O dia 12 de Setembro de 2024 será recordado

In categorical perception, discrimination of sounds across a category boundary is easier than discrimination of sounds within a category.
— Boersma & Chládková (2013) (pdf)

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Efectivamente, o dia 12 de Setembro é um dia importante, como são especialmente importantes todos os dias desde 1 de Janeiro de 2012. Qualquer dia, disse isto há uns tempos,  o contato e o fato serão a norma europeia — ou aceites na norma europeia, a par do facto e do contacto, ao abrigo das facultatividades e a reboque do erro, patrocinado (nomeadamente) por quem um dia escreveu “agora facto é igual a fato (de roupa)” e justificado (temo o pior) pela frequência de uso. Já dizia o outro: Quia parvus error in principio magnus est in fine.

Fica o apanhado de hoje. [Read more…]

Uncomfortably Numb

Mesmo junto ao local onde trabalho, existe um daqueles espaços com máquinas automáticas que estão abertos vinte e quatro horas. “Aberto” é termo apropriado para este sítio em particular: os vidros que serviam de parede foram partidos por mitras em tempos imemoriais e jamais foram substituídos. E é desses mitras de que vos falarei hoje.

Habitualmente, o espaço está ocupado por um grupo de três ou quatro mitras e uma gaja, que deve andar a comer um deles, ou mais provavelmente os quatro. Fazem-se acompanhar de colunas de som e da bolsinha da ganza. Diria que o fumo pesado dos charros num espaço muito frequentado por crianças (é uma zona com várias escolas) seria desadequado, não fosse o lugar muito pouco kids-friendly por si mesmo, uma vez que uma das máquinas vende utensílios tão esdrúxulos quanto dildos, anéis vibratórios ou flashlights. Uma vez, de forma a pregar uma partida a um amigo mais ingénuo, uns alunos meus compraram uns preservativos na máquina, disseram ao amigo que se enganaram a pedir, que tinham pedido algo de que não gostavam, mas se ele quisesse podia ir buscar, que ficava para ele, e o pobre voltou confuso e com um anel vibratório na mão, que os colegas compraram convencidos de que eram preservativos. Ri-me e alertei que eles queriam enganar o colega, mas que nem sabiam comprar preservativos, contudo não daria mais explicações, alegando que lhes faltavam anos de vida para terem acesso à verdade, quando a mim é que faltava o conhecimento do que raio é um anel vibratório. [Read more…]

Um dia diferente

E a razão é simples: Évora não conseguiu a medalha.

Contudo, quanto ao resto, tudo exactamente na mesma:

Na falta de oposição, presumem-se verdadeiros os fatos?

Efectivamente, presumem-se verdadeiros os fatos.

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E o contacto é directo? Não, o contato é direto. Direto? Aliás, contato? Contato? Exactamente: contato.

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Como perguntou Barnardo, «who’s there?».

Melhor e actualizado, «is there anybody out there?»

Aparentemente, não.

Um cacilheiro em Veneza II

cacilheiro II

Pavilhão de Portugal, Bienal de Veneza 2013 (http://bit.ly/11bu6yt)

Ainda estou a recuperar da machadada final  — golpe desferido sem dó, nem piedade — e da mágoa de não ter conseguido ver em directo aquilo que queria. Em diferido verei.

A propósito, quando leio ‘Taxing the rich’, lembro-me não só dos Aerosmith, mas também desta excelente versão e desta obra de arte.

Quanto aos Aerosmith da retentiva (sim, da retentiva) e para que não haja dúvidas, Krugman já esclareceu não se tratar nem de inveja, nem de desejo/vontade/intenção de castigar os ricos, apenas o reconhecimento da necessidade de o equilíbrio ser atingido através de compensações. Creio que se trata de algo tão elementar, como saber-se que atirar gente para o desemprego não é solução, antes pelo contrário: mas há quem discorde.

E, claro, desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

Ao contrário de Veneza, mesmo sem o cacilheiro, o fim-de-semana sem hífenes (*fim de semana) não tem nem lógica, nem piada.

The Dark Side of the Moon

Fez hoje 40 anos que saíu, eu apanhei-o mais tarde, numa das esquinas da minha vida

Pink Floyd, Astronomy Domine ao vivo em 1968

O youtube também é um campo arqueológico a tender para o infinito. A primeira grande composição pynkfloydiana, numa actuação dominada por Syd Barret, o criador.

The Wall: 20 anos de um muro de angústias e opressão

Angústia, opressão, depressão, medo, isolamento, desprezo, redenção, esperança. Está tudo lá. Em “The Wall”. Hoje assinalam-se os 20 anos da edição do álbum que levou os Pink Floyd a um patamar superior na escadaria da música rock, depois do primeiro passo ter sido dado após o sucesso de “The Dark Side of The Moon”.

Num duplo álbum, a banda britânica construiu uma ópera rock em redor de Pink, um alter-ego de Roger Waters, que escreveu e interpretou a maior parte das canções. Ao longo dos temas, acompanhamos a vida tumultuosa da personagem: o pai desaparecido na guerra, os abusos e opressões dos professores (num Another Brick in the Wall que ficou para a história como hino revolucionário de uma certa rebeldia estudantil), a mãe super-protectora e controladora, um casamento falhado, as drogas, inúmeros estigmas sociais. Tudo tijolos acrescentados a um muro crescente rumo a um isolamento total. Até à tentativa de redenção final.

Depois da infância e adolescência doentia, com permanentes tijolos assentes uns em cima dos outros, Pink tornou-se uma estrela rock, casou, envolveu-se em drogas, perdeu a mulher. Mais tijolos. Agora os suficientes para concluir um grande muro. Os necessários para o isolamento social. Pink entra numa deriva alucinatória e “transforma-se” num ditador fascista com desprezo por quem vai aos seus concertos, indignos de lá estarem. Angustiado pela culpa, submete-se a um tribunal interior. “The trial” termina com o “seu” ‘juiz – consciência’ a ordenar que, como castigo por expor os seus sentimentos, faça a demolição do muro, expondo-se aos seus pares. Um pesado “tear down the wall” é a sentença. Uma canção com tanto de teatral como de angustiante.

Além de ‘beber’ na sua biografia, Roger Water aborda ainda os dramas de um dos fundadores do grupo, Syd Barrett, e os problemas pessoais que agitavam a banda e levaram, pouco mais de um ano depois, ao fim do projecto. Aliás, a gravação de The Wall foi também assombrada pelos problemas internos.

Um disco conceptual que é hoje reconhecido como um dos clássicos da história da música pop / rock. “The Wall” foi um sucesso tremendo em todo o mundo. É um álbum desequilibrado, com momentos geniais e outros aquém da média geral da obra da banda.

Mais tarde foi levado ao cinema, com realização de Alan Parker e Bob Geldof no papel de Pink, e em 1990 foi base do espectáculo encenado em Berlim.