Os aldrabões em processo de negação

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E contudo ela move-se, a terra e a multidão. Calcular o número de manifestantes com base no metro quadrado, que é imóvel, ou é ignorância de quem nunca esteve numa manifestação (e boa parte dos que criticam o 2 de Março estiveram no 12 de Março de 2011) ou pura aldrabice.

Vou mais para a segunda hipótese, digna de quem continua a debitar mentiras sobre a economia portuguesa, desde o célebre “chamámos a troika porque não havia dinheiro para pagar os salários e as reformas” (quando o que não havia, nem há, é dinheiro para pagar os juros da dívida que dispararam por via de um ataque concertado das agências de ranking) ao”temos professores a mais“.

A patologia do aldrabão manifesta-se negando as evidências. Aflitos porque lhes estão a tirar as patas do pote, nem reparam no ridículo em que caem, ao discutirem o número de manifestantes. As manifestações em Portugal estão empoladas? é provável, por isso mesmo o que conta é comparar com anteriores. E esta teve uma dimensão imensa, onde estive em Coimbra semelhante à de 15 de Setembro, ou seja, as duas maiores desde o 1º de Maio de 1974. Querem mais? esperem sentado no sofá porque elas se aproximam. Até que o governo mais incompetente e corrupto do último século vá para onde elas se movimentam, a rua.

Fotografia Paulo Abrantes

Comments

  1. Hugo Mota says:

  2. FACTO: foi uma grande manifestação! Para uns foi gigante, para outros foi menor… O que é que isso importa? Foi grande sim senhor! E depois? O que é que isso muda?
    Muda alguma coisa. Começa a banalizar o protesto, da mesma forma que ao apropriar-se da memória da “Grândola”, retira-lhe o valor simbólico “universal”, para a colar a uma certa forma de radicalismo obtuso protagonizado pelo “célebre” enforcamento do coelho… Por outro lado começa a acentuar o carácter “bloquista” destas iniciativas. Mais do que manifestar um desejo genuíno de contestação e mudança (como foi o 15 de Setembro), as próximas manifestações serão cada vez menos participadas (como esta também foi), enquanto o “Que se Lixe a Troika” será visto, cada vez mais, como um “produto branco” do BE.
    Mais do que afrontar o Governo de forma lúcida e racional, o “extremismo” começará a ajudá-lo. Aliás, foi a radicalização extremada contra o Sócrates que “clicou” o gatilho que disparou o Coelho para a sofreguidão do assalto ao poder, e com isso levou as agências de rating a apurar a pontaria contra as nossas “fragilidades” económicas. De certa forma o BE, partido burguês e chupista dos contribuintes, tem sido o Cavalo de Tróia do poder estabelecido.
    Enquanto a “esquerda burguesa corporativa e mamona” ignorar a realidade (com a ligeireza e irracionalidade com que observa as finanças públicas) será mais parte do problema do que da solução. Se é que a solução existe…
    Notas finais: — A “manif” foi grande mas teve menos “audiência” do que a visita do Papa. Havendo um milhão de desempregados e mais gente ainda que passa muito mal, devo depreender pela “estatística” que esses não estavam lá… A nossa “esquerda” (entre aspas!, muitas aspas…), está-se nas tintas para isso…


    • O BE é um partido chupista dos contribuintes? e as manifestações um mero produto seu? tem mais alguma anedota para contar hoje, ou a sua falta de sentido de humor fica por aqui?
      E não é por repetirem a imbecilidade do Terreiro do Paço, onde muito manifestante obviamente nem entrou, que a realidade encolhe.

      • José Mota says:

        Podia não ser mal-criado e tentar discutir os pontos que foram feitos.


        • Não perco tempo a discutir tolices. A sua ignorância é tão profunda que nem sabe datar o ataque das agências de rating.


          • Soberba intelectual? Ou é mais cómodo ver a realidade à sua maneira e não ter dúvidas? Vá lá, vá lá, estamos num País democrático onde até os estúpidos tem direito a dizer o que pensam. Aquele video do Kerry inspirou-me como o caraças!… Já viu? É um “resumo” brilhante da democracia (para quem a aceita e defende…).


