Alberto Gonçalves: O Estado da Liberdade em Portugal

(Alberto Gonçalves, Sociólogo e Cronista)

Há poucas vergonhas maiores do que a autocitação da própria “obra”. Por isso, vamos lá. Em 2017, publiquei, ou publicaram-me, um conjunto de crónicas a que chamei “A Ameaça Vermelha”. O livrinho reunia sobretudo textos posteriores à conquista do poder pelo dr. Costa e a frente de esquerda que ele engendrou. Não são textos optimistas.

A própria capa, ideia minha, inspirava-se na famosa capa da Time com as imagens de Otelo, Vasco Gonçalves e Costa Gomes, na versão actualizada para o dr. Costa, Jerónimo e Catarina Martins. O título de então, “Red Threat in Portugal”, também foi uma óbvia influência. Isto para dizer que, desde o final de 2015, fiquei convencido de que se tinham reunido as condições para o regresso a uma ditadura, ou a consagração do tipo de regime que comunistas e similares tentaram, e falharam, há quarenta e seis anos. Em vários artigos, notei, sem ironia, que isto caminhava para uma espécie de Venezuela mitigada pelos laços à “Europa”, sendo os laços o dinheiro que a “Europa” envia (e a esquerda aprecia) e as obrigações que a “Europa” impõe.

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Otólinhos de todo

A direita fica tão tolinha quando vê qualquer coisa que refira uma otelice, que anda a publicitar esta sondagem (online) da RTP:

Consequência prática: a esta hora a votação está empatada, os leitores da direita adoram golpes de estado. Tendo a coisa a desimportância que tem mesmo assim sugiro aos nossos leitores que vão lá salvar a democracia, ou um dia destes ainda acordamos com a  Helena Matos a secretariar uma Junta de Salvação Nacional (e limpavam logo o sebo ao Otelo Saraiva de Carvalho, o que também é chato).

11 de Março – os dias seguintes (Memória descritiva)

Como geralmente acontece com os golpes militares, se falham, servem de pretexto para consolidar a posição de quem os neutralizou – foi o que aconteceu com o golpe spinolista – o rumo esquerdista dos acontecimentos acentuou-se: nacionalização da banca, reforma agrária, institucionalização do MFA, substituição da Junta de Salvação Nacional pelo Conselho da Revolução. Este novo órgão deliberou aprovar a opção socialista da Revolução. Mas vejamos dia a dia.

Logo em 12 de Março foram encerradas as fronteiras com Espanha a partir das 14.30 horas. O envolvimento dos serviços secretos espanhóis no golpe spinolista foi evidente – apoio logístico e, provavelmente numa fase mais adiantada, a promessa de ajuda militar. Os franquistas ajudariam a salvar a «democracia» e a esconjurar a «ameaça vermelha». [Read more…]

Eanes põe em sentido os gatos

Quem teve oportunidade de privar com o Presidente Eanes sabe que tem um sentido de humor, que não se adivinha ao olhar para a pose hirta e séria.

 

Os gatos cometeram o erro de alicerçarem a conversa em militarismo, bombas e nuclear. Nada de mais diferente, do que poderemos considerar a matriz da personalidade de Eanes.É um homem escravo do dever e da honra, como o atesta os muitos anos de intervenção pública, e reconhecido por todos quantos o conhecem.

 

Esperar que Eanes aproveitasse para dizer o quer que fosse menos favorável em relação a Otelo é um registo perdido à partida. Melhor andaram quando falaram de Soares e das suas relações institucionais.

 

Parece óbvio que os gatos estão a perder gás. Hoje foi muito fraquinho.