mercer Report.

Isto das deportações é caso sério. Até futuros ministros são mandados embora.

Respeito

Um, Dois, Três Jardins em Cada Freguesia

Alguém quer saber da treta das alterações climáticas? E das preocupações do resto do mundo?

A gente quer é barragens, auto-estradas, túneis e popós novinhos com montes de cilindrada. E, já agora, consumir aos montes para acabar com a crise, não é?

Não temos os políticos que merecemos. Temos os políticos que somos”

Sobre a demissão do Governo, a crise política, o sentimento de descrença dos portugueses em relação à economia, à política, à sociedade, à meteorologia, escrevo um destes dias. Quando me sentir capaz desse feito, equivalente praticamente a um dos doze trabalhos de Hércules. Aliás, não vejo ninguém aflito para escutar a minha opinião. Por isso, não há pressas.

Deixo apenas a frase mais certeira dos últimos tempos. Chegou-me, de mansinho, pelo Twitter de Ricardo M Santos (http://twitter.com/RicardoMSantos).

Diz ele…

Não temos os políticos que merecemos. Temos os políticos que somos.

Pimba. Nem mais, pensei. Se pensei, melhor o fiz: embrulhei a frase em papel de mata-borrão, porque não há dinheiro para melhor, fiz um laço de corda rafeira, e trouxe-vos esta frase para pensarem um bocadinho.

Os números não enganam

Diz Henrique Raposo que

“os números não enganam. Os portugueses trabalham 38.8 horas por semana, quando a média europeia é de 40. Os portugueses colocaram Portugal a crescer apenas 1,45% (entre 2004 e 2007), enquanto que a média europeia de crescimento foi de 2,63%. Mas, apesar disto, os portugueses receberam um aumento real de salários de 3,9%, enquanto que o aumento real na Europa foi só de 2,1%. Há aqui muita coisa que não está certa nas contas portuguesas.”

Pois não enganam:

Average monthly labour costs, in € (2005) €1,617 (2006) €2,981

São mais baratos, os portugueses. E quase não fazem greves:

Number of working days lost through industrial action per 1,000 employees (annual average 2004–2007) 13.5 days* 37.47 days (estimate)

Os números não enganam, agora cada um selecciona da mesma estatística os que acha mais relevantes para justificar a sua conclusão. Ele acha que trabalhamos pouco. Eu acho que somos dóceis e baratos. E sendo mais baratos ainda bem que trabalhamos menos, e devíamos ter mais aumentos para ganharmos como os outros. Se calhar até produzíamos como eles se recebêssemos o mesmo que eles, é até por isso que emigramos: para trabalhar mais 1,2 horas por semana mas receber mais 1364€ no fim do mês.

Isto para não falar de omitir os números que lhe estragam a conclusão:

Collectively agreed weekly working hours (2007) ~ 38.2 hours** 38.6 hours

Ou que me levariam a concluir que o resto da Europa trabalha mais e recebe mais porque tem mais horas extraordinárias, mas não gosto de manipular números, até porque sei que eles não enganam.

Enganado foi o Luís M. Jorge, um homem de boa fé que embora para tratar de assuntomais vasto respeitou as estatísticas ratadas pelo Raposo.

O que se passa por esse mundo fora


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O filme de James Cameron está nas bocas do mundo. A caminho de ser o filme mais lucrativo de sempre, os críticos continuam divididos.
Agora surge uma outra polémica. O filme, dizem, não é próprio para pessoas sensíveis. A classificação, que impõe a idade mínima para poder ser visto, e que era aqui em Portugal «para maiores de seis anos», vai passar para um dos escalões acima. Se calhar até, «só para adultos». E isto porque, por esse mundo fora, há casos de depressões e até de tentativas de suicídio, provocados pelo visionamento do filme. Isto com pessoas sensíveis é assim!
Em Portugal, não há casos desses. Os Portugueses são fortes, física e mentalmente. As dificuldades por que passamos, os problemas de todos os níveis que vivemos, a falta de empregos, os ordenados baixos (para os afortunados que têm trabalho remunerado), a crise no ensino, a crise política, a crise económica, a crise e a crise, e ainda a crise governamental que a todos nos afecta, dão-nos uma capacidade (de sacrifício e de aguentar as adversidades) que se calhar os outros povos, chamados de evoluídos e economicamente estáveis, não possuem.
Desta forma não sofremos por não termos o que os outros têm. Não entramos em depressão porque há países nos quais os seus habitantes vivem muito melhor que nós. E acima de tudo não nos passamos dos carretos porque um filme retrata uma vida que não existe e que se existisse seria muito boa e até, quem sabe, fantástica.
Nós os Portugueses, somos fantásticos.

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O que se diz por aí

Dia terrível este, com o início da avaliação das consequência do sismo no Haiti, que terá afectado 3 milhões de pessoas. Também haverá portugueses afectados, incluindo funcionários da ONU e da UE.
Apesar da força transformadora do Homem, é nestes momentos que se vê o quanto somos tragicamente frágeis face às forças da natrureza.
Entretanto a actualização da informação é constante, sendo quase de hora a hora.
É interessante ver como as redes sociais são já um instrumento de ajuda humanitária.
Por cá, o PS já admite mudar acerca da adopção por casais homossexuais se o Tribunal Constitucional entender que a norma proibitiva no diploma aprovado for inconstitucional. É caso para dizer: Que remédio!…
Mais um problema num avião que partiu da Holanda, desta vez com destino a Arruba. Foi desviado para a Irlanda sob ameaça de bomba por um passageiro. A continuar assim, ainda se cria um novo adágio popular: da Holanda, nem bons vôos nem bons passageiros…

O meu «reveillon» em tempos de crise

São tempos de dificuldades, aqueles que estamos a viver. Tempos de incerteza, em Portugal e no mundo, com a crise económica e financeira e o desemprego a um nível nunca visto. Como será o futuro? Isso ninguém sabe.
É por isso que este ano, por muito que me custe, vou limitar o orçamento das habituais férias de Inverno e «reveillon». Terei de me contentar com uma semana em Paris. Parto amanhã, dia de Natal, e regresso no dia 1 de Janeiro. É que, como sou professor, não posso sequer escolher as datas das minhas férias – algo que considero particularmente escandaloso e discriminatório!
Mas como terei acesso diário à internet, o Aventar não será esquecido. Conto enviar diariamente uma crónica da cidade-luz, que neste momento está coberta por um branco manto de neve. Estarei alojado no centro de Paris, perto da Bastilha, mas faço questão de visitar e fotografar todos os locais que tenham interesse para o Aventar, incluindo os locais onde me deleito com a deliciosa comida francesa. Pas de problème, tenho grande facilidade de circulação na cidade – praticamente só ando de táxi. [Read more…]