Ouvido no portugalex

Por causa do muro, Trump vai contratar a equipa do “Querido, mudei a casa.”

Mais vale prevenir

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via Political Cartoon

 

Antigos muros franco-britânicos, pré-Calais

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Longleat house, em Wiltshire

Boicote presidencial: the battle of Muro

Muro

A freguesia do Muro, no concelho da Trofa, boicotou o acto eleitoral de hoje. As urnas não abriram pelo mesmo motivo que não abriram em várias ocasiões: a linha ferroviária que servia a população desta freguesia foi fechada em 2002 com a promessa da extensão do metro do Porto até à Trofa mas, 14 anos volvidos, nada mudou. Os habitantes desta freguesia perderam o comboio, o metro continua a ser uma miragem e a única opção que resta para os muitos que trabalham no Porto é a problemática e ultracongestionada EN14.

Sou trofense e conheço o problema. A população do concelho vem sendo enganada por autarcas, secretários de Estado e ministros sem escrúpulos que vendem sonhos pré-eleitorais que nunca se concretizam. E a população está farta de mentiras. Mentiras que levaram inclusivamente a um recente episódio de censura e violação da liberdade de imprensa de um órgão de comunicação social local. Os murenses, esses, não brincam em serviço. São enormes.

Uma Europa cada vez mais unida

O governo húngaro prepara-se para levantar um muro na fronteira com a Sérvia. O fascista Orbán, membro do PPE e amigo de palmada nas costas de Juncker continua a não integrar o lote dos radicais na narrativa do pensamento único. A pena de morte é já ao virar da esquina.

Fundamentalismo de tijolo e cimento

RDA, Israel, EUA, Bulgária e agora Hungria. Os radicais adoram rodear-se de muros.

Muros mentais

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António Alves

Espero que a Câmara do Porto não autorize isto. É uma enorme falta de tacto. Chega a ser insultuoso para com uma cidade que sempre primou pelo respeito pela religião e liberdade de todos. E também contraproducente: o arame farpado em volta da Sinagoga, a maior da Península Ibérica, só pode estimular sentimentos de desconfiança para com os judeus em quem nunca os teve. As pessoas reagem mal a quem se manifeste desconfiado para com elas. A Sinagoga do Porto ali aberta, grande, bela, visível, foi algo que eu sempre mostrei com orgulho às pessoas de fora que acompanhava e calhava passar naquela rua. O texto que se segue foi escrito pela própria comunidade judaica do Porto.

Boas cercas fazem maus vizinhos

Não exagero se disser que me sinto ofendida pela intenção hoje noticiada da Comunidade Israelita do Porto (CIP) de fazer erguer um muro à volta da sinagoga do Porto. Considera a CIP que os atentados terroristas em França e o aumento do anti-semitismo na Europa aconselham a protecção da sinagoga, coisa que se traduz num muro de 3,5 metros de altura e arame farpado.

E se me sinto ofendida é porque essa comunidade não tem motivos para sentir-se ameaçada no Porto, não houve nesta cidade nenhuma manifestação de anti-semitismo que justificasse a construção de um muro, e avançar com a sua construção é um acto de desconfiança em relação à cidade que não tem justificação histórica nem é sustentada por nenhuma ameaça concreta na actualidade. [Read more…]

Já se sabe, sem carta registada com aviso de recepção, não conta

“Autarquia não tinha conhecimento formal de problemas de segurança com a estrutura” [P]. Foram as praxes, que não vão a tribunal.

The Wall: 20 anos de um muro de angústias e opressão

Angústia, opressão, depressão, medo, isolamento, desprezo, redenção, esperança. Está tudo lá. Em “The Wall”. Hoje assinalam-se os 20 anos da edição do álbum que levou os Pink Floyd a um patamar superior na escadaria da música rock, depois do primeiro passo ter sido dado após o sucesso de “The Dark Side of The Moon”.

Num duplo álbum, a banda britânica construiu uma ópera rock em redor de Pink, um alter-ego de Roger Waters, que escreveu e interpretou a maior parte das canções. Ao longo dos temas, acompanhamos a vida tumultuosa da personagem: o pai desaparecido na guerra, os abusos e opressões dos professores (num Another Brick in the Wall que ficou para a história como hino revolucionário de uma certa rebeldia estudantil), a mãe super-protectora e controladora, um casamento falhado, as drogas, inúmeros estigmas sociais. Tudo tijolos acrescentados a um muro crescente rumo a um isolamento total. Até à tentativa de redenção final.