          • Não recebo lições de democracia de J. Kerry. É que há uma certa diferença entre democracia e dinheirocracia. É só ver como funcionam as eleições por aqueles lados.

      • Hugo says:

        Se não me engano, num outro post li que você era professor. Se assim for, fica-lhe muito mal dizer que não perde tempo com ignorantes (sendo que os ignorantes aparentemente são todos os que não têm a sua opinião). Se assim não for, fica-lhe mal na mesma.


        • Sucede que os meus alunos não são ignorantes, aprendem no 7º ano a fazer uma linha de tempo.
          Nem talvez seja o seu caso: pode ser um mentiroso, que sabe muito bem que está a repetir as mentiras que sustentam o ainda governo, tentando correr atrás do prejuízo, que ontem foi mesmo muito.

          • Hugo says:

            E aí está a argumentação da Coreia do Norte. “Não pensas como eu? Insulto para cima”. Depois querem ser levados a sério. Talvez os seus alunos sejam todos uns sobredotados e já cheguem à escola ensinados. Eu quando lá andava era ignorante em muita coisa até ter sido ensinado e ter aprendido à minha conta. Felizmente, não tinha professores como você. Suponho que aluno da sua aula que não diga a plenos pulmões que a culpa é do governo, nunca passará à sua cadeira. Já agora, nessa linha do tempo a subida da dívida pública de 60% para 120% do PIB vem antes ou depois do ataque das agências de rating?

    • Maria says:

      Não tirando mérito ao BE (que aqui não vem ao caso se gosto ou não), eu gostaria mesmo era de perceber como estas manifs lhe são atribuídas. Um partido que nas últimas eleições tantos votos perdeu consegue mobilizar esta gente toda? E conhecendo tantos comunistas como eu conheço, que estavam lá, iriam eles integrar uma “coisa” pensada pelo BE? E os CDS’s e PS’s e PSD’s que eu vi na manif da minha cidade? Iriam eles também se tudo isto fosse orquestrado pelo BE? Quando não há culpados, nada como criá-los como nos apetece! É pena é a falta de criatividade: estas coisas são sempre ou comunistas ou bloquistas, como se doenças se tratassem. Com números grandes ou não, o povo saiu à rua e CANTOU. Haverá melhor forma de protesto do que esta? (se calhar era melhor andarmos todos à batatada…) E mostrou o seu descontentamento. E foi o povo que pode ir. Porque até nestas coisas há quem não tenha meios para se dirigir à manif mais próxima! E focarmos todos no que realmente é importante? Sem luta continuaremos a sofrer mais e mais. Com luta temos esperança. [E trazer a cena do coelho enforcado para aqui… Tenham dó!!! Tomar uma parte pelo todo é feio…]


  3. Não precisa “encolher”. Foi mesmo uma grande manifestação. Está à vista… Contabilizar e fazer disso bandeira é pentelhice mesquinha.
    Quanto ao BE, sim, é um partido “chupista” e instalado como os outros, tentando manter um certo charme da irreverência que já teve num momento em que o PC era demasiado démodé para pessoas “modernas” e com “bom gosto”. Porém tem-se manifestado muito menos activo no combate pelos (realmente) mais fracos do que o “velho” comunista. Lá isso também me parece ser verdade…


  4. Durante mais de 3 horas assistimos a uma mar de gente a desfilar do marquês de Pombal ao Terreiro do Paço, numa corrente contínua sem interrupções… Mas que raio de gente faz contas de pessoas por m2, quando no mesmo m2 podem passar mais de umas 10 pessoas por minuto? Só quem nunca foi a uma manif ou, pior, a quem não convém que haja manifs…

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  1. […] assim sendo. Convenientemente reabilitados do susto com a negação sistemática da evidência, seguem tranquilos os arautos do regime, não se passou nada a 2 de Março como nada ocorreu em […]

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