Depois da infância e adolescência doentia, com permanentes tijolos assentes uns em cima dos outros, Pink tornou-se uma estrela rock, casou, envolveu-se em drogas, perdeu a mulher. Mais tijolos. Agora os suficientes para concluir um grande muro. Os necessários para o isolamento social. Pink entra numa deriva alucinatória e “transforma-se” num ditador fascista com desprezo por quem vai aos seus concertos, indignos de lá estarem. Angustiado pela culpa, submete-se a um tribunal interior. “The trial” termina com o “seu” ‘juiz – consciência’ a ordenar que, como castigo por expor os seus sentimentos, faça a demolição do muro, expondo-se aos seus pares. Um pesado “tear down the wall” é a sentença. Uma canção com tanto de teatral como de angustiante.

Além de ‘beber’ na sua biografia, Roger Water aborda ainda os dramas de um dos fundadores do grupo, Syd Barrett, e os problemas pessoais que agitavam a banda e levaram, pouco mais de um ano depois, ao fim do projecto. Aliás, a gravação de The Wall foi também assombrada pelos problemas internos.

Um disco conceptual que é hoje reconhecido como um dos clássicos da história da música pop / rock. “The Wall” foi um sucesso tremendo em todo o mundo. É um álbum desequilibrado, com momentos geniais e outros aquém da média geral da obra da banda.

Mais tarde foi levado ao cinema, com realização de Alan Parker e Bob Geldof no papel de Pink, e em 1990 foi base do espectáculo encenado em Berlim.

 

 

O Diabo por Belzebú

É o espírito que conduz o mundo e não a inteligência

Antoine de Saint-Exupéry

 

Em 9 de Novembro 1989 caiu o muro de Berlim. Existia então a seguinte situação com os seguintes ingredientes imateriais: um sóciosistema podre, não reformável e condenado, uma constelação astral propícia, o mês dos Escorpiões, Novembro, e uma banda chamada “Scorpions” (“Escorpiões”) que cantando a canção “Wind of Change”* augurava mudanças. E estas mudanças materializaram-se.

 

O que na altura não se viu ou não se quis ver, foi o facto que todo o sistema mundial estava podre e caduco. Assim, este, com a queda do muro e com a despedida do indispensável antagonista “socialismo”, ficou fora de equilibrio de vez. Mas nós, na nossa mania de vermos apenas vencedores e vencidos e não tanto o bem comum e o TODO, declarámos a vitória unilateral do capitalismo pensando que iamos viver felizes para sempre.

 

Todavia, como um mundo unipolar e sem antagonistas não funciona, tiveram que surgir outros “ismos” (islamismo, fundamentalismo religioso, etc.) para tomar o lugar do defunto socialismo. Por outras palavras: substituimos, a partir e 1989, o diabo por belzebú. Por isso, após 20 anos de vãs tentativas – Globalização – de alcançarmos a felizidade, bem-estar e a harmonia, os ventos da mudança, desde 1989 suprimidos, ignorados e não aproveitados na altura para criar uma nova ordem, fazem-se sentir com cada vez mais força para restabelecer o equilibrio e a harmonia perdidas. Quem se opõe corre perigo de sucumbir, temos é que acompanhá-los. Assim teremos uma boa oportunidade de chegarmos, após alguns sustos e sobresaltos, a um mundo melhor.

 

Penso que em breve a canção “Wind of Change” conhecerá uma nova edição – talvez em em Novembro de 2010?

 

RD – bloguer convidado

 

P.S. Por mais paradoxal que pareça: depois da grande mundança qualitativa teremos os dois antagonistas, capitalismo e socialismo (ou egocentrismo e sóciocentrismo), de volta – felizmente! Todavia, desta vez sem estarem bipolarizados e sob uma forma de pensar e agir que permita vencer a dualidade entre os dois: olhando para a frente e primeiro para o benefíco do próximo. É esta a receita para os tempos áureos que o mundo periodicamente tem conhecido e voltará a conhecer quando a grande “seca” acabar. E então, em vez de quaisquer “ismos” estúpidos, teremos novo crescimento e ascensão sócioeconómica, política, cultural e ecológica para todos, ou seja, para os mais ricos e os mais humildes. Claro, tudo isso até que um dia voltarmos ao comportamento linear que depois traz consigo novos “ismos”. A não ser que entretanto tenha chegado o momento em que se cumpre o seguinte vaticínio feito em 1969:

 “O desenvolvimento espiritual da humanidade  acontecerá em três épocas: 1º comportamento  instintivo animalesco,  2º comportamento linear  sob o lema: o que serviu ontem, também há-de  servir hoje e 3º pensar e comportamento “em  espiral”. Com o comportamento em “espiral”  começará a reunificação entre natureza, homem  e técnica e com ela a época mais nobre da humanidade.” 

Professor Pannikar, catedrático para a filosofia  hinduista da Universidade de Benares (Frankfurter  Allgemeine Zeitung, 22.01.69)